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INDICADORES DA GESTÃO AMBIENTAL URBANA, NO CAMPUS DO BACANGA-UFMA,SÃO LUÍS-MA

Citação bibliográfica ao Prof. Claudio Terezo e do Novo Dicionário de Geografia

Antonio Cordeiro Feitosa DEGEO-NEPA/UFMA

 

Eixo Temático 8: Clima e planejamento urbano/rural

As intervenções do homem na organização do espaço geográfico se refletem diretamente nos elementos do

ambiente, em processo contínuo e com grau de complexidade crescente, como na área do Campus do Bacanga,

cujo sistema ambiental incorpora várias categorias fenômenos, em face do caráter funcional dos elementos que

integram. Com o desenvolvimento da presente pesquisa, propõe se a realização de estudos sistemáticos da

dinâmica espacial da área, na visão sistêmica, compreendendo os elementos e fluxos que interagem no

ambiente. A metodologia envolve os métodos: dedutivo, indutivo e técnicas qualitativas e quantitativas

aplicadas aos seguintes segmentos do ambiente: meio físico, infraestrutura, aspectos sociais, urbanização e

paisagismo, produção e destino de resíduos, serviços prestados e educação ambiental. Os resultados alcançados

nesta etapa da pesquisa correspondem ao diagnóstico ambiental que é o instrumento inicial para a gestão

ambiental.

Palavras-chave: gestão ambiental, Campus do Bacanga-UFMA

The human interferences in the organization of the geographic space are reflected in the environment

on a daly basis, in a continuous process and with a degree of increasing complexity, suc as the one

identified in the área of the Bacanga Campus, whose environmental system incorporates several

phenomenal categories, considering the functional features of the elements which integrat it. With the

development of this research, the realization of systematics studies of the space dynamics of the área

are proposed, following the systematic view, incorporating the elements and the flows that Interact in

the environment. The methodology involves both the deductive and the inductive methods as well as

qualitative and quantitativ techniques apllied to the following environmental segments: physical

environment, infrastructure, social aspects, urbanization and landscaping, production and waste

disposal, services offered and environmental education. The results reached in this phase of the

research correspond to na environmental diagnosis which as in the initial instrument for environmental

management.

Key words: environment ,amagement – Bacanga Campus - UFMA


INTRODUÇÃO

As intervenções do homem na organização do espaço geográfico se refletem diretamente

nos elementos do ambiente em processo contínuo e com grau de complexidade crescente, na medida

em que instrumentos, métodos e técnicas mais sistemáticos são incorporados aos processos produtivos.

A diversidade de atributos dos elementos do ambiente e o nível de emprego do instrumental

técnico condicionaram o homem à escolha de áreas dotadas de maior quantidade de recursos

aproveitados para sua sobrevivência e desenvolvimento. Contudo, registram-se formas variadas de

apropriação dos recursos com igualmente variados níveis de sofisticação consoante com o grau de

desenvolvimento tecnológico alcançado.

Em alguns ambientes, em face da função primordial a que se destinam seus recursos, os

processos de intervenção humana condicionam o emprego de técnicas particulares. É o caso das zonas

desérticas com imensos recursos subsuperficiais e das áreas submersas com muitos recursos em

grandes profundidades.

A área do Campus da UFMA (Figura 1) se localiza numa região de baixa altitude,

delimitada pelos paralelos de 02º33’03” e 02º33’56” e os meridianos de 44º18’10” e 44º18’51”,

ocupada por uma população flutuante cujo contingente aproxima-se de 18.000 pessoas/mês,

segmentada em quatro categorias básicas que congregam: alunos, professores, servidores e visitantes.

A área de estudo compreende o espaço de relações dos servidores da União Federal que

desenvolvem atividades na UFMA, dos alunos matriculados em cursos e programas de: graduação,

pós-graduação e extensão, além de prestadores de serviços nas atividades de infra-estrutura e de apoio

às atividades acadêmicas e dos moradores das áreas circunvizinhas que demandam aos serviços

oferecidos no Campus.

