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Transformando os mangás

          Quando vi o resultado do primeiro concurso de mangá Brazil Manga Awards (BMA) em 2014, vi na JBC uma iniciativa inspiradora para quadrinistas nacionais. A editora já tinha uma história com esse tipo de publicação, tanto é que o primeiro quadrinho publicado pela editora foi o kodomo Combo Rangers, sátira dos super sentais japoneses, escrito e desenhado pelo Fábio Yabu.

          Eu adquiri o a coletânea Henshin! Vol. 1 e Henshin! Vol. 2 na Comix Book Shop, e trarei aqui a resenha do primeiro tomo. Foram reunidas cinco one-shots de autores nacionais e ganhadores do concurso BMA, tendo como jurados Fábio Yabu, Arnaldo Oka e Cassius Medauar. O mangá ainda conta com extras como análise dos jurados, comentários doa autores, posfácio da especialista em quadrinhos Sonia Luyten prévias de obras do selo Ink Comics. A obra tem mais de 170 págs., em papel offwhite, que mais parece papel jornal de tão transparente que é.

          Eu vou analisar cada one-shot aqui, levando em consideração minha experiência de leitura, começando do que eu mais gostei até o que menos gostei, e não pela ordem do concurso. A crítica, por mais técnica que seja, deve também levara em consideração os critérios pessoais de quem avalia. Isso em hipótese nenhuma deve se tornar a última palavra acerca de uma obra, e não substitui a leitura do quadrinho.

          A obra que eu mais gostei foi Starmind, da dupla Ryot e Toppera-TPR. Foi a obra com a maior versatilidade de traços. Para uma história de humor, com aquela simpatia enganosa de quem quer divertir, mas acaba trazendo grandes reflexões. A obra é nonsense, e pode ser dividida em três atos: Arthur Proto Lux é um garoto que é considerado burro devido ao mau desempenho escolar, ele acaba recebendo poderes de uma estrela cadente e fica superinteligente; ele se auto impõe o objetivo de distribuir inteligência por aí, mesmo que seja nos tabefes; por fim, ele encontra sua antítese, sua nêmese, o Hobo, um mendigo que se vangloria de ser desprovido de inteligência. Quem triunfará: a inteligência opressora ou a burrice conformista? Acho que o autor deveria ter escolhido um desses três argumentos e tê-lo desenvolvido a contento.

          A segunda obra que eu mais gostei foi Entre Monstros e Deuses de Pedro Leonelli e Dharilya. A história é dividida em dois momentos, o mundo real, sombrio e melancólico, e o mundo onírico, gótico e fantástico, isso transparece na narrativa e nos desenhos. O desenho em remeteu automaticamente ao Flávio Colin, um traço característico, mas que causou boa impressão na trama. Só achei o final abrupto, o ato do Louvre no fim do one-shot, protagonista da história, não me convenceu, não achei a relação entre os personagens crível até esse ponto.

          O terceiro título que comento aqui é o famoso Quack, atualmente publicado pela Editora Draco. A série já conta com mais de quatro volumes impressos. Kaji Pato se utiliza de muito humor com piadas escatológicas e metanarrativas. Engraçado é ver que a capa não remete a nada que se passa na história. Baltazar é um jovem piloto de um monomotor, semelhante aos usados pelos aviadores no início do século XX. Seu copiloto é um pato chamado Colombo, um bicho irritante, boca-suja e brigão que o trata como um inferior. As pataquadas seguem em ritmo de bom humor. Só achei que falou um objetivo mais bem definido na trama, sobreviver a queda de um avião numa terra desconhecida e sair por aí como se nada estivesse acontecendo, foi meio frustrante. O traço agrada e muito, caricato e hachurado.

          [Re]Fábula é uma ousada releitura de uma lenda chinesa pelas mãos de Nameru Hitsuji, pseudônimo da dupla de autores Ivys Danillo e Breno Fonseca. Deus encarregou o imperador chinês de formular um desafio aos animais: a travessia de um rio, os doze primeiros que lá chegassem, se tornariam zodíacos, e teriam um ano dedicado à sua honra. Na primeira corrida, o Rato trapaceou e fez o Gato perder seu espaço no Zodíaco. Tempos depois, uma nova corrida foi anunciada. Os animais participantes e representante de cada espécie estariam em forma humana e lutariam para executar a travessia, tudo no modo sobrevivência. O argumento é bom, a releitura shonen é adequada, porém, porque é que o Tubarão não está em forma humana? Por mais caudaloso que seja o rio, não é um pouco exagerado o colocar como uma grande prova? O que seriam o pacto dos animais? Gatos não existem no Oriente? O drama do Gato é crível e a rivalidade dele com o Rato também. A luta de ambos é muito empolgante, ambos usando sua habilidade animais. A arte é simpática, mas algumas páginas pareceram poluídas aos meus olhos. A última página poderia ser apresentada de forma mais criativa.

          Crishno: O Escolhido, como os próprios autores Francis Ortolan e Lielson Zeni é uma grande tiragem de sarro com o clichê do “o escolhido”, muito comum em tramas de ficção especulativa e usadas a exaustão nos mangás B-shonen. A arte é a mais cartuncesca de todas, mas tem lá seus quadros inspirados. A obra é aquela de “uma piada só”, então, é divertida como one-shot, mas ler uma série disso, não sei.

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Atualizado em: Sex 1 Jan 2021

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