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Grasso: A Próxima Geração 111 – Sexta-Feira 

O corredor está cheio, alunos conversando, Gaby e Stefy estão, conversando animadas.
— Eu gostei desse último episódio, acho que ela está se apaixonando por ele.
Stefy abre a boca para responder, mas para no meio da frase ao ver Rick se aproximando.
— Falando em paixão?…
Gaby olha e congela por meio segundo.
Rick se aproxima.
— Oi, Gaby. Tudo bem?
Gaby tenta parecer normal.
— Oi… tudo, sim. Estou cheia de lição de casa. 
Rick ri de leve.
— Essa aula de matemática tá difícil né?
— Nem me fala o professor Rocky decidiu acabar com a nossa paz de uma vez.
Stefy dá um passo para trás.
— Vou ali rapidinho… já volto.
Ela se afasta discretamente, deixando os dois sozinhos.
Um pequeno silêncio se forma. Gaby ajeita o cabelo, nervosa.
Rick se aproxima mais.
— Então… você tem algum plano para sexta à noite?
Gaby pisca, surpresa.
— Sexta? Não… nada demais.
Rick sorri.
— Legal… porque eu estava pensando Talvez a gente pudesse sair.
Gaby demora meio segundo para processar, então o rosto dela se ilumina.
— Quero, sim! — Ela percebe que respondeu rápido demais e ri, sem graça. — Quer dizer… claro, eu adoraria.
— Perfeito. Depois eu te mando mensagem com os detalhes.
— Tá bom.
Outro pequeno silêncio, agora mais leve.
— Então… até depois, Gaby.
— Até.
Rick se afasta pelo corredor.
Gaby fica parada por um segundo, olhando para onde ele foi, tentando conter o sorriso, sem sucesso.
 
Personagens Principais 
Gaby Merino
Mateus Merino
Luiza Souza
Johh Doho
Stefy Prioste
Sophia Rodrigues
André Kimmich
Edu Mariano 
JP Djanikian
Giovanna Kuhlmann
Rick dos Anjos 
Daniel Fernandes 

No dia seguinte, Gaby e Stefy andam pelo corredor.
Stefy olha para Gaby.
— O que ele disse?
Gaby vira para ela, quase pulando.
— Acho que ele me chamou para sair!
Stefy arregala os olhos e então as duas riem, eufóricas.
— Amiga, isso é um encontro!
— Eu sei!
O sinal toca ao fundo.
As duas se entreolham.
— Depois a gente surta mais.
Gaby sorri.
— Com certeza.
Elas saem andando rápido pelo corredor, ainda rindo, indo para a sala de aula. 

Na aula de português, a professora Jéssica está na frente, com uma pilha de papéis nas mãos.
— Pessoal, atenção um instante. Eu vou entregar um formulário de autorização. Nossa turma foi selecionada para uma excursão ao Teatro Municipal. Vamos assistir à peça Romeu e Julieta.
Alguns alunos reagem animados, outros nem tanto.
Jéssica continua.
— Eu vou entregar esses formulários. Quem não trouxer o formulário assinado não vai.
Ela começa a andar entre as fileiras, distribuindo os papéis.
— Entreguem até sexta-feira que vem, sem falta.
De repente, um som ritmado começa a se destacar no meio da sala: toc, toc, toc…
A professora para por um instante.
— Quem estiver fazendo esse barulho, por favor, pare.
O som continua.
Alguns alunos olham em volta, tentando descobrir a origem.
A professora respira fundo, visivelmente irritada.
— Eu não vou pedir de novo.
O barulho segue, constante.
Ela então fecha a expressão e começa a caminhar pela sala, olhando de mesa em mesa.
O som fica mais claro conforme ela se aproxima do fundo.
Urso está encostado na cadeira, com fones de ouvido, totalmente distraído, batendo o lápis na mesa no ritmo da música.
Jessica suspira irritada.
— Leonardo.
Nenhuma reação.
Ela se aproxima mais e toca na mesa.
— Leonardo.
Ele olha, meio surpreso, tirando um lado do fone.
— Oi?
— O que você acha que está fazendo?
— Nada… só ouvindo música.
Alguns alunos riem baixo.
A professora estende a mão.
— Me entregue isso.
Urso hesita por um segundo, mas quando ela tenta pegar, ele puxa o fone de volta.
No movimento, o aparelho escapa da mão dele e cai no chão.
A professora cruza os braços.
— Além de estar completamente desatento, você ainda acha que pode discutir comigo?
Urso olha pra ela 
Ela aponta para a porta.
— Pra sala do Daniel. Agora.
Urso suspira, pega o fone do chão e se levanta devagar e sai da sala.
 