As características e a dinâmica do ambiente, no Campus do Bacanga, expressam alto grau

de intervenção humana nos elementos naturais para a construção da infra-estrutura necessária ao

funcionamento da Universidade, nas áreas de ensino, pesquisa e extensão. A Universidade possui 42

anos de fundação dos quais 36 ocupando instalações construídas no Campus do Bacanga, embora a

instalação das unidades no Campus tenha sido feita de modo gradativo, culminando com a

transferência dos últimos cursos há cerca de quatro anos, restando apenas um curso a ser transferido.

A infra-estrutura física do Campus conta com 45 prédios e respectivas vias de acesso e de

circulação de pessoas e veículos. Todos os prédios são destinados direta ou indiretamente ao

atendimento das funções da universidade uma vez que apenas pequenos espaços são ocupados com a

prestação de serviços extensivos à população desvinculada da universidade. Outros segmentos de

apoio às atividades acadêmicas compreendem os serviços destinados à segurança e manutenção,

limpeza e conservação, abastecimento de água, paisagismo, energia e transporte.

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Figura 01: Mapa de Localização

Fonte: Google Earth .5.0

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No desenvolvimento da pesquisa, estão sendo realizados estudos da dinâmica espacial da

área do Campus (Figura 2), com abordagem sistêmica, compreendendo os elementos e fluxos que

interagem no ambiente, possibilitados pela regulação das entradas, do processamento e das saídas de

matéria e energia. A área está sendo fechada e isto facilita o controle, notadamente no que concerne à

movimentação de pessoas e veículos.

Considerando a perspectiva da abordagem sistêmica, o ambiente do Campus Universitário

do Bacanga é composto por um conjunto de elementos característicos de três tipos de segmentos

sistêmicos: físico, urbano e universitário. O meio físico compreende os temas: geologia,

geomorfologia, clima, vegetação, hidrografia e solos. A compreensão das interações destes elementos

é fundamental para o desenvolvimento do processo de gestão ambiental.

A litologia expressa estratos de rochas sedimentares inconsolidadas, intercalações de fácies

arenosas e argilosas e presença de silte, que respondem fracamente à ação de processos climáticos. A

morfologia é representada por uma superfície subtabular, rebaixada, que decai sob a forma de colinas

com níveis variados de declividade que, nas zonas de forte declive dificulta as intervenções humanas,

tendo amplitude topográfica em torno de 45 metros. Nas áreas mais baixas conformam-se acumulações

hídricas, registrando-se duas lagoas de grande importância local.

Os índices térmicos e pluviométricos configuram o clima quente e úmido, com altas médias

térmicas e pluviométricas distribuídas em duas estações bem diferenciadas, uma seca e outra chuvosa

cujo comportamento vem sendo sensivelmente modificado, notadamente nas três últimas décadas, em

face da acelerada expansão urbana.

A cobertura vegetal primitiva foi totalmente modificada pelas intervenções humanas,

predominando pequenos bosques de formações secundárias. Em cerca de 15% da área do Campus a

cobertura vegetal apresenta porte arbustivo-arbóreo com forte densidade, exercendo total proteção do

solo.

Apesar da baixa amplitude térmica, o clima e a hidrografia representados pelas altas médias

térmicas e elevada porcentagem da umidade desempenham papel importante na dinâmica do conjunto

da paisagem, em virtude da reduzida cobertura do solo, da fragilidade litológica e da erodibilidade dos

solos. O meio urbano compreende a infraestrutura de suporte ao desenvolvimento das atividades

universitárias relativas a ensino de graduação e pós-graduação, pesquisa e extensão além das

atividades culturais dos alunos com periodicidade semanal e frequência significativa em termos de

número de pessoas.

Devido à inserção do Campus numa área de forte demanda social por diversos tipos de

serviços alem das atividades fins da UFMA, no ambiente universitário são ofertados serviços

bancários, comercialização de alguns produto e transporte urbano que atendem, embora em escala

reduzida, às demandas da população circunvizinha.

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Figura 02: Área do Campus do Bacanga.

Vila Embratel

Vila Bacanga

Sá Viana

Jambeiro

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METODOLOGIA

O volume de dados e de informações abrangidos na execução do projeto implica a

segmentação da proposta nos eixos temáticos: meio físico, infra-estrutura, tráfego de pessoas e de

veículos, produção e destino de resíduos, urbanização e paisagismo, educação ambiental e

geoprocessamento, cujo desenvolvimento exige procedimentos metodológicos peculiares.

