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Grasso: A Próxima Geração 113 – Grasso Show

Na casa de Sophia. O som suave do piano preenchia o ambiente enquanto Sophia tocava concentrada, os dedos deslizando pelas teclas com precisão.
Na mesa de centro, Stefy embaralhava um deck de tarô.
— Sophia, quer que eu tire uma carta pra você? — perguntou Stefy, sem tirar os olhos das cartas.
— Agora não, estou ocupada — respondeu Sophia, ainda tocando.
Stefy deu de ombros dramaticamente e começou a embaralhar as cartas de forma exagerada.
— Invoco meus guardiões angelicais… invoco meus guias espirituais…
Sophia parou de tocar por um segundo e lançou um olhar para ela.
— Eu invoco Stefy pra parar de me assustar.
Stefy riu.
— Você é muito sem graça.
— E você é muito estranha. Sério, por que escolheu esse tema místico pra apresentar na aula do professor Kimmich?
Stefy puxou uma carta e analisou como se fosse algo extremamente sério.
— Porque eu amo essas coisas. Mistério, energia, espiritualidade… combina comigo.
Sophia fez uma careta.
— Combina com filme de terror. Isso sim.
Stefy abriu um sorriso provocador.
— Você só fala isso porque morre de medo.
— Porque dá arrepios! — Sophia voltou a encostar os dedos no piano, mas dessa vez sorriu animada. — Mas enfim… consegui terminar nossa música.
Stefy levantou as sobrancelhas.
— Finalmente! E aí?
— Escuta isso.

Sophia respirou fundo e começou a tocar uma melodia calma e delicada. Então cantou baixinho:
Quando a luz da noite vem me encontrar
Eu escondo os sonhos pra ninguém notar
Mas se você ficar aqui comigo
Talvez eu aprenda a brilhar.

Stefy se levantou imediatamente.
— Sophia…
Sophia sorriu, orgulhosa.
— Nós vamos ser as estrelas do show de talentos.
Stefy inclinou a cabeça, pensativa.
— Achei que a música seria mais animada… tipo, mais forte.
— Esse é o ritmo certo — respondeu Sophia rapidamente.
Stefy cruzou os braços.
— Eu pensei que a gente fosse uma dupla. Mas parece que você tá decidindo tudo sozinha.
Sophia suspirou.
— Claro que somos uma dupla. Para de drama e canta comigo.
Ela voltou ao início da música e repetiu o trecho:

“Quando a luz da noite vem me encontrar…” 

Stefy permaneceu parada, apenas observando Sophia tocar, enquanto a expressão animada dela começava a desaparecer aos poucos.

Personagens Principais 
Gaby Merino
Mateus Merino
Luiza Souza
John Doho
Stefy Prioste
Sophia Rodrigues
André Kimmich
Edu Mariano 
JP Djanikian
Giovanna Kuhlmann
Rick dos Anjos 
Daniel Fernandes  

Nas Smart TVs das salas de aula. A imagem de Kamilly apareceu na tela, sorridente e segurando algumas fichas na mão.
— Você esta mesmo pensando em se apresentar no show de talentos amanhã na hora do almoço? Então você precisa se inscrever comigo até o meio-dia de hoje. Eu decidirei se sua apresentação é apropriada.

Na aula de Língua Portuguesa e Literatura Avançada, Gaby e Stefy estão sentadas lado a lado, Gaby olha o cabelo no seu pequeno espelho.
De repente, Giovanna entrou na sala apressada.
— Achei vocês! — disse ela, indo direto até as duas. — Acabei de ter uma ideia genial. Nós três devíamos nos apresentar juntas no Show de Talentos.
Gaby guardou o espelho na bolsa.
— Eu já preparei um monólogo.
— Já estou fazendo um duo com a Sophi — respondeu Stefy. — O nome da dupla é “Duas Garotas e Um Piano”.
Giovanna ficou em silêncio por um segundo antes de fazer uma careta dramática.
— Querida, isso soa mais ridículo do que a dança escocesa com espadas da Letícia Rivas.
Gaby soltou uma risada abafada, e até Stefy acabou sorrindo.
— Eu sei que o nome é horrível — admitiu Stefy. — Mas a música da Sophia “Vem Me Encontrar”, significa muito pra ela. O problema é que ela fez tudo ficar… meio parado.
— Exatamente por isso vocês precisam de mim. Eu trago presença de palco. Estilo. Energia.
Stefy desvia o olhar.
— Eu já tentei convencer a Sophia disso, mas ela quer manter tudo superemocional e delicado.
— Então fala pra ela que isso é uma dupla, não uma ditadura — respondeu Giovanna. — E, sinceramente? Eu quero entrar nesse trio e fazer aquela plateia enlouquecer.
Gaby apoiou o rosto na mão.
— Você fala do show como se fosse um festival internacional.
— Pra mim é praticamente isso.
O sinal tocou alto pelos corredores.
Giovanna pegou a mochila rapidamente.
— Tenho que ir antes que a professora feche a porta na minha cara. Mas fala com a Sophia, Stefy. Sério.
Ela saiu apressada da sala no mesmo instante em que o professor Luiz entrou carregando uma pilha enorme de livros.
— Bom dia, jovens intelectuais! — disse ele, animado como sempre. — Espero que estejam preparados para falar sobre poesia hoje. E sem cara de sofrimento, por favor.
 
