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Grasso: A Próxima Geração 110 – Rumores

Luiza caminha pelo corredor segurando um caderno contra o peito.
Ela para em frente à porta da sala de matemática, que está encostada.
Luiza empurra a porta alguns centímetros.
Ela congela.
Lá dentro, o professor Rocky Dalas está muito próximo de Kamilly, com o braço em volta dela.
Luiza arregala os olhos, o coração dispara.
Ela recua devagar, tentando não fazer barulho, e fecha a porta como estava.
Um tempo depois no Laboratório de informática. Alguns alunos jogam, outros mexem no computador, clima descontraído.
JP está no meio de um grupo, animado.
— Mano, se eu tirar zero nessa prova, eu vou falar que foi protesto contra o sistema!
Edu ri.
— Claro, o sistema contra você também, né?
O grupo ri.
Luiza entra, meio perdida, olhando pro nada.
Edu percebe.
— Ei… Lu? Tá tudo bem?
Luiza nem responde.
JP olha para ela.
— Ih, bugou. Reinicia que volta.
Alguns riem, mas Luiza continua distante.
Ela vê Kamilly sentada e vai até ela.
— Kamilly, posso falar com você?
Kamilly nem levanta o olhar.
— Pode.
Luiza respira fundo.
— Eu te vi hoje… na sala de matemática.
Kamilly levanta o olhar, agora atenta.
— E daí?
— Você estava com o professor Rocky… o que estava acontecendo ali?
Kamilly dá de ombros.
— Nada demais. Eu só estava tirando umas dúvidas com ele.
Luiza cruza os braços.
— Com a porta fechada?
Kamilly revira os olhos.
— Nossa, Luiza, sério? É só uma sala, não um segredo de estado.
Luiza insiste.
— Não parecia só isso.
Kamilly fica mais fria.
— Olha, cuida da sua vida, tá? 
Luiza fica parada por um segundo, sem saber o que fazer.
Depois, sai.

Personagens Principais 
Gaby Merino
Mateus Merino
Luiza Souza
John Doho
Stefy Prioste
Sophia Rodrigues
André Kimmich
Edu Mariano 
JP Djanikian
Giovanna Kuhlmann
Rick dos Anjos 
Daniel Fernandes 

Depois da aula, Luiza está inquieta, olhando ao redor como se procurasse algo.
JP se aproxima.
— Você sumiu lá da sala. Está tudo certo?
Luiza hesita, depois decide puxar assunto.
— JP… posso te perguntar uma coisa meio aleatória?
JP dá de ombros.
— Se for sobre prova, eu nego qualquer envolvimento.
Luiza quase sorri, mas continua séria.
— O que você acha do professor Rocky?
JP abaixa a cabeça, pensando.
— Professores não são pessoas. Eles são professores.
Luiza revira os olhos.
— Estou falando sério.
— Ah, sei lá… eu gosto dele. Explica bem, não pega pesado à toa… Por quê?
Luiza insiste, tentando parecer casual.
— Mas você acha ele… normal? Tipo, tranquilo com todo mundo?
— Sim, ué. Ele é gente boa. Bem mais de boa que a maioria dos professores.
Luiza concorda com a cabeça.
— É… ele sempre parece gentil. Amigável com todo mundo.
JP sai, Luiza começa a andar pelo corredor.
Do outro lado do corredor, o professor Rocky se aproxima de Kamilly.
Luiza estreita os olhos, focando.
Rocky para ao lado de Kamilly, fala algo rápido.
Com um movimento discreto, ele entrega um pequeno bilhete rosa.
Kamilly pega rapidamente e guarda no bolso, como se não quisesse chamar atenção.
Tudo acontece em poucos segundos.
O olhar de Luiza está fixo nos dois, agora carregado de desconfiança.
 
No corredor, Luiza puxa Manu pelo braço para um canto mais afastado.
— Calma, o que foi? Você está estranha desde cedo.
Luiza olha em volta, certificando-se de que ninguém está ouvindo.
— Eu preciso te perguntar uma coisa… mas você tem que ser sincera.
Manu cruza os braços, curiosa.
— Tá, fala.
Luiza hesita por um segundo.
— O professor Rocky… já te tocou alguma vez?
Manu franze a testa, confusa.
— O quê? Não. Como assim?
Luiza engole seco.
— Tipo… de um jeito estranho. Diferente.
Manu balança a cabeça, firme.
— Nunca. Por quê você está perguntando isso?
Luiza respira fundo, nervosa.
— Esta manhã, eu o vi passar o braço em volta da Liberty e depois entregar um bilhete para ela. Parecia mesmo que ele estava dando em cima dela.
Manu fica visivelmente surpresa.
— Tá… isso é meio esquisito mesmo. Mas, Luiza, pode ter alguma explicação. Talvez você esteja juntando coisas que não têm relação.
Luiza cruza os braços, incomodada.
— Você acha mesmo que é coincidência?
Manu hesita.
— Eu não sei… só acho melhor não tirar conclusões tão rápido.
Atrás dos armários próximos, parcialmente escondida…
Stefy está parada, imóvel.
Ela escuta tudo em silêncio, o olhar atento.
Luiza e Manu saem.
Stefy sai lentamente de trás dos armários, pensativa.
Ela olha na direção em que Luiza e Manu foram.
E algo no olhar dela indica que essa história não vai ficar só entre elas.
 
