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Elas Me Odeiam, Mas Me Querem de Spike Lee

A tradução é “Elas me odeiam, mas me querem”.

Grande erro!

Primeiro, não são “elas”. Elas existem, mas não importam. O problema é Ela, a mulher amada que foi embora, me abandonou e me trocou por outra.

Isso mesmo, ela não me trocou por “outro” e sim por “outra”. Ainda me causa o constrangimento de ser confundido com uma mulher, já que se digo “outra” o leitor deduz que sou “uma” e não “um”. Conclusão... Ela me odeia ou She Hate me!

Mas tem alguém que me odeia mais, Spike Lee, esse diretor de cinema que aparece com filmes que me fazem pensar no que não quero, ou no que não sabia. Filmes como “Febre da Selva”, “A última noite” ou o lendário “faça a coisa certa”. Spike Lee, nos oferece em She Hate Me, a oportunidade de dizer (outra vez) eu não sei o que é certo! Aliás, em seus filmes, pra mim, esse é o ponto principal...Não existe certo!

Spike, com freqüência, arma situações que nos levarão inevitavelmente à forca montada com cordas próprias. Senão vejamos.

Em She Hate me, ele se apresenta como o típico diretor negro de filme de tema racial e com pregação social coisa e tal. Faz uma divertida brincadeira na abertura, com rostos de presidentes em notas de dólar e no final, mostra a inexistente nota com o rosto de Geoge W. Bush. O inocente espectador logo pensa “gozação com o Bush, oba, to dentro!” Com isso, o diretor cria um clima de cumplicidade e sinaliza que tudo vai ser legal.

Estamos confortáveis no sofá olhando o Jovem negro executivo, bem sucedido, com seu amigo negro (subalterno simpático) e gente branca do alto escalão, quando de repente...Bum! O cientista “facista” (?...foi assim que chamaram ele no filme) cai em cima do carrinho do ambulante com jeito árabe (pelo menos eu achei que ele parecia meio árabe).

Esse foi só o primeiro “Bum” de uma série de outros que viriam, só que os outros, não acontecem no filme, mas sim no sofá da sala quando nos vemos em auto-confronto. Spike, antes amigo e cúmplice, agora insere uma trama que nos induz ao julgamento de seus personagens, só que quando julgamos o mundo que ele criou, automaticamente, estamos sendo hipócritas, o que não passa impune pela lente do diretor, que, com a maestria dos grandes, revela-nos nossas próprias mazelas.

Durante o filme ele nos apresenta lésbicas, aquelas que nós homens gostamos de ver em filmes de sacanagem, só que estas são ricas e poderosas e pagam uma nota preta (será que dizer nota preta é politicamente correto?) por um homem, não pelo prazer de estar com um homem, mas pela sua capacidade de reproduzir. No filme o homem é objeto, e não tem a desculpa de ser macho e fazer aquilo por que gosta. Spike Lee faz questão que o reprodutor seja o antes poderoso herói negro executivo (Anthony Mackie) e de mostrar que ele faz aquilo por pura necessidade de dinheiro. Para completar a humilhação, ele coloca Fátima (Kerry Washington, gostosíssima) sua ex namorada (aquela que lhe abandonou por outra, a tal “She Hate Me” ) como sua cafetina. Quer coisa mais humilhante.

Um detalhe, na maioria, as lésbicas não são bonitas, algumas sim (porque ninguém é de ferro, nem Spike) mas a maioria não.

Pra quem alugou o filme pensando “Spike Lee é foda, ele tem um discurso que contempla o negro e tal...” , posso dizer: *Se deu mau!

Na cena em que o herói conversa com mafioso italiano (que tem sua filha lésbica engravidada pelo “antes herói”), o discurso Rapper fodão (escorreguei de novo) do gangster, vai por água abaixo e o mafioso Italiano, dá uma lavada monumental no impecável Afro Americano. Aliás, há um momento no filme que acho sublime. O investigador do FBI, que é negro, chega para prender o pobre negro engravidador de lésbicas, em dado momento ele se refere ao meliante como vergonha da raça. O acusado se defende dizendo “que foi o tempo em que um Afro-Americano representava todos os Afro-Americanos”, o acusador porém lhe diz: “não estou me referindo aos bons Afro-Americanos como eu, mas sim aos neggers (algo como crioulos) como você”. Depois de mais este Bum, eu me pergunto, cadê o cara legal que fez um filme que contemplava o meu discurso?

Spike Lee, não contempla discursos, não faz concessões nem conchavos com seguimentos, não filma tentando ser politicamente correto ou para agradar “a” ou “b”. Spike Lee é sim um diretor simpático, que nos dá até a impressão que mora ao lado de casa, não por ser complacente, mas ser autêntico e nos mostrar que é como todo mundo...as vezes legal, as vezes xarope, mas nunca falso e quase sempre genial!

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Atualizado em: Ter 5 Jan 2010

Comentários  

#3 tania_martins 27-01-2010 18:15
Boa crítica.
#2 Nadi 25-01-2010 15:50
Bem colocada.
Acho que Spike Lee, não dirige de olhos vendados.
Abraços.
+1 #1 Abreu 11-01-2010 12:05
Você não citou Malcom X, o qual adorei. Spike Lee, como sabemos, gosta de polemizar. Nesse filme não é diferente. É uma comédia controversa, visto que para alguns ficou um dramalhão.
Todo o problema é que quem se qualifica é muito mais cobrado.O que é o caso.
Oportuna sua crítica.

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