person_outline



search

Momentos que rapidamente me deixavam...

Hoje em plena madrugada as 04:00 recordei a época em que fiquei um ano fora de casa com 16 anos, era ajudante de caminhão (ou seja o escravo do motorista), 12 meses em que fiquei na boleia do caminhão, em que dormia na carroceria, em rede, na carga de frutas para conseguir me esquentar da noite fria da região sul...recordei que eu era apenas uma criança grande...


...é estranho mas em certos momentos que contava essa situação pude sentir o cheiro do caminhão, das frutas, da madeira da carroceria, e também pude sentir todo o sentimento que a estrada trazia, solidão, angústia, desespero, carencia.

...era de sol a sol, chuva a chuva não havia tempo pra descanso, não havia uma criança grande ali, e sim um cara tentando ter e poder proporcioinar para a sua familia um pouco mais de conforto, conforto que no qual me abstive....


deixei e troquei o colo de minha familia pela longa e vazia estrada, troquei um caminhão de brinquedo por um de verdade, as brincadeiras de criança pelo trablaho arduo e exaustivo....

...a cada recordação, lembrança, me trazia uma grandiozidade em pessoa, pois hoje sei que isso só me fez bem..

...me fez bem passar aniversario, dentre outras datas comemorativas longe de todos....a data que me recordo com grande pesar foi no natal...estava eu, só...em um posto de gasolina dormindo na pensão do posto na espera de outra carga, outro caminhão que não era de brinquedo, aguardando outros dias cansativos que no qual eu não poderia escapar pois aceitei tudo aquilo, aceitei me machucar seriamente e as vezes nem tão importante assim, aceitei chorar baixinho para que o motorista não escutasse, pois dai sim eu estava ferrado....ele ficaria rindo de mim, aceitei os calos que ardia, os machucados nos pés de ficar pulando da carroceria para vender mais, aceitei dormir ao relento, troquei meu quarto e minha cama macia, por madeira....


claro que quera sair correndo e voltar para o seio de minha familia, mas a necessidade falava mais alto, então engolia toda a minha saudade e a guardava no mais profundo que conseguia dentro de meu ser...


ao falar no telefone com minha familia segurava o nó o imenso nó de choro pois o que eu mais queria era chorar muito, chorar de alegria em ouvir as vozes de minha mãe, pai e irmãs, tinha que me controlar precisava passa a impressão de eu estava adorando tudo aquilo, que estava tudo bem, mas só eu sabia que não estava nada bem e que eu não gostava daquilo, eu ria muito ao telefone pra não mostrar a voz embargada nas lágrimas...quando desligava o telefone eu saia andando e por alguns momentos eu deixava que as pessoas me vissem chorar, deixava aquela criança grande sair, deixava...apenas deixava por momentos.....momentos que rapidamente me deixavam...


e o ajudante voltava em cena...


pude sentir durante esses 12 meses a exata sensação de abandono, claro que minha familia não faria isso, mas a estrada a longa solidão da estrada me fazia ter esse sentimento, a todo momento recordave o semblante de minha mãe e isso me dava forças para prosseguir e pensar que estava proximo do fim, mas ainda estava longe o meu regresso...

Pin It
Atualizado em: Sáb 5 Abr 2014

Deixe seu comentário
É preciso estar "logado".

Curtir no Facebook

Autores.com.br
Curitiba - PR

webmaster@number1.com.br

whatsapp  WhatsApp  (41) 99115-5222