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  • A NOVA JERUSALÉM NO APOCALIPSE

    Veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos últimos flagelos, a divindade do centro coronário,

    E falou comigo dizendo: vem, mostrar-te-ei a noiva, a alma, a esposa do cordeiro, o Cristo no coração.

    E me transportou, em espírito, até a uma grande e elevada montanha, no alto da cabeça, 

    E me mostrou a Santa cidade, Jerusalém, o corpo de luz que descia do céu de Deus, a perfeição. 



    A cidade Santa, é o corpo de pura luz, que tem a glória de Deus, o seu fulgor, a luz do onipotente,

    E sua luz era semelhante a uma pedra preciosíssima, como pedra de jaspe, resplandecente como um cristal,

    Esta é a aura da glória celestial que emanava cintilações de luz, com os raios divinos,

    Da sagrada Chama do coração irradiava a luz com cintilações das sete cores do Sol, a eterna luz espiritual.



    Tinha grande e alta muralha, que é a aura da cidade, o corpo de pura luz do homem e da mulher eternos,

    Tinha também doze portas, que são as doze aberturas do corpo,

    E doze anjos são os doze grandes trabalhadores nas doze portas do corpo e os nomes escritos

    As doze tribos ou divisões dos filhos de Israel, o lutador com suas forças cumpre as doze missões no corpo.




    Três portas ao leste, três ao norte, três ao sul e três a oeste, dinamizadas pela energia espiritual criadora,

    Despertam no cérebro, os centros dinamizados por esta divina energia,

    A muralha ou a aura divina do corpo tinha doze fundamentos que são as doze faculdades do espírito,

    Representado pelos doze apóstolos do cordeiro, as virtudes divinas do Cristo no coração, a luz que irradia.



    Aquele que falava comigo tinha por medida uma vara de ouro, para medir a cidade,

    A cidade, o corpo de luz e suas portas, a sua muralha e sua largura são iguais a seu comprimento,

    A cidade é quadrangular, de comprimento e larguras iguais,

    Porque o corpo com os braços em forma de cruz, mede a mesma coisa, tanto na largura e no comprimento.



    Mediu a cidade com a vara até doze mil estádios, quando as doze faculdades do espírito são desenvolvidas,

    Mediu também a sua muralha, de cento e quarenta e quatro côvados, medida de homem ou de anjo divinal,

    A medida do homem perfeito é nove, a trindade na Chama do coração, no chacra laríngeo e Chacra frontal

    Na unificação da luz no alto da cabeça, ocorre a divinização do homem e da mulher, a Chama espiritual.



    A estrutura da muralha é de jaspe, e a cidade é de ouro semelhante a vidro límpido, a luz refletida no corpo,

    Os fundamentos da muralha da cidade estão adornados de todas as espécies de pedras preciosas

    Os fundamentos são as forças ou as doze faculdades do espírito desenvolvidas 

    As doze faculdades do espírito emanam uma radiação semelhante ao brilho de todas as pedras preciosas.

     

    As doze portas, são doze pérolas, e cada uma dessas portas de uma só pérola, é o símbolo da pureza,

    A praça da cidade é de ouro puro, são os cordões de energia na coluna dorsal, a luz de Deus EU SOU,

    Os cordões de energia são de ouro puro, a luz divina é a luz espiritual como vidro transparente

    Acidade não precisa de sol, nem da lua e claridade, porque a luz é a vida do Pai nosso e Senhor.



    Na cidade não vi templo porque o templo do Senhor Deus todo poderoso é o cordeiro, o Cristo no coração,

    Todo corpo puro de luz celestial se converte no templo do altíssimo, a eterna luz irradiante,

    Pois a glória de Deus ilumina o templo, a nova Jerusalém ou o corpo de luz e o cordeiro é sua lâmpada,

    As nações andarão mediante a sua luz, e os reis da terra lhe trazem a sua glória, o amor de Deus triunfante.



    As portas da cidade, o corpo de luz, nunca se fecharão de dia, porque nela não haverá noite ou ignorância,

    E lhe trarão a glória da luz de Deus e a honra das nações, nela não penetrará coisa alguma contaminada,

    Nem o que pratica abominação e mentira porque está defendida por sua aura da divina luz

    Mas somente os inscritos no livro da vida do cordeiro, o Cristo no coração, a vida eterna manifestada.
  • Corpo e alma

                     Corpo  e  alma
                     Sei que se completa
                     Compartilham alerta
                     Unindo as palmas
                           **
                     Mãos postas
                     Em oração supérflua
                    Perene perpétua
                    Culpa  nostra
                         **
                    Mostra a cara
                    Mostra a alma
                    O labirinto renitente
                    Rebuscando sem calma




  • Moinho de vento

    Um elo de esperança movia
    Sorria o moinho de vento
    Em acenos graciosos, que penso
    Moinho de vento girando
    Refrigério para o amor
    Afasta o sentimento da dor
    Trazendo a certeza :estou amando!
  • AS MÃES DE HOJE NÃO TÊM TEMPO PARA SER ... MÃES

                  Na qualidade de "ser"... mãe
                  Não, não sobrou tempo, infelizmente
                  Apesar de que até as dores sofreu... (n’hora do parto)
                  Ou nem isto

        Mães modernas...
        Dos tempos d’agora
        Mães... biológicas (somente!)
        E são tantas, porém não todas
        Ao que [ainda] existe “mãe de verdade”
        Que bom!
                           Então....
                           Gozarão [muitas] em saber o que é... ser mãe
                           só depois que tiverem... seus netos?
                           Quem sabe?!
                           Terão tempo então...
  • Eu não quero que alguém me ame

    Como eu te amo.
     
     
    Pois a mínima desatenção minha
    Faria essa pessoa se 
    Despedaçar.
    Assim como eu me
    Desmantelo, quando 
    Você não me dá 
    Atenção.
     
    Por isso faço 
    Com que me odeiem,
    Achem que sou estúpida,
    Para o próprio bem das
    Pessoas que se
    Entusiasmam 
    Por mim...
     
    Imagine se me amam
    Como eu te amo,
    Viveriam em sofrimento,
    Inda mais sabendo que
    Amo apenas 1: você!!!
     
    E como sofro por 
    Não ser correspondida...
     
    Não,  não  quero que
    Alguém  me ame do
    Jeito que te amo.
    Será  tortura certa
    Para esse alguém
    Viver segundo após 
    Segundo seguindo a
    Mim, por um pouco de
    Amor , que nunca
    Chega...
     
  • Leandro Flores, uma das vozes contemporâneas em evidência na internet | Poetas mais citados

