- Crônicas
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Falhas
Dois velhos conhecidos encontram-se e trocam saberes sobre a vida.
- Da última vez em que nos encontramos, falamos de golpes pelo telefone e pela internet. Vi que há outros golpes acontecendo livremente.
- É mesmo? E nós, idosos, podemos ser vítimas preferenciais?
- É um golpe democrático, desenvolvido para atingir qualquer um. Os envolvidos negam que seja golpe; preferem chamá-lo de falha. Ou erro.
- Agora fiquei curioso. Como é esse golpe chamado de falha ou erro?
- Ocorre num local que todos nós frequentamos: supermercados. O preço anunciado difere do preço no sistema, quando o código de barras é lido.
- Já sei. O preço real, o do código de barras, é sempre maior que o anunciado.
- Bingo! O alvo favorito são os produtos em oferta. Uma marca de café custa 35 reais, mas está por 27. Ao passar no caixa, o preço computado é o cheio, 35.
- E a gente não se dá conta disso. A gente não fica conferindo os valores.
- Exatamente. Esse é o elo frágil da corrente do golpe. O cliente confia no preço anunciado, leva o produto, mas acaba pagando o preço cheio.
- E se o cliente descobre, estornam o cobrado a mais e alegam que foi falha de algum operador que não removeu o cartaz anunciando a oferta, certo?
- Exatamente! Sabe como a gente se previne desse golpe? Checando os preços naqueles terminais espalhados pelo supermercado.
- Esses terminais leem o código de barras e informam o preço que está no sistema. Mas, o que você faz quando encontra divergência?
- Eu removo a etiqueta e apresento-a ao fiscal para obter o desconto. O melhor é remover a etiqueta, pois o fiscal pode removê-la e alegar que o cliente se enganou e a gente acaba não tendo provas. Esse golpe está institucionalizado.
- Eu gosto de ir ao autoatendimento em que eu mesmo verifico o que é registrado. Acabo resolvendo os desvios lá mesmo.
- Nossa cultura moral mente, engana, explora. Perdemos os brios...
Atualizado em: Dom 9 Ago 2026