No corredor da escola, Luiza andava de um lado para o outro, claramente empolgada demais com a própria ideia, enquanto Mateus e Rick tentavam acompanhar a explicação.
— É uma dança poética com temática ambiental, Mateus. Você vai adorar. — dizia ela, gesticulando como se já estivesse no palco. — Uma crítica à destruição da natureza, ao sofrimento animal e ao impacto humano no planeta.
Rick olha para Mateus.
Manu apareceu ao lado dela segurando algumas folhas amassadas.
— E a gente queria muito que você participasse, Mateus.
Mateus soltou uma risada curta.
— Eu não danço.
— Você nem precisa dançar! — respondeu Luiza rapidamente. — Eu e a Manu dançamos. Você só faz o papel do caçador.
Mateus ajeitou a mochila nos ombros.
— Eu até ajudaria, mas vou ficar ocupado com a organização do show. O pessoal da comissão já me encheu de coisa pra fazer.
Manu ainda tentou insistir.
— A gente vamos usar só roupas pretas, como panteras, em homenagem ao nosso time de basquete, que você faz parte.
Luiza entrou no assunto outra vez:
— É, e porque elas estão em extinção. Na nossa peça, somos abatidos por um caçador. Tem uma mensagem forte. 
O sinal tocou novamente pelo corredor, interrompendo a conversa.
Mateus deu um passo para trás.
— Desculpa, Luiza. Dessa vez eu realmente não vou conseguir ajudar.
Luiza suspirou, claramente frustrada. Então olhou para Rick com esperança.
— E você?
Rick levantou as mãos imediatamente.
— Eu não caço.
Mateus começou a rir enquanto os dois seguiam pelo corredor em direção à sala.
Luiza cruzou os braços e entrou no laboratório de informática ao lado de Manu.
— Não acredito que o Mateus não vai ajudar.
Edu, que tinha ouvido a conversa inteira, abriu um sorriso.
 
Mais tarde, depois da aula, o corredor já estava ficando mais vazio. Luiza e Manu saíam da sala enquanto continuavam discutindo ideias para a apresentação.
— Vai ser incrível — dizia Luiza, animada. — As pessoas vão se divertir e ainda aprender alguma coisa importante.
JP apareceu e olhou as duas de cima a baixo.
— Então vocês realmente vão usar aquelas roupas na apresentação?
Manu estreitou os olhos.
— Qual é o problema?
JP segurou o riso.
— Nenhum. Só estou tentando imaginar vocês duas correndo pelo palco de Lycra preta e fazendo dança dramática.
Luiza revirou os olhos imediatamente.
— Você é tão imaturo, sério.
— Obrigado — respondeu JP, orgulhoso.
Manu ignorou a piada e voltou a olhar para Luiza.
— Tá, mas a gente ainda precisa de alguém pra ser o caçador.
Luiza soltou um suspiro.
— A gente vai encontrar alguém. Nem que eu tenha que sequestrar um aluno.
— Eu faço.
As duas pararam na mesma hora e se viraram para trás, surpresas.
Edu estava apoiado na parede com os braços cruzados, tentando parecer casual.
— O quê? — perguntou Manu, sem acreditar.
Luiza abriu um sorriso enorme.
— Edu, você é o melhor!
Ele sorri tentando disfarçar.
— Eu me importo com a natureza.
— Sabia! — respondeu Luiza. — Encontra a gente no ginásio depois da aula pra ensaiar.
Edu sorriu de canto.
— Vejo vocês lá.
Luiza e Manu trocaram um olhar animado antes de saírem praticamente pulando pelo corredor.
JP observou os dois por alguns segundos, claramente confuso.
— Acho legal quando os meninos entram em contato com o lado feminino deles.
Edu virou lentamente para ele.
— Claro, JP. Olha só pra você.
JP olha pra Edu.
— Hahaha.
 
Mais tarde, a turma do oitavo ano estava na aula de Informática e Mídia Digital. As luzes da sala estavam parcialmente apagadas.
Na smart tv, apareciam imagens de cartas de tarô, símbolos místicos e tábuas Ouija.
— Existem vários tipos de oráculos místicos — explicou Stefy, passando para o próximo slide. — Mas o tarô e a Ouija são os meus favoritos.
Alguns alunos pareceram interessados. Outros só estavam aproveitando a chance de fugir da aula normal.
Stefy cruzou os braços com um sorriso animado.
— Certo… alguém quer ser voluntário?
Urso levantou a mão na mesma hora.
— Eu posso.
Urso se levantou e foi até a frente da sala.
Stefy apontou para ele teatralmente.
— Respire fundo. O que você gostaria de perguntar ao oráculo?
Urso abriu um sorriso convencido.
— Grande oráculo místico, eu sou mesmo um garanhão?
A sala inteira começou a rir.
O professor Kimmich tirou os olhos do computador e apoiou o cotovelo na mesa.
— Você não pede a um oráculo para responder a essa pergunta, Léo. Faça outra pergunta séria, por favor.
Mais risadas ecoaram pela sala.
Urso levantou as mãos, fingindo se render.
— Tá bom, tá bom.
Ele pensou por um instante.
— Qual era o nome do meu primeiro animal de estimação?
Stefy fechou os olhos lentamente e levantou as mãos de forma dramática.
— Invoco meus anjos da guarda… invoco meus guias espirituais…
Ela move o ponteiro no tabuleiro. Urso diz cada letra enquanto ela o move
— B… O… B… Y…
Urso arregalou os olhos.
— Como você sabia disso?!
Urso deu um passo para trás, impressionado e meio nervoso.
— Isso é muito legal… e muito estranho ao mesmo tempo.
Stefy apenas sorriu.
— Os espíritos colaboraram hoje.
Urso voltou para o lugar.
O professor Kimmich se levantou e caminhou até a frente da sala, batendo palmas devagar.
— Stefy, excelente uso do PowerPoint. Você arrasou.
Ela fez uma reverência exagerada na frente da turma.
— Obrigada, professor.
Kimmich apontou para o slide da Ouija.
— O que é ótimo, porque eu realmente não gostaria de ter um oráculo místico contra mim.
Ele começou a fazer movimentos estranhos com as mãos, como se estivesse afastando espíritos invisíveis, arrancando risadas dos alunos.
Enquanto a turma ainda comentava a apresentação, Giovanna se inclinou na direção de Sophia.
— Você acredita nessas coisas mesmo?
Sophia se vira.
— Acredito. Minha tia previu o derrame da minha avó lendo folhas de chá.
Giovanna piscou algumas vezes, surpresa.
— Tá… isso foi específico demais pra eu ignorar.
Stefy voltou para o lugar e se sentou entre as duas com um sorriso satisfeito.
Giovanna continuou olhando para Sophia.
— Então, se alguém fizesse uma previsão sobre você… você acreditaria?
Sophia ficou pensativa por um segundo antes de responder:
— Sim. Seria meio estúpido ignorar.
Ela voltou a olhar para a frente da sala.
Stefy desviou os olhos para Giovanna. As duas sorriram discretamente uma para a outra e bateram as mãos em silêncio.
 
