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per te(uma historia de vida)

familia italiana movida pela dificil situaçao financeira deixa na Italia dois filhos de 9 e 15 anos e parte para o Brasil em busca de promessas de uma vida melhor. O proposito era buscar as crianças num prazo de 60 dias,mas,contratempos diversos transformam este tempo em 25 anos.Esta ê a historia de Duilio Surian;deixado aos nove anos pelos pais e irmãos vive o drama de sobreviver sozinho um pouco com vizinhos um pouco com o paroco local depois em uma fazenda de antigos conhecidos e por fim no seminario de padres atê a vinda em definitivo para o Brasil onde reencontra a familia,mas o pai falece poucos meses antes de sua chegada.As liçoes de vida sao tiradas de momentos confritantes como: a separação da familia,o fato do irmão mais velho ser convocado para a guerra Italia/Itiopia e depois a segunda guerra mundial de 1939 a 1945,a vida na fazenda sofrendo a rejeição das filhas do fazendeiro e por fim a vida no colegio de padres(seminario) onde vive o apelo de um amor impossivel e a vida religiosa.Encontra a alma gemea,mas,impedido pela vocação de ser padre o coloca a uma distancia de seu amor comparavel a distancia que o separa da familia que esta no BRASIL. Per te uma historia de vid
FATOS E DATAS:
Seguem alguns relatos da historia, para que o leitor possa melhor assimilar os fatos que tentarei descrever de forma didática, sobre alguns fragmentos entre tantas lembranças, deixada para nos, por este homem tão notável que foi Duílio SURIAM.
1890- Nasce na Itália: Julian Giovanni Surian, vindo a falecer no Brasil em 1953 aos 63 anos. Duílio 34anos.
1914- Nasce Giulio. Serve o exército durante sete anos (data Provável, 1932 a 1939). Idade aproximada 18 aos 25 anos (Duílio 13 a 20 anos).
1914- 1ª Guerra Mundial termina em 1918.
1919- Nasce Duílio.
1919- Mussolini funda o partido fascista.
1922 - Nasce Clélia - Duílio com 3 anos
1922- Mussolini ao termino da marcha sobre Roma, assume o comando da Itália como ditador. Duílio 3 anos.
1924-Nasce Bernardo (Lino)
1926- Nasce Ivo. Duílio 7 anos.
1928- a família Surian, parte para o Brasil, deixando, Julio e Duílio.
1928- Nasce GIUSEPPINA. Estando a família há 6 meses no Brasil. Duílio 9 anos
1929- o Papa pio XI assina acordo com Mussolini dando soberania da igreja sobre a cidade do Vaticano, tornando-se Estado do Vaticano. Duílio 10 anos.
1935- Em Outubro deste ano, a Itália, invade a Etiópia, ocupando-a até 1941. -Duílio 16 aos 22 anos e GIULIO 21 aos 27 anos.
1939- E deflagrada pela Alemanha a segunda guerra mundial.
1942- e bombardeada pelas forças da aliança; as cidades de Milão Gênova e Turim. -Duílio 23 anos.
1943- E dissolvido o partido fascista. -Duílio 24anos.
1945- Mussolini e executado pelos soldados comunistas. -Duílio 26 anos.
1954- Chega ao Brasil aos 35 anos.
1956- casa-se com Antonia Alves.
Dona Antonia era viúva mãe de 4 filhos.
Cleide Henrique com 10 anos. Vanderlei Henrique. Nereide Henrique. Edgar Henrique.
Nascem deste casamento mais sete filho
1957-Maria Conceição Surian. Vila Ré S. Paulo.
1958-Maria Abigail Surian. Vila Ré S. Paulo.
1958- Muda-se para a cidade de São Francisco residindo ali até inicio de 1961. Retornando para a mesma casa na vila Ré.
1959-Guido Surian. São Francisco. Interior de São Paulo.
1961-Mario Valdemar Surian. Vila Ré S. Paulo.

1962 - Ana Neide Surian. Vila Ré S. Paulo.

1964 - Antonia Vilma Surian. Vila Ré S. Paulo.

1966-Terezinha Surian. Vila Ré S. Paulo.