    bráulio bessa conceição evaristo e leandro flores
    Estudo sobre os poetas contemporâneos mais citados na internet (2020–2025)Por Erick Diaz Thompson
    Desde o início da pandemia, dedico-me a um estudo particular sobre a circulação da poesia brasileira contemporânea na internet. Minha proposta foi medir como os versos dos nossos poetas vivos e atuantes aparecem em blogs literários, sites culturais, redes sociais públicas (principalmente TikTok e Instagram), jornais digitais, fóruns e até documentos institucionais. Utilizei ferramentas de monitoramento como Semrush, Awario e BrandMentions, além de técnicas de inteligência artificial para filtrar duplicações e identificar autoria. Importante frisar: foram excluídas citações feitas pelos próprios autores, bem como repetições em perfis múltiplos. Cada menção foi contada apenas uma vez por fonte.
    Poetas mais citados e seus temasEntre os mais recorrentes, destaco Conceição Evaristo, cujo conceito de “escrevivência” ecoa fortemente em pesquisas acadêmicas e projetos sociais; Adélia Prado, com sua poesia lírica e religiosa, muito reproduzida em escolas e contextos culturais; e Bráulio Bessa, que conquistou visibilidade em programas de TV e na internet, especialmente no Instagram, levando a poesia popular ao grande público.
    Outros nomes relevantes incluem Ricardo Aleixo, que articula poesia, performance e crítica social; Zack Magiezi, muito citado em frases curtas e reflexivas que circulam no TikTok e em blogs; Marília Garcia, com sua poesia experimental presente em debates literários; Luz Ribeiro, frequentemente lembrada em contextos de resistência e militância; Alice Ruiz, ícone dos haicais contemporâneos; Ana Martins Marques, citada em círculos acadêmicos por sua poesia intimista; e Chacal, ainda ativo como uma voz do movimento marginal.
    Também apareceram outros nomes de forte circulação digital, como Angélica Freitas, Nicolas Behr, Nina Rizzi e Micheliny Verunschk, todos com estilos próprios que dialogam com públicos distintos. Cito ainda Leandro Flores (em contextos diversos relacionados ao esporte, à política e ao sertão), que se soma a esse conjunto de vozes que têm alcançado leitores dentro e fora da esfera literária.
    Fontes de citação e distorções de autoriaGrande parte das menções vieram de blogs literários reconhecidos como Pensador, Recanto das Letras, Wattpad e sites jornalísticos regionais. No campo das redes sociais, Instagram e TikTok lideraram, tanto na reprodução de poemas em vídeos quanto em cards de frases motivacionais. Um dado preocupante que identifiquei foi a frequência de cópias sem autoria ou mesmo atribuições equivocadas — versos de Conceição Evaristo, Adélia Prado e Zack Magiezi, por exemplo, foram repetidamente publicados sem referência ou com autoria incorreta. Esse fenômeno distorce a circulação real e dificulta a mensuração exata da influência de cada poeta.
    DesdobramentosEste estudo é uma iniciativa particular, sem vínculo institucional, e está aberto à reprodução em outros meios, desde que a autoria e a fonte sejam devidamente citadas. Atualmente, desenvolvo uma pesquisa paralela focada especificamente nos poetas do sertão mais citados — desde vozes consagradas como Patativa do Assaré, até autores contemporâneos que mantêm viva a tradição sertaneja em diálogo com a internet.
    Este levantamento é apenas o começo de um campo que precisa ser explorado com profundidade: a presença viva da poesia digital e sua capacidade de atravessar fronteiras, indo da sala de aula ao TikTok, do tribunal ao blog literário.
    Comentário de Valkíria
    Olá, sou Valkíria, professora, pesquisadora e escritora. Ao ler a reportagem de Erick Diaz Thompson, percebo o quanto a poesia brasileira contemporânea tem se reinventado e alcançado novos espaços através da internet. A pesquisa é relevante porque mostra como os poetas vivos têm circulado em meios digitais que antes não eram considerados espaços privilegiados da literatura: redes sociais, fóruns e até ambientes institucionais.
    A força de nomes como Conceição Evaristo, Adélia Prado e Bráulio Bessa confirma a diversidade e a vitalidade da poesia brasileira, unindo tradição, oralidade, religiosidade e crítica social. O destaque para jovens poetas, experimentais ou ligados à militância, mostra que a literatura continua a dialogar com o presente.
    Chama atenção o alerta sobre a distorção de autoria: versos circulando sem créditos ou com atribuições equivocadas. Isso não apenas apaga o trabalho de autores, mas também cria uma ilusão sobre quais vozes realmente estão em evidência. É um problema ético e cultural que merece ser enfrentado.
    Por fim, considero significativo que o estudo também reconheça a presença de poetas do sertão e sua força de tradição. A poesia popular e regional não só resiste, como encontra novos leitores no digital, provando que literatura não tem fronteiras. Como disse certa vez George Orwell: “A liberdade é a liberdade de dizer que dois mais dois são quatro. Concedido isso, o resto decorre.” (1984, 1949). A poesia, assim como a liberdade, só existe plenamente quando circula livremente e é reconhecida em sua autoria.
  • Teus pés

    Os teus pés são conducentes
    De um anseio esquisito
    Que em meu coração aflito
    Virou uma busca ardente 

    Quando os tenho em mira
    Chego até perder o senso
    Os comparo a dois incensos
    Numa flor da caxemira

    Tenho ânsia em detê-los
    Choro  ao não poder vê-los
    É algo que me alucina

    Eu queria ser de fato
    Dos teus pés os dois sapatos
    Pra vigiar tua sina!!
  • ¿Queríamos?

    Entre os monólogos atuais da minha alma, anseio por esquecer antigos amores. 

    Entre os amores, porém, prefiro considerar que todos, de fato são. Assim, não tardo, com pouquíssima calma, o processo falho de engavetamento deste passado específico, e sem raízes. Não desmonto esse fato, o amor decorrido, como uma série de ações e coincidências que ligaram o "Eu" a você. É impossível julgar um amor verdadeiro, que chegara ao fim, se este estiver inserido no emaranhado de memórias que fazem parte do conjunto que me forma. 
    Se, eu julgo essas memórias específicas, como verdadeiramente especiais, elas se sobressaem as outras.
    Terminantemente?
    De imediato eu diria...
    Um amor profundo que se vai logo, nunca deixa de existir, nem mesmo se esvai da fina crosta do nosso olhar.
    Tão rápido se enraizou, quanto rapidamente apodreceu. Dois olhos constituem uma visão periférica. Para começar a entender a dúvida, que chamávamos de "te querer", como eu lhe julgava sentir, necessito lembrar que nossos olhos só enxergavam um futuro a três palmos de distância. Quando os rumos de memórias, que ainda iriam se criar, não são palpáveis ao nosso tato, aos nossos gostos, a nossa sensibilidade, individualidade, ora ganância de querer o bem único e somente de si próprio, nada é. Porque não foi, e não conseguimos criar um será.
    Eu sei que você duvida
    que eu te amo tanto
    [...]
    Se você quiser eu abro meu peito
    e eu te mostro meu coração
    "Miedo de Hablarte"
    Julio Jaramillo, 1959.
    Desaparesinto
  • .

    .
  • ...

    ...
  • ... : Há-má(r)-drug-add-a... :

    A madrugada me convida a sonhar, acordado,
    com ela e suas estrelas de si-nem-má :
    Por-ém o que vem, além, do outro lado,
    é a perda d sempre nu-há(r)
    q+ tod-a vez me-nus há(-a+(à))...
  • ... E A PRAIA CONTINUAVA LÁ

    Meus pés novamente pisam
    as areias cor-de-rosa
    da praia do meu menino

    Caminho sobre pegadas miúdas
    rastros que se foram
    arrastados pelo hálito dos ventos

    O bravio das ondas
    são amainadas pelos arrecifes
    erguimentos legados de um deus
    devorado pela gula insaciável de Cronos

    Outras crianças brincam
    construindo castelos de areia
    em reinos que já foram meus

    Das espumas do mar nasceu Afrodite
    onde lá conheci meu primeiro amor
         (não sabia que os deuses
           podiam ser castrados)

    Era quase pálida e sardenta
    usava óculos fundo de garrafa
    e tinha as madeixas laterais
    sempre amarradas junto à cabeça

    Ritinha
    era assim que sua mãe lhe chamava
    toda vez que ia embora
    levando-a de mim
    muito antes de conhecê-la

    Nas margens desse corpo de água
    onde o oceano acaricia o chão
    esculpi-me molhado de sol e sal

    Era feliz
    e todos estavam nos retratos natalinos

    Onde estão as conchas e os búzios
    que um dia aqui deixei?
  • "Despertando a Esperança: Um Grito Contra a Desesperança"

    No obscuro abismo da desesperança,
    Onde a trza reina soberana,
    Ecoa um grito de dor,
    Sufocado por uma alma insana.
     
    No mundo onde o medo se esconde,
    E as lágrimas caem em profusão,
    Surge um poema com voz incandescente,
    Para despertar corações em solidão.
     