Depois da aula no corredor. Sophia e John caminham lado a lado, com os formulários na mão.
Sophia olha pra ele.
— Já decidiu com quem vai sentar no ônibus?
John olha para ela com um ar dramático, levando a mão ao peito.
— Já.
— E quem é a pessoa sortuda?
John para de andar, vira-se para ela e sorri.
— Julieta.
Sophia finge confusão.
— Sério? E cadê ela?
John dá um passo mais perto.
— Está bem na minha frente.
Antes que ela responda, ele a puxa levemente e a beija.
De repente a professora Jéssica se aproxima.
— Muito bem… já chega.
Os dois se afastam rapidamente.
A professora Jéssica se aproxima, braços cruzados, expressão nada satisfeita.
— Vocês dois podem achar que são adoráveis, mas isso não significa que mais alguém ache.
John e Sophia se entreolham e voltam a olhar para a professora, ela completam
— Isso aqui é uma escola, não um zoológico.
John cruza os braços, meio indignado.
— Tirana.
A professora vira o rosto lentamente para ele.
— É melhor você tomar cuidado com o que fala.
John olha para Sophia e os dois se afastam.

Gaby e Stefy estão em seus armários.
Stefy está claramente impaciente, olhando fixamente para Gaby.
— Agora me conta direito, sem resumir nada.
Gaby sorri.
— Eu já contei!
— Você contou por cima. Eu quero a versão completa.
Gaby suspira, mas sorri.
— Tá… ele chegou, perguntou como eu estava… aí eu falei da lição de casa… Aí ele ficou meio quieto, tipo… pensando. E perguntou se eu tinha planos para sexta.
Stefy levanta as sobrancelhas, interessada.
— E você?
— Falei que não.
— Claro que não tinha.
Gaby dá um leve empurrão nela.
— Deixa eu terminar.
Stefy sorri.
— Tá, continua.
— Aí ele falou que estava pensando se eu queria sair com ele. E eu aceitei. Na hora.
Stefy abre um sorriso enorme
— Perfeita.
Gaby ri, mas logo a expressão dela muda para dúvida.
— Mas é aí que está…
Stefy olha confusa.
— O quê?
— Ele não falou exatamente como sair.
Stefy franze a testa.
— Como assim?
— Tipo… sair como amigos? Ou… sair de verdade?
Stefy fica pensativa por um instante.
— Sim, vocês tinham combinado de ficar só como amigos, né?
— Sim! É por isso que eu estou confusa. — Ela fecha o armário. — Vai que, na cabeça dele, é só um rolê normal…
— Gaby.
— Oi.
— Eu também estou confusa. Mas acho que isso é um encontro.
Gaby desvia o olhar e vê Rick do outro lado do corredor.
— Ta, mesmo assim, eu quero ter certeza.
Ela vai até Rick e para na frente dele.
— Rick.
Rick olha para ela, um pouco surpreso.
— Oi.
Um pequeno silêncio.
— Rick… a gente ainda vai sair hoje à noite?
Rick hesita por um segundo. Ele olha rapidamente para os lados, como se estivesse distraído ou pensando em outra coisa.
— Ah... Sim.
A resposta curta e o tom desanimado ficam no ar.
Gaby fica claramente incomodada.
— Sim? Rick?!
O sinal  toca.
Gaby olha séria pra ele.
— Tenho que ir pra aula.
Ela sai com Stefy.

