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"O ÚLTIMO BAILARINO DE MAO"

A história de vida de cada ser humano, mesclados os encantos, desencantos, alegrias e tristezas pelos quais passou ao longo do tempo, decerto renderia um livro. No entanto, para tornar-se best seller haveria que proporcionar aos leitores muito mais que meras emoções passageiras. Precisaria fascinar. A autobiografia do chinês Li Cunxin, com o título "ADEUS CHINA", e sub-título "O último bailarino de Mao", sem dúvida consegue realizar essa façanha de maneira brilhante e com méritos. Há que se ressaltar, por outro lado, que o autor, coadjuvando a jornada de sua existência relatada em livro, pontuou a seu favor o fato de ter vivido num dos períodos mais negros da da história da China, a ditadura absolutista de Mao Tsé-Tung. Talvez possamos afirmar que em virtude disso a obra ganhou relevância e destaque mundiais.

Isso por si só não redundaria em sucesso, como é óbvio, se os detalhes da vida de Li Cunxin delineados no decorrer de sua autobiografia não fossem recheados de momentos paradoxais e relatos enternecedores que prendem e apaixonam quem se dispuser a ler o livro. Nascido no segmento mais pobre da sociedade comunista  chinesa e sofrendo as necessidades implacáveis inerentes a esse miserável status quo, Li Cunxin, obrigado a se alimentar diariamente apenas de inhame juntamente com os demais membros da família, tinha todos os ingredientes melancólicos para se tornar mais um humilde lavrador esquecido pelo destino. Este, porém, resolveu, por alguma razão especial misteriosa que somente esse ser abstrato poderia explicar, dar a mão ao pobre menino na forma de um olhar feminino. 

Quando uma representante da alta cúpula chinesa vai até à paupérrima cidade onde Li Cunxin mora  seguindo um plano político sob responsabilidade da esposa de Mao para escolher alunos de diversas localidades miseráveis para estudar no grupo de balet de Pequim, ele é um dos escolhidos. Como por milagre, pois todos já estavam selecionados quando a responsável pela seleção, à saída da sala de aula, virou-se, lançou um inesperado olhar a Li Cunxin e, apontando para ele, disse: "Aquele também!" O mais interessante nessa situação inusitada é que Li Cunxin odiava a dança. Esse abençoado acontecimento, contudo, se tornaria o primeiro passo para o mirrado e desnutrido garoto filho de lavradores alcançar uma posição privilegiada na carreira, que abraçaria somente para fugir da periclitante situação de pobreza em que se encontrava. É emocionante quando lemos a respeito da tristeza de Li Cunxin ao ver, sobre a mesa do lugar onde ficou hospedado em Pequim, fartura de comida e ele lembra que naquele precípuo momento seus pais e irmãos estão comendo somente inhame, o prato diário que ninguém suportava mais nem ver apesar de ser o único alimento possível para as parcas condições financeiras da família

Embora singelo e sem o objetivo de querer tornar-se literatura de alto nível, mesmo porque autobiografias nem sempre alcançam esse patamar, será quase impossível ao leitor largar a obra antes da última linha. Os caminhos seguidos por Li Cunxin, os percalços encontrados em seu caminho e todas as dificuldades dramáticas por que passa para chegar ao estrelato numa área artística difícil, que exige denodo e dedicação quase integral para que alguém consiga um lugar ao sol, tornando-se por essa mesma razão, em virtude de seu empenho sobrehumano, um dos bailarinos mais aclamados de sua época, vão acelerar o coração dos leitores e fazer aflorar as emoções dos mais sensíveis.
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Adeus, China - O último bailarino de Mao consagrou-se best-seller e recebeu o prêmio Christopher Award for Literature nos EUA. Depois de publicado em vinte países e ser levado às telas de cinema a obra também aportou no Brasil, para nosso deleite. O leitor poderá até tentar segurar as lágrimas e os sorrisos ao ler a interessante saga desse bailarino chinês, mas, levado pela ansiedade e dominado por sentimentos e emoções, não logrará o intento de terminar a leitura de sua autobiografia antes do parágrafo final.
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Atualizado em: Qui 24 Jun 2010

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