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Entrevista cedida à CBJE em 2010


A Literatura faz parte da minha vida desde a mais remota lembrança. Na minha base familiar, a tudo que aprendia como valor acompanhava uma história bem enredada com fatos concatenados, era um universo de contações de causos e de uma cultura instigante, um aprendizado muito peculiar das coisas. Com o imaginário aguçado só precisava encontrar na escola ambiente para reproduzir aquele universo fantástico, o que encontrei na Escola Municipal Coronel Antônio da Silva Bernardes (CASB), onde tive mestres que trabalhavam sempre a produção e interpretações textuais. Aqui rendo minha homenagem a eles. Depois disso, foi o momento das descobertas, a adolescências procurava resposta e encontrei um verdadeiro manancial na leitura dos mestres Machado, Aluízio de Azevedo, Carlos Drumond de Andrade, Manuel Bandeira, Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz, e quando mais adulto Carl Max, Shakespeare, Geoffrey Chaucer, Robert Burns, James Joyce e Edgar Allan Poe.
Entretanto, só publiquei pela primeira vez quando a Universidade Federal de Viçosa, por meio da sua editora ( Editora UFV), convocou, via WEB, os escritores da cidade para um concurso. Foi o primeiro passo como escritor. Desde então submeto constantemente trabalhos à virtualidade, sendo a Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE) a que tem maior número de trabalhos meus publicados. Isso porque além da prestimosa atenção que nos dispensa, é para mim a que melhor trabalha a inclusão literária, o fomento da produção e edição de novos autores, atendendo a uma grande demanda de escritores que estavam à margem do mercado editorial.

Conhecer a CBJE
Conhecê-la foi um evento especial, porque buscava confiabilidade e profissionalismo; aqui, encontrei isso e muito além. Para o novo autor é garantia de visibilidade. Ainda há pouco me foi anunciada a visitação crescente de leitores às suas páginas, cerca de 120.000 só na página de entrevistas no mês de janeiro. É um marco na virtualidade e algo que todo o autor deseja. .

Literatura e vida
Importante salientar que minhas produções sempre são pautadas por algum questionamento. Seja de valores culturais, religiosos ou filosóficos. Para tanto me sirvo das incontáveis possibilidades que o gênero propicia. O fantástico e suas ricas metáforas têm muito a dizer e dizem da nossa insatisfação com as contradições deste mundo. Sinto que minha vida se dilui nas linhas narrativas dos meus contos a dizer bem no íntimo das minhas inquietações, por isso Literatura para mim é um pouco da minha própria essência, da minha própria vida. É muito fácil realizar isso por meio do fantástico, da fantasia, do sobrenatural, do mítico e do maravilhoso. Importa dizer que, não de outro modo, procuro engajar-me a questões de cunho social, a crítica, exibindo para isso uma forte ideologia de discurso, algo perceptível a um leitor mais crítico.
Sempre o que me traz a folha é fruto de alguma reflexão, questionamento. Assim tanto na minha vida como na minha obra quero abrir olhos, revelar um ângulo diferente das verdades apregoadas pelo mundo e pela mídia.
Um bom exemplo é o conto “Rua Capadócia” que publiquei aqui num dos livros da série de Contos Fantásticos da CBJE. Nele faço menção e crítica à ocupação desordenada dos morros do Rio de Janeiro. Cito através do enredo onde está a raiz dessa cultura de ocupação.
“... É que eu tô misturado num monte de ossos... São de índios. Eu não sabia, mas antes de nossas casas, era tudo como uma floresta.”
Nas entrelinhas do discurso a dominação dos nativos por um regime de colonização, aculturação, desapropriação da terra e cristianização.
“Na verdade, eles queriam estar lá embaixo, jogados no rio. Alguém os colocou aqui, dizem serem homens de capa e de cruzes.” (referência a presença da igreja e sua dominação)
Aí, minha identificação com o que escrevo. Quero de alguma forma mostrar que a literatura fantástica é um gênero capaz de desenvolver boas temáticas, alimentar discussões ricas e, sobretudo, oportunizar a formação crítica do leitor.

Conselho ao novo autor
Enfim, resta-me fazer o que me obriga essa verdade. Caro amigo autor, convido-o a ingressar nessas páginas, ler, perscrutar as minúcias dos projetos, das propostas, dos custos e, dar-se o direito de provar do novo e revigorante contato com o leitor. Aqui a leitura de seus trabalhos se faz tanto no mundo virtual quanto nas vias impressas. Já diz a máxima “Saepe potestatem solita est superare voluntas” cuja tradução é: Mais faz quem quer do que quem pode. Então, queira e escreva, porque poder será consequência, não é mesmo?

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Atualizado em: Ter 11 Maio 2010

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