Na hora do almoço, JP e Edu caminhavam pelo pátio, JP olha para Edu.
— Até agora eu ainda tô tentando entender você entrando numa dança poética ambiental.
Edu revirou os olhos.
— Eu não vou dançar.
— Ah, claro. Vai só interpretar o caçador malvado e destruir as panteras no palco. Supernormal.
Edu deu uma risada curta.
— Eu nem preciso saber dançar pra isso.
JP cruzou os braços.
— Você só aceitou porque quer se aproximar da Luiza.
Edu empurrou o ombro dele de leve.
— Cala a boca.
JP continuou provocando:
— Além disso, a Manu disse que a Luiza gosta do Mateus.
O sorriso de Edu diminuiu por um instante, mas ele logo tentou disfarçar.
— O Mateus não tava lá quando ela precisou dele. Ela precisava de alguém pra apresentação. Ele recusou. Eu fiquei. — Edu abriu um sorriso convencido. — Então me diz… quem é o herói dela agora?
 
Sentadas em uma mesa no pátio da escola, Stefy espalhava cartas de tarô. Sophia observava a cena.
Manu estava sentada na frente de Stefy.
Stefy virou lentamente uma carta.
— Interessante…
Manu se inclinou na mesa imediatamente.
— O que o tarô tá dizendo?
Stefy analisou a carta como se estivesse decifrando um segredo antigo.
— Você vai ter um dia inesperado. Com uma grande reviravolta.
Manu piscou algumas vezes.
— Tá… mas o que isso significa exatamente?
Stefy estreitou os olhos dramaticamente.
— Significa que você precisa tomar cuidado.
Manu se levantou ainda pensativa e sai balançando a cabeça, ainda confusa.
Logo em seguida, Giovanna se senta na frente de Stefy com um sorriso animado.
— Minha vez.
Stefy juntou as cartas rapidamente.
— O que você gostaria de saber?
Giovanna apoiou os braços na mesa.
— Quero saber se “Duas Garotas e um Teclado” deveria virar um trio.
Sophia ergueu a cabeça na mesma hora.
— Primeiro: é “Duas Garotas e um Piano”. Segundo: não. A gente já tá ótima como dupla.
Giovanna ignorou completamente.
— Continua, Stefy.
— É só uma pergunta — respondeu Stefy inocentemente enquanto embaralhava as cartas.
Enquanto organizava o baralho sobre a mesa, Stefy discretamente puxou uma carta escondida debaixo da mesa e colocou entre as outras. Depois apontou rapidamente para ela com o dedo.
Giovanna percebeu na hora e segurou o riso, fazendo um leve sinal de que tinha entendido.
— Escolhe uma carta — disse Stefy, tentando parecer séria.
Giovanna fingiu pensar bastante antes de puxar exatamente a carta indicada.
Stefy abriu um sorriso dramático.
— Ah… o Três de Paus. Essa carta representa criatividade, expansão e trabalho em grupo.
Giovanna já começava a sorrir antes mesmo da explicação terminar.
— Em outras palavras… — Stefy continuou — a banda claramente deveria ter três garotas.
Giovanna virou imediatamente para Sophia com um sorriso vitorioso.
— As cartas falaram.
Sophia encarou as duas em silêncio por alguns segundos.
 
Depois do almoço, Sophia entra na sala de aula ao lado de Stefy.
Então, imitando perfeitamente a voz dramática de Giovanna, ela declarou:
— “As cartas falaram”.
Stefy tentou segurar o riso.
— Mas falou mesmo.
Sophia se sentou e cruzou os braços.
— Ah, claro. E agora, magicamente, a Giovanna vai entrar na banda.
— Talvez seja destino — respondeu Stefy, se sentando ao lado dela.
Sophia soltou uma risada curta.
— Ou talvez pareça muito que você quer que ela entre.
Stefy tentou parecer ofendida.
— Eu só respeito as mensagens espirituais.
— Você respeita é a ideia de transformar nossa apresentação em um show caótico. Ela vai estragar tudo. A música não combina com ela.
— Você nem deu uma chance.
— Porque eu conheço a Giovanna.
Stefy estreitou os olhos.
— Engraçado… eu achei que você acreditasse nas cartas.
Sophia desvia o olhar.
— Eu acredito.
— Então qual é o problema?
— Minha tia era especialista nisso. Você é só uma amadora com um baralho e muito tempo livre.
Stefy inclinou a cabeça lentamente.
— Ah, é? Então eu também era amadora quando descobri o nome do primeiro animal de estimação do Urso?
Sophia revirou os olhos na mesma hora.
— Stefy, o Urso falou daquele gato dele tipo um mês atrás.
Stefy piscou, surpresa.
— Como você sabe disso?
Sophia encarou ela por um segundo.
— Porque eu estava lá.
Stefy ficou em silêncio por um instante antes de afundar na cadeira.
 