Na hora do almoço, Mateus, Urso e John estão na fila com suas bandejas.
Urso olha para o cardápio, fazendo careta.
— Sério que hoje é isso? Parece comida de hospital. Tudo aqui tem gosto de arrependimento.
Mateus ri de leve, distraído.
Eles pegam a comida e vão para uma mesa no canto.
Sentam.
Mateus larga a bandeja com um suspiro.
— Aquela prova de história… sério, o que foi aquilo?
John começa a comer, tranquilo.
— Ah, nem achei tão difícil assim.
Mateus olha para ele, desacreditado.
— Como não? Tinha umas perguntas que nem faziam sentido.
— Faziam, sim. Você que não prestou atenção na aula.
Urso se joga na cadeira.
— Eu marquei qualquer coisa. Se eu acertar uma, já é lucro.
Mateus ri.
— Pelo menos você é honesto.
Urso olha pra Mateus.
— Não vou fingir que entendo aquele professor.
— E, vamos combinar, ele também não ajuda.
John levanta uma sobrancelha.
— Lá vem.
— O cara parece que saiu direto de um culto. Aquele jeito de falar, aquela roupa…
Mateus segura o riso.
— Você é muito sem noção.
— Eu só estou dizendo a verdade. Dá até medo de fazer pergunta e ele começar um sermão.
John ri.
Mateus mexe na comida, ainda pensativo.
— Eu estudei, de verdade… mas na hora deu branco.
— Acontece. Mas você foi melhor do que o Urso, com certeza.
Urso aponta o garfo para ele.
— Olha o respeito.
Mateus sorri, um pouco mais relaxado agora.
— Se eu tirar mais que você, você me deve um lanche.
— Fechado. Mas se eu tirar mais que você…
Mateus interrompe.
— Isso não vai acontecer.
John ri.
— Eu quero ver esse resultado.
Os três continuam comendo, entre risadas e provocações, o clima leve contrastando com o resto do dia.
 
Enquanto isso, na aula de matemática do oitavo ano, a sala está relativamente silenciosa. Alguns alunos conversam baixo, outros mexem no celular escondido.
Stefy está sentada, olhando fixamente para a porta.
Do lado de fora, o professor Rocky conversa com um aluno, tranquilo.
Stefy engole seco.
Giovanna, sentada ao lado, percebe.
— Stefy… o que foi?
Stefy não responde.
Giovanna se inclina um pouco, falando mais baixo.
— Você está estranha desde que entrou. Aconteceu alguma coisa?
Stefy respira fundo, ainda olhando para a porta.
— Querida… pode falar comigo. Sério.
Stefy hesita, claramente nervosa.
— Você promete que não vai contar para ninguém?
Giovanna responde rápido.
— Prometo.
Stefy olha para ela, como se ainda estivesse em dúvida, mas acaba cedendo.
Sabe, a Kamilly. Aquela menina do sétimo ano. Ouvi dizer que o Rock estava dando em cima dela.
Giovanna cruza os braços, visivelmente incomodada.
— Credo… que nojo. Você está brincando, né?
Stefy abaixa o olhar.
— Não. Eu ouvi a Luiza. Ela viu ele com o braço em volta dela e depois ele passou um bilhete de amor para ela.
Giovanna respira fundo.
— Tá, calma. A gente não sabe direito o que aconteceu.
Stefy olha para ela, aflita.
— Mas e se for verdade? A gente devia falar com alguém.
Giovanna balança a cabeça, mais cautelosa.
— Stefy, não dá para denunciar um negócio desses só com um boato.
— Então a gente finge que não ouviu nada? — Stefy perguntou.
Giovanna hesita.
— Não… só… a gente precisa ter certeza antes.
Nesse momento, o professor Rocky entra na sala.
O barulho diminui.
— Bom dia, pessoal. Vamos começar.
Os alunos se ajeitam.
Stefy encara o caderno, mas claramente não está prestando atenção.
Giovanna pega o celular discretamente por baixo da mesa.
Ela digita rápido.
“Amiga, você não vai acreditar no que estão falando do Rocky e da Camilly.”
Leila está sentada, mexendo no celular escondido.
O celular vibra.
Ela lê a mensagem.
Os olhos dela se arregalam.
— Como assim…?
Ela levanta o olhar, chocada.
Giovanna olha discretamente para Leila, do outro lado da sala.
Leila encara Giovanna.
Giovanna faz um leve aceno com a cabeça, confirmando.
Leila leva a mão à boca, surpresa.
Depois de algumas horas, o boato então se espalha pela escola.
 