Mais tarde, Gaby e Stefy estão sentadas lado a lado, dividindo um pacote de salgadinhos.
Gaby está claramente inquieta.
— Eu não sei o que fazer. Eu até pedi conselho para o Edu.
Stefy faz uma careta.
Você pediu conselho para o Edu?
— Eu estava desesperada!
Antes que Stefy responda, Giovanna passa por elas, ouvindo a última parte.
Ela para e volta dois passos.
— Você deve estar mesmo desesperada pra pedir conselhos pra aquele nerd.
Gaby olha sério para Giovanna.
— Giovanna, essa conversa é particular, pode nos dar licença?
 Giovanna se aproxima mais.
— Querida, você tá a fim do Rick, isso tá mais na cara do que a rinoplastia barata da Letícia Rivas. Quer meu conselho ou não?
Gaby revira os olhos.
— Tá bom. O Rick me chamou pra sair hoje à noite. Não pra sair, pra sair. Achei que ele estava me chamando pra um encontro. Me enganei?
— Querida, isso é um encontro.
Stefy olha pra Gaby.
— Eu te disse.
Gaby franze a testa.
— Mais depois, eu perguntei se a gente ainda ia sair e ele só disse “sim”.
Giovanna dá um sorriso.
— Ele só está falando como homem: vago, curto, sim, não.
Gaby levanta uma sobrancelha
— É mesmo?
— É mesmo, com certeza. Gaby, estamos falando do Rick. Ele é do tipo que fala só uma sílaba. — disse Giovanna.
Gaby ainda parece pensativa, mas um sorriso começa a surgir.
— Então… é um encontro?
Giovanna sorri.
— Sim. É um encontro.
Gaby olha para as duas, tentando conter a animação.
Stefy segura o braço dela.
— Agora sim você pode surtar.
Gaby ri, finalmente mais aliviada.

A sala está agitada. Alguns alunos conversam.
De repente, a porta se abre e Sophia entra.
— Gente… a professora Jéssica está em reunião com o diretor Daniel. E ela pediu para vocês começarem as leituras.
No fundo da sala, Urso troca um olhar com John.
Um sorriso surge nos dois.
Os dois se levantam e vão para a frente da sala.
Alguns alunos já começam a prestar atenção, esperando confusão.
Urso cruza os braços, imitando a postura da professora.
— “Pessoal, atenção um instante.”
Alguns alunos já riem.
John entra na brincadeira.
— “Eu não vou pedir de novo.”
A turma começa a rir mais alto. John continua 
— “Isso aqui é uma escola, não um zoológico. E, acreditem, nem todo mundo acha vocês adoráveis.”
A sala explode em risadas.
Urso começa a andar pela frente da sala
— “Entreguem o formulário até sexta-feira, sem falta.”
Mais risadas, alguns batem palma.
Sophia, no meio da sala, ri mas tenta controlar.
— Vocês vão se dar mal…
Urso ignora e continua.
— “Urso, o que você acha que está fazendo?”
John aponta para ele, teatral.
A turma gargalha.
De repente...
A porta se abre.
Jéssica entra, calma demais.
Urso e John congelam no lugar.
Ela fecha a porta devagar e caminha até a frente da sala.
Olha para os dois… depois para o resto da turma.
— Interessante.
Ela coloca o material na mesa… e então
— Pessoal, atenção um instante.
A turma se entreolha, surpresa.
Ela continua.
— Eu não vou pedir de novo.
Ela encara diretamente os dois.
— Isso aqui é uma escola, não um zoológico. E, acreditem, nem todo mundo acha vocês adoráveis.
Agora ninguém ri.
Urso engole seco.
John tenta manter a postura, mas já está deschhhhlonfortável.
— Eu ouvi tudo — disse Jéssica.
A sala fica em silêncio.
— O interfone da diretoria dá acesso direto à sala. E, por acaso, estava ligado. Então… excelente apresentação.
Ninguém ousa reagir.
Ela olha para John.
— John, você pode se juntar ao Urso na detenção.
John solta um suspiro derrotado.
 
