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Idéias por um fio

Brendinha é sonhadora. Gosta muito de ouvir as histórias que sua tia lhe conta quando viajam para Vila Velha.

Numa dessas tardes preguiçosas da vida, Brendinha deitou-se no colo de sua mãe e pediu logo à tia:

- Conta de novo a história do homem que perdeu o nariz, tia? Conta, vai! Por favor, por favor, por favor!

- Está bem, minha lindinha. Vou contar. Vou buscar nos livros da memória.

Nesse momento sua mãe deslizava as mãos suavemente por seus cabelos... Puxava-lhe algumas mechas, às vezes parecia pegar fio por fio... E aquilo era muito bom!

- Conta logo, tia!

- Era uma vez um homem

que se chamava Juvenal.

Trabalhava duramente

em um canavial.

Era foice pra lá,

foice pra cá,

corta a cana,

tira a folha da cana,

amontoa a cana...

“Tchap! Tchap! Tchap!”

Já anoitecia e Juvenal não via.

Era foice pra lá,

foice pra cá, até que...

“Tchap!” foi-se o nariz!

- Oh, céus! Cadê beu dariz?

O nariz do Juvenal

caíra no chão do canavial.

E àquela hora

a noite já havia chegado,

como ir embora

assim, desnarizado?

Juvenal, desesperado,

corria pra todo lado.

Foi quando teve uma idéia feliz

para encontrar o seu nariz!

- Ai, mãe! Você puxou meu cabelo! – queixou-se chorosa a Brendinha – Você arrancou um fio que tinha a idéia do Juvenal! Você tirou meu pensamento!

Impossível não rir daquela situação. Que menininha! Que imaginação! Sua mãe adulou-a nesse momento e lhe disse:

- OK, Brendinha. Vou colocar o fio no lugar de novo. Pode continuar a história, tia da Brenda!

- Continuando... Juvenal desconsolado

pôs-se de orelha em pé!

Enfiou a mão no bolso

e tirou lá de dentro

um vidrinho de rapé!

Enquanto jogava o pó de rapé

espalhando-o pelo chão,

chamava pelo amigo:

“Espirra aí, Seu Narigão!”

“Atchim! Atchein! Atchô!”

Juvenal seu nariz achou.

Ele sorriu contente,

pegou o nariz do chão

e colocou-o na cara,

logo acima do bocão.

Mas não percebeu que, na pressa,

(estava atrasado à beça!)

não foi perfeito o encaixe

e o nariz, coitado,

ficou de cabeça pra baixo!

Para a sorte do Juvenal,

depois que ele chegou em casa

caiu o maior temporal.

E até hoje o coitado

anda por aí de nariz virado...

Brendinha dormira feliz. Na certa sonhando com Juvenal e seu nariz.

 

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Atualizado em: Sáb 30 Jan 2010

Comentários  

#4 Pamaro 02-04-2010 16:15
Qdo criança ouvi muitas histórias, que gardo até hoje na memória. Se não me engano, essa do nariz virado criou um problema para o Juvenal: quando chovia, tinha que cobrir o rosto para não morrer afogado. Parabéns, Sandra!
#3 rackel 23-02-2010 10:29
Que lindo, Sandra. São histórias assim que povoam a nossa imaginação depois de grandes, fixando em nós o carinho por quem as contou. Excelente.
#2 tania_martins 15-02-2010 19:05
Parabéns,Sandra!
+1 #1 seth 31-01-2010 08:17
muito engraçado,essas são as chamadas estórias prá "boi dormir",mas na imaginação infantil faz sentido...parabéns sandra.

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