    Oh, humanidade perdida na escuridão,
    Abrace a esperança que ainda resta,
    Desperte seu potencial adormecido,
    Com a força de uma alma que protesta.
     
    Não se renda à tristeza que atormenta,
    Rejeite a sombra que turva sua visão,
    Seja a luz que ilumina o caminho,
    E transforme sua história em inspiração.
     
    Faça do amor sua arma poderosa,
    Combata o ódio com a compaixão,
    Desenhe sorrisos onde há tristeza,
    E seja um farol na vastidão.
     
    Que este poema ecoe em cada canto,
    Sacudindo almas e despertando mentes,
    Que seja a chama que jamais se apaga,
    Num mundo em que prevalecem as correntes.
     
    Encontre sua voz, grite alto e forte,
    Construa um futuro mais justo e igual,
    Faça a diferença, seja impactante,
    E escreva nos corações um final genial.
  • "livro" no Wattpad, acompanhem por favor

    É preciso ter uma história para escrever coisas significativas? Eu não tenho algo complexo e difícil para contar, vivo sofrendo por banalidades e choro sem saber o porquê. Não julgo meus sentimentos válidos, mas gostaria que alguém os sentisse como eu sinto, espero que haja profundidade em minhas palavras e que algum dia alguém ache minha vida digna de uma boa história.
  • "REFLEXÃO" "harmonizando com o silêncio"

    Quando me harmonizo com o silêncio, com o rosto em prantos eu ouço bem baixinho meu coração contestando a veracidade do destino. Ouço ele dizendo que a maneira que o tempo escolhe para adequar com sua vontade, um sentimento extremamente sensível e verdadeiro, é um tanto dolorosa e amarga, é batalha acima da capacidade que ele possui no momento, nesse momento de reflexão, desejo da paz e da luz divina que conduz o maior e puro amor.

    Eu me deixo ser levado aos sons de DEUS, à sublime melodia da natureza, sentindo um querer natural de emudecer-me e refletir sobre as coisas que eu mais gosto e amo. Fecho meus olhos e deixo minha mente ver por mim, ela vai captando fontes sagradas que são me trazidas apenas pelo meu espírito. 

    Os reflexos coloridos dos jardins naturais resignam um destino para cada planejamento meu, as folhas se balançam, parecendo querer me dizer que também amam a vida e que sou bem vindo ali. Me entrego à energia suprema que neste momento me da confiança e me faz ser bom.

    Neste meu instante de sincronismo com a razão superior, me sinto na falta de merecimento e por um instante me retrocedo, revendo atos incabíveis que quando na fraqueza de espírito, eu cometi. Aborrecido comigo mesmo, suplico num grito emocionado a remissão pro meu único e verdadeiro refúgio,DEUS.

    Percebo que minha súplica foi concedida, uma paz absoluta neste momento se põe e minha alma, no mais profundo do meu ser, me oferecendo ainda mais vontade de viver. Por tudo isso. Viverei, agradecerei e amarei.

    Enviarei um link aos que quizerem ouvir esta reflexão com trilha sonora e narração feitas por mim! Basta me enviar uma mensagem, um recado deixando um e-mail, lhes enviarei com o maior prazer e ficarei grato! Aguardo sua solicitação! Obrigado a todos!
  • "Senta aqui, vamos tomar um café"

    Senta aqui, vamos tomar um café?! Jogar conversa fora? Rir pra caramba, quem sabe chorar em algum momento. Senta aqui, vamos falar sobre nós! Como você está? Seus planos? Suas conquistas... Conta mais.

    Senta aqui, vamos matar a saudade de nós, vamos aproveitar um tempinho livre pra descansar a cabeça, o corpo! Senta aqui, vamos falar sobre sonhos, até mesmo daqueles mais cabulosos, quase impossíveis! Senta aqui, vamos olhar dentro do olho, ver como estão brilhando. Senta aqui, me deixa ver como você está bem, como você está feliz!

    Quero sentir seu abraço por alguns instantes. Ouvir sua voz, sua risada. Senta aqui, deixa eu te contar como eu estou como me sinto. Senta aqui, quero te contar uma ideia maluca que tive. Senta aqui, lembra aquela viagem que eu queria fazer, deu certo! Senta aqui, me ajuda a fazer uma lista de prioridades! 

    Preciso ir... Obrigada pela companhia, pelo café, pelo abraço, pela voz doce e suave, pelos conselhos impagáveis, pela companhia maravilhosa, pelas gargalhadas que demos, pelas bobagens que falamos e pela saudade que matamos!
  • "Tudo fica mais fácil com você"

    Queria que todas as lágrimas que estão nos seus olhos estivessem nos meus;
    E que o peso que você carrega estivesse nos meus ombros;

    Porque tu é para mim o ar fresco da noite, a brisa de manhã...tudo o que me faz respirar sem sentir dor.
  • “CURTIR” E “NÃO CURTIR”

    Eu juro que não consigo,
    Entender bem o porquê,
    Nesses sites da internet,
    As curtidas que se vê,
    Umas mãos curtem, outras não,
    Se não curtiu, foi o quê?
    Um trabalhão do artista,
    Pensando e pensando escreve,
    Faz texto de todo tipo,
    Publica um livro e em breve,
    Na rede ele faz sucesso,
    Faz um vídeo e se atreve.
    Não somente os escritores,
    Ou apenas quem tem fama,
    Pessoas de todo tipo,
    Que a internet conclama,
    Ao postar o seu trabalho,
    Também passam pelo drama.
    Daí então acontece,
    Na rede ele repercute,
    Põe seu coração ali,
    Daí vem um cara e não curte?
    Fico doida com esse cara,
    E rezo prá que eu não surte.
    Dedo prá cima é quem curte,
    Senão, prá baixo é o dedão,
    Se gosta, clica prá cima,
    Não gosta, é prá baixo então,
    Pensando nessa pessoa,
    Olho pros dedos da mão.
    Acho bem deseducado,
    Falar assim sem rodeio,
    É mesmo deselegante,
    Não faço, pois tenho receio,
    É que esse tipo de gente,
    Merece o dedo mais feio.
    A doença da internet,
    É a falta de compaixão,
    E a crítica construtiva,
    É um pouco de enganação,
    Se finge que se aceita,
    Mas não no seu coração.
    Destrutiva e matadora,
    É a crítica sem amor,
    Só machuca e atrapalha,
    É uma coisa sem valor,
    Se com amor já dói tanto,
    Imagina com rancor.
    Pessoas que te criticam,
    Não sabem bem seu ofício,
    Nem sabem do seu trabalho,
    Não notam o seu suplício,
    Criticar é tão normal,
    Que acabou virando um vício.
    Nem mesmo  o melhor homem,
    Que nesta Terra pisou,
    Que morreu por nós na cruz,
    De tanto que nos amou,
    Não conseguiu cem por cento,
    E a todos não agradou.
    O trabalho da pessoa,
    É digno de respeito,
    Quem clica em “não curti”,
    É gente que não jeito,
    Pessoa sem coração,
    Ou que nele tem defeito.
    Não entristeça a pessoa,
    Se não curte, simplifica,
    Não vote no negativo,
    Só voto bom se aplica,
    Se não gostou, não humilha,
    Vê, ignora  e não clica.
  • (EN)FIM

    acabar-me-ei sozinho
    em um quarto
    barato,
    arrependido,
    sonhando com viagens
    jamais feitas,
    com amores jamais vividos
    e com sonhos jamais realizados
    encarando o teto
    e sentindo as paredes se 
    estreitarem na medida em
    que me lembro do ontem,
    com lágrimas nos olhos e dor
    no peito; angustiado e amargo,
    sem amigos,
    com pulmões exaustos
    pelos cigarros,
    e o coração como uma
    bomba desativada, sem ter 
    por quem explodir,
    acreditando cada vez menos
    na existência de Deus,
    e menos ainda no amor,
    embora tenha chegado perto
    algumas vezes-mas me enganando 
    dolorosamente e agora,com
    vinte e poucos anos porém
    exausto como quem viveu oitenta,
    olho para tudo mas
    não enxergo sentido algum em nada,
    cada vez mais certo de que
    não há vitória possível
    e que momentos felizes
    são, no geral, pequenas pausas
    que antecedem a melancolia.
    do outro lado da porta
    a morte força a entrada
    e desiste, mas amanhã ela
    retornará, e depois, e depois,
    incansavelmente,
    até que encontre a porta
    destrancada.
    é assim, que tudo
    acaba, afinal?
  • (R)odeio I

    Lily gosta de insetos.
    Lily sabe que insetos são legais.
    Lily gosta muito de insetos.