Na hora da saída, Gaby está olhando para o celular.
Na tela: conversa com Rick.
Ela digita rápido.
“O que está acontecendo?”
Alguns segundos de espera.
O celular vibra.
“Eu acho que você me odeia.”
Gaby arregala os olhos.
Ela levanta o olhar imediatamente, e vê Rick um pouco mais à frente, perto do portão, com a mochila nas costas.
Sem pensar, ela vai até ele.
— Rick!
Ele se vira, meio surpreso.
— Oi…
Gaby para na frente dele, ainda confusa.
Por que você acha que eu te odeio?
Rick sorri, meio sem graça.
— Porque você saiu apresada e séria quando conversamos mais cedo.
Gaby abre a boca, sem saber se ri ou se se explica.
— Desculpa… eu não te odeio.
Rick sorri.
— Que bom.
Um pequeno silêncio confortável.
Rick então olha para ela.
— Então… a gente ainda vai sair hoje à noite?
Gaby abre um sorriso imediato.
— Claro que sim.
Rick sorri de volta, visivelmente mais tranquilo.
— Ótimo. — Ele dá um passo para trás, começando a se afastar. — Eu passo na sua casa para te buscar.
Gaby segura o sorriso, animada.
— Tá bom.
Rick acena de leve e começa a ir embora, claramente feliz.
Gaby fica parada por um segundo, olhando ele se afastar.
Então vira de lado, dando um pequeno pulo contido, tentando não chamar atenção.
 
John e Urso estão na detenção, sentados em carteiras separadas, mas próximas o suficiente para se encararem.
Na frente, Jéssica corrige alguns papéis, sem levantar o olhar.
John suspira alto, jogando o corpo para trás na cadeira.
— Não acredito que a gente está aqui numa sexta-feira.
Urso concorda, balançando a cabeça.
— Sério. Isso devia ser proibido.
— Todo mundo indo embora, começando o fim de semana… e a gente preso.
A professora levanta os olhos lentamente.
— Vocês terminaram? Porque, se não terminaram, eu posso facilmente resolver isso deixando vocês dois na minha turma de português à noite.
Urso arregala os olhos.
— Não, obrigado.
— A gente já está em silêncio.
— Ótimo. Continuem assim.
Ela volta a corrigir os papéis.
Alguns segundos passam.
Urso abre a pasta devagar, olhando de canto para a professora.
Ele puxa um pedaço de papel e uma caneta.
Com cuidado, escreve:
“Hoje à noite = vingança”
Ele dobra o papel e desliza pela mesa até John.
John pega o papel discretamente, abre e lê.
Ele levanta os olhos para Urso.
Urso dá um leve sorriso, cúmplice.
John amassa o papel discretamente e guarda no bolso.
Ele troca mais um olhar com Urso.
Os dois seguram um sorriso.
 
