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Grasso: A Próxima Geração 109 – Quero Te Encontrar

John acompanha Gaby, Stefy e Sophia até a escola. Ele está claramente animado, andando um pouco à frente e virando o corpo para falar com elas.
— Meninas, não se esqueçam que meu aniversário está chegando, tá?
Gaby cruza os braços e levanta uma sobrancelha.
— Sério? Como a gente esqueceria? Você só fala disso.
Ele ri, sem se ofender.
— É porque, quando eu fizer 14 anos, eu vou virar o cara.
Stefy solta um riso curto.
— Ah, claro… o grande acontecimento do ano.
Stefy olha para ele, curiosa.
— E aí, o que sua mãe vai fazer este ano, John?
Ele olha para ela, com um sorriso meio orgulhoso.
— Ela disse que vai fazer lagosta.
Stefy e Sophia trocam um olhar rápido, quase automático. As duas sabem que os pais dele vivem ocupados e raramente estão em casa.
Gaby percebe o silêncio e tenta quebrar o clima.
— Lagosta? Legal, hein.
John sorri ainda mais, animado com a reação.
— Pois é. Vai ser incrível.
Quando chegam ao portão da escola, John se aproxima de Sophia e dá um beijo rápido nela.
— Te vejo depois, tá?
— Tá — ela respondeu, sem muito entusiasmo.
Ele acena para as outras e sai andando.
Assim que ele se afasta, Sophia revira os olhos.
Gaby olha para ela, confusa.
— Nossa, o que foi isso?
Stefy cruza os braços, já percebendo.
— Você tá irritada com ele?
Sophia solta um suspiro longo.
— Ele jantou lá em casa oito noites seguidas. Oito! Parece que ele não tem outro lugar pra ir.
Gaby inclina a cabeça.
— E isso é tão ruim assim?
Sophia olha para ela, incrédula.
— Claro que é. Isso é péssimo.
Ela começa a andar em direção à entrada, as amigas logo atrás.
— Não tem nada pior do que um namorado grudento. Sério.
Stefy ri de leve.
— Relaxa, pelo menos ele gosta de você.
Sophia dá um sorriso, mas ainda incomodada.
— Às vezes, gosta até demais.
Gaby cutuca Stefy, cochichando:
— Aposto que daqui a pouco ela tá com saudade.
Sophia escuta e revira os olhos de novo.
— Nem começa, Gaby.
As três entram na escola, misturando-se com o movimento dos outros alunos.

Personagens Principais 
Gaby Merino
Mateus Merino
Luiza Souza
John Doho
Stefy Prioste
Sophia Rodrigues
André Kimmich
Edu Mariano 
JP Djanikian
Giovanna Kuhlmann
Rick dos Anjos 
Daniel Fernandes 
 
Do lado de fora da escola, Gaby, Stefy, Giovanna e Sophia estão sentadas, reunidas em volta de um celular, respondendo a uma pesquisa online sobre garotos.
Stefy lê a próxima pergunta em voz alta, com um tom meio teatral:
— Quando você vê um garoto, você sente: A) indiferença; B) náusea; C) alívio; ou D) que o mundo parou?
Sophia responde na hora, sem nem pensar:
— C, com certeza.
Giovanna vira o rosto para ela, surpresa.
— O quê? Seu namorado não faz seu coração bater mais rápido?
Sophia dá um sorrisinho de canto, meio irônico.
Nesse momento, John aparece com Urso e Mateus. Ele se senta ao lado dela.
Sophia nem disfarça o incômodo e olha direto para John.
— John, por que você não vai jogar futebol com seus amigos? A gente tá conversando.
Mateus dá um leve empurrão no ombro de John.
— Ei, vamos logo. O técnico quer falar com o time antes da aula.
John ignora o comentário e passa o braço pelos ombros de Sophia, puxando-a para perto.
— E perder a chance de ouvir os pensamentos da minha namorada? Nem pensar.
Sophia fica um pouco séria, o sorriso desaparecendo.
Ele não percebe e a puxa ainda mais para perto.
— Então… vamos jantar juntos de novo hoje à noite?
Sophia se afasta levemente e olha para ele.
— Hoje à noite? Não vai dar. — Ela olha para as amigas. — Eu, a Gaby e a Stefy planejamos uma noite das garotas.
Gaby sorri, dando cobertura.
— Sim, é verdade!
Stefy entra na brincadeira:
— Sem meninos. Regra número um.
John dá um sorriso meio sem graça, mas tenta manter o bom humor.
— Noite das garotos? Legal.
Ele se levanta.
— Depois a gente se fala.
— Tá — responde Sophia, mais neutra.
John sai com Urso e Mateus.
 
