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Menina Magrela

Uma menina magrela, cabelos longos desarrumados sobre os ombros, vestido de chita e pés descalços. Este era o perfil de uma menina que sempre fazia o mesmo trajeto pela vasta e movimentada avenida. Sempre ao chegar em um cruzamento perigoso, ela ali ficava a sorrir aos transeuntes, auxiliando cegos, velhos e indecisos, toda a manha, toda à tarde e parte da noite. Observada ao longe, era visto que ela nunca atravessava para o outro lado. Delicadamente fazia com que observassem o degrau e punha as pessoas sobre a passarela de segurança. Sorridente nada tinha a dar e nada pedia. Mas sua simpatia e cordialidade faziam despertar a caridade e em reconhecimento tudo o que ganhava depositava em um pequeno saquinho de pano sujo e surrado pelo tempo. Todo o troquinho que ganhava, não agradecia simplesmente sorria.

Esta menina magrela despertava a atenção dos que por ali costumavam passar, levando alguém a segui-la para ver onde se recolhia. Por certo em algum lugar residia numa choupana, num pé de morro ou em uma casa de um clandestino loteamento. Onde morava a menina magrela?

Num entardecer ela fora seguida. Caminhava vários quarteirões cruzava vários viadutos, moradias de infelizes, mas ao passar por um albergue bate a campainha, deixa um pequeno embrulho e sai correndo, não mais sendo vista. No dia seguinte, a menina magrela novamente foi seguida, mas neste dia, para a surpresa, ela entra no viaduto, reduto da pobreza, e lá é recebida com simplicidade. Vê-se que todos estão acostumados com sua presença. Faz a entrega do pequeno embrulho e, sem esperar o agradecimento, retira-se sorrindo.

Jamais viram a menina magrela triste.

Todas as vezes que fora seguida ia a um lugar diferente. Soube-se que o embrulho eram as gorjetas que ganhava.

Mas para onde essa menina bondosa se recolhia?

O sol se punha e lá estava ela.

Um dia fez algo diferente chamando a atenção: Atravessou para o outro lado da avenida perigosa, dando a mão a um idoso. Largou-o em segurança e ao retornar saltitante e alegre, foi colhida por um automóvel desgovernado, deixando seu corpinho frágil desfalecido no meio do cruzamento. Muita gente correu, mas era tarde a menina magrela despediu-se atravessando a rua, deixando muita dor a quem a conheceu.

Todos os amigos vieram velar seu corpinho. Aqueles que foram auxiliados por ela, formavam uma grande multidão em sinal de despedida.

Nome? Ninguém sabia dizer, alguém responsável jamais apareceu. Num túmulo coletivo foi depositado aquele corpinho apenas com identificação... “Menina Magrela de Bom Coração”.

No cruzamento há dias em que se vê os cegos sorrindo de mãos estendidas tal como se estivessem sendo auxiliados por alguém.

No viaduto seguidamente aparece embrulhos contendo dinheiro amassadinho como aqueles como a menina doava.

Seria ela um anjo?

Seria um milagre?

O fato é que ela mora em nossos corações.


Psicografia Espirito de:
-Tia Rola -
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Atualizado em: Seg 1 Dez 2008

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