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abstinência tecnológica

Jorge Sebastião Batista – Prof. de Educação Física – CREF6:000301G/MG
Contribuição: Manuela Cristina Emiliano Ferreira
Ilustração: Maria Laura Emiliano FerreiraCaricatura L2
         
Este texto não se refere a um estudo aprofundado de abstinência conforme poderia pressupor. Trata-se de um relato de caso particular onde os sinais e sintomas se demonstraram evidentes, pós retirada de forma compulsória de posse dos objetos de desejo de cunho tecnológicos (computador, celular, tablet...).
Ciente que  um relato de caso deve ser sempre produzido de maneira individualizada, pois se concentram primariamente sobre algum ponto central que é exclusivo, tal relato foi fidedigno nesse preceito ancorado nas vivências do cotidiano e do conhecimento comportamental da pessoa, motivo causador desse relato.
Existem pontos de vista sobre a qualidade que deve ser considerado em todos os relatos de caso: elaboração estruturada da exposição; integridade em relação às informações clínicas mais importantes, dentre outras. Um relato de caso é uma “descrição detalhada de casos clínicos, contendo características importantes sobre sinais, sintomas e outras características do paciente e relatando os procedimentos terapêuticos utilizados, bem como o desenlace do caso” (Parente, 2010)
No caso em especial, os procedimento terapêuticos foram propostos em condições particulares entre família, não levando a situações que requeressem tratamentos clínicos, onde configurasse e necessidade de um receituário médicos e, como consequência, a administração de algum recurso alopático (medicamento).
            Os sinais e sintomas pós retirado dos objetos tecnológicos já citados, deduziu de crise de abstinência, uma vez que a pessoa começou a apresentar quadros de tonteira, dor de cabeça, hipersonia, ansiedade, enfim sintomas típicos descritos em situações equiparadas com as abstinência ao uso de drogas. A pessoa em questão é do sexo masculino com idade estimada entre 18 a 22 anos, cujo tempo de uso dos equipamentos tecnológicos girava em torno de 90% diários, sendo a aparição das crises apresentadas logo de imediato após a retirada deles.
De acordo com o Web Site Wikipédia, Síndrome de Abstinência é um conjunto característico de sinais e sintomas que ocorrem após a interrupção (ou, em alguns casos, diminuição) do consumo de uma droga, seja ela um medicamento ou uma droga de abuso.
A crise de abstinência é resultado de uma adaptação neurológica do cérebro do usuário de drogas. O sistema de recompensa cerebral, onde os neuro transmissores de prazer atuam, normalmente funciona de forma equilibrada, pois há um padrão genético em cada indivíduo. É nele que temos prazer e saciedade em comer, beber e fazer sexo, ou seja, nosso centro do prazer.
Quando alguma droga ou motivos viciantes interferem neste sistema de reforço cerebral, comprometem o estado normal e na quantidade de neurotransmissores (no caso das drogas o neurotransmissor principal é a dopamina), isso faz com que o cérebro faça os mecanismos de adaptação para restabelecer a normalidade.
Os procedimentos terapêuticos adotados foram caseiros, se assim podemos dizer, tais como: estímulos a caminhadas como forma de sair mais de dentro de casa, práticas de exercícios físicos, rodas de conversas (amenidades). Enfim, formas terapêuticas que podemos considerar naturais, homeopáticas, com ênfase ao diálogo sugestionais lúdico.
Não houve, nem sequer foi cogitado um tratamento ou aconselhamento psiquiátrico a partir do momento em que não se verificou nenhum diagnóstico de comorbidade, intoxicação, depressão, fadiga, irritabilidade;  dificuldade de concentração e inquietação que são consequências típicas de sintomas de abstinência comuns a todas as drogas . A não ser os casos de tonteira, cefaleia, ansiedade e hipersonia já mencionados.
Esse relato de caso foi com base em suspeições, comparando tal comportamento do sujeito com crises de abstinências pertinentes a outras drogas e não deve ser parâmetro de afirmação que se vincula com o termo do título do texto que é a “Abstinência Tecnológica”. Porém pode servir de parâmetro para novos estudos nesse contexto, uma vez que vivemos a era tecnológica com características viciantes onde as pessoas passam grande parte dos dias de suas vidas conectadas, sem tempo para o modo de vida na natureza, respirando o ar puro e, praticando a atividade física, o lazer, dentre outras possibilidades dentro dos aconselhamentos mais naturais.
Partimos do pressuposto que um dependente de qualquer produto viciante ao fazer a interrupção, que seja de forma temporária, isso pode lhe acarretar problemas físicos e psíquicos, que fazem parte dos sintomas e sinais da crise de abstinência.
O texto não foi com base em artigos específicos sobre o assunto, muito embora é sabido que a expressão ‘abstinência de internet‘ já é uma publicação recente onde um estudo publicado no periódico científico PLOS ONE, mostrou que a abstinência de internet é um problema real que causa problemas fisiológicos, como aumento dos batimentos cardíacos e da pressão sanguínea, e psicológicos, como ansiedade.
Dentro do tratamento caseiro mencionado, a principal intenção era sim fazer a pessoa entrar em contato consigo mesmo, mudar seu estilo de vida e manter a sua abstinência completa. Além disso, informar das possibilidades viciantes do uso dos equipamentos tecnológicos por um longo período, não deixando de usá-los, porém usá-los com parcimônia, reservando tempo para os que o rodeiam, ou seja, amigos e principalmente os familiares.
Referências
Selbmann F. Sintomas da crise de abstinência: Tudo que precisa saber. Publicado em: 03 de fevereiro de 2020 - Atualizado em: 19 de setembro de 2020 - https://www.gruporecanto.com.br/blog/sintomas-da-crise-de-abstinencia/
Parente, R. C. M.; Oliveira, M. A. P.; Celeste, R. K. Relatos e Série de Casos na Era da Medicina Baseada em Evidência. Bras J Video-Sur, V. 3, N. 2, P. 67-70, 2010.
A ciência comprova: abstinência de internet afeta a saúde. Pôr da Redação - Atualizado em 1 jun 2017, 19h34 - Publicado em 1 jun 2017, 19h12. Acessado e disponível em : https://veja.abril.com.br/saude/a-ciencia-comprova-abstinencia-de-internet-afeta-a-saude/
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Atualizado em: Qui 12 Nov 2020

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