- Crônicas
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Vingança
Dois velhos conhecidos encontram-se e trocam saberes sobre a vida.
- Você tem acompanhado as denúncias daquele Marcelo?
- Uma ou outra, apenas. Não me lembro do sobrenome dele.
- Nem eu. Eu cheguei a admirar esse trabalho dele até ontem. Ele parece ter bons contatos e revela os bastidores podres do executivo e do legislativo.
- Não me diga que as denúncias são infundadas. São propaganda política?
- Na que ele postou ontem, ele acabou revelando ligações que me fizeram entender o que realmente está por trás das denúncias que ele apresenta.
- Isso me interessa. A motivação real que leva alguém a fazer algo.
- No caso dele, deve ser vingança. As denúncias apontam para pessoas que são inimigos políticos dele ou dos que ele quer agradar para obter apoio futuro.
- Ou seja, se os problemas que ele aponta tivessem sido causados por alguém sem expressão política, ele não se importaria nem os apresentaria.
- Exato. Ele não está interessado em corrigir coisa alguma. Ele se aproveita do erro gerado por algum inimigo político dele ou do grupo dele. Um oportunista.
- Infelizmente, é o que temos visto em todos os setores. O erro só se torna erro se foi cometido por alguém que precisa ser destruído politicamente.
- Se for erro de um dos nossos, está automaticamente perdoado e esquecido. Já conhecíamos esse comportamento chamado de corporativismo.
- Lembro-me de um gramático que aponta erros de apresentadores da Globo, ao mesmo tempo em que aponta acertos de articuladores da Jovem Pan.
- Essa postura facciosa eu acho lamentável. Os erros tornados públicos são sempre os que ocorrem com a parcela dos desprezados, nunca com a parcela dos que são idolatrados.
- Com essa politização na avaliação dos erros, não estranhe se você encontrar erros sendo transformados em acertos. E vícios, em virtudes.
- No que a nossa capacidade de exame se está transformando?
Atualizado em: Qui 27 Ago 2026
