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Sensibilidade

Imagine que habitamos um planeta compartilhado com seres descomunais, gigantescos, dez vezes maiores do que nós. Vamos mais adiante, idealize que não somos capazes de nos defender deles. Não podemos nos unificar, provocando rebeliões, reivindicando direitos. Ninguém compreende o que desejamos, sequer quando sentimos dores, agonias e carecemos de cuidados e esforços. Ninguém zela pela nossa vida e bem-estar e não se interessam quando estamos desnutridos e carentes.
Julgo que seja penoso de imaginar, no entanto, prossiga.
Se enxergue, neste momento, juntamente com outras variadas pessoas, atirado em qualquer avenida, sentindo um frio cruel, uma fome desumana e uma sede atroz.
Esses monstruosos seres passeiam por nós frequentemente, mas nada fazem diante dessa ninharia. É muito fatigante fazer barulho para ser notado, não é? Esses gigantes dominam. Eles têm o poder de nos vender e comprar, vangloriando-se ao desfilar pelas ruas com os mais graciosos de nós. O ruído da corrente arrastando no chão e a força com que ela é puxada te guiam. Somos comandados por eles, sendo arrastados de mãos em mãos até nosso destino final, para entretê-los com as nossas diversões e passatempos. Eles enjaulam alguns porque acham graça no som que fazem. Melodia para eles, melancolia para nós.
Separadamente, alguns de nós desengraçados e condenados, não ocupam casas ou ruas, esses são levados para regiões reservadas. Pouco sabemos sobre essas zonas afastadas, me limito a afirmar apenas que ninguém deixa o local de forma idêntica ao que era antes, todas às vezes empacotam nossos membros desprendidos e fixam algumas etiquetas. Somos escravos.
Ouso afirmar, desalegre, que esse cenário é mais do que ficção, ele existe e os gigantes são nós. É penoso descortinar as janelas da realidade, mesmo sem desejar, desprezamos o fato de que algumas vidas valem mais do que outras, evitamos enxergar o que é real, para continuar vislumbrando o espetáculo que encenamos unidos, com o único propósito de nunca abrir mão da agradável zona de conforto em que vivemos. Durante muito tempo, inúmeros povos foram escravizados e tardamos para perceber que a vida deles era tão crucial quanto a nossa, eventualmente me indago se reconhecemos mesmo isso. Será que, porventura, aprenderemos que, com pelagem ou escamas, a vida deles é tão fundamental quanto a nossa?
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Atualizado em: Ter 5 Set 2017
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