A noite Gaby está em seu quarto, se olhando no espelho.
— Eu não sei. Isso está muito arrumado?
Raquel se aproxima.
— Para onde vocês vão mesmo?
— Eu também não sei exatamente.
Raquel ri, se aproximando.
Raquel pega uma das roupas e analisa.
— Você está ótima. Só tenta não surtar.
Raquel se senta na cama.
— No meu primeiro encontro, eu não consegui parar de falar. Eu falava sem parar… e ainda ria de tudo. Parecia uma hiena. No final, eu estava pedindo desculpa a cada cinco minutos.
Gaby sorri.
— Mamãe, você já contou essa história um milhão de vezes.
Raquel sorri.
A campainha toca.
Gaby congela.
— Ele chegou.
Raquel se levanta imediatamente.
— Eu atendo.
Gaby começa a arrumar o cabelo desesperadamente.
Na sala, Raquel abre a porta.
Rick está do lado de fora, um pouco nervoso, mas arrumado.
— Boa noite.
Raquel sorri.
— Boa noite Rick. Pode entrar.
Rick entra, olhando ao redor, um pouco sem jeito.
Gaby desce a escada, tentando parecer calma.
— Oi.
Rick sorri.
— Oi.
Um pequeno silêncio tímido.
Raquel observa os dois, sorrindo.
— Então… voltem às dez horas. E divirtam-se.
Os dois começam a ir em direção à porta.
Raquel pega o celular.
— Espera!
Eles param.
Raquel sorri.
— Só uma foto rápida.
Gaby fecha os olhos, constrangida.
Rick dá um sorriso, sem saber o que fazer.
— Tudo bem.
Eles ficam lado a lado.
Raquel tira a foto.
Perfeito.
Gaby olha para a mãe.
A gente já pode ir?
Raquel olha para Gaby e sorri.
— Agora pode.
Gaby e Rick saem.
A porta se fecha atrás deles.
Gaby já vira para ele, envergonhada.
— Desculpa por isso.
— Por quê?
— Minha mãe.
Rick ri de leve.
— Está tudo bem. Foi tranquilo.
Gaby relaxa um pouco.
Eles começam a andar.
— Então… o que você quer fazer?
Gaby anima na hora.
— A gente pode ir ao cinema… ou ao parque… ou tem aquele show no parque hoje… — Ela continua falando, empolgada. — Ou a gente pode só andar por aí, ou... — Ela para de repente, percebendo. — Desculpa. Eu estou falando demais.
Rick sorri.
— Não precisa pedir desculpa.
Um pequeno silêncio confortável.
Eu gosto de ouvir você.
Gaby sorri, meio sem graça, mas feliz.
— Então… a gente decide juntos?
— Combinado.
Eles continuam andando lado a lado pela rua, mais à vontade.
 
De volta a Grasso, John e Urso estão em sua missão de vingança. 
A escola está quase vazia, luzes mais fracas, clima silencioso.
John e Urso caminham encostados na parede, olhando para os lados como se estivessem em um filme de espionagem.
Eles chegam na porta do escritório do diretor.
O zelador sai da sala, Urso segura a porta antes que fecha e eles entram. John olha pra Urso.
— Isso foi fácil demais.
Urso olha pra ele e sorri.
— O destino quer essa vingança.
Eles entram.
Enquanto isso, Jéssica está em frente a uma turma de adultos, todos mais sérios, sentados corretamente.
Ela distribui folhas.
— Prova sobre tempos verbais. Podem começar.
Os alunos pegam as canetas, silêncio absoluto.
De volta a sala de Daniel, John e Urso conversam, John olha pra todos os lados.
— Eu me sinto importante aqui.
Urso já está mexendo no interfone da mesa.
— Olha isso.
Ele aperta um botão.
Um leve som de conexão.
Urso pega um chiclete da boca… e começa a mascar bem alto perto do microfone.
John cobre a boca para não rir.
Na sala de aula Jéssica ouve o som e levanta a cabeça.
— Quem está mascando chiclete? Pode cuspir.
Ela olha pela sala.
Todos os alunos estão sérios, escrevendo.
Ela franze a testa.
De repente, uma risada abafada de John sai pelo interfone.
Jéssica já está furiosa.
— Continuem a prova.
Ela sai da sala rapidamente.
Jéssica anda rápido pelo corredor.
Ela encontra o zelador.
— Você pode abrir o escritório do diretor por favor.
O zelador pega as chaves.
A porta é destrancada.
John e Urso já se jogaram no chão, escondidos debaixo da mesa.
A porta abre.
Jéssica entra, olhando ao redor.
Ela suspira, irritada.
Ela se vira e sai.
A porta se fecha.
Depois de alguns segundos.
Os dois saem debaixo da mesa, aliviados.
John suspira.
— Isso foi por pouco.
Urso pega o telefone do diretor e começa a digitar.
— Agora vem a melhor parte. — Ele coloca o telefone no ouvido. — Boa noite. Eu gostaria de pedir duas pizzas grandes… e asas de frango.
 
