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maturação

dentre todos os abismos
que me cercam, o seu
entre todos os sóis
um pouco, cada dia mais, seu
já as distâncias, a nossa
mas essa, eu mesmo, nem queria

o brilho intenso
as curvas afrouxeadas e até involuntárias
as descobertas do dia a dia
da beleza de deixar ser e ver-se vulnerável
que tiram de mim, as palavras
se concentram em meu rosto

e no paradoxo entre
a segurança da reciprocidade
e a insegurança do medo da insuficiência e da intensidade
transbordo
o que você vê e espero que consiga sentir

que do seus abismos
quero saber a profundidade,
os caminhos pra que a gente não se machuque
e até, quem sabe
fiquem mais rasos

dos meus abismos
quero que os conheça
e saiba
uso das minhas forças
para que meus espinhos
não te façam sangrar

pois nem tudo que é profundo é bonito
nem toda a dor não cicatrizada significa incerteza
mas todo o toque com gosto, no ritmo e no tempo certo ao tocar o outro
cura
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Atualizado em: Dom 9 Ago 2026

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