Na hora da saída, Stefy conversava com Giovanna, sentadas na escadaria principal, Giovanna parecia completamente indignada.
— Eu ainda não acredito que a Sophia não levou aquilo a sério.
Stefy olha para baixo.
— Ela disse que eu sou uma amadora. E falou que o seu estilo vai arruinar a apresentação.
Giovanna colocou a mão no peito, incrédula.
— Eu arruinar? Querida, eu só melhoro as coisas.
Stefy segurou o riso.
Giovanna cruzou os braços.
— E você concorda com ela?
— Não — respondeu Stefy rapidamente. 
Giovanna apontou para ela imediatamente.
— Então fala isso pra Sophia! Qual é o pior que pode acontecer?
— Eu consigo ouvir vocês daqui.
As duas olharam para trás ao mesmo tempo. Sophia vinha caminhando na direção delas.
Giovanna abriu um sorriso instantâneo.
— Ótimo. Já que você chegou, vamos resolver isso agora.
Sophia parou na frente das duas.
— Giovanna, eu sei que você quer entrar na banda.
— Porque vocês precisam de mim.
Sophia soltou uma risada curta.
— O nome é “Duas Garotas e Um Piano”. E vai continuar assim. Desculpa.
Giovanna abriu a boca para responder, mas foi interrompida por Manu, que apareceu correndo com Luiza logo atrás.
— Lu! Me diz o que você acha desse movimento pro show de talentos!
Manu deu alguns passos para trás e tentou fazer um giro com um salto improvisado.
Só que o pé dela virou torto no momento da aterrissagem.
— Ai!
Ela tropeçou feio e caiu sentada no chão.
As quatro correram até ela imediatamente.
— Manu! — Luiza se ajoelhou ao lado dela.
Sophia abaixou perto dela, preocupada.
— Você tá bem?
Manu fez uma careta de dor.
Luiza segurou o pé dela com cuidado.
— Tá começando a inchar. Você precisa ir pra enfermaria agora.
Manu olhou desesperada para ela.
— Como eu vou dançar no show de talentos agora?
— Primeiro você precisa conseguir andar — respondeu Luiza.
Ela ajudou Manu a se levantar devagar, apoiando o braço dela nos ombros.
As duas começaram a se afastar lentamente em direção ao prédio da escola.
Sophia observou a cena inteira sem acreditar.
— Ela acabou de torcer o tornozelo?
Stefy ainda parecia chocada.
— Sim…
Então Giovanna abriu um sorriso lento e apontou discretamente para Stefy.
— As cartas tinha razão.
Sophia virou imediatamente para ela.
Houve alguns segundos de silêncio.
Então Sophia suspirou derrotada.
— Tá. Você entrou na banda.
Giovanna deu um pequeno grito animado.
— Sabia!
Ela abraçou Stefy rapidamente enquanto comemorava.
Stefy, porém, parecia mais assustada do que feliz. Ela começou a se afastar devagar, olhando para as próprias mãos.
— Eu não acredito que previ o futuro… Isso é meio assustador.
 
No dia seguinte, os alunos começavam a chegar para mais um dia de aula.
Perto dos armários, Giovanna apareceu segurando um cartaz enorme e colorido.
— Meninas, preparem-se para a obra-prima do marketing musical.
Sophia e Stefy olharam na direção dela enquanto Giovanna abria o cartaz com orgulho.
No topo, escrito em letras brilhantes e cheias de glitter, estava:
“Giovanna E As Girlstens”
Sophia ficou alguns segundos em silêncio, tentando processar.
— Você mudou o nome da banda?
Giovanna colocou a mão na cintura.
— O que tem de errado?
— Tudo — respondeu Sophia imediatamente.
Stefy tentou segurar o riso.
Sophia apontou para o cartaz.
— Primeiro: por que o seu nome tá gigante? Segundo: o que é “Girlstens”?
Giovanna deu de ombros.
— Parece nome de banda famosa.
Sophia respirou fundo.
— Parece nome de loja de maquiagem. A gente podia simplesmente chamar a banda de “Três Garotas e um Piano”.
Stefy começou a rir.
Giovanna revirou os olhos dramaticamente.
— Sophia, esse nome dá sono.
Sophia cruzou os braços.
— Pelo menos faz sentido.
Giovanna virou imediatamente para Stefy.
— Qual você prefere?
Stefy olhou de uma para a outra, percebendo que qualquer resposta poderia causar uma guerra.
— Eu acho… que os dois são legais?
Giovanna estreitou os olhos.
— Você disse que achava o nome “Três Garotas e um Piano” sem graça.
Stefy levantou as mãos tentando acabar com a discussão.
— Gente, talvez a gente devesse focar primeiro na música. O nome pode vir depois.
As duas ficaram em silêncio por um instante.
— Tá — responderam juntas, contrariadas.
Sophia pegou o celular na mochila e olha para Giovanna.
— Eu mandei o áudio da música no seu  WhatsApp, você precisa ouvir porque vamos ensaiar às quatro horas.
Antes que Giovanna pudesse responder, o sinal tocou pelo corredor.
— Ótimo — murmurou Sophia. — Aula de português.
Giovanna e Sophia entraram na sala ainda trocando olhares competitivos.
Poucos segundos depois, a professora Raquel entrou na sala com alguns livros nos braços.
— Bom dia, pessoal. Vamos continuar a discussão da última aula.
Enquanto os alunos se organizavam, Giovanna colocou discretamente um lado do fone de ouvido e abriu o áudio que Sophia tinha enviado.
A melodia suave do piano começou a tocar.
Giovanna ouviu por alguns segundos.
Então fez uma careta.
 
No intervalo entre as aulas, Manu atravessava o corredor da escola apoiada em muletas, andando devagar enquanto Luiza caminhava ao lado dela com uma expressão desesperada.
— Eu ainda não acredito nisso — reclamou Luiza olhando pra Manu. — Agora que voce não pode dançar, você  vai ser a caçadora.
JP e Edu estavam caminhando logo atrás.
Luiza apontou imediatamente para Edu.
— E o Edu pode dançar comigo.
Edu quase engasgou.
— O quê?
JP abriu um sorriso enorme.
— Finalmente. O grande momento chegou.
Luiza cruzou os braços.
— Você esteve em todos os ensaios.
— Porque eu era o caçador! — respondeu Edu.
Manu assentiu.
— Mas você já sabe a coreografia.
Edu olhou para os dois.
— Isso não significa que eu sei dançar.
JP sorri.
— Ah, para. Você é um ótimo dançarino.
Edu empurrou ele de leve.
— Eu consigo atuar. Dançar é outra coisa.
Luiza continuava encarando ele com expectativa.
— Edu, por favor.
Edu passou a mão no rosto, já perdendo a paciência.
— E quem vai ser o caçador?
Manu olha pra ele.
— Eu posso ser.
Luiza sorri.
— Isso é perfeito.
— Por que vocês simplesmente não fazem dois caçadores e uma pantera? —Edu sugeriu.
Manu começou a rir.
— Isso parece nome de filme ruim.
Luiza suspirou derrotada.
— Deixa pra lá.
Ela abaixou os ombros, claramente chateada.
— Eu tenho que ajudar a Kamilly no Juliu’s… Acho que a gente simplesmente não vai mais se apresentar.
Ela começou a se afastar lentamente ao lado de Manu.
Edu observou as duas por alguns segundos.
Então soltou um suspiro pesado.
— Tá bom! Eu faço.
Luiza e Manu pararam na mesma hora e se viraram rapidamente.
— Sério?! — perguntou Luiza.
Edu apontou o dedo para ela imediatamente.
— Mas eu não vou usar aquela roupa preta colada.
Luiza abriu um sorriso enorme.
Ela abraçou Manu pelos ombros e começou a sair pelo corredor.
JP olhou para Edu com um sorriso e começou a fazer passos exagerados de dança no meio do corredor.
Edu apenas revirou os olhos e começou a ir embora.
JP tentou girar dramaticamente para continuar a provocação…
…mas perdeu o equilíbrio e quase caiu no chão.
 
