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Sobre as Mãos

Não é o que se pode chamar de uma história original, tampouco uma narrativa comum, enredos repetidos raramente evidenciam conclusões semelhantes, e conclusões semelhantes nem sempre são provenientes de roteiros similares.
Nas cruzadas da vida e imerso no cume de uma profunda reflexão, ele estava lá sentado, sentado sobre as mãos, observando a escuridão e fingindo não ouvir que ela batia na porta. Os raios de luz se estremeciam pelas frestas da janela e eram as únicas cores de um ambiente sombrio, seus dedos pressionavam seu rosto a enxugar gotas de lágrimas que tocavam o solo como pontadas ardentes de um fraco coração.
Esses dedos estavam cortados nas mãos, as mãos pareciam perdidas entre seus braços, suas pernas tremiam na escuridão revelando um ser extremamente covarde, pois ele chorava por ela, mas fingia não ouvir que ela batia na porta.
Às vezes, chora-se por nada, às vezes se sente dor por alguém. Ele sentia e chorava por ela enquanto ela batia na porta, porém continuou inerte sentado sobre as mãos.
 

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Atualizado em: Sáb 22 Out 2016

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