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DE AMPUTADOS A ESCRAVOS INCONSCIENTES- Parte 1 de 3

Entenda o doloroso processo de libertação dos que um dia “morreram para o mundo” e “nasceram para deus”!
PARTE 1 DE 3
   Por que “o mundo” é mal sendo que foi o próprio deus quem o criou? Sendo assim, esse deus é mau, cria o mal para depois oferecer ajuda, ou renomeia de mau qualquer um que não seja um escravo obediente?
   Deus precisa de seres livres e pensantes ou de escravos cegos, surdos, mudos, insensíveis e com incapacidades de questionamentos para continuar existindo e operando seu “grande amor”?
   Por que deus perdoa os que fazem o mal e não perdoa questionadores? Viver para o exercício do mal é mais suave aos olhos de deus do que questionar se algo existe ou não? Em toda história da bíblia, da cultura cristã ou em exemplos cotidianos nas igrejas, vemos pessoas que viveram todas as suas vidas causando mal a dezenas, centenas e milhares de pessoas e foram agraciadas com o “amor de deus” de alguma forma, enquanto pessoas de bem, que nunca fizeram mal a uma mosca sequer, foram, estão sendo ou serão condenadas apenas por questionarem o comportamento de um líder religioso, ou os insondáveis mistérios de deus. Por que questionadores incomoda mais a deus e a seus representantes ungidões do que pedófilos, assassinos e mercadores da fé? Se faz necessário ser devasso, corrupto ou mal caráter para que deus te ame?
  Por que o “poder de deus” geralmente se manifesta mais onde não há questionamentos? Seu poder é semelhante a um número de mágica de circo, que após entendermos como funciona truque, a mágica perde a influência sobre nossos sentidos e o mágico perde sua audiência? Seria os ensinamentos sobre deus um truque barato e seus idealizadores temem que o público veja através dos bastidores para que não percam a influência sobre estes? Por que tentar descobrir os insondáveis mistérios de deus faz ruir qualquer estrutura religiosa por mais “certa” que essa diga ser?
  Por que um fiel religioso tem de se afastar de qualquer outra linha de pensamento que não seja a do grupo inserido para não se contaminar, sendo que os mesmos afirmam que se alimentam da pura água da fonte da vida todos os dias?  Não deveriam os puros purificar os não puros pela sua pureza simplesmente por existirem perto desses?
   Por que o “poder de deus” na vida de um crente se esfacela mediante perguntas simples e objetivas de pessoas que não são do grupo religioso? A pirotecnia gospel serve apenas para os iludidos do próprio grupo? Se deus é a pura verdade em pessoa, por que fazer perguntas tão simples sobre ele deixam as pessoas irritadas, temerosas e com sentimento de culpa?
  Por que o “poder de deus” se enfraquece na vida de um fiel quando esse se torna culto, de mente aberta e de um elevado estado de compreensão do mundo e de senso crítico? Os ensinamentos sobre deus são apenas arquétipos para crianças crescidas que precisam serem ameaçadas com bicho papão ou boi da cara preta para sujeitar-se a vontade de seus dominadores e se tornarem dóceis?
  Por que nas três religiões que cultuam o deus de Abraão, a oferta de amor deus ao seus filhinhos vem sempre seguida de ameaças de morte ou de tortura física e psicológica caso seus servos a rejeitem? Se deus é bom, as pessoas não deveriam ser atraídas a ele, ao invés de serem forçadas a seguir a ele? Por que se faz necessário enclausurar pessoas para que o poder de deus funciona na vida dessas? Ele tendo todo o poder, amor e compaixão pela humanidade como a ele são atribuídos, não seria mais viável ele destruir o inferno que ele mesmo construiu e construir algo mais proveitoso?
   Se as pessoas vivem em estado caótico, não seria exatamente por que os representantes dele deitam e rolam aqui na terra usando seu nome e ele não faz nada? É justo que um pai ausente cobre bons exemplos de seus filhos sendo que ele nunca apareceu como modelo real desse mesmo exemplo? Por que condenar pessoas inocentes e confusas por um mal que ele mesmo deixou se alastrar por negligencia própria e uma má representação de sua pessoa?
  Por que mesmo sendo abusado moral, sexual ou financeiramente, um fiel religiosos ainda continua defendendo seus abusadores, a onipotência e onisciência de seu deus? Faz parte dos planos de deus que as lideranças cometam todo tipo de abuso aos liderados? Que tipo de deus é esse? Nem dos seguidores capeta ouve-se dizer tantas barbaridades em gênero, número e grau, se comparado aos “servidores da luz” e dos representantes desse deus.