Na aula de informática e mídia digital.
Luiza está concentrada, olhando para o computador. Ela alterna entre anotações e um site de ciências, visivelmente focada.
Manu está ao lado dela, meio distraída, mexendo no celular.
JP se inclina entre as duas, falando baixo, mas empolgado.
— Ei, vocês não vão acreditar… achei um site de horóscopo muito bom.
Luiza nem olha para ele.
— JP, eu tô estudando pra prova.
Manu se interessa na hora e se aproxima mais.
— Sério? Deixa eu ver!
JP gira o monitor um pouco na direção dela.
— Olha isso. Ele faz mapa astral completo.
Manu abre um sorriso, animada.
— Faz o meu! Espera… eu sei tudo. Nasci em 15 de agosto, em Santa Cruz, Bolívia, às 8h30 da manhã.
Luiza tenta manter o foco, mas começa a se irritar com a conversa paralela.
— Manu… você lembra qual é a ordem dos planetas mesmo?
Manu nem responde, ainda olhando para a tela.
— Coloca aí, 8h30. Não esquece!
JP digita rápido.
— Calma, tô colocando.
Luiza fecha os olhos por um segundo, respirando fundo.
— Manu, é sério. Eu preciso estudar.
Manu levanta a mão, pedindo um segundo, sem olhar para ela.
— Já vou, só um minuto.
JP ri, empolgado com o resultado.
— Olha isso! Tá dizendo que você é super emocional e dramática.
Manu arregala os olhos.
— Mentira! Deixa eu ver!
Os dois se aproximam mais da tela, ignorando completamente Luiza.
Luiza aperta a caneta com força, claramente irritada.
— Manu, qual é o planeta depois de Marte?
Silêncio.
Os dois continuam rindo baixo.
Luiza perde a paciência. Fecha o caderno com força.
— Dá pra parar um pouco?!
Alguns alunos olham na direção deles.
JP e Manu se assustam.
— Eu não consigo me concentrar com vocês falando disso toda hora!
Manu faz uma expressão de culpa.
Luiza se levanta rapidamente.
— Não, sério. Eu só quero estudar. — Ela segura o braço de Manu e a puxa levemente. — Vem. A gente vai sentar em outro lugar.
Manu olha para JP, meio sem graça.
As duas se afastam para outra mesa.
JP fica sozinho, encara a tela.
 
No almoço, Mateus, Rick e John estão na quadra do pátio jogando basquete. O som da bola quicando se mistura com o barulho dos outros alunos ao redor.
Mateus dribla, se posiciona e arremessa de longe. A bola passa limpa pela cesta.
— Três pontos!
John abre um sorriso, impressionado.
— Cara, você joga muito, sério.
Mateus dá um sorriso sem graça, pegando a bola de volta.
— Queria ser tão bom quanto o meu irmão.
John franze a testa, curioso.
— Seu irmão?
Mateus assente com a cabeça.
— É. Ele mora em São Paulo. Minha mãe teve ele quando tinha 16 anos, antes de conhecer o meu pai.
John se aproxima um pouco mais, interessado.
— E ele não quis vir pra Prudente com vocês?
Mateus balança a cabeça, enquanto gira a bola nas mãos.
— Não. Ele tem um emprego bom lá, faz faculdade… e ainda tem uma namorada muito bonita.
John solta um riso.
— Ah, uma namorada? Então é claro que ele não ia vir.
Rick chega perto dos dois e joga a bola de leve em direção a Mateus.
— Vocês vão jogar ou abrir um podcast aí?
Mateus segura a bola, rindo de canto.
— Calma aí.
Ele olha de novo para John.
— Ah, e tem mais uma coisa… meu irmão foi capitão do time de basquete no colégio.
Rick dá de ombros, já impaciente.
— Tá, legal. Agora para de falar e joga logo.
John ri, entrando no clima.
— Vamos lá. Quero ver se você é tudo isso mesmo.
Mateus sorri, mais confiante agora.
— Se prepara.
Ele volta a driblar e parte pra jogada, enquanto Rick tenta roubar a bola e John se posiciona para defender.
 