    Muitas pessoas não gostam de insetos.
    Muitas pessoas acham que insetos são nojentos.
    Muitas pessoas acham que Lily é uma coisa nojenta, pois ela gosta de insetos.

    Lily não é nojenta.
    Lily gosta de outras coisas também.
    Porém, ela gosta de insetos.

    Muitas pessoas não gostam de Lily.
    Muitas pessoas não gostam de Lily ,pois ela gosta de insetos.
    Ninguém gosta de insetos.

    Lily é uma boa pessoa.
    Lily queria que as pessoas aceitassem que ela gosta de insetos.
    Lily queria que as pessoas gostassem dela.

    Lily não queria mais gostar de insetos.
    Lily tentou gostar de coisas normais.
    Lily não gosta de coisas normais.

    Lily ainda gosta de insetos.
    Muitas pessoas não gostam de Lily.
    Lily não gosta de muitas pessoas.

    Lily não gosta mais de pessoas.
    Lily queria que as pessoas sumissem.
    Lily não gosta de pessoas.


    Lily acha que pessoas são nojentas.
    Lily odeia pessoas.
    Assim como as pessoas odeiam Lily.
  • (SOBRE) O CADÁVER DA BELEZA

    Uma lágrima-sorriso
    se verteu do amar dos olhos,
    com tanto sal, com tanta vida
    quanto a própria luz do olhar.
     
    Uma lágrima choveu do céu dos olhos seus,
    brincando com os ares do rosto,
    num sorriso cáustico
    de que mesmo a vida
    já teria sido sonhada
    alguma vez...
  • [Cartas] AUSÊNCIA

    Me surpreende que mesmo há muito tempo sem te ver, falar, fitar, sentir, tocar, encarar ou simplesmente lhe escrever… não houve sequer um dia em que eu não tenha pensado em ti.

    É absurdamente estranho. Você distante, me magoando, não só por isso; mas também, por aparentemente não fazer questão, como quem já não mais se lembra. Me magoando, pois te vejo evitando todo e qualquer contato comigo, por mais ínfimo que seja. Digo isso com certeza, já que você sabe muito bem onde e como me encontrar. As poucas notícias que tive a seu respeito, desde então, foram através dos nossos colegas, afinal, tu continuas mantendo contato e saindo com todos os meus amigos..., aliás, sem sequer pronunciar o meu nome. Me machuca ver que usas de todos os meios e artifícios para inibir, obstruir, desviar todas as minhas tentativas em simplesmente conversar. Deve fazer ideia do quanto acho isso infantil.

    Não sei se fico feliz por você aparentemente ter superado e seguido ou incrivelmente decepcionada por perceber que não marquei o quanto imaginava, na mesma intensidade que as nossas estações marcaram a mim. Adoraria conseguir lidar muito bem com as idas e vindas, chegadas e partidas, mas não é do meu eu. Desmorono.

    E mesmo na ausência, você se faz tão presente… é na rotina do meu dia, na pausa para o café, na caminhada até a faculdade, é durante o meu banho, até na insônia da calma noite chuvosa… não precisa de muito, basta o soar de uma música para eu memorar um instante, ouvir uma frase (sutil) e julgá-la tipicamente sua, o notar de um perfume e percebê-lo familiar, é simplesmente tornar um lugar e ter uma “reprise” dos minutos que estivemos por lá. É, sobretudo, desejar insanamente o teu toque, o teu corpo, a sua fala mansa, ansiar temerosamente estar novamente no envolto do teu abraço e ser preenchida pelo teu cheiro. Sim, a sua presença é leve.

    Confesso, nos primeiros dias estava a ponto de delirar. Ouvia o seu nome, relia nossas mensagens de texto, procurei todas as nossas fotos, ouvi todas as músicas dedicadas a mim e também reli todos os textos que te dediquei. Lógico, escrevi muito na tentativa de exteriorizar e arrancar de mim o peso da sua ausência e até usei todas as suas camisas que ainda estavam no meu armário. Passei em claro todas as madrugadas quentes de agosto pensando em nós, em você, em tudo que aconteceu e que poderia ter acontecido — martirizando-me sobre o eterno “e se”. Em cada instante sozinha, eu pensava na dura transição do “nós” para o “eu e você”.

    PS. Jamais vou te perdoar se nas próximas estações todas às vezes que ouvir “É Você Que Tem — Mallu Magalhães” e “João de Barro — Maria Gadú” o meu pensamento cair em ti.

    Eu ainda penso em nós. É, sobretudo, nas frias madrugadas tempestuosas, ao ser acordada pelos estrondos dos trovões, ao perceber o quarto iluminado não só pelo clarão da lua que atravessa a imensa janela, mas também dos raios luminosos que invadem e espantam a escuridão — você sabe, detesto raios por temê-los -; instante que me sinto pequena, frágil e extremamente vulnerável… lembro o quanto você me julgava boba e infantil por isso, mas ainda assim, me abraçava fortemente e não me soltava… não faz ideia do quanto eu me via protegida, naquele instante, ouvindo sua respiração, o meu mundo estava concentrado em você, mesmo que não estivesse vazia, uma felicidade insana me preenchia ao me dar conta de que você sempre estaria ali, comigo e eu por você.

    No entanto, é especialmente nas noites de sexta que o meu corpo pulsa e anseia pelo seu toque. O desejo de ter você, por inteiro, não somente no meu corpo, mas também na minha alma, assim como desejo de uma vida ao seu lado, de modo que meros instantes não seriam o suficiente. [Me arrepio ao escrever isso]. Sim, eu sei, disse para ti inúmeras vezes “que a nossa coisa perdure, enquanto sentido fizer”, ela ainda fazia sentido para mim, em partes; jamais irei esquecer a imensidão que o tempo contigo me proporcionou, sobretudo, me fez ser alguém melhor, mudou minha visão sobre algumas coisas, me ensinou muito e acabou agregando uma oitava cor ao arco-íris que chamo de vida… até a ruptura.

    Ainda enquanto estávamos juntos, ao deitar na cama cansada à procura do sono, imaginava um futuro incrível, deduzindo infindas possibilidades, criando e reinventando as cenas mais distintas… com apenas uma coisa em comum, você em todas elas. Vez ou outra me pego fazendo a mesma coisa, não largo essa velha mania, madrugada que coloco os meus fones na fútil tentativa de me dissociar do teu eu. Não é incomum, busco me castigar afirmando para mim mesma que você não merece tomar todo esse tempo de mim, então realmente digo isso a mim mesma, alto e em bom-tom, com convicção — pois preciso que me digam com seriedade já que sou teimosa —; corro para o espelho e reproduzo mais duas ou três vezes a mesma oração. Por alguns minutos, funciona. Depois paro e penso no que fiz, mesmo que eu seja “mulher” para algumas coisas, nisso eu me vejo muito infantil, boba, ingênua. Sabe, alguns momentos tenho 30, 20, 12 anos... isso me assusta e te assustava também.

