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Resenha do capítulo “falamos português, por quê?” Da obra “História do português” de Esperança Cardeira.

Diversas são as razões que constroem a resposta do capítulo em análise, nosso objetivo é apontar algumas das evidências que compõem esse percurso. O povo romano era conquistador, as dimensões das conquistas se alargaram tanto que findou por perderem o controle de tão grandes áreas conquistadas. Segundo Cardeira (2006) a cada terra conquistada os romanos impunham sua língua materna (o Latim) e parte dos soldados ficavam na nova terra para garantir a posse e o vínculo ficasse mantido com Roma. Nesse processo, inevitavelmente havia contaminação da língua imposta com a falada na região, de forma que as conquistas miscigenaram, dissimularam e enfraqueceu o Latim. Essa mistura, mais tarde, tornaria a transformação do Latim em outras línguas.  

Essas conquistas aceleraram o processo de mudança, a escrita era rude e povo pouco escolarizado. Assim, o Latim vulgar foi à língua predominante falada pelos conquistadores, pois os soldados eram preparados para guerra, importava que fossem bons guerreiros e não eloquentes estudiosos da língua. Nessa vertente, a forma falada pelo efetivo militar já possuía certo distanciamento da forma padrão, em contaminação com a nova língua conquistada já caminhava para um processo de mudança. Mudanças aparentemente pequenas poderiam estar ocorrendo, porém com grandes incidências no processo linguístico. Caldeira (2006, p. 24) nos diz que; “Essas mudanças linguísticas mostraram como, ao lado de uma língua sintética como era o Latim clássico, se foram desenvolvendo as estruturas analíticas.”

Um dos processos de mudança passa pelo substrato, que segundo Cardeira (2006, p. 27) se define da seguinte forma:

É um processo que, não se reflectindo necessariamente de forma imediata na língua, pode transformá-la paulatinamente, imprimido-lhe uma feição particular, dialectalizando-a e provocando uma diferenciação linguística que emergirá, mais tarde, em momentos de enfraquecimento da norma instituída.

O fruto do contato e convivência em um mesmo espaço de duas ou mais línguas resulta no fenômeno que nominamos de pidgins, que é o processo que essas línguas emprestam uma da outra, normalmente o léxico, e criam uma linguagem universal capaz de promover a livre comunicação nessa determinada comunidade de fala. Quando esse processo passa de geração em geração dessa comunidade de fala constitui-se a língua crioula.

Nosso estudo contemplou alguns apontamentos que fazem parte da pergunta que recebe o título desse trabalho. Cardeira finaliza esse capítulo retomando a pergunta (por que falamos Português?) e comenta a resposta “Porque as circunstâncias históricas determinaram que neste canto da península se desenvolvesse um romance, resultado de um tecido de complexas interacções lingüísticas, que vai adquirindo personalidade própria.”

Referência Bibliográfica

CARDEIRA, Esperança. História do Português. Lisboa: Editorial caminho, 2006.
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Atualizado em: Qua 3 Jun 2020

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