Luiza e Manu estão sentadas em um banco, Luiza está claramente frustrada.
— Não acredito… fui mal.
Manu se inclina.
— Como assim “fui mal”? Você estudou a noite inteira.
Luiza passa a mão no cabelo, nervosa.
— Eu estava contando com a manhã pra revisar, mas… — ela olha de leve para Manu — Mas algumas pessoas estavam mais interessadas em horóscopo.
Manu revira os olhos, mas sorri.
— Tá bom, exagerei. Mas você também leva tudo muito a sério.
Luiza fecha o caderno com firmeza.
— Claro que levo. Eu quero passar numa universidade boa. — Ela cruza os braços, mais determinada. — Eu não quero ficar sabendo só de signo e horóscopo. Quero aprender de verdade.
Manu inclina a cabeça, meio provocando, mas sem maldade.
— Nossa, que profunda.
Luiza dá um leve suspiro.
— Eu só… não queria ter ido mal depois de estudar tanto.
Manu suaviza o tom.
— Uma prova não define nada, Luiza. Ainda tem várias pela frente.
Luiza concorda, mais tranquila agora
 
Depois da aula de português, Mateus, Rick e John saem juntos da sala, com mochilas nas costas.
Rick ainda parece meio entediado.
— Sério, eu não entendo metade do que aquela professora fala.
Mateus ri de leve.
— Nem é tão difícil assim. Difícil é a aula da turma avançada que a Gaby faz.
Rick olha pra ele, incrédulo.
— E você entendeu tudo, né?
Mateus sorri, meio sem graça.
— Mais ou menos.
John entra na conversa, animado.
— Eu só sei que, se cair redação, eu tô ferrado.
Rick solta um riso.
— “Ferrado” é pouco.
John faz uma cara dramática.
— Eu escrevo três linhas e já acabo com todos os argumentos possíveis.
Mateus ri.
— Três linhas não são argumentos, John.
John aponta pra ele, como se estivesse defendendo sua honra.
— São sim. É objetividade.
Rick balança a cabeça, rindo.
— Isso não é objetividade, é preguiça.
Eles continuam andando pelo corredor, desviando de outros alunos.
John pensa por um segundo, depois sorri, como se tivesse tido uma grande ideia.
— Já sei. Na próxima redação, eu vou escrever: “Como diria um grande pensador…” e invento o resto.
Mateus franze a testa.
— Você vai inventar um pensador?
John sorri, confiante.
— Ninguém vai conferir.
Rick ri alto.
— Vai nessa. Quero ver sua cara quando a professora perguntar quem é.
John responde na mesma hora, sem perder o ritmo:
— Fácil. Eu digo que ele é pouco conhecido… porque eu acabei de descobrir.
Os três riem.
Os três seguem juntos pelo corredor, rindo.
 