Considerando o escopo da pesquisa, seu desenvolvimento será feito com fundamentação

nos métodos: dedutivo e indutivo (GUERRA e GUERRA, 1997) e apoio dos métodos: quantitativo,

qualitativo e fenomenológico (TUAN, 1980; KAPLAN, 1975).

O método dedutivo subsidiará os trabalhos de gabinete que compreendem as explorações

relacionadas com a consolidação do referencial teórico, revisão bibliográfica e representação,

interpretação e análise dos dados e informações e elaboração do texto.

O método quantitativo subsidiará o tratamento dos dados relacionados às variáveis

mensuráveis do meio físico e produtos das atividades humanas como volume e características dos

resíduos sólidos, fluxos de matéria e de energia, além do custo de manutenção do sistema.

O método indutivo será empregado como fundamento na observação dos elementos

naturais e humanos da paisagem, subjacente, aos métodos: qualitativo e fenomenológico, relativamente

à percepção ambiental, aplicação de questionário e entrevistas e observação, interpretação e explicação

de fenômenos e caráter local e regional.

Considerando a abrangência temática, atividades do projeto serão desenvolvidas nos eixos:

variáveis ambientais e sócio-ambientais.

Serão utilizados instrumentos materiais de consumo e equipamentos de informática além de

equipamentos específicos como: termômetro; termo-higrômetro, anemômetro, GPS, além de material

para coleta, estocagem e conservação de amostras de sedimentos e de água, classificação e pesagem de

resíduos sólidos. Nas análises em laboratório, serão utilizados materiais específicos.

As técnicas compreendem os procedimentos pertinentes ao alcance dos objetivos da

pesquisa, coerente com o escopo metodológico e uso correto dos instrumentos nas etapas de gabinete,

campo (TROPPMAIR, 1988) e de laboratório (SUGUIO, 1973), compreendendo:

- pesquisa bibliográfica e documental constando de levantamento e análise da bibliografia e

da documentação cartográfica e de sensoriamento remoto com foco na área do Campus do bacanga;

- compatibilização das escalas dos mapas, cartas e imagens para a escala de trabalho em

1:5.000;

- elaboração de questionário e roteiro de entrevista a serem aplicados a professores

servidores, alunos e usuários dos serviços oferecidos na área do Campus, para obtenção de

diagnósticos das atividades desenvolvidas e da percepção ambiental destes, incluindo o imaginário

popular;

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- interpretação dos dados e das informações obtidos com as entrevistas com base em

procedimentos da metodologia qualitativa;

- mensuração das variáveis ambientais: temperatura e umidade do ar, temperatura do solo,

direção e velocidade do vento, evapotranspiração potencial em três espécies de plantas. Estes

procedimentos serão desenvolvidos durante três períodos ao longo de um ano definidos pelos picos das

estações seca e chuvosa e no período de transição entre estas;

- representação, análise e interpretação dos dados das variáveis ambientais e dos

questionários com apoio das técnicas estatísticas: média, desvio padrão, moda e mediana, com

aplicação da melhor técnica segundo a natureza dos dados obtidos;

- coleta e análise de amostras de água dos corpos hídricos e da água de us doméstico para

análise bacteriológica, realizada duas vezes ao longo do ano;

- quantificação, representação, análise e interpretação dos dados obtidos em campo e em

laboratório;

- treinamento da comunidade com vistas à conscientização para a prática da Educação

Ambientall.

A pesquisa será desenvolvida no Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais do

Departamento de Geociências-UFMA, contando-se com parcerias com o IBAMA e a Prefeitura

Municipal de Barreirinhas.

A GESTÃO AMBIENTAL

Ao longo da trajetória do homem na superfície da Terra podem ser identificados diferentes

níveis de intervenção do homem para modificar o ambiente através da retirada de recursos para o

desenvolvimento de suas atividades ou para a simples adaptação ao uso direto. Nos primeiros milênios

da organização social do homem, a baixa capacidade de intervenção do homem no equilíbrio ecológico

e a falta de conhecimentos quanto ao caráter finito dos recursos naturais, inibia quaisquer ações de

gestão ambiental.