No banheiro feminino, Stefy estava parada em frente ao espelho ajeitando o cabelo enquanto mexia distraidamente nas pulseiras do braço.
A porta de uma das cabines se abriu, Giovanna saiu de lá usando a roupa da apresentação: uma combinação brilhante, cheia de acessórios e muito mais chamativa do que Sophia provavelmente aprovaria.
Stefy arregalou os olhos.
— Nossa… ficou muito linda.
Giovanna deu uma voltinha dramática.
— Eu sei.
Ela apontou para Stefy.
— E ficaria linda em você também.
Stefy soltou uma risada imediata.
— Em mim isso ficaria ridículo.
— Ficaria incrível — corrigiu Giovanna. — As pessoas iam surtar. A gente vai viralizar no TikTok.
Stefy arqueou a sobrancelha.
— Você já tá pensando em viralizar antes do show?
— Óbvio. E isso melhora ainda mais depois que você ouvir minhas ideias pra música.
Stefy se virou rapidamente para ela.
— Espera… você ouviu a música?
Giovanna fez uma careta dramática.
— Ouvi.
— E aí?
Giovanna respirou fundo como se estivesse prestes a dar uma notícia difícil.
— A música é horrível.
Stefy arregalou os olhos e começou a rir.
— Giovanna!
— Mas calma — continuou ela rapidamente. — Horrível de um jeito arrumável. A gente consegue salvar aquilo juntas.
Nesse momento, a porta do banheiro se abriu, Sophia entrou distraída, mas congelou quando viu Giovanna usando a roupa.
Ela olhou de cima a baixo lentamente.
— O que você tá vestindo?
Giovanna abriu um sorriso orgulhoso.
— O novo visual da banda. Gostou?
Sophia respondeu sem pensar duas vezes:
— Não.
O sorriso de Giovanna diminuiu.
Sophia apontou para a roupa.
— Eu não vou usar isso. Não quero parecer uma vadia.
O clima ficou pesado imediatamente.
Giovanna ficou séria na mesma hora.
— Nossa, desculpa. Da próxima vez eu pego umas fantasias de freira pra gente.
Sophia cruzou os braços.
— Muito engraçado, Giovanna.
Ela entrou em uma das cabines, fechando a porta com força.
Por alguns segundos, o banheiro ficou em silêncio.
Então Giovanna olhou para Stefy e fez um gesto discreto com a cabeça em direção à saída.
As duas saíram para o corredor.
Giovanna suspirou irritada.
— Tá vendo? A Sophia tá atrapalhando tudo. Ela é dramática, eu tenho várias ideias pra melhorar a música, mas ela vai odiar todas. Por isso você precisa usar as cartas de tarô pra convencer ela.
Stefy arregalou os olhos imediatamente.
— Nem pensar, depois do que aconteceu com a Manu, eu não vou mexer com tarô de novo. — Ela cruzou os braços, ainda claramente incomodada. — Foi assustador demais.
Giovanna suspirou.
— Então o que a gente faz?
Stefy pensou por um instante.
— A gente pode tentar usar as suas ideias e fazer uma nova versão da música. Talvez a Sophia goste se ouvir pronta.
Giovanna soltou uma risada curta.
— Eu duvido muito. Mas não custa nada tentar, e eu acho que sei exatamente quem pode ajudar a gente.
 
Em seguida, Giovanna e Stefy estão no laboratório de informática, conversando com o professor Kimmich.
No canto da sala, ao lado de alguns equipamentos antigos, havia um sintetizador coberto por uma capa preta.
Stefy apontou imediatamente para ele.
— Professor… aquele é o sintetizador que você comentou uma vez na aula?
Kimmich olhou e sorriu.
— Ah, esse aqui?
Ele tirou a capa do instrumento com cuidado.
— Sim. Relíquia absoluta.
Giovanna se aproximou rapidamente.
— A gente queria pegar ele emprestado.
Kimmich arqueou a sobrancelha.
— Olha só. Temos artistas.
Stefy assentiu.
— A gente já tem uma música, mas quer fazer uma versão diferente dela.
O professor abriu um sorriso animado na mesma hora.
— Então vocês vieram ao lugar certo.
Ele passou a mão no sintetizador quase como se estivesse apresentando um carro esportivo.
— Esse negócio é incrível. Eu queria muito ter tido um desses quando eu tocava em banda.
Giovanna parou de mexer nos botões e virou lentamente para ele.
— Espera… você já teve uma banda?
Kimmich abriu um sorriso cheio de orgulho.
— Remédio Alternativo.
As duas ficaram em silêncio por alguns segundos.
Giovanna tentou não rir.
— Isso parece nome de farmácia.
— Era um nome profundo — respondeu Kimmich imediatamente. — Nós até gravamos um clipe. Tá no YouTube. — Ele olhou para as duas, esperançoso. — Nunca ouviram falar?
Giovanna olhou discretamente para Stefy.
Stefy olhou de volta.
Silêncio.
Então, sem desistir, ele começou a cantarolar o refrão da música enquanto fazia movimentos com a cabeça.
— Todo mundo quer alguma coisa… na na na…
As duas continuaram olhando para ele sem reação.
Kimmich parou aos poucos, ficando claramente constrangido.
— Vou considerar isso um “não”.
Giovanna finalmente soltou uma risadinha.
Kimmich limpou a garganta rapidamente e apontou para o sintetizador.
— Enfim… deixa eu mostrar como essa belezinha funciona.
 