Mais tarde, Mateus, Urso, Rick e John estão no meio de uma partida de basquete. O clima é mais descontraído do que competitivo.
Mateus dribla, gira o corpo e faz uma bandeja. A bola cai na cesta.
— Boa! Finalmente acertou — disse Rick.
Mateus revira os olhos, sorrindo.
— Finalmente? Eu já fiz vários.
John pega a bola e se prepara para jogar.
De repente, uma voz chama da lateral da quadra.
— Mateus!
Mateus para na hora. Ele olha na direção do portão da quadra, confuso por um segundo… até reconhecer.
O rosto dele muda completamente, abrindo um sorriso grande.
— Guto?!
Ele larga a bola e corre até o irmão. Os dois se abraçam com força.
— Cara, o que você tá fazendo aqui?
Guto ri, dando um tapinha nas costas dele.
— Tirei umas férias do trabalho. Resolvi vir pra Prudente finalmente conhecer a casa nova de vocês.
Mateus ainda parece meio sem acreditar.
— Você nem avisou!
— Se eu avisasse, não tinha graça.
Rick e John se aproximam, curiosos.
— Esse é o meu irmão, Guto.
Guto acena de leve, simpático.
— E aí.
— Então você é o famoso irmão — disse Rick 
John sorri, entrando na brincadeira.
— O capitão do time de basquete, né?
Guto olha para Mateus, com um sorriso.
— Ele andou falando de mim por aí?
Mateus dá de ombros, meio sem graça.
— Só a verdade.
Guto cruza os braços, analisando a quadra.
— E aí, vocês jogam mesmo ou é só conversa?
Rick pega a bola e joga para ele.
— Descobre.
Guto segura a bola com facilidade, já entrando no clima.
— Gostei.
Mateus volta para a quadra, agora ainda mais animado.
John se posiciona, empolgado.
— Quero ver se o seu irmão é tudo isso mesmo.
Guto começa a driblar com confiança, mostrando habilidade logo nos primeiros movimentos.
Mateus observa por um segundo, claramente admirado… e motivado.
— Agora sim.
A partida recomeça, mais intensa, com risadas, provocações e energia renovada.
O sol continua baixando enquanto eles jogam.
 
Luiza assiste uma novela no auge de uma cena triste, com música intensa ao fundo.
Luiza está jogada no sofá, abraçando uma almofada. Os olhos estão cheios de lágrimas. Ela tenta segurar o choro… mas não consegue.
Na TV, um personagem sofre uma decepção amorosa.
Luiza limpa o rosto com a manga da blusa, fungando.
— Não faz isso com ela…
A porta da sala se abre devagar. Amanda entra, tirando o sapato, e logo percebe a cena.
Ela olha para a TV, depois para a filha, e segura um sorriso de leve.
— Ih… cena triste?
Luiza não responde, só balança a cabeça, ainda chorando.
Amanda se senta ao lado dela no sofá.
— Filha, essas novelas são feitas pra isso mesmo… pra deixar a gente mexida.
Luiza solta um suspiro, enxugando as lágrimas.
— Mas é injusto… tava tudo dando certo.
Amanda ri de leve, pegando um lenço e entregando pra ela.
— Claro que tava. Aí eles vão lá e complicam tudo… senão ninguém assistia.
Luiza dá um sorriso, ainda abatida.
— Eu fico muito envolvida nessas coisas.
Amanda passa o braço pelos ombros dela, aconchegando.
— Eu sei. Você sempre foi assim.
Ela observa a TV por um instante, depois volta a olhar para a filha.
— Quer se distrair um pouco?
Luiza olha para ela, curiosa.
— Como?
Amanda levanta levemente as sobrancelhas, com um sorriso sugestivo.
— Que tal a gente dar uma volta no shopping? Comer alguma coisa, olhar umas lojas...
Luiza hesita por um segundo, olhando de volta para a TV… onde a cena continua dramática.
Ela faz uma careta.
— Acho que eu preciso mesmo.
Amanda se levanta, animando o clima.
— Então vai lá trocar de roupa. Nada de sair com cara de novela triste.
Luiza ri de leve, se levantando.
— Tá bom.
Ela dá uma última olhada para a TV e pega o controle, desligando.
— Depois eu vejo o resto…
Amanda já está pegando a bolsa.
— E, se tiver mais sofrimento, a gente assiste com pipoca. Fica melhor.
Luiza sorri, mais leve agora.
 