O processo de gestão ambiental é entendido com diferentes acepções pelos estudiosos

quando se referem ao conjunto das intervenções do homem no ambiente, em geral remetendo apenas a

um segmento do sistema ambiental estudado. Tais entendimentos merecem reflexões quanto à

apropriação dos conceitos uma vez que são muito diversos quanto ao significante e o significado.

Uma pequena amostragem da diversidade de conceitos relativos à gestão ambiental pode ser

evidenciada nas referências apresentadas a seguir.

Para Philippi Jr, Roméro e Bruna (2004, p. 03) “o processo de gestão ambiental inicia-se

quando se promovem adaptações ou modificações no ambiente natural, de forma a adequá-lo às

necessidades individuais ou coletivas, gerando dessa forma o ambiente urbano nas suas mais diversas

variedades de conformação e escala”. Com efeito, o termo gestão não se refere a uma intervenção

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direta, apenas para a satisfação de interesses pessoais e sim ao um processo de administração que deve

valorizar o equilíbrio entre os elementos do ambiente, submetido a um sistema de controle e

respeitando as características locais.

Segundo Hurtubia (1980), a gestão ambiental é a “tarefa de administrar o uso produtivo de

um recurso renovável sem reduzir a produtividade e a qualidade ambiental”. Com outra acepção,

Terezo (2008) afirma que a gestão ambiental “é um processo de mediação entre interesses de atores

sociais voltado ao uso ou preservação de um recurso”.

As referências expressas por Hurtubia (1980) e Terezo (2008) vinculam o processo de

gestão ambiental a um único recurso do ambiente. Contudo, convém salientar que em todos os

ambientes sobressai-se um pequeno número de recursos que merecem atenção especial quanto à

preservação e, por isso, manejo eficiente das intervenções humanas sobre o ambiente como um todo.

Mesmo quando apenas um recurso é explorado diretamente, os que são afetados pela exploração

devem se monitorados para evitar ou mitigar a continuidade dos processos de degradação.

Conforme Dias (2006, p. 28) a gestão ambiental á a denominação atual da expressão

administração ambiental. Consiste num conjunto de medidas e procedimentos que permitem identificar

problemas ambientais gerados pelas atividades humanas como: poluição e desperdício e rever os

critérios de atuação incorporando novas práticas capazes de reduzir ou eliminar danos ao meio

ambiente (passivo ambiental).

Segundo Bressan (1996, p. 55), “a Gestão Racional dos Ecossistemas conforma-se

gradativamente, no decorrer do século XX, em oposição às tendências conservadoras, biologistas e

sacralizantes da natureza.

O nível de apropriação da técnica e da tecnologia, pelo homem, transformou seu nível de

atuação na natureza. De simples elemento gregário, no início de sua organização social, tornou-se o

principal agente transformador do ambiente natural criando espaços rurais, urbanos e industriais com o

emprego da tecnologia e pela frequência e magnitude de sua atuação.

Dentre os espaços urbanos, a multiplicidade de formas de atuação do homem conformou

funcionalidades especiais em determinados setores que tornou a cidade em um mosaico dotado, por

vezes, de cenários cuja coerência parece negar a racionalidade. Por outro lado, a aparente incoerência

revela arranjos espaciais modelados, muitas vezes, por manifestações culturais de riqueza inestimável

Segundo Paula (2006, p. 21) “falar das cidades é falar de uma amplíssima realidade que,

sobretudo, deve ser tomada como complexidade, como diversidade econômica, ambiental, cultural,

urbanística, arquitetônica, política e social”. As cidades são a um só tempo, a expressão dos índices de

suas materialidades, a impalpável esperança dos seus habitantes e dos indivíduos que a procuram no

sentido de melhorar suas condições de vida e no desejo de conquistar a felicidade.

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Na dinâmica das cidades evidenciam-se as múltiplas dimensões de sua complexidade: os

limiares ambientais físicos e os atributos humanos compõem a dialética do ecúmeno onde interagem:

unidade e diversidade, antiguidade e modernidade, miséria e superabundância, esperança e ceticismo,

medo e tranqüilidade, todas marcadas pelo tempo.

Paula (2006, p. 22), reconhece dimensões e atributos que decorrem e aderem à cidade a

geografia à literatura; sociologia, filosofia; artes, planejamento, arquitetura, política, medicina,

educação, física, biologia, ecologia, história, economia, turismo e lazer, podendo-se acrescentar as

dimensões inerentes à subjetividade e às suscetibilidades humanas.

