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A força de uma ilusão

Era uma noite chuvosa. Ela entrou pela porta, trajava um belo vestido branco o mesmo que usara no dia do nosso casamento. Sem saber se era apenas uma ilusão deixei me levar pelo efeito do conhaque e permiti que ela me tocasse; sua mão era gélida e branca, seus lábios haviam perdido a vivacidade, assim como todo o seu rosto, seus olhos que antes eram castanhos agora haviam sido banhados de um preto intenso.
O toque dela me fez sentir a mesma angústia que senti no dia em que ela morreu, lembrei-me exatamente da hora em que aquele maldito carro apareceu do nada e a levou embora em um acidente terrível. Se ao menos tivesse sido eu, mas o destino não permitiu e ela foi morta no mesmo dia do nosso casamento.
Minha mão tocou de leve o rosto pálido dela fazendo-me perceber que a morte não tirara a maciez de sua pele. A angústia começou a assolar o meu coração ainda mais, pois ela parecia querer falar alguma coisa, mas as palavras pareciam virar cinza em sua boca toda vez que ela tentava quebrar o silêncio que cairá sobre nós desde o dia de sua morte.
Eu também tentei dizer algo, mas não consegui. Fez-se um minuto de silêncio, até que ela venceu a guerra e conseguiu dizer uma coisa que mim fez refletir um pouco:
"Venha viver comigo"
Sua voz suou tão gélida quanto morder um pedaço de gelo. Ela parecia tão sozinha e triste que não precisei cogitar por muito tempo. Corri até a cozinha, tateei a gaveta de talheres e encontrei uma faca...
A faca brilhava sobre a luz pálida da lâmpada, ela parecia querer sem lambuzada pelo meu sangue. Minha esposa se aproximou e pousou a mão no meu ombro, eu a encarei e com um movimento rápido enfiei a faca no meu peito... naquele último instante de vida vi minha esposa desaparecer, minha angústia se desvanecer e minha vida abandonar meu corpo...
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Atualizado em: Dom 18 Jun 2017
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