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entrejeitos
ando por aí como quem tem absoluta certezade que sabe exatamente onde meu corpo tocou o chão
cada passo, tropeço e queda
repetidas vezes
mais do que consigo contar
e é curioso
passei pelas mesma ruas, mesmas esquinas
mesmas vielas,
tantas vezes
como quem buscar si entender cada vez mais
e mostrar pra quem acompanha
uma exposição
limitada
tempo e acesso
sobre o que sou, o que fui e quem deixei de ser
não se vende ingresso
nem compra de cambista
o valor, nem preço tem
guio
mostro
explico
ilustro
ainda assim me sobra tempo para observar
sozinho
que mesmo os caminhos que me repeti
nunca pisei nos mesmos lugares
tem sempre algo que mexe nos meus pés
que me tira o equilíbrio
um brilho diferente
um jeito único
e as curvas
que faço questão de me demorar
esquecer como se faz pra voltar
e ficar
preso no brilho
nas curvas
e no calor que emana dos corpos
da chuva que regam o solo
fazendo flores e borboletas florescerem
sem procurar jeitos de voltar
calçadas, cruzamentos e asfalto sem sinalização
diferentes materiais e texturas
posso não saber me equilibrar
mas a intensidade que mora em mim
não me deixa parar
06/07/2026
Atualizado em: Dom 9 Ago 2026
