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A Virgem

E de teu ventre nasceu um filho. Entre ameias, folhas caídas e vapor de floresta. Entre samambaias, finos gravetos e lodo de tronco. Cheiro de mato, dor do espanto, ceifado, plantado e colhido. Olhos de sapo, de rã, azul feito céu de brigadeiro. E os charcos, os barros e barrancos. Se fez do útero mascado, do ovário fundido. Nos pântanos, areais do sem fim do mundo. Na umidade plena, vegetal. Entre sândalos, orquídeas e vespeiros. Fez-se o solar e a chuva. O reverbero sutil do verbo. O sibilar dos pássaros, passados entre ramos e jasmins. Pelo vácuo foi lançado ao mar, à onda. A espuma oscilante, densa, precipitada no espalhar das águas. Incontinente de pedras, estouros e vazios. De pele, rosto e corpo. No leito rebelde, na correnteza mole, dura do levar. De repente se fez o filho. O entremeio da terra, das larvas, dos caracóis. No limo escorregadio, no arremedo da luz, na crosta fina do amanhecer. Fez-se a vida.
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Atualizado em: Sex 25 Nov 2016
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