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COMA

      Ela me disse que respirar estrelas pode machucar. Eu fugi de uma onda tremenda de nuvens para tentar não me afogar na terra interna das nuvens ocas. Eu gritei nos vácuos silenciosos do inconsciente consciente que se esconde em mim. Chegando na margem do caderno, eu quebrei o lápis feito a mão com os dedos do amor.
      Eu cruzei o rio da desesperança só para tragar o alivio. Enrosquei meu braço nos longos cabelos da persistência e me escorei nas asas da ilusão. Do alto do penhasco, vi um sorriso me encarando. Sem pensar, pulei logo de cabeça. Seus dentes rasgaram minha pele e sua língua provou do meu sangue.
      Enquanto a dor gritava nos meus ouvidos, um gosto doce surgia na minha boca. Era a gentileza que insistia em me beijar com intensidade. Mas meus olhos foram lacrados pelo medo, que não me permitiu ver mais do que necessário. Raso.
      A água bateu no tornozelo, mas meu corpo inteiro já estava molhado. Tentei fugir, mas quando se cria raízes é difícil de seguir em frente. Plantar sementes custam lágrimas intermináveis e imutáveis. Meu corpo ficou congelado com o tempo, pois, eu mesmo me aprisionei dentro de uma parte especifica do seu frigorifico que você chama de alma. Seu coração.
      Construí com os meus sonhos um martelo forte o suficiente para escapar, o que me tirou toda a força para sair. E me deixou com sono o suficiente para te aquecer. Eu precisei te esperar dormir para conseguir tirar meus braços dos teus carinhos. Mas seu sorriso, aquele do penhasco, me cativou quando permaneceu mesmo inconsciente.
Mal sabia eu que as estrelas que eu respiro foram especialmente desenhadas por mãos de um monstro que eu costumava chamar de anjo. Meu pulmão foi dissecado e estudado para que controlado no seu respirar. E tu soprou vida para teus desenhos, me mantendo preso nesse coma.
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Atualizado em: Qui 29 Mar 2018
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