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O Escritor

Eu caminhava constantemente nas ruas da metrópole, parecia nômade, um morador dos discursos, eu entrava e saia dos bares como as vírgulas, eu me fazia presente nas exclamações e ausente nas interrogações, eu estava delirando e aceitava isso finalmente, aceitava a loucura de braços abertos. Já estou na humanidade, na realidade eu nunca saí dela, assim como o caos que sempre andou presente nas mais diversas manifestações e personificações. Quanto mais devo escrever? Onde é o limite? Quando isto estará bom? Quando valerá a pena ser lido por mais alguém? Vocês sabem quantas vezes é necessário pular da janela para recomeçar? Eu havia trocado os horários de sono, meu relógio biológico estava alterado, isto podia ser um sinal se eu fosse supersticioso, mas não, estou tão apegado a realidade que qualquer ato metafísico perde o sentido. E assim tomo para mim o final da sentença, do ato, da obra, como tomei o final da vida, minha vida de escritor, este desejo sem pé nem cabeça que atormenta como os delírios atormentam os esquizofrênicos, como a sentença atormenta o réu e melhor ainda, como a criança teme a chegada de seus país. 
 
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Atualizado em: Qui 27 Dez 2018
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