Enquanto isso, em outra sala da escola, Luiza tentava ensaiar a apresentação pela décima vez.
Manu observava sentada em uma cadeira no canto da sala, com as muletas apoiadas ao lado. JP controlava a música no celular enquanto segurava o riso vendo Edu claramente perdido no ensaio.
A música começou novamente.
Luiza fazia os movimentos da coreografia com concentração, girando pelo espaço improvisado da sala.
Edu, porém, estava completamente distraído tentando lembrar o que vinha depois.
Manu percebeu imediatamente.
— Edu! Essa é a sua parte!
Ele arregalou os olhos.
— Ah. Tá.
Edu entrou na coreografia meio sem jeito e começou a imitar os movimentos de uma pantera ao lado de Luiza.
O problema era que ele claramente não sabia o que estava fazendo.
Luiza deslizou para a esquerda.
Edu foi para a direita.
Ela virou.
Ele virou atrasado.
Então os dois acabaram batendo a cabeça com força.
— Ai! — os dois reclamaram ao mesmo tempo.
JP começou a gargalhar imediatamente.
Luiza colocou a mão na testa.
— JP, para a música!
JP mal conseguia respirar de tanto rir, mas pausou a música.
Edu deu um passo para trás, morrendo de vergonha.
— Foi mal.
Luiza apontou para ele.
— Você continua indo pro lado errado!
Edu soltou uma risada sem graça.
— Eu tô tentando.
— Sua pantera parece perdida na floresta.
Manu começou a rir na cadeira.
Edu passou a mão no cabelo.
— Desculpa. A gente pode tentar de novo?
Luiza encarou ele por alguns segundos antes de suspirar dramaticamente.
— Não. Eu já sofri traumatismo craniano suficiente por hoje.
JP quase caiu da cadeira de tanto rir.
Luiza pegou a mochila no chão.
— Edu, pratica em casa. Sei lá… na frente do espelho.
Manu se levantou com cuidado usando as muletas.
Ela e Luiza começaram a sair da sala.
Assim que as duas saíram, JP se aproximou lentamente de Edu com um sorriso provocador.
— Então… até onde você pretende ir com isso?
Edu olhou pra ele já irritado.
— JP! Cala a boca.
 
De volta ao laboratório de informática, o som do sintetizador preenchia a sala com uma versão completamente diferente da música de Sophia.
Agora a melodia tinha batidas eletrônicas, um ritmo mais acelerado e uma energia muito mais animada.
Stefy balançava a cabeça no ritmo enquanto Giovanna andava de um lado para o outro como se já estivesse no palco.
— Meu Deus… isso ficou muito melhor — disse Giovanna, empolgada.
Kimmich mexia nos controles do sintetizador com expressão concentrada.
Quando a introdução terminou, Giovanna apontou animada para o professor.
— Professor Kimmich, sério… ficou perfeito.
Kimmich abriu um sorriso orgulhoso e abaixou o volume dramaticamente.
— Ah, vocês ainda não ouviram a melhor parte. — Kimmich girou na cadeira e apontou para o notebook. — Agora vem o refrão.
Ele apertou algumas teclas.
A música voltou com mais força, cheia de batidas eletrônicas e harmonias no fundo. O refrão explodiu muito mais animado do que a versão original.
Giovanna colocou as mãos na cabeça imediatamente.
Kimmich começou a balançar a cabeça no ritmo também, claramente se divertindo.
As duas se entreolharam animadas.
 
Enquanto caminhava pelo corredor da escola, Sophia ouviu uma música vindo do laboratório de informática.
Ela diminuiu o passo.
A melodia parecia familiar… mas ao mesmo tempo completamente diferente.
Sophia franziu a testa.
— O que é isso…?
Ela seguiu o som até a porta do laboratório.
Quando entrou, congelou na mesma hora.
Giovanna e Stefy estavam cantando a música animadas enquanto Kimmich mexia nos controles do sintetizador como um DJ orgulhoso.
Sophia arregalou os olhos.
— Eu não acredito nisso.
A música parou imediatamente.
Stefy deu um passo para trás.
— Sophia…
Sophia apontou para o computador.
— Vocês mexeram na minha música?
Kimmich levantou as mãos rapidamente, tentando evitar o caos.
— Tecnicamente, essa é só uma versão alternativa.
Ele apontou para a tela do notebook.
— As duas versões ainda estão salvas. Então ninguém destruiu nada. Estamos todos emocionalmente seguros.
Giovanna cruzou os braços.
— A gente só tava tentando melhorar.
Sophia virou para ela na mesma hora.
— Primeiro você quis mudar o nome da banda. Depois as roupas. Agora minha música?
Giovanna apontou para o computador.
— A versão nova é muito melhor.
— Não é melhor! — respondeu Sophia. — A música é minha e vai ser apresentada do jeito que eu escrevi.
O clima ficou pesado.
Kimmich lentamente começou a se afastar da confusão.
Stefy respirou fundo.
— Talvez a gente possa só conversar.
— Não — interrompeu Giovanna. — Vamos resolver isso do jeito justo.
Sophia cruzou os braços.
— E qual seria o jeito justo?
Giovanna abriu um sorriso lento.
— As cartas decidem.
Stefy arregalou os olhos imediatamente.
— Giovanna...
Mas Sophia respondeu antes.
— Tá bom.
Giovanna ficou surpresa por ela ter aceitado tão rápido.
Sophia caminhou até a mesa.
— Vamos ver se as suas cartas realmente funcionam.
Stefy hesitou por alguns segundos antes de pegar o baralho.
Ela começou a embaralhar lentamente, tentando parecer calma.
— Certo…
Stefy colocou as cartas sobre a mesa.
— Qual versão da música a banda deve usar?
Sophia puxou uma carta do meio sem hesitar.
Stefy virou a carta devagar.
Os olhos dela se arregalaram um pouco.
— A Grande Sacerdotisa…
Giovanna se aproximou imediatamente.
— E isso significa…?
Stefy olhou para Sophia, meio sem graça.
— Significa intuição, mudança criativa… e novas possibilidades. — Ela respirou fundo. — Então… as cartas acham que a gente deveria usar a versão nova.
Sophia ficou em silêncio por alguns segundos.
Stefy fez uma careta de culpa.
— Desculpa.
Giovanna abriu um sorriso vitorioso.
— As cartas falaram.
Sophia olhou para as duas, claramente irritada… mas também um pouco abalada.
 
