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28 maio 97 em Miami, USA

O fisiologista narra tudo aquilo que vê. Sua própria ciência os torna presunçosos; pensam que a Natureza não pode ocultar-lhes nada.

Não é verdade que o materialismo seja conseqüência desses estudos; o homem é quem tira deles uma falsa conseqüência, porque ele pode abusar de tudo, mesmo das melhores coisas. O nada, aliás, os amedronta mais do que o demonstram, e os espíritos fortes, são, freqüentemente, mais fanfarrões do que corajosos. No mais das vezes, são materialistas por não terem nada com que encher o vazio do abismo que se abre diante deles. Mostre-lhes uma âncora de salvação e a ela se agarrarão apressadamente esquecendo que seguravam mão mais firme e duradoura, e dos compromissos d'alma não só para consigo mesmos mas para com os demais.

Invariavelmente aceitam a satisfação do ego e do corpo hoje e agora em detrimento da conquista perene que se lhes suporta a verdadeira existência, fonte de toda a felicidade e fortaleza.

Não raro vêem nos seres senão a aparência, a ação da matéria e da mente alimentadas, embrenhando-se na erraticidade das vicissitudes das paixões menores e experimentam suplícios certos e sabidos no momento em que a consciência se libera dos laços ilusórios.

Mas estes seres se sentem sempre como à água lamacenta, que tira a liberdade dos movimentos aos corpos nela mergulhados até que encontram o seu outro simpático, detentor de afeição sincera, quando aproximam, um do outro, por circunstâncias fortuitas, mas que são o fato da atração de dois espíritos que se procuravam na multidão. Há entre eles uma comunicação de pensamento que faz duas pessoas se verem e se compreenderem sem necessidade dos sinais exteriores da linguagem.

Todo coração é repouso da força vivente, ele conhece aquilo que queremos ocultar de nós mesmos; nem atos, nem pensamentos podem-lhe ser dissimulados sob a pena eficaz do desequilíbrio da mente e do corpo.

A fragilidade que inflige aos laços de amor maior são fonte de amargura que tenta dissimular e, filho do egoísmo, cai no vício da busca infrutífera de mais e mais, outros e outros, ficando insensível até mais tarde encontrar outros corações igualmente insensíveis que vão saciar a sede do frugal e secar sua chama da alma.

Ingratos, encontrarão ingratidão e remorsos.

A Natureza deu ao homem a necessidade de amar e ser amado. Um dos maiores prazeres que lhe seja concedido sobre a Terra é o de reencontrar corações que simpatizam com o seu, o que lhes dá as premissas de uma felicidade que lhe está reservada igual no mundo dos Espíritos: é um prazer negado ao egoísta. Ao que lança-se à sorte nova esquecendo o que encontrou, diminuindo-lhe o valor, recebendo o amor mais sincero com indiferença e mesmo com repulsa, nada mais tem em seus atos do que uma própria punição e infelicidade. Inócuamente crêem amar perdidamente de um dia para o outro a mera admiração material.

Não basta estar enamorado por quem vos agrada e detém poder; sobrevive apenas, o amor, quando frente à dor pois que, posto como prova, não naufraga ao infortúnio.

O sentimento menor perece. Apenas existe em conjunto com o sorriso; são uniões que procuram mais a satisfação do orgulho e da ambição, satisfação fugidia de todos os seus desejos, aumenta na alma uma ansiedade e tortura perpétuas fazendo não crer num futuro. O futuro não lhe está nos planos porque bem o sabe o que reserva.

É, em suma, um suicídio como qualquer outro, porém prolongado.

 

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Atualizado em: Seg 9 Nov 2009

Comentários  

#1 rackel 02-12-2009 20:50
Um chamamento ao amor verdadeiro, à pureza dos sentimentos.

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