Na escadaria principal, Leila está afastada, com o celular no ouvido, falando baixo, mas animada.
— Amiga, você não está entendendo…
— Viram sim. Na frente de todo mundo.
Ela anda de um lado para o outro.
— Disseram que a Kamilly e o professor Rocky estavam se beijando dentro do carro dele.
— Tipo, não é nem boato mais, já tem gente que viu.
Ela ri, incrédula.
— Eu também achei absurdo, mas todo mundo está falando disso.
Atrás da escada, parcialmente escondido, Rick escuta tudo, atento.
Ele arregala os olhos.
Leila se afasta, ainda no telefone.
Rick sai de trás da escada, já com outra versão na cabeça.
 
Rick encontra Urso, que está mexendo no celular.
— Mano, você não vai acreditar no que eu acabei de ouvir.
Urso nem levanta o olhar.
— Se for sobre prova, eu não quero saber.
— Não, é sério. É sobre a Kamilly e o Rocky.
Urso olha na hora.
— O que tem?
Rick fala mais baixo, como se fosse segredo.
— Estão dizendo que ela passou a noite com ele.
Urso arregala os olhos.
— O quê?
— E que ela pegou carona com ele hoje de manhã. Você acha que eles passaram a noite juntos? Como o técnico Rocky pôde fazer isso.
Urso fica chocado.
— Não é possível. Isso é muito errado.
— Pois é.
Urso olha em volta, já procurando alguém para contar.
 
Urso avista John.
— John, vem aqui rápido.
John se aproxima.
— O que foi?
Urso fala direto.
— Você já ouviu falar da Kamilly e do Rocky?
— Não… o quê?
Urso baixa o tom.
— Estão dizendo que eles estão tendo um caso.
John fica em silêncio por um segundo.
— Sério?
— Sério. Já tem gente falando disso faz tempo.
John passa a mão no cabelo, surpreso.
— Nossa…
 
Mais tarde, a sala está em atividade, alunos nos computadores.
John está sentado, mas não consegue se concentrar.
Ele pega o celular discretamente e digita.
Mensagem (John para Sophia):
“Camilly e Rock estão em um caso”
Ele envia.
Sophia vê o celular vibrar.
Ela abre a mensagem.
Seus olhos se arregalam.
Ela sussurra 
— Não…
Ela vira o celular para Gaby, que estava ao lado, se olhando em seu pequeno espelho enquanto retocava o batom.
— Olha isso.
Gaby lê.
Ela fica imediatamente chocada.
— Como assim?
— Eu não sei… o John mandou agora.
Gaby balança a cabeça, nervosa.
— Isso é muito sério.
— E se for verdade? — Sophia perguntou.
Gaby respira fundo.
— E se não for?
Silêncio tenso entre as duas.
Elas trocam um olhar preocupado.
— A gente precisa fazer alguma coisa.
Gaby concorda, ainda abalada.
— Mas o quê?
As duas ficam em silêncio, claramente sem saber como lidar com a situação.
Ao fundo, outros alunos começam a cochichar.
O boato continua crescendo.
 
Mais tarde, o corredor está mais vazio agora. O som distante de vozes ecoa.
A porta de uma sala se abre.
Sophia sai, ainda com alguns papéis na mão. Ela respira fundo, como se estivesse criando coragem.
Do outro lado do corredor, Kamilly está mexendo no celular, distraída.
Sophia a observa por um instante… então se aproxima.
— Kamilly, a gente precisa conversar.
Kamilly levanta o olhar, estranhando o tom sério.
— Sobre o quê?
Sophia hesita, mas vai direto ao ponto.
— Você sabe o que está acontecendo?
Kamilly franze a testa.
— Como assim?
Sophia olha em volta, garantindo que ninguém está muito perto.
— As pessoas estão começando a falar sobre você e o Rocky, que vocês estão bem próximos.
Kamilly fica tensa.
— O que isso significa?
Sophia engole seco.
— Elas acham que você está sendo muito amigável.
O rosto de Kamilly muda. O desconforto vira medo.
— Quem está falando isso?
 Sophia olha para os lados.
— Está se espalhando. Ninguém sabe exatamente de onde começou.
Kamilly dá um passo para trás, nervosa.
— Todos acham que ele está fazendo coisas comigo?
Sophia mantém o olhar firme.
— Sim. É verdade?”
Kamilly balança a cabeça rapidamente, quase em pânico.
— Claro que não! Você está maluca?
Os olhos dela se enchem de lágrimas.
Kamilly leva a mão ao rosto, tentando segurar o choro… mas não consegue.
Ela vira as costas e sai correndo pelo corredor, chorando.
Sophia fica parada, sem saber como reagir por um segundo.
Alguns alunos cochicham.
Sophia fecha os olhos, tensa.
 
