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Jack Sparrow leva navios nas costas em águas misteriosas do quarto Piratas do Caribe

Uma coisa é certa quando vemos o quarto filme da franquia mais lucrativa da Disney, Piratas do Caribe – Navegando em Águas Misteriosas (Pirates of the Caribbean – On Stranger Tides, 2011), Johnny Depp não precisa de fonte da juventude para manter seu tresloucado e imprevisível pirata Jack Sparrow no gosto do público. Ele é a principal razão do sucesso do filme que estréia nos cinemas do Recife. O esperto produtor Jerry Bruckheimer sabe disso. Pensando na empatia do público com o protagonista da trama, ele garantiu a Depp um cachê generoso. Cerca de US$ 35 milhões, segundo estimam. Para isso, precisou sacrificar o casal de destaque, nos três primeiros longas, Keira Knightley e Orlando Bloom, dispensados da nova aventura. Mas Depp não decepciona. Ele sozinho é capaz de arrastar todos os navios do quarto filme nas costas.

Na trama, Sparrow surge na Inglaterra. Invade um tribunal para ajudar seu companheiro Gibbs (Kevin McNally) e promove uma divertida e inusitada fuga pelas ruas recriadas da Londres do século XVIII. Só não consegue escapar da guarda real. É quando descobre que o Capitão Barbosa, seu eterno rival, tornou-se corsário a serviço de sua majestade, busca a Fonte da Juventude e sabe que Sparrow tem meios para encontrar a lendária fonte. Claro que Geoffrey Rush pelo menos ajuda a erguer a âncora do filme como Capitão Barbosa. Mas o roteiro contribui para manter o personagem ofuscado, à sombra de Sparrow, sem grandes momentos.

Sparrow, com seus próprios planos em mente, realiza outra fuga ainda mais imprevisível e divertida. Ele segue pelo submundo londrino atrás de rumores sobre um impostor seu que procura reunir uma tripulação com o mesmo objetivo do Barbosa. Entre perseguições e surpresas, ele esbarra com Angélica, sua antiga paixão, interpretada pela atriz Penélope Cruz, que revela ser a filha do pirata Barba Negra, interpretado por Ian McShane, da série de TV de faroeste Deadwood. É louvável o esforço da atriz espanhola ao fazer grandiosas cenas de ação, estando grávida do também ator espanhol, Javier Bardem, na vida real. Deu trabalho para a figurinista Penny Rose disfarçar a barriga da atriz. Porém, sua participação como Angélica não vai além da mera curiosidade. Gera expectativa a princípio, enquanto se busca o falso Sparrow, mas a personagem vai perdendo força ao longo da trama. McShane, por sua vez, procura apresentar um Barba Negra sombrio, mas o roteiro não ajuda a livrar o personagem dos clichês do gênero.

Ainda mais insosso é o jovem casal encarnado sem grande destaque por Sam Claflin como um ingênuo missionário e sua musa em pele de sereia feita pela atriz Astrid Bergès-Frisbey. Eles servem como enfeite. Entram e saem da trama sem fazer grande diferença. Os recursos de 3D tem a mesma função para o filme, não contribuem para dar maior dimensão na trama, apenas reforçam o visual e os efeitos para impressionar a platéia. Por outro lado, a pequena embora marcante participação do roqueiro Keith Richards como o pai de Sparrow garante algumas risadas. Quando perguntado se esteve na fonte da juventude, ele rebate: “E eu tenho cara de quem encontrou algo assim?”.

O novo diretor escolhido Rob Marshall (do sucesso Chicago e do fiasco Nine) foge dos excessos que o diretor anterior Gore Verbinski impôs aos dois últimos filmes da franquia. Marshall desacelera o ritmo frenético, investe numa trama mais simples e com menos personagens para focar no objetivo maior do filme, a busca pela Fonte da Juventude. O diretor valoriza as cenas de ação com uma coreografia impecável de sua experiência com musicais e reduz a cota de seres fantásticos, usados agora com parcimônia. Entretanto, com mão pesada de drama, ele torna o filme mais previsível e, em alguns momentos, arrastado. O roteiro de Ted Elliott e Terry Rossio, vagamente inspirado no romance de Tim Powers, Em Mares Estranhos, publicado em 1987, sobre as aventuras do pirata Jack Shandy, altera personagens, seqüências e cenários para enquadrar a história no universo de Jack Sparrow. Isso explica a valorização de Sparrow diante dos coadjuvantes. Diferente do que ocorria nos demais filmes quando outros personagens e tramas paralelas ganhavam igual destaque.

O quarto filme Piratas do Caribe se esforça como produção bem cuidada para entreter o público com seus suntuosos cenários, efeitos e, claro, o surpreendente Sparrow. A prova de que estão no caminho certo se traduz nas bilheterias. O filme já rendeu mais de US$ 400 milhões no mundo inteiro em alguns dias, tornando-se, por enquanto, a terceira maior bilheteria do ano. Perde apenas para Velozes e Furiosos 5 e a animação do brasileiro Carlos Saldanha, Rio. Sparrow venceu até o Deus do Trovão, Thor, mostrando que tem fôlego para muito mais aventuras. A Disney agrade. E o aviso é reforçado na seqüência após os créditos com o sorriso enigmático de Penélope Cruz, digno de Mona Lisa. Indiana Jones que se cuide. Se aventura tem nome, esse só pode ser Jack Sparrow.

A franquia de filmes lembra aquela música do Peninha: “Tudo era apenas uma brincadeira que foi crescendo, crescendo e absorvendo…”. Última atração criada pelo próprio Walt Disney para seus parques em 1967, Piratas do Caribe trazia como personagem principal o pirata Jean Lafitte a frente da aventura que era um passeio de barco por um cenário de época. A atração nunca teve grande destaque nos parques. O Estúdio Walt Disney, com o interesse revitalizar a atração, encomendou o filme Piratas do Caribe – A Maldição do Pérola Negra ao produtor Jerry Bruckheimer, para ser lançado em 2003. Bruckheimer tem em seu currículo invejável, grandes sucessos como Flashdance – Em Ritmo de Embalo, Um Tira da Pesada, Top Gun – Ases Indomáveis, Maré Vermelha, Deja Vu, as séries de TV, CSI, entre tantos outros.

O produtor apostou no criativo diretor Gore Verbinski e escalou Johnny Depp para encarnar o amalucado pirata Jack Sparrow. Os próprios executivos da Disney tiveram receio do primeiro filme naufragar nas bilheterias e colocar a perder todo o investimento. Eles exigiram de Depp uma atuação mais convencional, sem os trejeitos loucos. Bruckheimer defendeu não mexer no filme e na atuação de Depp. Não poderia estar mais certo. Piratas do Caribe se tornou uma das mais rentáveis franquias de Hollywood, os quatro filmes juntos arrecadaram mais de 3 bilhões de dólares apenas nas bilheterias, superando inclusive o total arrecadado pelos mais de 20 filmes de James Bond. A Disney precisou refazer sua atração temática para tirar o máximo de proveito do sucesso dos filmes e conseguiu. Agora, eles buscam outra atração empoeirada para ganhar adaptação nas telas e conquistar um público renovado. Qualquer que seja a idéia, a garantia de sucesso dependerá de incluir um único ingrediente, Johnny Depp.

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Atualizado em: Qui 17 Nov 2011
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