- Crônicas
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Golpes
Dois velhos conhecidos encontram-se e trocam saberes sobre a vida.
- Você deve receber ligações de golpistas também, certo?
- Eram a maioria absoluta, mas eu encontrei um jeito de me proteger.
- É mesmo? Eu atendo, não digo nada e bloqueio a ligação.
- Não resolve. Vou explicar-lhe o porquê. Aprendi isso com um especialista e funciona. As ligações são feitas por robôs e bloqueá-las não evita nova ligação.
- E o que você faz que resolve?
- Seu celular toca e você vê que o número não está nos seus contatos. Não atenda; deixe tocar até parar, o que ocorre depois do quinto ou sexto toque.
- Eu fiz isso uma vez e logo na sequência veio outra ligação, com outro número. Esse eu atendi e bloqueei.
- Não atenda a segunda chamada. Deixe-a tocar até parar. Se incomodar, abaixe só o volume. Depois de duas tentativas o robô entende que o número está indisponível e o remove do cadastro.
- É mesmo? Vou fazer essa experiência. Ao atender, eu já sabia que não devia dizer nada, nem “sim!”, nem “alô?”. Minha voz poderia ser clonada para golpes.
- Isso está correto. Alguns vigaristas mais ousados fazem chamadas de vídeo para capturar a sua imagem e utilizá-la em reconhecimento facial.
- Estão cada vez mais sofisticados, esses pilantras. Mas isso já era esperado com o avanço dos recursos tecnológicos. Agora, precisamos nos proteger.
- Exatamente. Eu recebia ligações do meu gerente do banco, com logo e foto dele só que um suposto assistente é que falava em nome dele.
- Mas você não chegou a cair num desses golpes, não?
- Não, porque, apesar dos avanços tecnológicos, a parte humana é desempenhada por amadores e fica bem fácil desconfiar de que não se trata de funcionários do banco. Ganha a preguiça de fazer um golpe bem-feito.
- O segredo é deixar tocar, sem atender. O robô nos remove do cadastro!
Atualizado em: Dom 9 Ago 2026