Mais tarde, Mateus está trabalhando no Luca’s. Ele está atrás do balcão, com uniforme, anotando pedidos e tentando acompanhar o ritmo.
Um colega passa apressado.
— Mateus, mesa quatro é sua.
— Beleza.
Ele pega o bloquinho e vai até a mesa.
Ao se aproximar, ele trava por um segundo.
Sentado ali está o professor Miguel, olhando o celular.
Mateus força um sorriso profissional.
— Boa noite, professor.
Miguel levanta o olhar lentamente.
— Hum.
Silêncio breve.
Mateus fica sem saber se continua como aluno ou atendente.
— O senhor já sabe o que vai pedir?
Miguel volta a olhar o celular, sem muita atenção.
— Um café. Sem açúcar.
Mateus anota.
— Certo… mais alguma coisa?
Miguel suspira, impaciente.
— Não.
Mateus se encolhe um pouco com o tom.
— Ok.
Ele hesita, tentando puxar assunto.
— A prova de hoje estava bem difícil…
Miguel o interrompe, seco.
— Difícil para quem não estuda.
Mateus fica ali por um instante, sem saber o que dizer.
— Já trago seu pedido.
Miguel não responde.
Mateus prepara o café, mais quieto agora.
O colega percebe.
— O que foi?
Mateus dá de ombros.
— Nada… só cliente sendo cliente.
Mas claramente aquilo mexeu com ele.
 
No dia seguinte, toda a escola parece estar falando sobre Kamilly e Rocky.
A sala está diferente.
Mais barulhenta… mas não de um jeito normal.
Grupos cochichando, olhares cruzados, celulares sendo mostrados discretamente.
Edu, JP, Manu e Luiza estão sentados próximos, falando baixo.
JP se inclina pra frente.
— Não é possível que isso seja verdade.
Luiza olha pra ele.
— Mas já tem gente demais falando. Alguma coisa aconteceu.
Manu olha para Luiza.
— E aí? A gente faz o quê?
Luiza parece cansada, pensativa.
— A gente não pode sair fazendo nada sem saber direito. Mas se for verdade, é sério demais para ignorar.
Manu concorda.
— A gente devia denunciar, pelo menos avisar alguém.
Luiza balança a cabeça, firme.
— Não. A gente espera.
Silêncio.
— Espera o quê? — Edu perguntou.
— Espera ter certeza. Porque, se isso não for verdade… a gente pode estar destruindo a vida de alguém. — Luiza respondeu.
O grupo fica em silêncio por um instante.
Nesse momento, Kamilly entra na sala
O barulho diminui quase instantaneamente, todos encaram.
Os olhos começam a encher de lágrimas.
Envergonhada e horrorizada, ela vira e sai rapidamente da sala.
Kamilly entra no banheiro feminino e vai direto para a pia.
Ela apoia as mãos, respirando rápido, chorando.
A porta se abre logo depois.
Luiza entra.
— Kamilly!
Camilly não olha.
Luiza se aproxima, mais cuidadosa.
— Ei… calma.
Kamillylimpa o rosto, irritada e magoada.
— Calma? Você viu como estavam me olhando?
Luiza hesita.
— Eu sei… Estão dizendo que você e o professor Rocky… estão tendo alguma coisa.
Kamillyfecha os olhos, frustrada.
— Eu não acredito nisso.
Luiza se aproxima mais.
— Eu preciso te perguntar uma coisa… e você pode ser sincera comigo.
Kamilly encara Luiza, magoada.
— Isso é verdade? — Luiza perguntou.
Kamillyresponde na hora, firme apesar das lágrimas.
— Claro que não! — Kamilly continua, agora mais irritada. — Estão inventando coisas! Eu não fiz nada!
Luiza assente, mais séria agora.
— Eu acredito em você.
Kamillyrespira fundo, ainda abalada.
— Mas, para isso parar… a gente precisa descobrir de onde isso começou.
Kamillypassa a mão no rosto, tentando se recompor.
— E como a gente faz isso?
Luiza pensa por um segundo.
— Voltando para o começo. Quem falou primeiro.
Kamillyencara o espelho, ainda tremendo.
— Porque eu não vou deixar isso continuar.
Luiza concorda.
— Nem eu.
As duas trocam um olhar.
Agora não é só confusão.
É decisão.
 