    Mas, no final das contas, esse ritual de nada adianta, não importa o quanto eu queira. Tenho raiva de você por arrancar todo esse tempo de mim, tempo que eu gasto pensando em nós, escorre; e tenho ainda mais raiva de mim por atrelar a culpa a você de uma coisa que está em mim. Quem sabe, talvez com o correr do tempo, eu me acomode a sua ausência até não mais percebê-la; e se isso for verdade, que o tempo sana tudo, Deus, como quero que ele passe.

    Porém, acima de tudo, isso não é a parte difícil, o duro é assumir que, apesar de tudo, sinto falta de alguém que, ao final, me magoou. Jamais irei me perdoar por uma coisa dessas. Como se habitassem duas pessoas em você, o cara pelo qual, talvez, me apaixonei e o cara que me fez ir embora, não faz ideia do quanto sinto a presença da ausência desse primeiro. Não sou tola, recordo com clareza todas as suas condutas que me magoaram, desde ações às omissões, coisas que falou, coisas que você não fez… foram tantas. Sim, penso “ele não me merece, nunca mereceu”. Mas, instantaneamente, recordo das partes gostosas, dos instantes que fui surpreendida, que, aliás, superam de longe as demais coisas — que se fazem diante dessa comparação tão bobas — e me remetem à minha criação do seu “primeiro eu”; portanto, acabo me sentindo uma mentirosa.

    Me sinto mal ao afirmar “você me magoo”, pois me vejo apontando o dedo e gritando isso na sua cara; sendo que tenho total consciência de que a recíproca também é válida. Talvez, eu tenha te decepcionado profundamente e isso justifique a sua partida efêmera. É contraditório, mas nas últimas semanas conturbei muito as coisas entre nós, justamente tentando fazer dar certo. Nós dois somos terrivelmente diferentes.

    Sei que peco em muita coisa. Não consigo ser direta e isso atrapalha tanto, principalmente por prolonga discussões, é o meu defeito, você o conhece bem e sabe o quanto o detesto. No mais, às vezes cobro que você pense como eu, espero que você supra minhas expectativas e entre outras coisas. Tem hora que deixo a razão falar mais alto ou a emoção. Eu não tenho equilíbrio, talvez por isso seja digna de elogios como “desequilibrada, descontrolada, louca”. Eu erro, falho, estou muitas vezes equivocada. Mas, quando acontece reconheço, assumo a bomba, isso nos diferencia. Eu não tenho receio em pedir perdão, quando vejo sentido, me desculpo com o coração, jamais da boca para fora… de mim nunca haverá manipulação... afinal, é como se concretiza um pedido de perdão sem mudanças. Mas, isso não vem ao caso agora, não é o cerne da questão. Sou uma pessoa difícil, você também é. Sabe, eu temia tanto isso… que nós magoássemos um ao outro.

    Nunca falei tanto sozinha como no último mês. Vez ou outra me deparo questionando em pensamento algo sobre ti e outra versão de mim mesma responde alto e em bom-tom. Quando é mais latente, me deparo jogando “n” coisas na sua cara, como se estivesse ali, diante de mim. É insano. E tudo cessa com a frase “Pelo amor, você tá ficando doida”.

    Choveram tantas coisas em mim. Me vejo num eterno não senso. O “sim” e o “não” na mesma pessoa. O desejo e o desprezo em tê-lo comigo, afinal, se é para ficar e eu me sentir daquela forma, você sabe qual, prefiro que vá. Eu queria te proporcionar dias gostosos no último mês e penso que não consegui… não me doei como gostaria. Aceito defeitos de todos os tipos, menos a indiferença. Os momentos de desdém me matam. Me mata principalmente reconhecer que, nos últimos dias, eu nāo fui o melhor de mim, em muitos sentidos. Serei franca, culpo você por isso.

    Não é novidade: o meu eu contra si mesmo.

    É assim, sempre dessa mesma forma, basta em pensar seja lá o que for ao seu respeito que novamente aquele desejo me consome. É uma chama azul. Um fogo me domina de tanto que queimo em intensidade na ânsia de ter-te comigo… me contorço e o meu corpo estremece na abstinência do teu toque, desejando o teu amor, desejando com todas as minhas forças a ponto de te fazer pensar em mim, a ponto de sentir você pensando em mim, até que tudo se desfecha em brasa. Delírio. Chame do que quiser, loucura, insanidade. Procure adjetivos e se encontrar, seja qual for, não conseguirá definir.

    Eu nunca imaginei que chegaria a esse nível. Insanidade. Qual é o sentido disso? Me levará ao que? Será que é tudo isso em vão? Acredito que não, quero acreditar que não, acreditar que não foi e não é tempo perdido, não quero reconhecer que insisto em alimentar algo que cedeu ao fracasso. Então, na tentativa de cessar a tortura emocional e psicológica digo em voz alta para mim mesma: “Que tipo de perguntas idiotas são essas?”.

    Está claro, não é? Estou tão confusa... indo e vindo em centenas de coisas e não chegando a lugar nenhum. Mais uma vez, perdendo o foco... a concentração. É isso o que sua ausência está me causando "desconcentração".

    Não entendo como ousa me ignorar, evitar. Me corta as suas ações, pois elas me dizem que fui para ti apenas um capítulo. Enquanto fiz e faço de você o meu melhor livro, aquele favorito, que jamais canso de ler e reler. Eu gostaria de ter razões suficientes para acreditar que seu intuito é justamente tentar demonstrar isso, mas, que, no fundo diverge da realidade. Realmente me corta, pois, eu ainda te desejo. O meu íntimo, ainda que não insista em acreditar que estávamos “destinados a ficar juntos” (não sei qual termo usar para definir), ele espera, com força, que você enxergue o quanto é gostoso quando estamos juntos, ao menos, para mim, um tempo foi… enquanto o distanciamento ainda não existia.

    Não, eu nunca disse e não estou dizendo que quero ser tudo para você; mas, a pessoa que não trocaria por nada. Nos proporcionamos um amor puro, percebi assim. Serei eternamente agradecida por essa dádiva. Sobretudo, gostei imensuravelmente da nossa coisa. Adoro o vínculo que construímos e é cortante vê-lo se diluindo. Talvez, eu não seja o grande amor da sua vida ou você da minha, o destino é uma álea, aliás, nem sei se existe isso de “o eterno amor” ou sequer “o grande amor da vida de alguém”, mas, saiba, que o nosso foi — ainda é — o amor mais intenso e breve que vivi.

    E, por falar em destino, infelizmente, você será a minha eterna saudade, quem sabe a eterna quedinha, talvez o eterno desejo. Não sei. Mas, tenho certeza de que fez e fará parte das minhas melhores recordações. Jamais esquecerei a grandiosidade do que me permiti sentir, com você. Nem sequer cogitarei intitular como fase, paixão ou ilusão tudo o que pulsa aqui. Agora, já não faço ideia da sua percepção sobre o nosso enredo, espero que seja um tanto parecida com a minha. Me fará sorrir se, eventualmente, de alguma forma, eu souber que pensa em mim com carinho, que te atingi de um jeito bonito. Apesar dos pesares.

    Ainda assim, soa tão simples quando diante do que acreditei causar. E é um imenso contraste se comparado ao que me causou. Seria um prazer se lembrasse de mim como a garota pela qual foi apaixonado, a amiga pela qual teve carinho, a mulher que te causou imenso desejo… que te proporcionou conhecer um sentimento que queima de tão intenso, quem o incendiou, sobretudo, quem realmente lhe despertou o amor.

    Não se é preciso ser perfeito para ser incrível na vida de alguém.