Do ponto de vista das relações do homem com o ambiente urbano, Jacobi (1997) assinala

que a análise dos impactos não pode prescindir “nem da análise dos determinantes do processo, nem

dos atores envolvidos e das formas de organização social que potencializam novos desdobramento e

alternativas de ação”. Também não se podem negligenciar as influências do meio físico como

elemento determinante de certas orientações em face da tecnologia e dos recursos financeiros.

Considerando-se que no ambiente urbano o meio físico, em quase sua totalidade, foi

substituído ou alterado substancialmente, os impactos ambientais conduzem ao caos socioambiental

(FERREIRA, 1996, p. 76) e são materializados pela degradação da própria cidade sob a forma de:

movimentos de massas, enchentes, esgotos a céu aberto, poluição e contaminação dos mananciais,

poluição sonora e do ar, desemprego, exclusão social, violência, insegurança, medo e engarrafamentos,

entre muitos outros.

O processo de gestão do ambiente, normalmente fundamentado nas variáveis: diversidade de

recursos extraídos, velocidade de extração dos recursos e tratamento dos seus resíduos e efluentes,

pode acentuar ou minimizar os impactos ambientais por sua frequência e magnitude.

Nos ambientes urbanos, o processo de gestão não é fundamentado na extração de recursos

naturais, mas na aquisição destes para abastecimento, na comercialização do produto, restando o

tratamento dos seus resíduos e efluentes. Dependendo das especificidades das funções urbanas, outras

variáveis constituem a base da sustentabilidade que orienta o modelo de gestão. Atenção especial deve

ser dispensada ao nível de concentração populacional, à escala de aglomeração e às características da

população, pois tais variáveis controlam o ritmo das transformações ambientais.

No ambiente universitário, os recursos naturais constituem a base para a sustentação das

estruturas; a diversidade de recursos humanos representa a matéria-prima a ser processada e a gestão

está condicionada à disponibilidade de capital, sua aplicação coerente e consciente, e ao engajamento

em favor de um objetivo comum – a eficiência. Os resíduos e efluentes são produzidos pelas atividades

meio, enquanto o produto das atividades fins não é avaliado por indicadores mensurados de bens

tangíveis, mas expresso através das relações com a sociedade e das contribuições para sua melhoria.

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INDICADORES DA GESTÃO AMBIENTAL

Meio físico

As características do meio físico evidenciam o embasamento de rochas sedimentares

inconsolidadas da bacia sedimentar de São Luís, de forte erodibilidade, expressando relevo com

amplitude topográfica em torno de 35m, modelado em topos tabulares e subtabulares que decaem em

colinas de declividade baixa a média, com máxima em torno de 35º.

O clima predominante é quente e úmido, com períodos distintos: um chuvoso, que se

estende de janeiro a junho, com elevado excedente hídrico, e outro seco, com predominância entre

julho e dezembro, marcado por deficiência hídrica. A média térmica anual situa-se em torno de 27º C

com pluviosidade média de 1.823 mm. Apesar da alta média térmica e da deficiência hídrica, os

índices de umidade oscilam entre 60 e 85%, interferindo diretamente na conservação de estruturas

físicas em face da magnitude das reações químicas dos materiais.

A cobertura vegetal, outrora caracterizada por floresta densa de padrão equatorial, foi

substituída pelas atividades agrícolas e eliminada posteriormente para a construção dos prédios.

Atualmente, restam formações arbustivas ocupando os espaços ainda não urbanizados. Merece registro

o pequeno número de jardins mantidos para conservação da estética da paisagem.

Os altos índices de pluviosidade favorecem a intensidade da drenagem que, influenciada

pela declividade do terreno, podem representar sérios riscos à manutenção e conservação do

patrimônio físico e exigir estudos detalhados para a construção de estruturas capazes de suportarem a

capacidade erosiva e o volume da descarga hídrica.