  Se deus é universal e pai de todos, por que permite o segregacionismo e guerras religiosas em seu nome, sendo que ele “ama” a todos? O conceito de um deus universal e criador de toda humanidade, não aniquilaria por si só a necessidade de criação de religiões? Por que deixar que seus filhos briguem entre si pelo direito de paternidade sendo que ele mesmo afirma ter gerado a todos?
   Vamos refletir um pouco sobre essas questões. Não precisam ficar com medo. Garanto que nesse texto há menos informações perigosas do que em certos rituais ou livros ditos sagrados de alguns grupos de fé no deus mesopotâmico cultuado por todos os “filhos de Abraão”. Nesse texto não há incentivos a matar, degolar, estuprar, extorquir ou amaldiçoar quem quer seja caso não concorde com essa linha de pensamento. Nos livros sagrados dos seguidores do deus de Abraão há citações desse tipo e mesmo assim são chamadas de sagrados. Apenas leiam e reflitam. Nem precisam concordar a princípio. Só deixar as ideias amadurecerem por si só. Se fosse pecado pensar, seu deus não te faria um ser pensante, a menos que ele não seja tão bom assim, e tenha te dado um cérebro exatamente para te condenar por fazer uso dele da razão, como fez no paraíso, criando tudo de bom, e colocando o mal no meio para provocar o casal e depois expulsá-lo de lá por um mau que ele mesmo poderia ter evitado. Nesse caso, ai sim, surge mesmo a necessidade de se repensar em toda sua crença mesmo! Reflitamos!
“Quem não abandonar pai, mãe e irmãos por amor a mim, não é digno de mim” ... “Aquele que não aborrece a própria família por amor a mim, não é digno de mim” ...Palavras atribuídas ao próprio Jesus segundo os evangelhos.
   Na edição do fantástico do dia 30/7/17, foi mostrado uma reportagem sobre pessoas que foram iludidas a “aceitarem a jesus” ou “servirem a deus” em uma determinada seita americana com adeptos também no Brasil, e a partir de então, foram obrigadas a viverem reclusas, longe do convívio com a sociedade em geral, com a própria família, com qualquer outras pessoas fora grupo, e dentro deste inclusive, até as conversas entre as pessoas do próprio grupo eram monitoradas pelos inquisidores do grupo e não eram permitidos certos tipos de assuntos entre os membros. Do modo de vestir, falar, andar e pensar, tudo era regido pelas lideranças. O ensino religioso e secular também eram fornecidos pela própria igreja, e sair dos portões da igreja, só se fosse com a permissão do líder maior e monitorado por algum assistente de confiança da seita.
   Nesse estilo de vida, as pessoas estão literalmente sob regime de escravidão e não percebem, mas quando questionadas, elas afirmam ser esse um caminho para a salvação e ainda dizem ser esse estilo de vida um preço baixo a ser pago, se comparado com o que Jesus sofreu por nós. Tais pessoas são levadas a acreditarem que seus torturadores querem apenas o bem para para elas, e fazem o que fazem como provar de amor e cuidado por eles. Acreditam piamente que os mantenedores da seita os amam e por meio de tantas torturas, pressões e amputações os estão protegendo do mundo, do pecado e das astutas ciladas do diabo que espreita em cada esquina, “rugindo como um leão, buscando a quem possa tragar”. O senso crítico destas pessoas e a capacidade de enxergar o mundo e se relacionar com as pessoas além do grupo, são todas aniquiladas e substituídas pelos comandos curtos e frases repetitivas da seita em questão. Um ser humano com infinitas possibilidade de crescer evoluir, criar e moldar o mundo e a sociedade ao seu redor é reduzido a pessoas amedrontadas, limpadores de banheiro de igrejas, serviçais gratuitos e particulares das lideranças, panfletistas de semáforos, auto inquisidores e como cães de guardas raivosos latem e atacam todos que ousarem chegar perto dos ungidos do senhor e dos limites territoriais da igreja.