No shopping, Rick já está sentado à mesa, olhando o celular.
Gaby se aproxima.
— Você não precisava pagar o meu lanche. — disse Rick.
Gaby sorri.
— Não se preocupe, eu tinha um cupom de desconto.
Rick guarda o celular no bolso.
— Beleza, mas eu vou pagar o filme.
Gaby sorri.
— Beleza. — Ela olha para a bandeja. — Eu comprei hambúrguer vegetariano pra você, espero que não se importe.
Rick balança a cabeça.
— Sim, tudo bem eu não como carne.
Gaby olha surpresa.
— Você também é vegetariano?
Ele pega um hambúrguer.
— Não exatamente. Eu gosto de carne. Bastante, na verdade.
Gaby olha confusa.
Rick apoia os braços na mesa.
Teve um verão que eu passei na fazenda do meu tio. Eu acabei vendo umas coisas… tipo o processo de abate das vacas. — Ele faz uma pausa, meio desconfortável. — Depois disso, eu simplesmente não consegui mais comer. Foi meio chocante.
Gaby sorri de volta, claramente feliz.
— Bom… isso facilita bastante para mim.
Rick ri.
— Imagino.
Os dois continuam conversando, mais à vontade.
 
A turma adulta está em silêncio, concentrada na prova. Só se ouve o som de canetas no papel.
Jéssica caminha entre as carteiras, observando.
O entregador aparece na porta.
Todos olham.
Jéssica franze a testa.
— Boa noite. Vim fazer a entrega.
Jéssica olha confusa.
— Isso está errado. Eu não pedi nada.
O entregador confere no celular.
— Está no nome da escola. São… duas caixas de pizza e asas de frango.
Jéssica cruza os braços.
— Definitivamente não fui eu.
O entregador fica mais sério.
— Não está pago. Preciso receber na entrega.
Jéssica fecha a expressão.
— Então pode levar de volta. Eu não vou pagar por isso.
Um aluno mais ao fundo levanta a mão, meio desesperado.
— Espera!
Todos olham para ele.
Ele se levanta e se aproxima, olhando as caixas com brilho nos olhos.
— A gente pode… resolver isso.
Jéssica encara, sem acreditar.
— Como?
— A gente divide.
Alguns alunos começam a concordar, animados.
A sala, que estava silenciosa, começa a ficar agitada.
Jéssica leva a mão à testa, claramente estressada.
— Gente, isso é uma prova.
Os alunos a ignoram e começam a comer.
Jéssica suspira fundo, derrotada por um segundo.
O entregador já começa a passar as caixas.
John e Urso ainda estão escondidos, na sala de Daniel. Quando ouvem a reação da sala, eles se encaram… e começam a rir, tentando não fazer barulho.
— Funcionou — disse John.
Urso sorri.
— Melhor do que eu imaginei.
John encosta na parede, segurando o riso.
 
No shopping, Gaby e Rick caminham lado a lado.
— Eu ainda não acredito que a gente chegou a tempo.
Rick sorri.
— Bem a tempo na verdade.
Gaby ri e começa a mexer na bolsa.
Ela para e franze a testa.
Procura de novo.
Mais rápido.
Rick percebe a mudança.
— O que foi?
— Minha carteira.
Ela começa a tirar coisas da bolsa.
— Ela estava aqui. Eu usei no jantar… estava na bandeja.
Eles se encaram.
— Será que eu joguei fora?
Rick faz uma careta.
— É possível.
Gaby já começa a andar rápido.
— A gente precisa voltar.
Os dois chegam quase correndo na praça de alimentação.
Gaby aponta.
— Foi aqui.
Eles param diante de uma lixeira grande.
Um segundo de hesitação.
Rick suspira.
Ele enfia a mão na lixeira, tentando não olhar muito.
Gaby faz uma careta.
— Desculpa por isso.
Ele mexe mais fundo.
E puxa algo.
Um hambúrguer amassado, cheio de molho.
Rick congela.
Gaby tapa a boca, meio rindo, meio horrorizada.
Rick larga no chão imediatamente.
Gaby tenta segurar o riso.
— Desculpa!
Um segurança se aproxima.
Os dois congelam e se afastam.
 