Na aula de história, professor Miguel está à frente, com uma pilha de provas na mão.
— Silêncio.
O barulho diminui aos poucos.
Miguel olha para a turma, sério.
— Eu corrigi as provas… e, sinceramente, o resultado foi decepcionante.
Alguns alunos se entreolham.
— A maioria da turma foi mal. Muito mal.
Um burburinho começa.
Miguel continua, com tom firme.
— Isso mostra falta de atenção, falta de estudo e, principalmente, falta de compromisso.
Sophia se inclina para Leila, falando baixo.
— Sério quem escolhe as roupas dele?
Leila segura o riso.
Miguel começa a entregar as provas.
— Quando eu chamar o nome, venham buscar.
Ele chama alguns alunos. Reações variadas: frustração, alívio, cara fechada.
— Mateus.
Mateus se levanta e pega a prova.
Ele volta para o lugar e olha.
Um “C-”.
Ele suspira, incomodado.
Urso olha pra ele.
— E aí?
Mateus:
— Melhor que eu esperava… mas ainda ruim.
Miguel continua falando na frente.
— Espero que isso sirva de alerta. Esse nível é inaceitável.
Mateus levanta a mão.
Miguel percebe, sem muito entusiasmo.
— Fale.
Mateus respira fundo, tentando manter o respeito.
— Professor, com todo respeito… a maioria foi mal, né?
Miguel cruza os braços.
— Foi o que eu acabei de dizer.
Mateus continua.
— Então talvez o problema não seja só a turma.
Miguel estreita os olhos.
— Explique.
Mateus se ajeita na cadeira.
— Eu estudei. E mesmo assim não fui bem. E muita gente também não foi. Talvez, se as aulas fossem um pouco mais… claras, ou mais interessantes, ajudasse.
Alguns alunos prestam atenção total agora.
Miguel encara Mateus por um momento.
— Então você está dizendo que a responsabilidade é minha?
Mateus mantém o tom respeitoso, mas firme.
— Eu estou dizendo que pode ser um pouco dos dois.
A sala fica em silêncio, tensa.
Miguel caminha devagar pela sala.
— O papel do professor é ensinar. O do aluno é estudar. — Ele para. — Se um aluno não aprende, ele precisa se esforçar mais.
Mateus segura a resposta, mas claramente não concorda totalmente.
Miguel volta para a frente.
— Mas já que levantou a questão… espero ver uma melhora na próxima avaliação. — Ele encara a turma inteira. — De todos.
O clima continua pesado.
Mateus olha para a prova de novo, pensativo.
Não é só a nota que incomoda.
É tudo.
 
O sinal toca. Os alunos começam a sair da sala, comentando as notas.
Mateus anda pelo corredor, olhando a própria prova, ainda incomodado.
John aparece ao lado, tranquilo.
— E aí, quanto você tirou?
Mateus suspira.
— Um C.
John faz uma careta leve.
— Sério? Eu achei que você ia melhor.
— Eu também. —Mateus olha para John — E você?
John dá um sorriso de canto.
— A+.
Mateus para na hora.
— O quê?
John dá de ombros, como se não fosse nada.
— Pois é.
Mateus encara ele, desconfiado.
— Não é possível.
John se aproxima um pouco, abaixando o tom.
— Não mesmo.
Mateus franze a testa.
— Como assim?
John olha em volta, garantindo que ninguém está ouvindo.
— Eu consegui o gabarito.
Silêncio.
Mateus demora um segundo para processar.
— Você está falando sério?
— Muito.
Mateus passa a mão no cabelo, meio incrédulo.
— Como você conseguiu isso?
John dá de ombros.
— Contatos.
Mateus solta uma risada curta, nervosa.
— Isso é muito errado.
— Errado é aquela prova.
Mateus segura a resposta, dividido.
John observa.
— Você foi mal. Eu posso te ajudar na próxima.
Mateus olha para ele.
— Ajudar como?
John puxa uma folha dobrada do caderno.
Ele entrega discretamente para Mateus.
— Próxima prova.
Mateus pega a folha, hesitante.
Ele abre um pouco.
São respostas.
Mateus fecha rápido.
— Você está maluco.
— Ou inteligente.
Mateus olha para o papel, depois para John.
— E se descobrirem?
John dá de ombros.
— Não vão. Todo mundo se vira como dá.
Mateus fica em silêncio.
Claramente tentado.
John começa a se afastar.
— Pensa aí. Ou você estuda… ou garante a nota.
Ele sai.
Mateus fica parado no corredor, segurando a folha.
O barulho ao redor continua, mas ele parece distante.
Ele olha para a prova com o “C-”.
Depois para o gabarito.
Depois para frente.
Ele dobra a folha, ainda indeciso.
 
