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A viagem
Estação .
De manhãzinha
A menina tem frio.
Saia curta.
Pernas geladas.9⁹99
O trem chega.
Ela esquece o frio
sentada à janela.
O trem corre.
A paisagem corre.
A mata corre,
borrando a paisagem
nos olhos da menina
de saia curta
e pernas geladas.
O atrito das ferragens
nos trilhos,
os longos apitos,
parecem gritos!
Lá vai o trem
amarrado em cabos
Parece despencar serra abaixo.
O trem, a menina, a janela
O espanto...O espanto...
O encanto... O encanto
As torres de ferro
plantadas no abismo
da mata fechada.
Sustentam o trem
corrida tresloucada
O espanto.
O encanto ...
A janela do trem,
tela mágica
a mostrar a mata,
as cachoeiras
ocultas pela névoa.
O ruído das roldanas
os trilhos correndo,
devorados pelo trem.
Apitos choram mágoas
Túneis a verter água
entre pedras escuras.
E a menina descobre
que vida é uma estrada.
Ela é o trem .
Lá embaixo,
no fim da Serra,
O espanto,
O encanto,
o Atlântico.
O tempo passou.
A menina cresceu.
O trem enferrujou.
A estrada acabou.
O mato tomou
O trilho corroeu .
E a mulher chorou
Sobre as rugas da face,
e a morte do trem.
Atualizado em: Sex 16 Dez 2022