O Processo de ocupação

A transferência das primeiras unidades da Fundação Universidade do Maranhão, para a

área do Campus Universitário do Bacanga, foi iniciada com a inauguração do Presidente Humberto de

Alencar Castelo Branco, em 1972, que abrigou os cursos da antiga Faculdade Católica, seguindo-se: o

CEB Velho, que abrigou o 1º Ciclo e a Biblioteca Central e o 1º Ciclo das áreas de Ciências Humanas

e Sociais; o Pimentão, ocupado pelos cursos da área de Ciências Sociais; o Integrado, para funcionar

como 1º Ciclo da área Médica; o IML (Minhocão), e o Núcleo de Esportes.

No início da década de 1980, os movimentos sociais organizados para a invasão de terras

foram orientados para a área da Universidade. Tal investida resultou na perda da área atualmente

ocupada pela comunidade do Sá Viana, por invasão, e da Vila Embratel, negociada pela Reitoria para a

desocupação do Sá Viana, fato que resultou na perda das duas áreas.

Significando uma grande conquista pelo encerramento de uma década de problemas, no

início dos anos 1990, foram inaugurados os prédios dos atuais CCET e CCH, fato que oportunizou

uma grade reforma da Universidade com a extinção do Ciclo Básico e a separação física dos cursos

das áreas técnica e humanística. Outros 10 anos transcorreram até a inauguração.

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Aspectos socioambientais

A percepção da problemática sócio-ambiental, evidenciada na área do Campus do Bacanga,

pressupõe o reconhecimento de fatos internos e externos cuja dimensão atual exige a gestão eficiente e

comprometida com as causas sociais, sem negligenciar os aspectos legais nem ambientais.

Durante os primeiros anos da transferência dos cursos para o novo campus, o planejamento

físico da instituição registrou alguns prejuízos por ter sido feito dentro de um projeto que não era

absolutamente desejado. Dentre as evidências dos fatos citados, constam: a construção do prédio da

Faculdade de Medicina, que foi recusado pela comunidade respectiva e o do Centro de Estudos

Básicos, construído em caráter emergencial.

A complexidade sócio-ambiental interna é expressa pela dimensão da comunidade atuante

para funcionar os atuais 36 cursos de graduação e 14 de pós-graduação strictu sensu, além dos cursos

latu sensu e dos programas especiais como PQI, PROCAD, DINTER e MINTER.

Considerada dimensão externa, mas com reflexos diretos no sistema de gestão, as

comunidades residentes no entorno do Campus demandam os serviços prestados na área interna pelo:

Instituto de Criminalística, Herbário, Curso de Odontologia, Universidade da Terceira Idade e agências

bancárias, constitui a população flutuante que dever ser reconhecida no âmbito da política

universitária, merecendo atenção especial pela situação de carência que assola a quase totalidade dos

moradores e pelos laços consangüíneos que movem muitos indivíduos e grupos.

Do ponto de vista da segurança, as áreas de entorno oferecem sérios riscos ao patrimônio da

instituição e de pessoas que trabalham no campus, conforme se depreende do elevado número de

roubos e furtos, dentre outras ocorrências freqüentemente registradas.

Infraestrutura

Engenharia

Considerando o grau de complexidade que apresenta e o nível de tratamento exigido, a

estrutura de obras de engenharia do Campus do Bacanga é composta de 28 unidades distribuídas ao

longo de toda a área Campus (Figura 01). Em algumas das unidades, por força de desdobramentos

necessários para atender ao Crescimento da instituição, foram construídos anexos para atender

demandas específicas como é o caso do Centro de Ciências Exatas e Tecnologia.

Situação dos prédios

A avaliação das condições em que se encontram os prédios foi feita considerando os

elementos: cobertura, estrutura, janelas, portas, grades, paredes, piso, teto, anstalações elétricas

telefônicas, hidrosanitárias e rede lógica tendo, como principais variáveis: as características, o estado

de conservação e as necessidades que apresentam, além do registro de algumas observações

pertinentes.

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Para o estado de conservação foram atribuídos os conceitos: bom, regular e precário. No

primeiro caso não foram indicadas quaisquer necessidades, enquanto para os dois outros foram

registradas as providências necessárias com o caráter desejado.

A situação dos prédios apresenta níveis diferenciados de demanda por serviços em face da

época de construæão e das reformas já executas. Os prédios mais velhos apresentam laiores

nece3sidades nos blocos ainda não reformados e todos necessitam de revisão geral e manutenção

preventiva nos elementos arrolados.

