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Carta de um doador

Meu dia começou como todos os outros. O relógio despertara, a água já estava a ferver, a higiene já a fazia. Bebi rápido um café, e desci correndo pelas escadas, pois já pela manhã aquele elevador estava lotadíssimo. Corri pela avenida até a parada do ônibus, como sempre eles ali já chegavam carregados em excesso. Decidi ir correndo a fim de atingir outra grande avenida onde passavam outras linhas diferentes de ônibus. Corri loucamente sem prestar a atenção em quem por mim cruzava. Esbarrei em muitos, só me dava conta com os palavrões que me eram dirigidos, mas tinha pressa o serviço tão dificil não podia dar bobeira, corria. Ao ver que atravessava vários quarteirões estava atingindo o meu destino, visualizei a passarela cheia, e imensas filas. Não! Se ali fosse por certo, não conseguiria alcançar o horário da entrada, de bater o cartão. Uma olhadinha prá cá outra prá lá, e decidi atravessar logo, e mais rápido, pela extensa avenida. Ah, mas corri, não imaginei que esta era tao longa quanto parecia ser. Simplesmente o tempo diferenciou-se, insistia a ajudar minhas pernas a correr, meu fôlego estava estranho, que coisa inacreditável esta avenida, pensei, esta estranha... Olhei para todos em minha volta. Onde estão os carros? Eram pessoas (não) o que seriam? Não entendo, refleti o que aconteceu, gritei. E fui acolhido por uma enorme luz. Uma legião de seres iluminados que me banhavam de paz. Fui lentamente sugado para um lugar que descrevo como uma enorme e fofa nuvem branquinha. Vi em meu peito feixos de luzes, que se cruzavam, iluminando-me. Fui entendendo, não sei como, pois não havia vozes mas sim sintonias que me infiltravam. Sim, eu estava morto, mas mais “vivo” do que nunca, uma felicidade tocava-me e eu não sorria, gargalhava-me. E explodi de amor, quando soube que do corpo imóvel, do cérebro morto, da matéria, saíra um coração perfeito, para dar uma nova vida. Na dimensão que eu estava fui acometido por felicidade, onde eu reporto-lhes com fidelidade, e peço que todos os familiares que todas as pessoas se conscientizem que devem executar a doação de órgãos. Ao contrario, erroneamente pensam vocês “morrer” não dói, nem nos faz falta na alma. Mas sim nos trás um conforto, uma alegria de saber que algo de nós é fundamental para que uma vida tenha mais tempo para ai permanecer. Oh, como é belo estou feliz. Permita vocês esta felicidade aos seus entes queridos quando partem do corpo. Saibam que estarão permitindo uma imensa alegria. Para quem tem meu coração, o proteja e o ame muito. Lembrem que poderá estar sendo permitido, que realizem com este gesto, que seja sanado um grande carma. Se vocês não acreditam em carma. Deixa prá lá acredite no amor e faça este gesto !
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Atualizado em: Seg 1 Dez 2008

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