Na hora do almoço, Luiza encontra Sophia no refeitório sentada com a bandeja, mas sem comer.
— A Kamilly está destruída.
Sophia levanta o olhar, surpresa.
— Eu sei… eu falei com ela.
Luiza cruza os braços.
— Não, você não entendeu. Ela está muito mal. Chorando, sem saber o que está acontecendo.
Sophia fica desconfortável.
— Quem te contou isso?
Sophia hesita por um segundo.
— Eu ouvi do John.
— E ele ouviu de quem?
— Do Urso.
Luiza nem responde.
Ela vira e sai andando rápido.
Na parte de fora da escola, Luiza anda rápido até encontrar Urso.
— Urso!
Ele se vira, surpreso.
— O que foi?
— Você contou para o John sobre a Kamilly e o Rocky?
Urso fica meio sem graça.
— Eu só repassei…
Luiza interrompe.
— De quem você ouviu?
Urso aponta discretamente.
— Do Rick.
Por coincidência, Rick está passando ali perto.
Luiza já vai até ele.
— Rick!
Rick para.
— Oi?
— Por que você espalhou esse boato?
Rick se defende na hora.
— Eu não espalhei nada!
— Você contou para o Urso!
Rick suspira, nervoso.
— Eu só repeti o que eu ouvi.
— De quem?
Rick hesita, mas responde.
— Da Leila. E eu sabia que era estranho… eu não devia ter confiado.
Luiza fecha os olhos por um segundo, irritada.
Luiza entra com tudo no banheiro feminino
Leila e Giovanna estão lá dentro, conversando.
As duas se assustam.
— O que foi?
Luiza vai direto.
— Você começou esse boato?
Leila arregala os olhos.
— O quê? Não!
— O Rick disse que ouviu de você.
Leila levanta as mãos, se defendendo.
— Eu só repeti o que me contaram!
— Quem?
Leila aponta para Giovanna.
Giovanna cruza os braços.
— Ninguém pode me culpar. Eu ouvi da Stefy.
Silêncio.
Luiza respira fundo, já irritada.
— Claro.
Ela sai do banheiro.
Stefy está no armário, pegando seus materiais.
Luiza se aproxima, firme.
— Stefy.
Stefy se vira, surpresa.
— Oi…
Luiza não perde tempo.
— Por que você contou para a Giovanna sobre a Kamilly e o professor?
Stefy fica nervosa na hora.
— Eu… eu não sabia o que fazer.
— Então resolveu contar para todo mundo?
Stefy balança a cabeça, aflita.
— Não! Eu só falei com a Giovanna!
Luiza suspira irritada:
— E olha no que deu!
Stefy tenta se explicar.
— Eu estava nervosa! Eu ouvi aquilo e fiquei sem saber com quem falar!
Luiza solta um riso sem humor.
— Parabéns. Você conseguiu criar um caos.
Ela começa a se virar para ir embora.
Stefy fala mais alto, desesperada.
— Não é culpa minha!
Luiza para.
Se vira lentamente.
— Como não?
Stefy respira fundo.
— Eu não comecei isso.
Luiza franze a testa.
— Como assim?
Stefy encara Luiza, firme pela primeira vez.
— Foi você.
Luiza fica sem reação.
Stefy continua.
— Eu ouvi você conversando com a Manu. Você que falou primeiro.
O mundo parece parar por um segundo.
Luiza pisca, tentando processar.
— Eu… eu não espalhei.
— Mas você falou. Eu só ouvi.
Silêncio pesado.
Luiza fica parada, impactada.
Agora, tudo muda de lugar.
 
Em seguida, Luiza encontra Kamilly sentada em uma cadeira, esperando do lado de fora da sala do diretor Daniel. 
Ela está de mãos entrelaçadas, olhando para o chão. Os olhos ainda vermelhos.
Luiza se aproxima devagar.
Ela para por um instante, sem saber como começar.
— Camilly…
Camilly levanta o olhar.
Ela não está brava. Só cansada.
— Oi.
Luiza engole seco.
— Você está esperando há muito tempo?
— Faz um tempo.
— Disseram que o diretor quer falar comigo.
Luiza respira fundo.
— Eu… acho que eu preciso falar com ele também.
Kamillyfranze a testa, confusa.
— Sobre o quê?
Luiza hesita, mas responde.
— Sobre tudo isso.
Kamillya observa, tentando entender.
Antes que ela diga algo...
A porta da sala do diretor se abre.
O professor Rocky sai primeiro, sério.
Logo atrás, o diretor Daniel.
Os dois parecem estar no meio de uma conversa importante.
Eles dão alguns passos no corredor.
Luiza olha para Kamilly… depois toma coragem.
Ela se levanta e vai até eles.
— Daniel?
Os dois param.
Daniel olha para ela.
Daniel:
— Sim?
Luiza está visivelmente nervosa, mas firme.
— Eu preciso falar com o senhor.
Daniel observa rapidamente a situação — Kamilly sentada, Luiza tensa, Rocky ao lado.
— Agora não é um bom momento. Estamos no meio de uma conversa.
Luiza respira fundo.
— Eu sei… mas isso tem a ver com o que vocês estão falando.
Rocky olha para ela, atento.
Daniel franze levemente a testa.
— E por que você acha isso?
Luiza engole seco.
— Porque eu estou envolvida nisso.
 