Mais tarde, a quadra está quase vazia. O céu já começa a escurecer. O som da bola quicando ecoa no espaço mais silencioso.
Só Mateus e Guto continuam jogando.
Guto dribla com calma, observa Mateus e faz um movimento rápido. Ele arremessa de longe.
A bola entra limpa na cesta.
— Última.
Mateus coloca as mãos na cintura, ofegante, mas sorrindo.
— Você fez isso de propósito.
Guto dá de ombros, pegando a bola.
— Claro.
Mateus ri, balançando a cabeça.
— Continua se achando.
Guto se aproxima e joga a bola de leve para ele.
— E você continua reclamando.
Mateus segura a bola, ainda animado.
— Você ainda joga muito.
Guto observa o irmão por um instante, com um olhar mais sincero.
— E você melhorou bastante.
Mateus dá um meio sorriso, satisfeito com o comentário.
Um silêncio confortável se instala por alguns segundos.
Guto olha ao redor, percebendo a quadra vazia.
— Vamos pra casa, quero ver a Gaby. — Guto gira as chaves do carro na mão. — Vamos.
Ele pega a mochila jogada no chão e joga nas costas.
— Vamos.
Guto pega a bola e caminha ao lado dele, em direção à saída da quadra.
Eles saem da quadra juntos, conversando.
 
No shopping, Luiza e Amanda caminham lado a lado, cada uma com um sorvete na mão. Elas parecem mais leves depois das compras.
— Eu ainda não acredito que você deixou eu levar aquela blusa.
Amanda sorri.
— Você precisava de um ânimo depois daquele drama todo.
Luiza ri, dando uma lambida no sorvete.
— Funcionou.
Elas continuam andando em direção à saída.
Um homem passa por elas no sentido contrário. Ao cruzar, ele olha para Amanda e faz um comentário inconveniente.
Amanda para na hora.
O sorriso desaparece.
Ela se vira, firme.
— Ei.
O homem para, surpreso.
— Não fala assim com mulheres.
Ele levanta as mãos, meio sem graça.
— Calma, foi só uma brincadeira.
Amanda mantém o olhar firme.
— Não é brincadeira. Isso é desrespeitoso. Esse tipo de comentário é invasivo, assustador… e faz a gente se sentir mal.
Luiza observa tudo, um pouco tensa, segurando o sorvete com mais força.
O homem evita contato visual, claramente envergonhado.
Ele se afasta rapidamente, sem olhar para trás.
Amanda respira fundo, se acalmando. Ela então se vira para Luiza.
— Você nunca deve deixar nenhum homem falar com você desse jeito.
Luiza concorda, pensativa.
As duas continuam andando, enquanto o movimento do shopping continua ao redor.
 
O carro para em frente à casa. A rua está tranquila, iluminada por postes.
Guto desliga o motor. Por um instante, nenhum dos dois fala.
Mateus tira o cinto e pega a mochila no banco de trás.
— Valeu pela carona.
Guto não responde de imediato. Ele encara a frente, pensativo.
Mateus percebe o silêncio e olha para ele.
— Que foi?
Guto solta o ar devagar, como se estivesse criando coragem.
— Antes de a gente entrar… eu preciso te contar uma coisa.
Mateus franze a testa, já ficando curioso.
— Fala.
Guto passa a mão no rosto, meio tenso.
— Eu não tô de férias.
Mateus pisca, sem entender.
— Como assim?
Guto olha para ele, sério agora.
— Eu falei aquilo mais cedo porque… não sabia como começar.
Mateus endireita a postura no banco.
— Começar o quê?
Guto hesita por um segundo, depois fala direto:
— A Emilly tá grávida.
Mateus encara o irmão, processando.
— O quê?
Guto dá um sorriso nervoso.
— É… eu vou ser pai.
Mateus passa a mão pelo cabelo, ainda tentando entender.
— Caramba…
Ele fica em silêncio por um instante, olhando para frente.
— E… você veio contar isso agora?
Guto assente.
— Vim contar pra todo mundo. Pro papai, pra mamãe, pra Gaby… mas queria te falar primeiro.
Mateus olha de volta para ele.
— Você tá bem com isso?
Guto respira fundo.
— Tô… quer dizer… tô tentando ficar.
Ele solta uma risada curta, meio nervosa.
— Não era exatamente o plano.
Mateus deixa escapar um pequeno sorriso.
— Imagino.
Um silêncio mais leve se instala.
Mateus bate de leve no ombro do irmão.
— Mas… parabéns, né?
Guto olha para ele, surpreso.
Guto relaxa um pouco, sorrindo de verdade agora.
— Valeu.
 
