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Do Cangaço aos cometas

Das obras que adquire ainda nesse fim de ano, estava a Henshin Mangá vol. 2. A coletânea segue na esteira do vol. 1 reunindo os cinco primeiros colocados no concurso Brazil Manga Awards (BMA). Através do selo Ink, a JBC publicou um livro com mais de 170 págs. em papel offwhite. Entre os jurados estavam: Guilherme Kroll, Marcelo Bouhid, Marcelo Cassaro, Arnaldo Oka, Cassius Medauar.
          Quem me acompanha sabe que com coletâneas ou antologias que reúnem menos de dez títulos, eu começo analisar as obras que eu mais gostei, indo até a que menos gostei. Confesso que a maioria das obras aqui são devotados a comédia. Particularmente eu não sou o maior fã de gag mangá, mas até que em surpreendi com as obras desse volume, todas tem um humor bem legal.
          Escarra Brasa é o melhor one-shot pra mim. A temática do Cangaço sempre me atrai, foi um período histórico muito rico em conflitos e se passa no Nordeste, descentralizando as narrativas nacionais. O protagonista título está imerso num grave problema: ele deseja mais que tudo voltar a tocar o terror no sertão, mas está impedindo devido a umas beberagens que tomou há muito tempo atrás. Sem contar que tem gente atrás de ceifar a vida dele igual formiga em correição. Wagner Elias e Rafa Santos dera continuidade há uma dupla que deu certo. Os desenhos ambientaram de maneira espetacular toda o mangá, incluindo regionalismo na medida certa.
          João Eddie é um dos mangakás mais talentosos dessa nova safra, e fico feliz toda vez que ele é reconhecido e publicado. Em As loucas aventuras de Joy Comet da Polícia Galáctica, vemos uma sátira hilária das obras de ficção científica. Piadas metanarrativas, quaras de quarta parede, auto referências, está tudo aqui, e com exagero digno do humor no mundo dos mangás. Para se ter uma ideia, a bela Joy Comet e seu gato robô terão que revolver uma arenga entre os habitantes do Planeta Feijão e o Planeta Soja. O traço remete a mangás doa anos 70, ele emulou muito bem esse traço simples e caricato.
          Chuva de meteoros é uma obra do Rafael Brindo. Lembra muito aquelas aventuras infanto-juvenis que passavam na Sessão da Tarde. Devido a fantasia presente, acabamos torcendo o nariz logo no início, porém, ao longo da trama algo mais sério vai despontando. Uma garota que acreditava estar vendo uma futura chuva de meteoritos com seu cão, se metem numa enrascada com militares imperialistas. É mais um drama de guerra com elementos fantásticos do que uma obra de humor. O traço remete aos cartoons, mas é bem eficiente nas expressões.
          Maria e Traümen ficam empatados, na minha opinião. Ambas são one-shots de ação com humor. Só acho que o traço do ORO8ORO em Traümen é mais simpático pra mim, em detrimento do Fabiano Ferreira que tem um traço mais cartunesco e apela muito para as retículas. Maria conta a história da personagem título que nasceu amaldiçoado por ser uma lobisomem, mas pasmem, isso nem é visto como um problema. Ela herdou os poderes de sua mãe, sacerdotisa de um deus benéfico. Confesso que no fim do mangá fiquei em dúvida em relação ao que tinha acontecido. Traümen é uma das obras estilo ONE, gente superforte com poderes alucinantes e que acabam passando por situações ridículas. Só achei que tratar de assédio, falta de privacidade e culto as celebridades é algo válido, entretanto, não simpatizei com o protagonista, ele não é engraçado, sua situação sim. Nem sequer um objetivo verdadeiro ele tinha.
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Atualizado em: Sex 1 Jan 2021

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