A noite está silenciosa. O estacionamento quase vazio.
Depois de sair do jornal da escola, Mateus caminha distraído… até notar o professor Miguel ao lado de um carro, olhando para um pneu murcho.
Ele também está com um livro na mão.
Mateus se aproxima, com um sorriso.
— Pneu furado, hein?
O professor levanta a cabeça, sem muita pressa.
— Como você é observador.
Mateus dá de ombros, olhando o carro.
— Quem será que fez isso?
Miguel o encara por um segundo.
— Você estava lá dentro a noite toda.
Mateus solta um sorriso curto.
— Só estou comentando.
Mateus olha de novo para o pneu.
— O senhor não sabe trocar?
Miguel suspira, como se aquilo fosse um incômodo maior do que deveria.
— Existem coisas para as quais eu prefiro pagar alguém.
Mateus cruza os braços.
— Se o senhor achar alguém a essa hora.
Miguel levanta levemente a sobrancelha.
— E você sabe como trocar?
Mateus confirma com a cabeça.
— Sei.
Alguns minutos depois, Mateus está agachado, trocando o pneu.
Miguel observa, encostado no carro, ainda com o livro na mão, mas sem ler.
Silêncio por alguns segundos.
Mateus, tentando puxar assunto:
— Ouvi dizer que o senhor vai se aposentar esse ano.
Miguel demora um pouco para responder.
— Chega uma hora em que a gente precisa seguir em frente. — Miguel olha para ele. — Eu sei que você não me considera um bom professor.
Mateus trava por um segundo.
— Eu não quis dizer...
Miguel o interrompe, calmo, mas firme.
— Não insulte a minha inteligência, Mateus. — Miguel continua, agora mais direto — Eu sei que muitos alunos não gostam de mim. Eu ouço os comentários. As piadas. As reclamações sobre as minhas roupas. — Ele dá um leve sorriso sem humor. — Ainda não fiquei surdo.
Mateus abaixa o olhar, meio sem graça.
Miguel continua
— Mas esses mesmos alunos… podem não gostar de mim agora. Ainda assim, vão se lembrar das minhas aulas. E, principalmente, do que aprenderam.
Mateus continua mexendo no pneu, mais quieto agora.
Miguel respira fundo, olhando para longe.
— E, para deixar claro… eu não me importo com o que acham das minhas roupas. Foi minha esposa que escolheu todas.
Mateus olha para ele, surpreso.
Miguel engole seco, a voz mais baixa agora.
— Ela estava doente. Sabia que eu não teria paciência para comprar nada.
— Então fez questão de deixar tudo organizado… para que eu não precisasse me preocupar com isso. — Miguel passa a mão no rosto, tentando se recompor. — São… algumas das poucas coisas que eu ainda tenho dela.
O clima muda completamente.
Mateus termina de apertar o pneu, visivelmente tocado.
Miguel solta um suspiro leve, tentando voltar ao normal.
— Enfim… eu poderia trocar a gravata, se quisesse.
Mateus dá um pequeno sorriso, respeitoso.
Ele se levanta.
— Pronto.
Miguel observa o trabalho.
— Obrigado.
Mateus limpa as mãos na calça.
Miguel, retomando o tom mais profissional:
— Teremos uma prova na segunda.
Mateus trava por um segundo.
Ao se mexer, sem perceber, deixa cair o gabarito no chão.
Miguel vê.
Ele se abaixa e pega.
— Você deixou cair isso.
Mateus vira rápido, um pouco tenso.
— Ah… obrigado.
Ele pega o papel rapidamente.
Miguel observa, mas não comenta.
— Quanto eu lhe devo?
Mateus balança a cabeça.
— Nada, sério.
Miguel faz um leve aceno.
— Então nos vemos na segunda. Boa sorte na prova.
Mateus segura o olhar dele por um segundo.
— Obrigado.
Mateus se vira e começa a ir embora.
Agora, com mais coisas na cabeça do que antes.
 
Mais tarde, Mateus está em seu quarto, ele pega o papel do gabarito.
Fica olhando.
Depois rasga e joga na lixeira.
Ele volta a estudar.
Mateus passa todo o final de semana estudando.
Na segunda-feira a turma está mais silenciosa do que o normal.
Alguns ainda reclamam da última prova.
Urso joga a mochila na cadeira.
Miguel entra na sala com uma pilha de folhas.
O barulho diminui.
— Bom dia.
— Guardem o material. Vamos começar.
Alguns alunos já fazem cara de desespero.
Miguel começa a entregar as folhas.
— Não acredito…
Mateus recebe a prova.
Ele olha e respira fundo.
Dessa vez, mais preparado.
Miguel termina de entregar.
Ele vai até a frente da sala.
— Ótimo, agora segurem as provas.
Todos pegam as provas.
Miguel, calmo:
— Agora rasguem.
Silêncio absoluto.
Alguns riem, achando que é brincadeira.
Miguel mantém o olhar firme.
Ninguém se mexe.
— Agora.
Relutantes, os alunos começam a rasgar.
O som do papel ecoa.
Mateus olha para a prova… hesita… mas rasga também.
Miguel observa, depois continua:
— Eu precisava confirmar uma coisa.
A turma presta atenção.
— Vocês sabem mais do que demonstraram na última avaliação.
Alguns alunos se entreolham.
— O problema não é só conteúdo. É como vocês pensam.
Ele vai até o quadro e escreve:
“O que você acha que o governo de Portugal deveria ter feito, durante o período colonial, para proteger as populações nativas?”
Miguel se vira.
— Essa será a avaliação. Usem exemplos da história. Argumentem. Compare. Não existe uma única resposta certa. Existe pensamento.
A sala fica mais séria.
Mateus olha para o quadro, focado.
 