Na casa de Sophia. A cozinha está iluminada, com o som da torneira aberta. Edu está na pia, lavando a louça.
Sophia, Gaby e Stefy estão sentadas à mesa, conversando em voz baixa.
De repente, a voz de John vem de fora, do portão.
— Sophia!
Sophia fecha os olhos por um segundo, claramente irritada.
Ela olha para Gaby e Stefy, sem paciência.
— Eu já estou cansada disso.
As duas a encaram.
Sophia continua.
— O John não pode simplesmente aparecer aqui pra jantar todas as noites.
Ela cruza os braços, incomodada.
— Eu tô me sentindo sufocada. Ter ele por perto o tempo todo tá me enlouquecendo.
Gaby troca um olhar com Stefy. Sophia continua.
— Ele tá em todo lugar. O tempo todo.
Stefy franze a testa, surpresa.
— Você não tá falando sério.
Sophia encara ela, firme.
— Tô, sim.
Do lado de fora, John chama de novo, um pouco mais alto:
— Sophia! Você tá aí?
Gaby olha para a porta, depois volta para Sophia.
— E o que você vai fazer?
Sophia solta um suspiro longo, passando a mão no cabelo.
— Sinceramente? A essa altura… eu já tô quase terminando com ele.
No mesmo instante, um barulho alto corta a conversa.
As três se viram rapidamente.
Edu está parado, olhando para elas, em choque. Um prato quebrado no chão, água ainda escorrendo da pia.
 
Na manhã seguinte o time de basquete está treinando no ginásio. O som de tênis arrastando no chão, bola quicando e o técnico dando instruções ao fundo.
Mateus está em quadra, mas claramente distraído. Ele recebe a bola… hesita… e erra o arremesso.
A bola bate no aro e sai.
Rick se aproxima.
— Ei! Que foi isso?
Mateus nem responde, só passa a mão no rosto.
O treino continua. Minutos depois, ele erra um passe simples.
Depois do treino Rick vem falar com ele.
— Tá tudo bem com você?
Mateus suspira, olhando pro chão.
— Tô… sei lá.
Rick cruza os braços, desconfiado.
— Você nunca joga assim. Tá estranho.
Mateus olha ao redor, conferindo se ninguém está prestando atenção.
— É o meu irmão.
Rick se aproxima um pouco.
— O Guto?
Mateus hesita por um segundo, mas diz:
— A namorada dele tá grávida. Ele veio contar isso pra gente.
Rick olha, impressionado.
— Caramba…
Mateus chuta de leve o chão, inquieto.
— Ele tenta fingir que tá tranquilo, mas dá pra ver que não tá.
Rick observa ele por um instante.
— E você?
Mateus dá de ombros.
— Tô feliz por ele… eu acho. Mas, sei lá, é muita coisa.
Rick concorda com a cabeça.
— É, não é pouca coisa mesmo.
O técnico apita ao fundo.
— Vamos, pessoal! Uma palavrinha rápido!
Rick dá um leve empurrão no ombro de Mateus.
— Depois você pensa nisso. Agora tenta focar aqui.
Mateus respira fundo, tentando se recompor.
— Vou tentar
 