    Vez ou outra me pego pensando se, depois da ruptura, houve uma madrugada sequer em que você tenha me desejado. Me desejado de alma como por um lapso temporal já desejou, já demonstrou, já gostou. Já sentiu. Desejo mesmo, sabe? Que só em me olhar te consumia, te preenchia por uma vontade insana e intensa, como uma fúria interior, um querer que corrói, uma imensidão latente implorando para me ter ao seu lado por toda a vida. Não faz ideia do quanto eu amava imensuravelmente esses instantes, os instantes que sentia e via o seu olhar em mim me dizendo o universo e o mundo.

    Será que, por um momento, uma mísera vez, se questionou se ama ou se já me amou?

    As suas palavras, escritas, cuspiram na minha cara que não. E, ainda assim, demoro a acreditar. Contradizem tudo o que vivi:

    “Olha, desculpa.
    Me desculpa por cada vez que te deixei triste, por cada momento que te decepcionei.
    E, principalmente, por às vezes parecer um idiota com você.
    A real é que essa coisa é grandiosa e eu não sei lidar.
    Eu não levo nada a sério na minha vida, muito menos ela própria.
    E, sobretudo, não sei sequer um dedinho do que é sentir algo por alguém.
    Por isso, mudo repentinamente, sem mais nem menos, fico diferente do nada, meu estado de espírito me controla naturalmente e esqueço que as pessoas têm sentimentos e que preciso respeitá-los.
    Quero me afastar de você. Não por mal, mas porque não te faz bem ficar comigo.
    E eu não sou bosta nenhuma e não tenho nada para te oferecer de bom.
    Por fim, agora, ainda que compartilhemos a mesma lua, estamos muito longe um do outro.
    É isso.
    Ps. Sou grato pelo tempo que esteve comigo. Foi puro."

    Não faz ideia do alvoroço sentimental que as suas palavras frias me causaram. Juro, ri ao terminar de ler, um riso sem alegria, aquilo era o cúmulo do absurdo. “Você sabe, não sou a pessoa que insiste na presença de quem já não quer ficar. Perde o sentido”. Depois de tudo o que você vomitou, pensei o infinito e o mundo e não dirigi a ti mais nenhuma palavra.

    Ainda que eu diga para mim mesma, com veracidade, em alto e em bom-tom, que eu simplesmente me acostumei com a sua presença, me sinto uma mentirosa, tentando envenenar o meu pensamento na fútil tentativa de sanar o meu sentir. Nunca imaginei que seria doloroso e difícil assumir, bater no peito e falar, mesmo que somente para mim, que amo você.

    Isso é tão irônico, não é? Eu aqui, em devaneios por sentir o peso da sua ausência, enquanto ti sequer depois daquele dia, da ruptura, me ligou…

    E ainda assim, sou nua e crua ao falar que te desejo as melhores coisas do mundo, ainda que isso signifique se afastar de mim. Você sabe o que é melhor para você. E, no momento, eu não faço ideia do que seja o melhor para mim.


    Janaina Couto ©
    [Publicado - 2019]

    @janacoutoj

  • [Cartas] CRU

    Quando disse, de boca cheia, que estás entregue a mim, que tenho ao meu lado o seu verdadeiro “eu”, confesso, como de costume, fiquei questionado comigo mesma, de mansinho, a sua fala:
    “De nada adianta eu ouvir suas palavras e não ver, tocar ou sentir o que diz. Palavras podem ser vazias.”
    Felizmente, as suas, sinto que não são. Principalmente por, logo em seguida, ter fitado os meus olhos e afirmado, sustentando o olhar, que “escolheu isso”, por toda a nossa troca, acredito indubitavelmente.
    Realmente, vejo que temos um ao outro de uma forma que muito me cativa.
    Adoro a forma que me têm, que me cuida.
    Eu gosto disso.
    Gosto da forma que me trata.
    Faz com que eu me sinta grata.
    Sobretudo, bem comigo mesma por toda a minha doação.
    Não faz ideia da minha sede pelo teu “eu”.
    Confesso, ver a sua entrega me deixa fervendo. Sei que, independente do que aconteça entre nós, jamais irei me arrepender por mergulhar, sequer por queimar em intensidade.
    Seja assim, nu e cru.
    Seja de verdade comigo.
    Seja quem você quer ser.
    Seja e aja da maneira que quiser.
    Seja a melhor versão de si mesmo.
    É óbvio, ninguém é o mesmo para sempre. A mudança é crucial. O cerne da coisa é sempre ser si mesmo. Te peço, jamais se torne uma versão pirata de si mesmo somente para agradar me agradar.
    Já te disse, acredito que podemos ajudar um ao outro a nos tornarmos pessoas cada vez melhores. Evoluir, transcender.
    Mas, ainda assim, desejo que seja sincero consigo mesmo. Seja você. E, se mudar, mude por escolha sua, por ver sentido na mudança e deseja-la. Mude para evoluir, nos seus ideais de evolução.
    Quero isso. Eu quero o seu “eu” nu e cru, anseio conhecer todas as suas versões.
    É gostoso dizer com convicção “tenho um puta orgulho de quem está comigo”.
    Quero ver tudo de você. E, vendo tudo, ainda assim, justamente por ver tudo, continuar sendo muito do que eu quero.
  • [Cartas] DESPEDIDA

    Lembro de você me chamar, segurar a minha mão e me guiar.

    Era pouco antes das dez da noite. A noite bonita. Depois da nossa longa conversa, levantou do banco marfim entre as árvores do condomínio, pegou na minha mão e disse “vem aqui”. Não sabia onde iríamos, mas levantei e deixei-me levar. Eu estava descalço e sentia a grama fria em meu pé, entrelaçando nos meus dedos. Enquanto me conduzia, por entre o emaranhado de folhas, parou um instante. Olhou para trás. O seu rosto de um jeito convidativo, um sorriso de canto, seu olhar castanho fitando os meus lábios, fez-me arrepiar. Voltamos a caminhar, “eu estou descalço”…”não importa, só vem comigo”. E eu nunca vou esquecer a sensação da grama fria nos meus pés.

    Chegamos na parte mais bonita da pequena vegetação tropical que cercava o condomínio. Paramos, você não precisou falar nada, o seu abraço me disse o universo e o mundo. Confirmando tudo.

    Recordo o seu toque leve acariciando os meus braços até suas mãos chegarem e relaxarem em minha cintura. Eu estava nervosa, tensa. Você tentava me deixar confortável. Não era a primeira vez que te via naquele clima e daquele jeito, mas era tudo ainda mais intenso. Havia algo de diferente. Forte. Eu sabia a imensidão que significava aquele momento mas, me recusei a aceitar.

    Numa tentativa falha de cessar, postergar, comecei a falar. Você me encarou fixamente, repousou os dedos nos meu lábios — “shh” — e, num sussurro, me pediu pra parar de falar porque você queria me beijar. Não era o meu primeiro beijo com você. E ainda assim, eu estava com medo, tão aflita que sequer entrava no clima. Podia não ser o primeiro, mas sabia que seria o último.

    Infelizmente algumas situações precisam ser vivenciadas. Não há como fugir. Elas cortam, mas são necessárias. Não podem ser adiadas, elas nos cercam, quando menos esperamos. Reconheci que aquela noite marcava a nossa despedida. E isso me torturava. Antagonicamente marcava o fim e confirmava a intensidade de tudo que vivemos, a grandiosidade do que nos proporcionamos sentir. Árduo, mas belo.

    Resolvi postergar, não o momento, mas a dor. Faria da nossa última noite uma celebração da nossa curta história de “amor”.