1971. Muda-se para o Jardim Coimbra, bairro próximo à vila Ré. Aonde permanece até sua morte em 1996.
Casamentos:

Cleide com Luis Paulo Netos: Luis Antonio c/ Clarisse. Bis netos -
Diogo, Guilherme, Beatriz.
Mauricio c/ Núbia. Bis Netos - Mateus, Nicolas.
NEREIDE com Francisco Netos: Elza c/ Pedro. Bis Netos - Vitor, Lara.
Mônica.
Vanderlei com Sonia. Netos: Argemiro. Adriana. Andréia. Karina.
Edgar com Cleonice. Netos: Leandro. Flavia.

1977 - Abigail casa-se com Aristeu. Netos: Emerson c/ Márcia. Bis Netos. - Felipe, Willian.
Erica c/ Fabrício. Bis Netas. Emily, Milena.
Thiago
Maria Conceição com Arsênio. Netas: Melissa, Milene, Mirian.

Guido com Zélia. Neto: Giovanni.

Ana Neide com Carlos. Netos: Vinícius, Felipe, Gustavo.

Antonia Vilma com Flavio. Neto: Renan.

Terezinha com Ademilson. Netos: Gabriel, Lucas.

Mario com Jesuína. Netos: Mario Junior.


CRONOLOGIA

1890- Nasce na região de TREVISO (Itália) Julian Giovanni Surian.
Nesta mesma região conhece e se casa com Maria.
Na herdade concebida, dedica-se ao cultivo de uvas.
Ao completar 24 anos nasce o primeiro filho Giulio e também neste mesmo ano de 1914 é deflagrada a primeira guerra mundial.
1915. Julian é convocado para a guerra, deixando esposa e filho aos cuidados da família.
Ao término da guerra em 1918, retoma suas atividades, plantando parreiras de uvas e produzindo vinho artesanal.
1919. Nasce, Duílio.
Neste mesmo ano Mussolini funda o partido fascista.
Ano ainda bastante difícil para as famílias que estavam saindo de uma guerra que deixou boa parte da população bastante empobrecida.
O ganho conseguido com o cultivo e a fabricação de vinho, apenas garante a subsistência da família.
1921. Nasce Ângelo (Angelim).
Os produtores da região se organizam em cooperativas, tornando a uva e o vinho da região, produtos apreciados, abrindo-se novos mercados, trazendo uma época de prosperidade e crescimento; Formando novas vilas e aumentando a população local.
1922. Nasce Clélia.
Neste mesmo ano Mussolini se torna ditador da Itália, Após promover a marcha sobre Roma.
O medo da ditadura e a noticia dos anos de ouro do café no Brasil, levam as famílias Italianas, às centenas, se aventurarem nestas terras distantes.
1924. Nasce Bernardo(Lino).
Neste período o eixo Turim, Milão, Verona, e Veneza se destacam pelo crescimento e industrialização, tornando-se o principal pólo de trabalho da Itália e um dos principais do mundo.
Em decorrência disto mesmo, verifica-se um êxodo rural nas cidades tidas como agrícolas.
Muitos produtores se sentem desestimulados e ainda com o acirramento das notícias que no Brasil não há limites para o tamanho das fazendas, inclusive, boatos infundados, que algumas poderiam chegar ao tamanho do território da Itália, aumenta significativamente a corrida do café.
Famílias inteiras, com duas ou mais gerações, deixam a Itália e partem para o Brasil.
1926. Nasce Ivo.
Após ser avalista de um amigo, Julian se vê obrigado a vender sua propriedade, passa a morar com a família em uma vila próxima ao antigo sítio.
Começam os preparativos para a mudança em definitivo para o Brasil.
O dinheiro conseguido com a venda do sítio, após o pagamento da dívida do aval, não é o suficiente para pagar a passagem para toda a família.
O pároco local, amigo da família, da às instruções para Julian, no preparativo para os papéis.
Entre outras informações ficam sabendo que o governo Brasileiro estava reembolsando as famílias, ou seja, devolvendo o dinheiro gasto com as passagens.
Isto os anima a por em prática a idéia de deixar os dois filhos mais velhos, e quando recebessem o reembolso, enviariam o dinheiro para que os dois seguissem viagem.
Os dois ficariam aos cuidados e orientação do pároco e de conhecidos e amigos que se ofereceram para dar apoio até tudo estar encaminhado.
1928 - No inicio deste ano partem para o Brasil, deixando GIULIO e Duílio.
Aportam em Santos e pelo serviço de imigração, são enviados para Cafelândia, interior de São Paulo.
Logo que se estabelecem, teen uma desagradável noticia: O governo não está mais repondo os valores gastos na viagem.
O único recurso é trabalhar, ajuntar dinheiro, para poder mandar buscar os filhos que ficaram na Itália.
Após seis meses no Brasil, nasce no mesmo ano( 1928) a ultima filha; Giuzeppina Angélica Suriam.
Família grande e muitas despesas( estes dois fatores, principais, deixam mais distantes à possibilidade de buscar os filhos).
Dois anos mais tarde, surge a oportunidade na fazenda ITAQUERE.
Por se tratar de uma fazenda de grande porte, conseguem trabalho, e após mais um ano de muito esforço e economia, conseguem na fazenda um adiantamento que juntando ao economizado, resultou no suficiente para trazer os filhos.
Quando finalmente os preparativos, ficam concluídos, e o dinheiro chega à Itália, Giulio já está convocado para o serviço militar.
Embora Duílio pudesse viajar sozinho, prefere aguardar o irmão terminar o tempo de exército, para poderem ir juntos para o Brasil.
1935. Quando pensavam que finalmente poderiam viajar, um novo fato os prende à Itália; Mussolini organiza um grande exército e invade a Etiópia.
Novamente GIULIO é convocado e parte para a guerra na África.
Duílio, agora, com 16 anos; Próximo à idade militar, não pode mais deixar a Itália.
Orientado pelo pároco que ficou responsável por ele, e também incentivado pela família com quem trabalhava, vai com carta de apresentação, tentar o ingresso no seminário dos padres em Turim.
Em 1938 cursa admissão e em 1939 inicia os estudos, permanecendo até 1947.
Exerce nestes próximos anos trabalho agrícola e pecuário, após ter abandonado o seminário, antes da ordenação.
Finalmente, após 25 anos separados da familia e com 34 anos de idade, no ano de 1953, parte em definitivo para o Brasil.
No Brasil trabalha por alguns anos em um laboratório, depois trabalho agrícola em São Francisco e finalmente se firma como feirante, em feiras livres de São Paulo.
Em 1956 casa-se com Senhora Antonia, viúva com quatro filhos, nascendo deste casamento mais sete filhos.
Residem na vila Ré, São Paulo, nos três anos seguintes, depois em São Francisco nos anos de 1959 e 1960, retornando a mesma residência na vila ré, aonde permanecem até 1971, mudando depois em definitivo para o Jardim Coimbra.


