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Ser Homem

        Quando chega a noite, sou um suicida. Penso que seria bom ausentar-me durante algum tempo deste mundo. Ninguém notaria minha ausência.
       Tenho passado despercebido por minha própria vida. Existir nada significa, somos fuga, arredios seguimos sem objetivos. Sentir-se vivo não esta associado a ser um ser vivente. Hoje eu respiro, sinto prazer, choro, gozo, berro, grito, estou cientificamente vivo, entrementes, sou putrefato, meu espírito abandonou meu corpo. Um corpo sem espírito murcha e apodrece; a putrefação do corpo é a transcendência do espírito, assim como, o alento da alma é o martírio do corpo.
Vejamos bem, compreendo completamente o que sinto, sou um pusilânime contumaz, jamais empreenderia tal tarefa. Não tenho intenção de ser repasto para vermes, nem servir-me de alento para os vegetais. Antes quero escarrar todo meu rancor pelo mundo que me abandonou, quero sentir ao menos o sorriso falso quando eu causar repulsa, a risada estridente quando cometer um sacrilégio. Minhas realizações a partir de agora estão associadas ao desmantelo da moral e religião, do “status- quo”! . Espero que o tempo seja meu aliado. Quero matar um padre, estuprar uma freira, estripar uma criança; quero que o próprio Diabo sinta espasmo de horror ao me olhar nos olhos.
       Mas como disse sou um covarde, minhas realizações são freadas pela minha covardia, minhas mãos estão atadas ao nó do comum e do trivial. Meus olhos regozijam ao ver a arte morta. A matéria morta me atrai, o caos me atrai, o vento me atrai.
      Sou um pobre velho em busca de realizações, mas o tempo passou e eu fiquei esperando, esperando que ele me olha-se e dissesse “vai em frente” e eu estagnei, sou frustrado, esqueçam o que disse no parágrafo anterior. Queria usar da escrita para deixar algo bom desse corpo pútrido, vejo que com as palavras consegui realizar meus desejos, você meu leitor, ficou chocado, estupefato, e eu gargalho a tua custa, agradeço por ter-lo. Queria conhecê-lo e quem sabe cuspir na tua cara, ou dar-te um abraço. Nunca se sabe o próximo passo de um velho imbecil. Mas as palavras são ditas sem compromisso. Poderia oferecer-te uma chávena, ou quem sabe assar um bolo de fubá, conversar sobre gênios, sociedades secretas e a anti-matéria. Depois poderia te matar ou te amar. O famoso fio tênue entre o amor e o ódio.
        Despeço-me de ti leitor esperando complacência de tua parte. Não esconjure um senhor miserável, mas quando não sentires mais o sabor do vinho, não perceberes o lábio que te beija, ou o vento que te sopra aos ouvidos, então entrara em estado de pânico e se lembraras desse velho insolente que já estará com o corpo carcomido, e no auge de tua empáfia meu riso tonitruara aos quatro ventos e você partira com um gosto acerbo na boca, e uma pá de cal em teu corpo. Na eternidade talvez nos encontremos e possivelmente ainda estarei rindo.

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Atualizado em: Qui 23 Jul 2015
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