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O SER

A fera, sem presente nem destino
Em uma jaula do tamanho do seu mundo
Podendo correr, gemer, uivar, sangrar
Para si mesmo, mas não chorar,
Porque o choro, decerto, lava a alma
E sua alma não tem resíduos.
Sua dor não pesa, sempre sentiu
Do seu passado, não lembra mais;
Não há lugar que desejasse
Pois desconhece o paraíso
Se a liberdade fosse preciso
Não saberia assimilar
Se alguma dádiva viesse a ganhar
O ser não saberia agradecer
Vive por eras, sem entender
Todo o barulho do oceano
E o seu limite, para seu engano
É a linha tênue de sua vida
Suas cadeias, que não lhe prendem
Negou-lhe sempre um coração!
Na solidão, se vê ausente
Pois não conhece rios nem flores
E nunca encontrou valores
Não sabe a cor da nostalgia
Que, sem saber, lhe escapou das mãos.
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Atualizado em: Seg 17 Ago 2026

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