- Poesias
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multiflexo
entre meus risos
e os espasmos e sons abafados
de quem se do(a)r sozinho
(não, não, esquece os risos)
e se vê,
mais
uma
vez,
trincado e vazando,
sem poder fazer nada,
a essência que brota quando se enxerga felicidade
no reflexo dos olhos de outra felicidade,
assim, num looping de espelhos felizes infinitos
me esfarelo em areia, versos, tons, semitons, silêncios, me misturo,
me esquento à temperaturas tão altas que sou capaz de me fundir,
deixo o tempo trabalhar
até que minha capacidade de não vazar, ser completo
e transbordar
volto
em outras formas, fórmulas e substâncias
já me repeti nesse processo inúmeras vezes
hoje me encontro recompondo:
o que me trincou
nem me cabe mais,
o que me transbordou
já é de gosto agridoce
e não me ocupa mais
entro em um labirinto de espelhos
e não paro mais no que não me distorce
já não recuo e fujo dos outros
encontrei meus próprios amores nas distorções
que me sorriem e me transbordam igual
porém
diferente
como se felicidades tão distintas
pudessem fazer abrigo
onde antes, existia a placa:
"ala de espelhos inexplorada",
e o segurança grita:
"apenas uma por vez"
arranco a placa fora
mando o segurança embora
deixo tudo aberto
num ato de intrassubversão
não sei qual fechar,
não sei se quero
não sei se devo
não (sei) se fecha(o) os que si transbordam
existem tantos sis
vou encarar tantos espelhos quanto puder
até que um de nós acabe estilhaçado
Atualizado em: Sex 22 Nov 2019
