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Alguém que um dia amei

“E se eu fizesse as coisas de outra forma, o nosso final seria diferente?”

***

Você me segurava com força e eu lutava para sair, mas no fundo, era nos teus braços que eu queria estar. Mas eu não podia ficar, quer dizer, eu podia é claro, mas eu não tive coragem.

— Eu não posso ficar perto de você. Eu preciso me afastar.

— Não, você não precisa. – disse ele seriamente.

— Se eu não fizer vai ser pior.

— Por que você não pode ficar? Eu não consigo entender.

— Porque ele pode te machucar! – disse com a voz um pouco falhada.

— HAHA! Ele não vai me machucar. Nunca! – disse ele em tom de escárnio. Então gentilmente levantou meu queixo e me olhou nos olhos. – Não vai, fica. Por favor?

Meu coração encolheu, bateu o pé, gritou “Fica! Você o ama. Fica!”. Mas o medo gritou mais alto e tentei evitar o olhar que ele me dirigia antes que as lágrimas rolassem.

— Eu não posso. Me desculpa mas... Eu preciso me afastar. – eu disse por fim tentando me soltar dos braços dele. Ele me soltou e eu fui embora sem olhar para trás, pois eu sabia que se eu me atrevesse a olhar, não iria a lugar algum e correria de volta para ele.

***

A brisa suave batia no meu rosto me refrescando por inteira. O cheiro era de terra molhada e eu amava isso, já era final de tarde e a luz fraca do sol fazia com que tudo ao meu horizonte se tornasse pacífico. Era o penhasco mais lindo que já tinha visto.

— Tão lindo que até parece que o mundo não é o que é. – disse ele atrás de mim. Levei um susto com a sua presença sorrateira. Me virei mas ele não me olhou, ficou admirando o cenário por um tempo, caminhando lentamente até ficar ao meu lado.

— É realmente muito lindo. Se o céu for assim então é para lá que quero ir. – eu disse com um leve suspiro. Ele se virou para mim, seu olhar encontrou o meu. Sua expressão era séria, mas depois eu não sabia dizer se ele ainda continuava sério ou com qualquer outra expressão no rosto, pois, me perdi na imensidão daqueles olhos castanhos. E ali percebi que aquele mistério que ele carregava nos olhos ainda permanecia no mesmo lugar. Então sua expressão se suavizou e ele colocou no rosto aquele sorriso com tantos significados, mas que me fazia derreter por inteira.

— O que vamos fazer? – perguntei.

— Não sei pequena. – respondeu. Eu gostava quando ele me chamava de pequena, mas depois que eu soube que eu não era a única “pequena” dele, ficou difícil ouvir.

— Poderíamos tentar de novo. – propus.

— Para você pode ser fácil, mas entenda uma coisa. Você me quebrou.

— Eu sei. Eu me arrependo todos os dias pelo o que eu fiz. Mas lembra do aviso que lhe dei? – Ele não me respondeu, continuou olhando o cenário maravilhoso, então eu continuei. – Eu lhe disse que era perigoso demais ficar comigo, porque eu podia partir seu coração. Pedi para você não me amar e a única coisa que você me disse foi “tarde demais”.

— Me lembro disso. Mas não sei pequena, é difícil. Está tudo muito confuso.

— E se eu fizesse as coisas diferentes?! Se eu pudesse voltar no tempo e fizer o que eu deveria ter feito, se eu pudesse fazer as coisas do jeito certo. Será que assim, a gente teria um final diferente?

— Talvez... Mas você não pode voltar no tempo, o que foi feito está feito, não tem como voltar por que o passado enfim é o passado. – ele falou e depois continuou. – Mas ainda podemos escrever o futuro do jeito que acharmos melhor.

Não acreditei no que ele disse, meu coração pulou tão alto que quase arrebenta meu peito. Ele deve ter percebido minha pergunta silenciosa e respondeu sem nem mesmo eu precisar perguntar.

— Estou falando sério. Só vai depender de você.

— Como?

— Vai depender se você realmente mudou. Pois eu não quero que você me machuque novamente. – respondeu. Ele me fitou por um momento, me deu um beijo demorado na testa, virou as costas e foi embora.

E eu fiquei ali parada, absorvendo tudo aquilo. “Se você realmente mudou”, eu mudei sim agora só me resta saber se ele vai gostar da minha mudança.
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Atualizado em: Dom 9 Mar 2014
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