Convém salientar a necessidade de grandes investimentos para a manutenção dos prédios,

uma vez que o conceito “regular”, predominante em quase todos os prédios, demanda revisão$

manutenção preventiva, impermeabilização, substituição de peças e recuperação, além de adaptações,

ampliação e modernização das estruturas.

Projetos para planejamento

Plano Diretor

Visa à criação de um documento que norteia a política de uso, ocupação, intervenção e

conservação do espaço físico do Campus do Bacanga, assim como das edificações situadas fora derse,

em São Luís.

O projeto já venceu algumas fases, como: levantamento de documentação, diagnóstico dos

problemas físicos do Campus, discussão acerca das possíveis soluções, etc. Atualmente, encontra-se

nas fases de visitas in loco e redação do texto preliminar. Esse trabalho deverá ser estendido aos

demais campi, após a conclusão dos trabalhos referentes ao Campus do Bacanga.

Projeto de Acessibilidade

O Projeto de Acessibilidade do Campus do Bacanga foi lançado no dia 23/06/2006 pelo

Núcleo de Ergonomia em Processo e Produtos (NEPP), coordenado pelo professor Raimundo Lopes

Diniz. Em sua etapa inicial, foram levantados os problemas de acessibilidade em geral, além de

entrevistas e análise dos resultados obtidos.

Partindo desses resultados, foi proposta a realização de um projeto piloto, contemplando o

prédio do CEB Velho, que possui um grande fluxo diário de pessoas. Atualmente, está em fase de

execução a obra de acessibilidade externa do CEB Velho, com previsão de conclusão para o final de

setembro/2007.

Devido ao grande número de edificações que compõem o espaço físico do Campus, está

sendo discutida a criação de uma Comissão de Acessibilidade, composta por profissionais habilitados

para o desenvolvimento dos projetos de adequação desses prédios, além das áreas de circulação

externa do Campus.

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Plano de Manutenção

O Plano de Manutenção para o Campus do Bacanga foi desenvolvido para que fosse feito

um planejamento das intervenções necessárias nos prédios dessa instituição. Esse Plano está em fase

final de execução e se faz necessária a sua imediata implementação.

Esgotamento Sanitário

Atualmente, o sistema de coleta de esgoto (fossa e sumidouro) é feito de maneira

individualizada, o que traz constantes estrangulamentos, que são causados pela ampliação dos prédios

e/ou aumento populacional. Dessa forma, faz-se necessária a elaboração do projeto de esgotamento

sanitário coletivo e sua imediata execução.

Rede média tensão

A manutenção da Rede de Média Tensão, assim como o Sistema de Iluminação Externa do

Campus do Bacanga, está sendo executada em parceria com a concessionária CEMAR. Entretanto, no

que diz respeito às subestações aéreas e abrigadas, há necessidade premente dos serviços de

manutenção e ampliação.

Sistema de abastecimento de água e combate a incêndio e pânico

Atualmente, alguns prédios do Campus do Bacanga são abastecidos por poços artesianos e

outros pela rede da concessionária CAEMA, funcionando precariamente, causando transtornos à

população.

Essa precariedade está impossibilitando a elaboração do projeto de combate a incêndio do

Campus, bem como sua imediata implementação, o que já vem sendo exigido pelo Corpo de

Bombeiros. Para tanto, sugerimos uma reunião com a Presidência da CAEMA, visando uma parceria

que proporcione a regularização do abastecimento de água do Campus.

Coleta de lixo infectante e resíduos químicos

Foram construídos dois abrigos para coleta do lixo infectante e um almoxarifado de

produtos inflamáveis. Suas utilizações estão condicionadas à contratação de empresa especializada,

assim como ao treinamento de pessoal para manuseio e coleta dos passivos gerados.

Sistema viário e sinalização

O Plano Diretor contempla o redimensionamento da malha viária, a urbanização e a

sinalização, de modo a permitir o adequado fluxo de pedestres e veículos, bem como o perfeito

zoneamento do Campus.

Levantamento planialtimétrico e cadastral

Com uma área de 101,3872 ha, o Campus do Bacanga encontra-se hoje em plena expansão

de suas edificações. Grande parte dos prédios existentes sofreu alterações ao longo do tempo – que não

constam nos registros da PRECAM –, o que dificulta o trabalho de planejamento de reformas e novas

construções.