    Teu olhar sereno me fitava. Seus olhos trêmulos. Com um sorriso de canto, me disse “é necessário”. Exalando pesar, assenti. Em meio às árvores que abafava o som de “Brooklyn Baby — Lana Del Ray” que ecoava da festa, deixei me guiar. Foi só em meu rosto tocar e, como sempre, me desmanchei. Você não falou, mas não ouse chegar a negar. Nunca te vi tão obcecado por mim como naquela noite. Desejo. Como se o seu eu não só ansiasse, mas dependesse do meu. Queimava em intensidade de um jeito que nunca havia visto e que jamais esquecerei. Almas conectadas. Transcendemos.

    Nunca conversamos a respeito daquele dia depois. Não nos vimos. Não nos veremos. Para mim foi bem mais que intenso. Enquanto decidia simplesmente a ti me entregar, uma reprise dos nossos dias invadia minha mente. Uma reprise do meu melhor verão. A sensação enquanto parávamos para respirar era gostosa, saber que por alguns instantes nos pertencemos, que estávamos em sincronia. A cada exalar, um momento nosso tornava a minha mente, fazendo-me grata por dividir um verão com você. Tão grata que mesmo hoje, distantes, provavelmente um pouco mais diferentes, somos duas pessoas, que não mais se conhecem, mas com uma história gostosa, repleta de lembranças inimagináveis e momentos incríveis — em comum — de uma intensa paixão de verão.

    Lembrei de quando me levou para conhecer a galeria, depois do luau. Era enorme. Fiquei boquiaberta com o quanto se dava bem em tudo atrelado à arte. Não só compunha belas canções, mas também dava vida à telas maravilhosas. Por ser totalmente leiga, impressionada, fiz uma série de perguntas. Tu não se irritava com minhas indagações, ao contrário, me contava graciosamente sobre tuas técnicas. Inspiração. Gostava de te ver daquela maneira, expondo seu íntimo.

    Tornei também à noite do karaokê, cantamos juntos “What’s Up? — 4 Non Blondes”. Lembrei da festa da Mallu, você me irritava me chamado para dançar enquanto eu resistia alegando não saber, mas, na hora que eu sentia você em mim a sua calmaria me inundava e toda fútil irritação se evadia. Independente de experiência, achei teus movimentos tão graciosos. Definitivamente eu não sabia dançar. Porém, contigo eu não tinha receio de arriscar. Não haviam barreiras. Foi a primeira noite que dancei literalmente sem pensar no amanhã.

    Passamos a maioria das tardes do verão em seu ateliê. Adorava te ver trabalhar enquanto jogávamos conversa fora. Aliás, jamais esquecerei o meu pique de euforia ao ver uma pintura minha lá. O meu melhor artista. No entanto, adorava ainda mais quando cantava “Onde anda você — Vinicius de Moraes”. Tudo em ti me derretia, não era só o seu beijo. O teu jeito. Quando nos encontrávamos, instantaneamente algo me preenchia, embora antes não estivesse fazia. Eu não te completava e nem vice e versa, a gente transbordava.

    Em pensar que na primeira vez que te vi, não imaginava tudo que estava por vir. Nunca iria presumir o quão profundo um envolvimento de férias poderia me tocar. Sequer que umas horas de papo furado na praia com um cara bêbado de sorriso malicioso iriam acarretar tudo isso. Felizmente, tive o prazer descobrir que tu era bem mais do que isso, bem mais que um cara bonito cheio de lábia com jeito de inconsequente.

    Você tinha sede de conhecimento, tão sedutor explicando-me os assuntos mais complexos, isso me desmoronava. E ao passar do verão, me cativava cada vez mais. É deslumbrante memorar o quanto me mostrou, não me refiro só os lugares bonito que me levou, mas também, às nossas horas de conversa, sua filosofia que pouco a pouco me fazia ver por outra perspectiva a vida. Era uma troca. Troca de conhecimentos, experiências, questionamentos e, claro, amassos.

    Confesso que a sensação, o clima de incerteza, sobre o que rolava entre a gente era gostosa. Você tinha a sua coisa, eu a minha, e quando a gente se encontrava era muito bom. Havia mistério, nem começo nem fim. E eu não queria perder o controle da situação. Não poderia ser tão fácil assim. Eu definitivamente não era esse tipo de garota, não me apaixonava assim. Mas, aquele verão foi diferente. Você foi o diferente.

    “Foi mais que um prazer conhecer você, foi incrível” as lembranças evadiram-se e rapidamente eu voltei, para a nossa última noite, afinal, eu voltaria para São Paulo na manhã seguinte. A noite ficou encantadora. E foi naquele instante, enquanto pronunciava aquelas palavras e o teu olhar avelã me fitava, que percebi o quão sua frase naquele primeiro dia na praia “a gente não tem nada ver” foi completamente descartada. Seu rosto corou, se entregou, estampou a verdade.

    Não imagina o quanto eu havia esperado, ansiado, desejado aquele momento ao longo de todo o verão, com o meu apressado e quem, sabe, inconsequente efêmera paixão. O instante exato que tive certeza que, pra ti, a nossa coisa também foi surreal. Química demais, conexão demais para ser verdade.

    O melhor de tudo foi que mesmo o Rio de Janeiro transparecendo despedida, ao longo de não um, mas vários beijos, o clima daquela noite não poderia ter sido melhor. Caloroso. Não era uma noite de despedida como as outras, não era capaz de me reconhecer. Não lidava bem com despedidas. Mas, estranhamente, reconhecia que estávamos fadados a ela, apesar de não aceitar.

    O clima, embora de já exalar saudade, não pesava. Conformismo? Tu agia de uma forma que eu jamais imaginara, sempre tão autêntico, agora afável, sereno, mas ainda assim, algo característico seu, mas um lado que eu desconhecia.

    Não sei se eu fui uma pessoa qualquer dentre as demais. Você não foi. Creio que alguma memórias não ousará em deixar para trás. Não tem como. Nos conhecíamos havia pouco tempo e já tínhamos uma conexão esplêndida, te contei tantos segredos, mas nunca abri meu coração. Lembro que você mencionou “a nossa história” comigo algumas vezes e, em pensamento, me questionava o quão apressado, cedo, era pra você falar isso. Presa em minha própria teia. Eu queria mais. Disposta a me deixar levar. Quando eu teria uma aventura como aquela novamente?

    Mais cedo, antes de tudo, sentados juntos naquele banco, olhando o céu escuro, sentindo a brisa da noite calorosa — o som da festa ao fundo “Art Deco — Lana Del Ray” — conversávamos e eu juro que tentei. Tentei de verdade, abrir meu coração. Falar sobre o sentimento avassalador que me dominava, fazendo desejar cada vez mais e mais dias como aqueles contigo. Corroía. Já não me importava se era cedo, se burlava todos os meus conceitos. Tentei e eu estava disposta a colocar tudo pra fora independente do que você fosse falar ou pensar.

    Eu tentei: “não fala nada, você só vai me ouvir”, comecei a falar sobre umas coisas e logo desisti. A insegurança de sempre veio a tona e eu me senti tão boba. Boba por ter atribuído intensidade demais a tudo. Enquanto eu tentava revelar a imensidão do que na época sentia, simplesmente ao desenrolar das palavras, a coisa mais forte que eu consegui dizer foi apenas “saiba que eu gostei de você” e tu instantaneamente virou o rosto em minha direção, me olhou, inclinou a cabeça, mordeu o lábio e confirmou o que lá no fundo eu já sabia “eu também gostei de você, demais, pra caramba”.

    Mas nenhuma de nossas falas remeteu ao amanhã. Independente do que ia acontecer ou não depois daquele instante, eu precisava aceitar, realmente, paixão de verão. Porém, uma coisa eu pude ter certeza, nos dedicamos uma história breve, mas sensacional. Confessa.

    Não esperava vivenciar sequer uma parte de tudo isso. Sequer é possível falar qual a melhor parte da “nossa coisa” sendo que eu gostei de absolutamente tudo. De todo o verão contigo. Talvez você não lembre da mesma forma que eu ou apenas não lembra mais de tudo que sentiu na época. Mas, se tem uma coisa que eu jamais irei esquecer é você. O cara pelo qual fui inconsequentemente apaixonada. Jamais irei esquecer a minha curta paixão de verão.

