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Resenha do capítulo II da obra, Linguística histórica: uma introdução ao estudo da história das línguas / Carlos Alberto Faraco / 2005.

“A evolução da língua não possui o julgamento de: melhor que, mais que etc., mas cada registro, cada processo, a esse conjunto de fatores nominamos de transformação. Para tanto, não se aplica o juízo de valor, melhor ou pior!” (Faraco)
A partir desse pressuposto meditaremos em alguns pontos de evolução da língua na obra postulada por Faraco. Nossa análise não possui o objetivo de esgotar os debates sobre o assunto, mas de refletir sobre alguns pontos que mostram-se importantes para o propósito atual.
A linguística histórica estuda a mudança no tempo e as mudanças não são tão perceptíveis suas incidências acontecem de forma implícita e sempre uma parte e não o todo dos falantes. Uma comunidade de fala que possui o registro da língua escrita sua mudança acontecerá ainda mais lenta, pois a escrita preserva e tem o papel de frear as mudanças. Isso reforça a ideia de a mudança não acontece drasticamente e sim aos poucos. O estudo da mudança possui duas vertentes: a mudança em tempo real e a mudança em tempo aparente. A primeira ocupa-se em estudar um texto arcaico e comparar as mudanças que houve no decorrer do tempo. Enquanto a segunda se atem na mudança das palavras ao passar do tempo.
Para a sociolinguística é impossível estudar a língua isoladamente do contexto social. E um exemplo bem básico é que o indivíduo para cada ocasião social usará um modelo de roupa diferente e consequentemente sua fala também muda conforme a posição social que está inserido. Quando acontece o preconceito linguístico normalmente ele está antecedido pelo preconceito social e quem não trabalha com o estudo da língua quando se depara com algum tipo de variação linguística tende a receber como algo indigesto. A mudança linguística dá-se primeiramente nas classes sociais mais jovens e passa a ser mais sólida quando usada na forma escrita. Sobre essa questão Faraco (2005 p. 24) orienta:
O que geralmente indica para o pesquisador a possível existência de uma mudança em processo é o surgimento, na distribuição estatística dos dados que correlacionam variantes linguísticas com grupos socioeconômicos e com grupos etários diferentes, de um padrão curvilíneo [...] nas gerações mais jovens, em contrate com um padrão linear nos grupos socioeconômicos e etários.       
Dessa forma, é sabido que nem toda variação gera uma mudança, mas toda mudança passa pelo processo de variação. Ela sempre ocorrerá primeiramente no nível fonético e após, nas outras instâncias. A nossa interpretação, só serve para formar teoria, ela por si só não da conta das dimensões multiliguísticas, portanto se considera que um dado está oficializado é somente após o estudo científico, pesquisa de campo.
O preconceito linguístico é antecedido pelo preconceito social, de certa forma, utilizam-se desse meio para chegar até o linguístico. E nesse plano, observa-se que as variações morfossintáticas são mais estigmatizadas, o que deveria ser tratado como variação finda por ser recepcionado como preconceito. As margens da mudança da língua estão diversos incidentes que contribuem para retardar ou acelerar esse processo. Sobre essa temática, Faraco (2005, p. 29 - 35) aponta “que a mudança linguística está envolvida por um complexo jogo de valores sociais que podem bloquear retardar ou acelerar sua expansão de uma para outra variedade da língua.” Acrescenta ainda sobre o cuidado com a interpretação desses dados e diz que “o leitor desde já deve estar alerta para o fato de que não há interpretações únicas: elas vão depender sempre da orientação teórica que o pesquisador adota.”
Conclui-se que a língua sendo um organismo vivo apresenta diversas facetas e rico material para análises. Pode-se afirmar que a língua é um fato social. Analisá-la sem levar em conta essas manifestações é desprezar o amplo material que ela fornece para a interpretação de como o social interfere no aspecto linguístico. 
Referência Bibliográfica
FARACO, Carlos Alberto. Uma introdução ao estudo da história das línguas: Parábola Editorial, São Paulo, 2005.
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Atualizado em: Qua 3 Jun 2020

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