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Monstros de fora e de dentro

Discutir sobre a morte e a crueldade, em todo tempo, importunou muitas pessoas. Não estou exprimindo uma tese de que esses indivíduos não se interessam pela morte, não. Só presumo que se sentem mais confortáveis não falando dela. Porque a morte nos remete ao lado ruim do ser humano, às pessoas que morrem prematuramente e com vitalidade de sobra, mas por uma eventualidade, elas sucumbiram. Eventualidade? Acaso? Lugar errado, no dia errado e na hora errada. Mas é só isso que sentencia a morte? Etnia errada, opção sexual errada e religião errada. O que é infalível para te manter vivo? O que devemos simular para não cessar a vida por obra de algum acaso? Devemos sonegar afeições e o que somos? Manter-se em jaulas, cadeias, prisões, criadas por nós mesmos, graças ao medo de estar tão descoberto nas veredas, mas radiante por ser capaz de continuar sendo quem é?
E se atuarmos dessa forma, o que faremos com as nossas reflexões sobre as pessoas que escolheram guerrear e morreram por isso? Omitimo-las? Menosprezamos as causas de tanto finamento? Esquecemos que, em um mundo de abundante alimento e água, multidões ainda morrem de fome e sede? Um planeta arquitetado com tantas origens onde ainda se tolera morrer por especismos e fanatismos da raça humana? Ah, abandonar a luta é mais descomplicado... É mais simples suprir o monstro dentro de si e simular condescendência do que aniquilar os que estão lá fora. Admitir que a morte existe e contempla a todos e, se chegou antes do tempo para alguns, foi um acidente... Um triste acaso que perdura em sua mente alguns instantes, até que sustente seu monstro repetidamente e deixe os de fora representar.
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Atualizado em: Ter 22 Ago 2017

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