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O nevoeiro

O sino da capela, no alto do morro, quebrava o silêncio da procissão do funeral que atravessava, lentamente, a ponte sobre o pátio de manobras das locomotivas, na Vila Ferroviária. Finalmente, o pequeno grupo de pessoas  chegou ao campo santo, situado ao lado da igrejinha. A chuvinha fina borrava a paisagem, transformando-a num melancólico quadro de Monet. Guarda chuvas abertos respingavam nas costas dos acompanhantes do cortejo. O falecido era um homem comum, de meia idade. sujeito simples, honesto, trabalhador e de poucos prazeres na vida. Enviuvara cedo, as crianças pequenas ainda necessitando de cuidados. Casara-se novamente com uma senhora também mãe de três crianças, um acordo tácito, sem amor, para apoiarem-se em suas desditas. A vida seguiu seu curso. O trabalho na estrada de ferro, o barulho ensurdecedor dos trilhos ao deslizar das roldanas, o túnel escuro, os longos apitos furando o nevoeiro para avisar aos incautos. Ah...o nevoeiro, companheiro inseparável de todas as viagens, subindo e descendo a serra. Ele já não sabia mais se o nevoeiro estava lá fora ou se já morava dentro de seus olhos cansados. Um dia, o infarte. Finalmente, o silêncio. Sem trilhos, sem apitos, sem túneis. Apenas um nevoeiro, muito branco, muito branco, muito denso...A chuva parou de repente. O sino da capela anunciou o fim do funeral e o nevoeiro desceu mais denso do que nunca. 
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Atualizado em: Qua 24 Mai 2017

Pessoas nesta conversa

  • Um estilo literário; que torna ao menos o início da leitura,
    em algo que de uma forma, ou de outra; promete ser
    deveras interessante!!
    Em outras palavras; o valor, está a princípio, na
    qualidade de autor!...Parabéns!!

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