No final, Mateus se aproxima da mesa do professor, segurando a prova.
Ele parece mais seguro do que antes, mas ainda um pouco tenso.
Mateus entrega a prova.
— Foi uma pergunta difícil… mas muito boa.
Miguel pega a prova, observando rapidamente.
— Acho que isso depende do quanto você estudou. Eu venho aplicando essa mesma prova há quinze anos.
Mateus ergue levemente as sobrancelhas.
— Alguns alunos, inclusive, já devem ter conseguido uma cópia dela.
Mateus solta um pequeno sorriso, meio sem graça.
— Sim… mas quem tem a cópia talvez acabe nem estudando. E aí perde a parte mais importante.
Miguel o observa com mais atenção agora.
— Eu estava pensando nisso.
Um breve silêncio, mais tranquilo.
Mateus coça a nuca, um pouco sem jeito.
— É uma pena que o senhor vá se aposentar este ano.
Miguel apoia a prova na mesa.
— O semestre ainda não acabou. Se você acha a história dos povos nativos difícil… espere até chegarmos à queda do Império.
Mateus sorri de verdade dessa vez.
— Acho que eu vou precisar estudar mais.
Miguel quase esboça um sorriso.
Mateus dá um passo para trás, já se despedindo.
— Aliás… belo terno.
Miguel olha para a própria roupa.
— É horrível.
Mateus dá um sorriso.
— É… mas fica bem no senhor.
Um pequeno silêncio.
Miguel não responde de imediato, mas o olhar suaviza.
Mateus faz um aceno leve com a cabeça e sai da sala.
Miguel fica ali por um instante, olhando a prova sobre a mesa.
 
Na hora do almoço, Luiza entra no banheiro, Luiza encontra Kamilly sentada em silêncio em uma das cabines.
Ela para ao ouvir um leve barulho vindo de uma cabine.
— Kamilly?
Luiza se aproxima.
— Eu sei que você está aí… Por favor, deixa eu falar com você.
Depois de alguns segundos, a porta da cabine se abre.
Kamillyestá sentada, olhos inchados, claramente abalada.
Ela encara Luiza, já na defensiva.
— O que você quer?
Luiza respira fundo, nervosa.
— Eu… eu preciso te explicar uma coisa.
Kamillycruza os braços.
— Explicar o quê?
Luiza engole seco.
— Fui eu quem começou isso. Mas eu não espalhei. Eu só comentei com a Manu… eu não achei que...
Kamilly se levanta de repente.
— Isso não faz diferença nenhuma!
A voz dela ecoa no banheiro.
Luiza recua um pouco.
Kamilly continua, com raiva acumulada:
— Você faz ideia do que estão falando de mim? Por que você pensaria que eu faria uma coisa dessas com o professor Rocky?
Luiza tenta responder, mas hesita.
— Eu… eu vi vocês dois juntos. Ele estava com o braço em volta de você… e depois te deu um bilhete.
Kamilly solta uma risada curta, amarga.
— Então você decidiu imaginar o resto?
Luiza abaixa o olhar, culpada.
— Eu fiquei preocupada…
Kamilly tira um papel dobrado do bolso.
— Era isso.
Ela estende o bilhete.
Luiza pega, com cuidado.
Desdobra.
Lê.
“Discalculia.”
Luiza franze a testa.
— O que é isso?
Kamilly respira fundo, tentando se controlar.
— É um transtorno de aprendizagem. Tipo dislexia… só que com números.
Silêncio.
Luiza olha para ela, surpresa.
Kamilly continua, mais baixa agora:
— Eu tenho dificuldade com matemática. O professor Rocky só estava me ajudando… e tentando me acalmar.
Luiza absorve aquilo.
— Então… não tinha nada...
Kamilly interrompe, firme:
— Não!
A voz dela falha.
— Mas agora todo mundo acha que tem.
Silêncio pesado.
Luiza dá um passo mais perto.
— Por que você não falou isso antes?
Kamilly ri, mas com tristeza.
— Porque eu tenho vergonha. Você não sabe como é se sentir burra.
Luiza responde na hora.
— Você não é burra.
Kamilly encara ela. Luiza continua, firme:
— Você é uma das pessoas mais inteligentes da escola. Isso não muda nada.
Kamilly desvia o olhar.
— Para mim, muda.
Ela aperta o papel na mão.
— Eu não contei para ninguém porque eu preciso ser a melhor que eu puder. É importante para mim.
Luiza fica visivelmente abalada.
— Kamilly, me desculpe mesmo. Tem alguma coisa que eu possa fazer para ajudar?
Kamilly olha para ela. O tom fica mais duro.
— Não, Luiza? Volte a salvar florestas tropicais e baleias, porque quando se trata de pessoas, você é péssima!
Luiza não responde.
Kamilly fecha a porta da cabine.
Luiza fica ali, parada.
Agora sabendo a verdade.
E lidando com a culpa.

Sinopse Próximo Capítulo – Sexta-Feira 

Gaby, tem uma queda por Rick há algum tempo, e quando ele finalmente a convida para sair em uma sexta-feira à noite, ela não sabe se é apenas “uma coisa de amigos ou de casal”. Enquanto isso, John e Urso recebem detenção de uma estressada professora Jéssica. Irritados com sua atitude rígida, eles juram vingança.
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Atualizado em: Seg 10 Ago 2026

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