Enquanto isso, no estacionamento da escola, Urso está jogando ovos no carro de Jéssica, ele olha para John.
— Vamos lá John pega uns ovos e joga.
Urso joga mais um ovo.
— Anda, ajuda.
John olha para o carro… e lembra do que Jéssica havia dito a ele e a Sophia mais cedo naquele dia. 
Ele fecha a expressão.
— Tá… só dessa vez.
Ele pega alguns ovos e joga.
Urso sorri.
— Aí sim.
Eles continuam jogando ovos.
De repente, Jéssica se aproxima rapidamente, Urso a vê.
— Se esconde!
Eles correm e se abaixam atrás de outro carro.
Jéssica para ao ver o estado do veículo.
Respira fundo.
A postura dela muda, o cansaço fica evidente.
Ela leva a mão ao rosto… e começa a chorar, baixo, tentando se controlar.
Atrás do carro, Urso observa com um leve sorriso de satisfação.
John, ao lado, fica visivelmente preocupado.
John olha de novo para a professora, que limpa as lágrimas e tenta se recompor.
 
No shopping, Gaby e Rick continuam revirando tudo, já cansados.
Rick limpa a mão na calça, fazendo uma careta.
— Ok… isso oficialmente deixou de ser divertido há muito tempo.
Gaby está mais tensa, mexendo em outra lixeira.
— A gente precisa achar.
— Rick olha pra ela.
— Você tem certeza de que jogou no lixo?
Gaby para por um segundo, respirando fundo.
— Tenho. Eu coloquei na bandeja… quase derrubei ketchup nela. — Gaby passa a mão no rosto, nervosa. — Espera…
Rick olha para ela.
— O quê?
Gaby fecha os olhos, tentando lembrar.
— Eu… guardei a carteira no bolso da jaqueta.
Rick franze a testa.
Gaby olha para a própria cintura.
A jaqueta está amarrada ali.
— Não.
Rick já começa a entender.
— Gaby…
Ela rapidamente desamarra a jaqueta, nervosa.
Enfia a mão no bolso.
Respira fundo.
E puxa a carteira.
Os dois ficam em silêncio por um segundo.
Rick solta uma risada, aliviado.
Gaby olha para a carteira… depois para ele… completamente sem graça.
Gaby fecha os olhos, envergonhada.
— Eu fiz você revirar lixo por nada.
Rick tenta suavizar.
— Tudo bem.
Mas Gaby já está vermelha, claramente se sentindo péssima.
Rick dá um passo na direção dela.
— Gaby, está tudo bem...
Mas ela já começa a se afastar.
Gaby se vira e sai correndo.
Rick fica parado por um momento, confuso e preocupado.
 