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Para subsidiar o Plano Diretor do Campus, o Levantamento Planialtimétrico de toda a área

e o Levantamento Cadastral das edificações constituem ferramentas indispensáveis para subsidiar o

adequado planejamento das intervenções no espaço físico da Universidade. É relevante destacar que o

Projeto de Acessibilidade, o Plano de Manutenção, a preservação de áreas verdes e o planejamento do

sistema viário são alguns trabalhos que dependem diretamente desse levantamento.

Contratação de recursos humanos

Para otimização do desempenho das diversas atividades de engenharia dessa Prefeitura de

campus, sugere-se uma reestruturação organizacional, com o desmembramento do atual Departamento

de Projetos e Obras em dois departamentos, quais sejam: Departamento de Projetos e Departamento de

Obras. Sugere-se, ainda, a criação do Departamento de Manutenção, conforme quadro em anexo.

Segurança

A segurança patrimonial e das pessoas que circulam na área do Campus do Bacanga tem

sido objeto de reclamações constantes em face da ocorrência de roubos e de furtos dos mais variados

tipos, de apreensões de armas e de entorpecentes, de acidentes de trânsito e de trabalho, e das

características e circunstâncias de alguns fatos, muitas vezes praticados dentro das instalações da

instituição.

Salienta-se que, mediante o sentimento geral de descrédito das pessoas em relação às

autoridades instituídas, em todos os setores da sociedade, muitas vezes as ocorrências deixam se

registradas, pois as vítimas preferem se abrigar na “segurança” do anonimato a terem que se expor a

situações de constrangimento e não representarem qualquer perspectiva de justiça nem de reparação do

dano.

Nos respectivos ambientes de trabalho, alunos, professores e servidores são surpreendidos

com o acesso de pessoas das mais diferentes origens e pelas mais variadas razões, em geral para

vender ou pedir, além dos descuidistas que espreitam qualquer negligência de uns e de outros em

relação a seus pertences, praticando furtos de bens patrimoniais e pessoais. Nestes locais, merece

destaque a falta de equipamentos de segurança, notadamente extintores de incêndio e Equipamentos de

Proteção Individual - EPI´s, nos ambientes onde as atividades impõem risco.

O trânsito de automóveis e de ônibus constitui, igualmente, grave situação de risco para

pedestres e motoristas, além dos prejuízos materiais. A sinalização de tráfego foi melhorada mas não

atenua os males da inobservância do bom senso entre os motoristas que trafegam nas vias de

circulação, sendo comuns situações de tráfego em alta velocidade, na contra mão, e estacionamento em

local de risco ou bloqueando acessos de portadores de necessidades especiais.

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CONCLUSÃO

Os estudos desenvolvidos para produzir o presente documento constituem o diagnóstico do

quadro atual da Infraestrutura do Campus do Bacanga, com o objetivo de subsidiar a imediata tomada

de decisão pela equipe administrativa que assumirá as responsabilidades com a gestão do espaço deste

segmento da UFMA.

Os resultados apresentados denunciam a emergência de muitas ações destinadas ao

atendimento de soluções emergenciais que implicam necessidades de investimentos cuja prioridade

deve ser objeto de avaliações criteriosas.

No que tange às atividades de segurança, algumas ações propostas dispensam grandes

investimentos. Contudo, podem despertar reações de elementos ou segmentos da comunidade,

notadamente aqueles mais reacionários às inovações, mesmo quando estas podem representar

melhorias para a coletividade.

O diagnóstico ora apresentado deve constituir subsídios para a realização de estudos mais

completos que possam nortear a elaboração do Plano Diretor do Campus do Bacanga, cuja concepção

deverá contemplar os anseios da comunidade e a otimização das relações entre a sociedade e a

natureza.

Esperando haver contribuído para um bom planejamento das ações da futura Administração

da UFMA, colocamo-nos a disposição para quaisquer outros esclarecimentos.

REFERÊNCIAS

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DIAS, Genebaldo Freire. Educação e Gestão Ambiental. São Paulo: Editora Gaia, 2006.

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autor, 1988.

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Atualizado em: Sex 29 Jan 2010

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