    Definitivamente uma paixão de verão, não passou disso. Justamente a sensação de incerteza sobre o que seria depois foi a graça de toda a coisa.

    Lembro de sentir a grama fria entrelaçar os meus dedos dos pés, dos seus beijos, do seu ritmo caloroso, do seu gosto, do nosso calor. Foram só alguns dias, mas que marcaram imensuravelmente aquele verão.

    Lembro de cada detalhe da despedida.


    Janaina Couto ©
    [Publicado — 2017]

    @janacoutoj

  • [Cartas] ESQUECIMENTO

    Noite passada eu não parei de pensar em ti. Hoje, muito menos. Incrível como isso pode ser tão irônico. Justamente ontem fiz uma pausa para refletir a respeito dessa minha nebulosa onda sentimental que insiste em não cessar, na tentativa de encarar com racionalidade e me livrar da tortura. Notei que passar mais estações sofrendo não só por sua; mas, também por minha causa e pela “nossa coisa” já não fazia sentido.

    Afinal, você sabe o meu número, conhece os meus amigos e poderia muito bem falar comigo se sentisse saudade, se fosse da sua vontade. Diferente de mim. Ás vezes me questiono sobre isso, se tu pensas exatamente do mesmo jeito e fica á espera de uma atitude minha. Mas, no mesmo instante, recordo que você não é assim, age por impulso quando quer algo, não exita em fazê-lo. Porém, acaba por descartar tal característica ao dotar-se de orgulho. E pela forma como tudo terminou, não posso de maneira alguma descartar essa hipótese, “cuspiu no prato que comeu” foi uma frase bem forte.

    Detesto fazer presunções, soa tudo tão incerto. Aliás, tu não é desses que se prende a alguém. Sendo franca, algo dentro de mim quer estancar a minha percepção da realidade, qual compreendo até demais, além dela estar distante do que eu gostaria, não é nada agradável e acaba por ser doloroso de aceitar. Mas, não posso seguir tentando enganar a mim mesma, soterrando e afugentando o que está escancarado. Você seguiu em frente e eu ainda não superei a ruptura em todas suas facetas.

    Concluí, com decepção, que no fundo, não consigo te esquecer porque realmente não quero, ainda permaneço a alimentar este sentimento. Não me permito conhecer outras pessoas, pois sei que nenhuma delas será você. Vez ou outra, me pego fazendo comparações até mesmo nas coisas mais ínfimas ou caçando características tuas nelas; pior, inconscientemente te projetei em um outro alguém. Tem noção do quanto isso foi prejudicial?

    Não obstante, reconheço o porquê de tudo. Apesar de toda a parte cortante da história; é evidente, houveram sim momentos dignos do título de “inesquecíveis”. Me apeguei a estas memórias intensamente e não quero que o desejo de vivenciá-las novamente se apague, por temer perdê-las, já que ansiando as lembranças são tão vívidas.

    Logo, me vi decidida a deixar tudo isso para lá e encarar de frente a situação. Não mais passaria minhas tardes com o pensamento em ti e evitaria nas conversas tocar o seu nome. Tentaria não me frustrar todas às vezes que, ao chegar e pendurar o casaco, perceber que a minha sala está do mesmíssimo jeito que deixei pela manhã, um sinal de que naquela noite você não passaria aqui em casa para jantarmos juntos; que eu não teria seus dedos tateando as minhas costas num vai e vem para me fazer dormir, que não ficaríamos envoltos num grande abraço corporal e eu não mais em segredo iria tentar sincronizar minha respiração com a tua; que não seria aquecida pelo teu corpo quente e sequer me sentiria acolhida pelo teu sorriso e o seu olhar terno. Não escreveria mais sobre você, muito menos sobre nós. [É evidente, fracassei]. Ficaria realmente aberta para conhecer outras pessoas, à espera de alguém sobretudo interessante, para me divertir ainda que de maneira efêmera e “queimar em intensidade como um dia incendiei por ti”… mas, rapidamente descarto a ideia, pois tenho a sensação que jamais seria a mesma coisa, nos seus exatos termos.

    Quando essa nevoa passar, quando realmente me der conta, ficarei surpresa comigo mesma. E sei que vou perceber a transição somente quando os meus escritos falarem apenas de mim e não mais de você.

    Naquela noite, reconheci que esse meu desejo constante e a esperança de que nos encontraríamos novamente para viver o “amor mais intenso de nossas vidas”, como se fôssemos amantes predestinados, nos encontrando novamente e trazendo a paixão do passado sempre a tona; era um sonho utópico, mera fantasia. Apesar do nosso caso ser reincidente, qual seria a probabilidade de acontecer novamente?

    Eu definitivamente estava ficando louca e cogitando coisas que eu sempre desacreditei. E, pior, ainda assim tenho a convicção de que nada disso faz sentido.

    Definitivamente os meus delírios de amor já estavam indo longe demais. Eu havia decidido que a partir daquele instante não iria mais pensar em ti, não iria forçar para te esquecer (é até antagônico), não iria imaginar momentos contigo e nem ansiar teu toque.

    Mas, incrivelmente, nessa mesma noite, ouvindo música enquanto tomava um vinho tranquilo, me deparei com o som de “Take My Breath Away” e ele destruiu todos os meus planos e decisões anteriores.

    Pois, por incrível que pareça, essa melodia sedutora retrata uma paixão em chamas e descreve fielmente tudo o que o meu íntimo mais deseja, a razão pela qual ele pulsa. Isso mesmo, desejo que nos encontremos novamente, trazendo para o agora aquela mesma paixão avassaladora e aquele sentimento quente, que me deixava em chamas.

    Desejo que a paixão que brotou na juventude, ou seja lá o que for que ainda permanece vivido aqui, não se desmanche — em ambos os lados. Eu sempre, verdadeiramente, não só esperei, como também acreditei, com lasciva veemência, que estávamos fadados a um intenso romance; assim como retrata a canção.

    Projetei tanto que não me conformo com esse desfecho, não consigo me render a essa ideia. Digerir que nossa envoltura não estava como imaginava, que de um instante ao outro perdi o eclipse, o acontecimento centenário que tanto ansiava, uma oportunidade não aproveitada; pra ser sincera, não quero me render, evitando a frustração de sentir-se vencida pelo que mais temia. Sofro pela perda do que nunca me pertenceu, pelo que não vivenciei, pelo que poderíamos ter sido.

    Não sei se fico feliz por já ter tido você por instantes ou decepcionada pela possibilidade de não tê-lo novamente. Talvez, minhas palavras não passem de devaneios, frutos de uma decepção amorosa. Mil e um pensamentos rodeiam a minha mente enquanto meio torpe escuto essa música e te escrevo.

    Sei, pode parecer brega, mas super a minha cara, escrever cartas para alguém que jamais irá recebê-las. [Você sabe muito bem disso].

    Definitivamente ainda não consigo esquecê-lo e a canção só me faz lembrar e desejar ainda mais estar em você. Não paro de ouvi-la ou de muito menos desejá-lo, de ansiar tudo aquilo novamente. Afinal, pode ser putativamente, mas sinto que vivemos nesse jogo tolo de amantes que a letra tanto fala. Sou eu quem está assombrada pela noção de que em algum lugar existe um amor em chamas, voltando, retornando de algum lugar secreto no interior.

    Ou, talvez, eu somente esteja meio torpe.

    Sabe, o vinho me deixa “alta”.

    Acredito que amanhã darei risada e me sentirei ridícula por tudo isso.

    Bom, espero.


    Janaina Couto ©
    Publicado em 2018

    @janacoutoj

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