Na segunda-feira seguinte, na escola, Gaby está sentada em um banco no jardim zem com Stefy e Mateus ao lado. Ela segura o celular, meio sem graça.
Ela mostra a tela.
Stefy se inclina, curiosa.
— São as fotos de sexta?
Gaby balança a cabeça.
— Sim, minha mãe tirou antes da gente sair.
Stefy começa a passar as fotos.
— Você está linda.
Mateus se aproxima para ver também.
— Ela até que se arrumou.
Gaby dá um leve sorriso, mas logo desanima.
— Não adiantou muito.
Stefy para de mexer no celular.
— O que aconteceu depois que você saiu correndo?
Gaby suspira, olhando para a mesa.
— Deu tudo errado.
Ela cruza os braços, envergonhada só de lembrar.
— Eu fiz ele revirar lixo… por nada. A carteira estava no bolso da minha jaqueta.
Mateus segura o riso.
— Isso é bem a sua cara.
Gaby lança um olhar para ele.
— Obrigada pelo apoio.
Stefy tenta não rir.
— E depois?
— Eu fiquei com tanta vergonha que fui embora.
— Você foi embora? — Stefy perguntou.
— Fui.
Stefy leva a mão à testa.
— Gaby…
Gaby suspira frustrada.
— Se ele ainda falar comigo, já vai ser sorte.
Mateus se inclina um pouco, mais sério.
— Olha… se ele realmente gosta de você, isso não vai ser o motivo para ele sumir.
Stefy concorda.
— Exato. Foi só um desastre… memorável.
Gaby dá um sorriso.
— Obrigada… eu acho.
De repente, a porta da sala se abre.
Rick entra.
Gaby trava na hora.
Stefy percebe e cutuca Mateus.
Mateus entende.
Os dois se levantam e se afastam, deixando Gaby sozinha.
Rick se aproxima.
— Oi.
Gaby sem olhar para Rick.
— Oi.
Um pequeno silêncio.
Gaby respira fundo.
— Eu queria pedir desculpa por sexta.
Rick olha para ela, mas logo seu olhar desvia para o celular na mão dela.
— Eu fiquei com vergonha e...
Ele se inclina um pouco.
— Essas fotos são de sexta?
Gaby se confunde por um segundo.
— São…
Rick pega o celular com cuidado, olhando as imagens.
Um leve sorriso aparece.
— Ficaram muito boas. Posso ficar com uma?
Gaby sorri, e assente com a cabeça.
— Pode.
Rick sorri de volta.
Gaby solta um suspiro leve, finalmente tranquila.
 
Na aula de português, a turma está conversando antes da aula começar. 
Urso está animado, gesticulando enquanto fala. 
— Sério, vocês tinham que ver a cara dela quando chegou no carro.
Alguns alunos riem.
Urso ri, orgulhoso.
— E a parte da pizza? Melhor ideia da minha vida.
John dá um sorriso, mas sem entusiasmo.
— Foi… engraçado.
Sophia cruza os braços.
— Engraçado para quem?
O grupo diminui o volume.
— Ah, para de drama. Foi só uma brincadeira.
— Não pareceu só uma brincadeira.
Urso revira os olhos.
— Ela pediu por isso. Tratou a gente mal o tempo todo… uma hora ia voltar.
Antes que alguém responda.
A porta se abre.
O diretor Daniel entra, acompanhado de Raquel Merino.
A sala se cala na hora.
— Bom dia, turma.
— Bom dia. — alguns alunos respondem.
O clima muda imediatamente.
Daniel continua
— Eu tenho um aviso importante. — Ele troca um olhar rápido com Raquel. — A professora Jéssica precisará se ausentar pelo resto do semestre.
Murmúrios começam.
Daniel levanta a mão, pedindo silêncio.
— Por conta disso, a excursão ao teatro está cancelada.
A sala reage com decepção imediata.
Sophia levanta a mão, preocupada.
— Ela está bem?
Daniel respira fundo antes de responder.
— O marido dela está muito doente. Ela vinha passando por muito estresse… e acabou não conseguindo lidar com tudo.
A sala inteira fica quieta.
Raquel observa os alunos, séria.
No fundo, Urso e John trocam um olhar.
O sorriso de antes desaparece completamente.
John passa a mão no rosto, incomodado.
O peso da situação é claro.
Na frente, Daniel continua.
— A professora Raquel será a substituta e dará continuidade a matéria.
Ninguém responde.
A sala permanece em silêncio.
No fundo, Urso e John ficam sentados, quietos, arrependidos.

Sinopse Próximo Capítulo – Jogo de Cintura 
Giovanna começa um Cheer Squad na escola para os alunos do ensino fundamental. Manu quer se juntar ao grupo e se tornar uma líder de torcida. Luiza, que é contra a participação de garotas mais novas na equipe, publica uma crítica sobre o assunto no jornal da escola. Enquanto isso, Mateus se prepara para uma competição de natação.
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Atualizado em: Seg 10 Ago 2026

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