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O vazio

Jonathan acabará de acordar exatamente às 7:17 de um domingo, e ele odiava acordar tão cedo aos domingos. Revoltado por despertar tão cedo em um dia inútil e não tendo nada para fazer, levantou-se extremamente irritado e foi para a cozinha preparar o seu café da manhã. Onde estaria o pó? Deixava sempre no mesmo lugar do armário, impossível não estar lá. O pão, a manteiga, o leite e até o cereal tinham... acabado? Mas Jonathan tinha feito as compras quinta-feira, teria alguém entrado na casa e levado tudo? Checou as portas e janelas para ver se as tinha trancado na noite anterior; devidamente trancadas. Seria um mendigo morando no sótão? Lembrou-se de um caso assim que uma vez viu na internet; nada de mendigo no sótão. Não lhe restava muitas opções além de ir ao mercado.
Depois de trocar de roupa e montar em sua bicicleta, Jonathan partiu em direção ao mercado equipado com seu celular, seu canivete, carteira e seu fone bluetooth onde escutava um podcast qualquer. No caminho, ele estranhamente não encontra nenhuma pessoa na rua, nada de carros, ônibus e nem mesmo o cachoro da dona Angela que sempre latia quando ele ia sair de casa deu as caras. Mas era um domingo de manhã, compreensível não ver movimentos a essa hora. O incômodo de Jonathan com essa situção já estava muito grande, mais de 10 minutos pedalando e nenhum sinal de vida? Decidiu então mandar uma mensagem para o seu melhor amigo, Pedro, mas estava sem sinal.
Chegando ao supermercado, percebeu que o estacionamento estava ligeiramente lotado, o incômodo passou um pouco mas não durou muito tempo. Entrando, olhou ao redor e percebeu que estava completamente vazio, nem funcionários, nem clientes, nem uma alma sequer. Nesse momento estava completamente desesperado! Logo, mil e umas teorias e possibilidades passou por sua cabeça; aliens? Simulação? Estava morto? O que estaria acontecendo? Jonathan não sabia. A fome e a raiva de ter acordado cedo, deu lugar ao mais completo pavor que um ser humano poderia sentir. 
Parado tentando entender o que estaria acontecendo, Jonathan começou a ouvir pedidos de socorro vindos do fundo do supermercado. Alívio de ouvir outra voz a não ser a do seu pensamento? Também, mas esse sentimento veio acompanhado de outro... incerteza. Pensou em só ir embora, mas a curiosidade era maior, puxou o seu canivete e foi em direção aos pedidos de socorro que conforme se aproximavam, ficavam cada vez mais altos. Mas havia algo de errado com aquela voz, Jonathan sentiu uma certa malícia vindo dela e então parou de ir em sua direção. Risos vieram à tona e uma figura negra, imensa, de olhos grandes e brancos e dedos alongados parecendo lâminas surgiu detrás das prateleiras; Jonathan não ficou assustado ao ver a criatura, pelo contrário, ela lhe trouxe uma estranha paz e conforto.
A estranha criatura com seus dedos longos e aparentemente afiados, veio andando em sua direção, a cada passo que dava o chão tremia e as coisas ao redor de Jonathan começaram a desaparecer. A primeira que ele notou sumir foi uma prateleira em sua esquerda, logo após isso, as lâmpadas, os produtos; olhando pela janela, percebeu os prédios e os carros também sumindo. Quando a criatura chegou perto de Jonathan as únicas coisas que restavam era um entorno todo consumido pela escuridão, nada de paredes, portas ou mesmo o chão, pareciam estar flutuando no vazio. A criatura, com seus dedos alongados, tocou sutilmente o peito de Jonathan, fazendo-o sentir um pesado sono e cansaço. Não podendo resistir, fechou os olhos e permitiu-se descansar nos braços daquele estranho ser. Com os olhos fechados e não mais sentindo o seu corpo, Jonathan ouviu pela última vez, - Finalmente... É meu.
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Atualizado em: Ter 8 Set 2020

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