  Algumas dessas pessoas que sofreram tais lavagens cerebrais jamais irão se libertar desse estilo de vida, e outros, mesmo depois de abandonarem o grupo, irão sofrer várias sequelas durante muito tempo mesmo não tendo mais o antigo líder como inquiridor, mas tendo o medo, a culpa e a ideia de um deus carrasco os monitorando todos os dias para afligir seus pensamentos. Quanto mais pura for a intenção de um seguidor e quanto mais fiel e dedicado for esta pessoa, mais difícil será seu processo de libertação. Boa parte dos que conseguem se libertar de um grupo religioso acabam sendo tragado por outros igual ou pior, pois criou-se o bloqueio nas comunicações com seus semelhantes e criou-se um buraco enorme no peito desses que só podem ser preenchidos pela “palavra de deus” ou “fazendo a obra do senhor”.
   Esse tipo de agrupamentos religioso causa mais dependência química aos integrantes do que o consumo de entorpecentes a quem faz uso deste. Quem já teve a oportunidade de acompanhar um dependente químico em fase de recuperação sabe que quase nada se diferencia em relação aos que estão buscando se libertar das dependências dos currais da fé. Crises de choros, ansiedade, depressão, medo da morte e do inferno, arrependimento por ter dado primeira tragada, vontade de revidar todo o mau que lhes fizeram, culpa, audições de vozes do além e agressividade sem motivos são sintomas comuns tanto a quem estar em processo de libertação das drogas quanto de quem estar tentando se libertar dos que usam um livro de capa preta para os intimidar e levar vantagem sobre outros. A libertação é lenta e dolorosa para ambos mas é possível em ambos os casos e só depois de libertos, ambas as pessoas poderão ver o mundo com outros olhos.
  Algumas igrejas deveriam receber nomes de hospício, manicômio, casas de detenções, presídios, casas de jogos, ou casas de todo tipo de exploração. Todas elas recebem o nome de casa de deus, lugar da verdade, lugar de amor, justiça e salvação, pelo menos pelos que estão dentro delas. Algumas pessoas até se revoltam quando autoridades judiciais chega a interditar locais como esses quando descobrem o tamanho das barbaridades que ocorrem dentro desses portões de recintos fechados. Os membros encaram isso como ação do próprio demônio, já que este faz de tudo a fim de parar a “obra do senhor” e o projeto de salvação de deus para o homem. Toda igreja tem seu próprio pacote particular de salvação, e uma vez adquirido por meio de uma confissão ou batismo público, querendo ou não, aceitando ou não, admitindo ou não, o novo convertido se torna objeto de interesses particular dos que dirigem aquele grupo, de toda hierarquia para ser mais exato. Tudo em nome da fé e em nome de deus, e o cara onipotente, onisciente e onipresente de lá dos céus olha sem nada fazer, pois afirmar não poder intervir no livre arbítrio de seus servos, a menos que você o questione, ai sim, ele interfere na hora, te ameaça e tal. Caso contrário, todos podem deitar e rolar em seu nome, que no dia do juízo final ele diz que vai acertar as contas com todos.
   Os casos mais comuns de interdição judicial nesses recintos religiosos geralmente acontecem apenas quando veem à tona por meio de séries jornalísticas que demonstram tais abusos. Casos contrário o poder público não se manifesta mesmo sendo patente aos olhos de todos. Os abusos e extorsões financeiras aos fiéis em nome da fé são feitos de modo escancarado diariamente em quase todos os cantos inclusive em canais abertos de TV e as autoridades não se manifestam pois afirmam que as pessoas dão seu dinheiro, tempo livre ou patrimônio de forma livre e espontânea nessas casas de comercio, sem levar em consideração que o princípio de lavagem cerebral ocorre tanto no que é induzido a dar dinheiro e viver “em liberdade” quanto aqueles que são obrigados a viverem reclusos em portões fechados apesar de não darem dinheiro algum, ou viverem sob duras normas de servidão física ou psicológica. Será que os que estão ali naqueles recintos, estão realmente de livre e espontânea vontade? Claro que não! Elas são ameaçadas com inferno, fogo, enxofre, gafanhotos, devoradores e um número sem fim de enfermidades caso se recusem a permanecerem ali ou não obedecerem aos seus líderes. A própria bíblia é um livro recheado de ameaças com dezenas de exemplo de pessoas que se recusaram a obedecer seus líderes e foram punidas por estes ou pelo próprio deus. O caso de Ananias e Safira é o mais usado para ameaçar que se recusar a dar dinheiro pra igreja. Como dizer então que aquelas pessoas estão ali de livre e espontânea vontade todas elas? Quem nasce nesses recintos, não conhece outro mundo senão aqueles e acha que isso é normal.
CONTINUA...
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Atualizado em: Dom 13 Ago 2017
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