"PERTE"-"UMAHISTORIA DE VIDA"

Nota do autor:
Dedicado aos filhos, netos e famílias, aos que o conheceram e àqueles que apenas ouviram contar sobre ele. (EM MEMORIA. Ângelo Duílio Surian 1919-1996). Aos 77 anos.
Para diferenciar de uma biografia, que seria para o leitor enfado, foram inclusos alguns tópicos de ficção, assim como são fictícios alguns locais e pessoas.
Os detalhes foram rebuscados nas lembranças e modelados de acordo com a criatividade do autor.
Os compêndios aqui descritos contaram com a colaboração de toda a família Surian; Ligados por laços de parentesco e ou amizade.
A todos! Deixo aqui, meus sinceros agradecimentos.
Aristeu Rosa Moreira. (genro)



PER TE UMA HISTORIA DE VIDA.

1980.

M
eu nome é Duílio Ângelo SURIAN.
Neste ano completo 61 anos de idade.
Confesso; nunca fui muito bom com as palavras e nem com as letras, não obstante; escrevi e principalmente li bastante, criando e mudando conceitos à medida que se me abriam os conhecimentos e o entendimento.

Viver e dar sentido a cada momento vivido transcende qualquer teoria.
Fazendo uso deste conceito, não me propus aqui, deixar uma lição de vida; pois acredito mais na experiência do que na teoria, mas apenas (e tão somente apenas), relatar uns poucos fragmentos daquilo que vivi; e tentar mostrar que embora pouco for intenso.