No dia seguinte, os corredores da escola estavam muito mais agitados que o normal. Alunos carregavam fantasias, instrumentos, cartazes e caixas de som enquanto comentavam sobre o Show de Talentos.
Pelos alto-falantes, a voz do diretor Daniel ecoou pela escola inteira:
— Atenção, alunos. O Show de Talentos começa na hora do almoço. Todos os participantes devem se dirigir ao ginásio imediatamente para os preparativos finais. E, por favor, sem incêndios, sem explosões e sem improvisações perigosas este ano.
Alguns alunos começaram a rir pelos corredores.
No ginásio, Giovanna e Stefy ensaiavam no palco improvisado. As duas usavam roupas púrpura cheias de brilho e strass que refletiam a luz do lugar inteiro.
Então a porta do ginásio se abriu.
Sophia entrou carregando a mochila e usando roupas completamente pretas, bem diferentes das roupas brilhantes das outras duas.
Stefy parou de cantar imediatamente.
— Sophia! Finalmente.
Giovanna abriu um sorriso aliviado.
— Vai se trocar rápido. A gente entra em cinco minutos.
Sophia não se moveu.
O sorriso de Giovanna começou a desaparecer.
Sophia encarou Stefy diretamente.
— Eu fiz uma pesquisa sobre tarot ontem à noite. E descobri que você mentiu.
O clima mudou na mesma hora.
Giovanna olhou de uma para a outra.
Sophia continuou olhando apenas para Stefy.
— A carta “Grande Sacerdotisa” não significa que a gente devia usar a versão nova da música. Por quê? Por que você fez isso?
Stefy respirou fundo e largou o microfone devagar.
— Porque você rejeita todas as minhas ideias.
Sophia pareceu surpresa.
— Isso não é verdade.
— É sim! — respondeu Stefy, finalmente irritada. — Toda vez que alguém sugere alguma coisa diferente, você corta na hora.
Giovanna observava em silêncio, sem saber se tentava ajudar ou fugia dali.
Stefy continuou.
— Eu só queria que a apresentação tivesse sentido. E eu queria sentir que minha opinião importa! Porque isso é uma banda, Sophia. Não um projeto solo seu.
Sophia ficou sem resposta por alguns segundos.
Stefy cruzou os braços, magoada.
— E sinceramente? Isso não é justo.
 
As luzes do ginásio diminuíram enquanto os alunos se acomodavam nas arquibancadas, ainda falando alto e rindo. O palco improvisado estava decorado com cartazes coloridos e refletores simples da escola.
Camilly subiu ao palco segurando o microfone com confiança.
— Bem-vindos ao Show de Talentos do Ensino Fundamental!
Alguns alunos gritaram e bateram palmas.
— Hoje vocês vão ver música, dança, apresentações dramáticas e provavelmente algumas decisões questionáveis.
A plateia riu.
Camilly sorriu.
— Então vamos começar nossa primeira apresentação: uma peça de dança intitulada… “Em Perigo”.
As luzes diminuíram ainda mais.
A música começou suave e dramática.
Luiza entrou primeiro no palco, fazendo movimentos delicados que imitavam uma pantera. Edu apareceu logo depois, claramente tentando parecer ameaçador… mas ainda meio perdido na coreografia.
Nas primeiras trocas de posição, ele entrou no lado errado de novo.
Edu tentou corrigir rápido, mas acabou quase tropeçando nos próprios pés.
Alguns alunos começaram a rir.
Luiza tentou continuar a dança normalmente, mesmo percebendo o nervosismo dele.
A música aumentou.
Então Manu apareceu no palco usando a muleta como se fosse uma arma de caça improvisada.
Manu apontou dramaticamente a “arma” para as panteras enquanto Luiza corria pelo palco.
Edu tentou fazer um giro para escapar…
…mas perdeu completamente o equilíbrio e caiu no chão com tudo.
Dessa vez, várias pessoas começaram a rir alto.
Alguns alunos chegaram a debochar:
Luiza parou por um segundo, claramente sem graça. Manu também ficou desconfortável olhando a reação da plateia.
Edu continuava no chão, morrendo de vergonha.
Foi então que uma voz ecoou pelo ginásio:
— Fiquem quietos!
Todo mundo olhou para as arquibancadas.
Mateus estava de pé, irritado.
— Dá pra pararem de rir e respeitarem a apresentação deles?
O ginásio inteiro ficou em silêncio.
Até Edu levantou a cabeça surpreso.
Alguns alunos desviaram o olhar, constrangidos.
Luiza observou Mateus por um instante… e acabou sorrindo discretamente.
Então ela respirou fundo, voltou para sua posição e retomou a dança.
Edu se levantou rapidamente, ainda vermelho de vergonha, mas voltou para a apresentação junto com elas.
Dessa vez, o ginásio inteiro assistiu em silêncio.
 