Acho louvável destilar o néctar das ervas e num laborioso trabalho, produzir o fino perfume, mas, é incomparável o prazer de discernir o perfume individual de cada flor, cheirando a própria pétala.
Como a flor não guarda só para si o seu perfume; antes o compartilha com tantos quantos dela se aproximam, assim também são nossos fragmentos de vida; quando deixados escritos.

SÃO FRANCISCO 1979.

Quem conheceu qualquer vilarejo deste enorme São Paulo, não terá dificuldade de visualizar São Francisco.
Deixando a capital de São Paulo em direção a São José dos Campos, entrando para Campos do Jordão, saindo para Taubaté, passando por Monteiro Lobato, seguindo rio acima; estrada de terra em meio a plantações e matas nativas; (Será que foi aqui que Monteiro Lobato viu o saci?) na planície, antes do pé da serra, descansa tranqüila São Francisco.
Modelada nos padrões da imigração Italiana, restam ainda, alguns traços das antigas fazendas, como por ex. Casas interligadas para a residência de colonos e algumas ruas calçadas com paralelepípedos.
A praça principal (quase do tamanho da cidade) abriga o coreto, uma delegacia, alguns bancos, jardins... Enfim dentro dos padrões convencionais; a não ser pela delegacia(no meio da praça), que alias, apenas servira nos últimos anos, para pernoite de alguns que abusaram da bebida.
Fora isso; algum destaque para a Igreja, a ponte sobre o belo rio e por fim seus simpáticos moradores.

É nesse agradável ambiente que iniciarei esta singela narração.
Sem a pretensão de escrever uma biografia, nem tão pouco um romance.
Mas, apenas alguns breves relatos (que aqui chamarei fragmentos) sobre alguns poucos momentos da minha vida.
Relatando principalmente aqueles em que não estavam presentes meus filhos, pois, os que vivemos juntos, estão guardados em nossos corações e sendo muitos, seria impossível relatá-los.
Também procurarei descrever a maneira particular de interpretar as coisas que vi e principalmente as que senti.
Quando usar expressões em italiano, o farei de três formas diferentes: (Sempre usando letras maiúsculas).
Na primeira, por não ser de uso corriqueiro no Brasil; colocarei a tradução na seqüência.
Na segunda por ser de quase domínio publico, sem tradução.
Na terceira, quando for uma expressão fundida com a cultura nacional, (mas por ser escrita de forma errada) escreverei no modo coloquial, grifando a frase ou expressão.

Quanto ao titulo "PER TE". É apenas uma forma carinhosa de no Italiano, dizer *Para você*.
Talvez seja o desejo de não falar coletivamente, mas, sentar-se confortavelmente em um preguiçoso sofá, pegar no colo, carinhosamente, cada um dos meus 11 filhos e sem pressa, passar algumas horas conversando, explicando, deixando transparecer de forma natural que: O que vivi foi PER TE.

UM PASSEIO NAS LEMBRANÇAS.

1979.

SÃO FRANCISCO INTERIOR DO ESTADO DE SÃO PAULO.

H
oje é um destes gostosos dias de verão, e estamos aqui em São Francisco a passeio; viemos com boa parte da família, todos dentro de uma perua Kombi, bem apertada, mas com uma alegria contagiante.
Saímos bem cedinho do jardim Coimbra "um bairro de São Paulo Capital, onde moramos" conferindo malas bagagens e crianças.
Deixando extravasar os ânimos e alegrias do passeio, iniciamos cantando modinhas como "CAMPANARO, CAMPANARO, SONA LA CAMPÃNA, SONA LA CAMPÃNA, DING, DING, DONG, DING, DING, DONG" as crianças se divertem e eu mais ainda; vendo todos cantarem "o italiano" totalmente errado. O certo seria: FRA MARTINO FRA MARTINO DORMI TU DORMI TU SUONA LE CAMPAGNE SUONA LE CAMPAGNE DING, DING, DONG. DING, DING, DONa.

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Atualizado em: Qui 5 Fev 2009

Comentários  

#2 Abreu 05-01-2010 00:04
Muito interessante.
+1 #1 Abreu 05-01-2010 00:04
Muito interessante.

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