Nos bastidores do ginásio, o barulho da plateia ainda podia ser ouvido.
Giovanna andava de um lado para o outro, claramente ansiosa e animada ao mesmo tempo.
— Tá. A gente entra logo depois deles.
Sophia permanecia parada perto da parede, de braços cruzados.
— A Stefy mentiu pra mim.
Stefy suspirou cansada.
— Sophia.
— Não, sério — Sophia continuou. — Vocês ficam brincando com tarot e “oráculo místico” como se fosse nada.
Giovanna revirou os olhos discretamente.
— Ai, lá vem.
Sophia olhou diretamente para Stefy.
— Você não devia brincar com isso desse jeito.
Antes que Stefy pudesse responder, Kamilly apareceu segurando a prancheta das apresentações.
— Meninas, vocês são as próximas.
Giovanna imediatamente se ajeitou animada.
Stefy, porém, continuava olhando séria para Sophia.
— Não importa mais.
Sophia franziu a testa.
Stefy respirou fundo.
— A gente vai fazer a versão nova.
Sophia arregalou os olhos.
— Então podem fazer sem mim.
O silêncio caiu entre as três.
Giovanna trocou um olhar rápido com Stefy.
Então segurou o braço dela.
— Tudo bem. Vem comigo.
Kamilly olhou confusa para as duas.
— Espera… qual é o nome do grupo mesmo?
Stefy desviou os olhos de Sophia antes de responder friamente:
— Pode anunciar como Giovanna e Stefy.
Sophia ficou imóvel.
Stefy virou as costas e saiu com Giovanna em direção ao palco.
Kamilly olhou rapidamente para Sophia, percebendo o clima estranho, mas decidiu não perguntar nada.
No palco, as luzes coloridas acenderam enquanto a plateia conversava animada.
Kamilly pegou o microfone.
— E agora… com vocês… Giovanna e Stefy!
A plateia aplaudiu enquanto as duas entravam no palco usando as roupas brilhantes.
A música começou imediatamente com a versão eletrônica criada por elas.
As batidas animadas ecoaram pelo ginásio.
Giovanna pegou o microfone cheia de energia, enquanto Stefy começava a cantar ao lado dela.
“Quando a luz da noite vem me encontrar…”
O ritmo fazia os alunos baterem palmas juntos.
Algumas pessoas começaram até a dançar perto das arquibancadas.
No palco, Giovanna e Stefy sorriam enquanto cantavam e dançavam juntas, claramente se divertindo.
Do lado de fora das cortinas, Sophia observava tudo em silêncio.
O ginásio inteiro parecia amar a apresentação.
Quando a música terminou, os aplausos explodiram pelo lugar.
Sophia abaixou os olhos, chateada, enquanto via Stefy e Giovanna comemorando no palco juntas.
 
Manu e Edu saíram do ginásio no meio da movimentação dos alunos, ainda ouvindo os aplausos da apresentação seguinte ecoando lá dentro.
Manu caminhava devagar com as muletas enquanto olhava para Edu com um sorriso.
— Tá vendo? Não foi tão ruim assim.
Edu soltou uma risada curta.
— Manu, eu literalmente caí no palco.
Ela começou a rir.
— Mas caiu com emoção.
Edu balançou a cabeça.
— Enfim… meus dias de dançarino oficialmente acabaram.
Manu arqueou a sobrancelha, provocando:
— A menos que alguém peça de novo…
Ela olhou discretamente na direção de Luiza.
Edu tentou não sorrir, mas acabou falhando.
Antes que ele respondesse, Luiza apareceu correndo pelo corredor, claramente animada.
— Edu!
Ela parou na frente dele ainda sem fôlego.
— Você foi ótimo!
Edu piscou, surpreso.
— Eu fui?
— Foi! E obrigada por ter me ajudado.
Edu abriu um sorriso meio tímido.
— Ah… não foi nada. Eu só...
Mas antes que ele terminasse a frase, Luiza olhou por cima do ombro dele e viu Mateus saindo do ginásio.
Os olhos dela se iluminaram imediatamente.
— Mateus!
Ela passou direto por Edu e correu até ele.
Edu ficou parado, o sorriso desaparecendo aos poucos.
Luiza parou na frente de Mateus ainda empolgada.
— Eu nem sei o que dizer.
Mateus sorriu de leve.
— Então não diz nada.
Luiza riu.
— Você levantou no meio do ginásio e brigou com todo mundo.
— Eles estavam sendo idiotas.
— Mesmo assim… foi muito corajoso.
Ela se aproximou e deu um beijo rápido no rosto dele.
Mais atrás, Edu observava a cena em silêncio.
Então soltou um suspiro frustrado.
 
Stefy e Giovanna entraram no banheiro feminino praticamente pulando de animação depois da apresentação.
— Eu sabia que essa versão ia funcionar! Sério, eu trabalharia com isso fácil. Nasci pra ser famosa.
Stefy revirou os olhos, sorrindo.
Nesse momento, a porta do banheiro se abriu.
Sophia entrou devagar, olhando para as duas.
O clima ficou meio estranho por um segundo.
Stefy foi a primeira a falar:
— Então… como a gente foi?
Sophia ficou em silêncio por um instante.
Então acabou sorrindo de leve.
— Vocês foram ótimas. E… eu gostei da versão de vocês.
Stefy pareceu surpresa.
— Sério?
Sophia assentiu.
— A plateia adorou. Vocês arrasaram.
Stefy sorriu.
— Você devia voltar pra banda.
Sophia olhou para as duas e acabou sorrindo também.
— Talvez. Mas primeiro a gente precisa arrumar um nome decente.
Giovanna levantou o dedo imediatamente.
— Tem que ter “Giovanna” no nome.
— Não tem, não — respondeu Sophia na mesma hora.
Giovanna pensou por alguns segundos antes de abrir um sorriso.
— Tá… então que tal usar nossas iniciais?
Stefy inclinou a cabeça.
— Como assim?
Giovanna apontou para cada uma delas.
— Giovanna, Sophia e Stefy. — Ela sorriu ainda mais. — GSS.
Sophia começou a rir.
— Isso tá parecendo nome de grupo de K-pop.
— Exatamente! — respondeu Giovanna, animada. — É perfeito.
Stefy pensou por um instante antes de sorrir.
— Eu gostei.
Sophia olhou para as duas.
— Tá… admito que é melhor que “Giovanna e as Girlstens”.
Então Giovanna abriu os braços dramaticamente.
— Venham cá, futuras estrelas da música.
Giovanna puxou Sophia antes que ela pudesse reclamar, e as três acabaram se abraçando no meio do banheiro, rindo e comemorando juntas.

Sinopse do Próximo Capítulo – Crash! Boom! Bang!
Gaby sempre teve um histórico de relacionamentos complicados, e parece que sua vida amorosa está prestes a lhe trazer mais uma decepção. Enquanto isso, Rick está cada vez mais estressado, com medo de reprovar em Informática e Mídia Digital. Mateus, Luiza e Kamilly estão tentando recrutar novos integrantes para o Comitê de Ação Ambiental. Mas, quando Bia, uma das garotas mais encrenqueiras da escola, decide se inscrever, Kamilly desconfia que talvez exista outro motivo por trás do interesse dela: será que Bia está a fim de Mateus?
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Atualizado em: Qua 19 Ago 2026

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