O corredor está movimentado. Alunos passam conversando, rindo, abrindo e fechando armários.
O armário de John está todo decorado: balões presos com fita, alguns papéis coloridos e um “Feliz Aniversário” escrito à mão.
Edu se aproxima e para em frente ao armário, observando a decoração com um sorriso.
John chega logo depois, animado, carregando a mochila.
— Feliz aniversário, John.
John abre um sorriso na hora.
— Valeu, Edu.
Ele olha para o armário, orgulhoso.
— Ficou legal, né?
Edu assente.
— Ficou mesmo.
John abre o armário, ainda empolgado.
— E aí, conseguiu dominar aquele movimento de basquete que eu te ensinei?
Edu dá uma leve risada pelo nariz.
— Tô tentando. — Ele faz uma pausa, escolhendo as palavras. — Mas me diz uma coisa… você já pensou em deixar algo de lado por um tempo e voltar depois?
John para por um segundo, sem entender.
— Tipo o quê?
Edu desvia o olhar.
— Sei lá… quando você falou daquele lance no basquete. Que às vezes é melhor dar um tempo e tentar de novo depois.
John franze a testa, começando a juntar as peças.
— Por quê?
Ele encara Edu com mais atenção.
— A Sophia falou alguma coisa?
Edu sustenta o olhar por um instante… depois confirma com a cabeça.
— Falou.
John fica tenso na hora.
— E…?
Edu respira fundo, mantendo o tom calmo.
— Ela só precisa de um pouco de espaço.
John fecha a cara.
— Espaço?
Edu continua, cuidadoso.
— Ela disse que tá se sentindo meio sufocada. Que você tem estado muito presente o tempo todo.
O barulho do corredor parece diminuir para John. Ele encara o armário aberto, absorvendo.
John fica em silêncio por um segundo. A expressão muda de confusão pra frustração.
De repente, ele fecha a porta do armário com força.
Alguns alunos olham.
John pega a mochila, visivelmente irritado.
John sai andando rápido pelo corredor.
Edu fica parado, observando ele se afastar, um pouco preocupado.
Ele suspira, olhando de volta para o armário decorado.
O clima agora é bem diferente de antes.

Do lado de fora da escola, Luiza e Manu estão sentadas em um banco.
JP se aproxima, meio sem jeito, coçando a nuca.
— Ei… Luiza.
Ela olha para ele.
JP sorri, sem graça.
— Foi mal por atrapalhar você ontem. Eu nem pensei… você tava estudando e eu fiquei lá falando besteira.
Luiza fecha o caderno, mais leve.
— Não, tudo bem. Eu também fui meio grossa.
Os dois riem, meio sem graça.
Luiza inclina a cabeça, curiosa.
— Então… você ainda faz aqueles mapas astrais?
JP anima na hora.
— Faço, claro.
— Você pode fazer o meu?
— Posso sim.
Luiza sorri.
— Quer fazer agora?
JP dá de ombros, tranquilo.
— Pode ser. Melhor agora do que depois.
Luiza começa a se levantar.
No mesmo instante, Manu puxa ela de volta pelo braço.
— Luiza… espera.
Luiza olha para ela, confusa.
— O quê?
Manu olha discretamente para a saia dela.
— Lu. Você… sentou em alguma coisa?
Luiza franze a testa, sem entender.
Não. Por quê?
— Olha — disse Manu apontando com a cabeça.
Luiza leva a mão para a parte de trás da saia e olha. 
— O que eu faço?
Manu trava por um segundo, também sem saber.
— Eu… não sei. Isso nunca aconteceu comigo. Deveríamos comemorar.
Luiza olha confusa.
— Comemorar o quê, exatamente?
— Você se tornou uma mulher... Lu, você pode engravidar agora.
Luiza revira os olhos.
— Ah, ótimo. Podemos comemorar encontrando um banheiro para mim?
JP percebe que algo mudou e se inclina um pouco.
— Você vem?
Luiza evita olhar para ele.
— Eu não tenho tempo pra isso agora…
Manu age rápido. Ela pega um livro da mochila e posiciona atrás de Luiza, cobrindo a mancha.
— Pronto. Fica assim. A gente precisa ir ao banheiro. Agora.
Luiza assente rapidamente.
— Tá.
Ela se levanta com cuidado, segurando o livro atrás de si.
JP se afasta um pouco, ainda sem entender.
Manu segura no braço dela e as duas saem apressadas em direção ao prédio da escola.
 
Sophia está com Gaby e Stefy, falando mais baixo, claramente incomodada.
— Eu não posso terminar com ele hoje.
Gaby cruza os braços.
— Por quê?
— Porque é o aniversário dele, né? Ia ser muito cruel.
Stefy inclina a cabeça.
— Mas você vai ficar enrolando então?
Sophia suspira, passando a mão no cabelo.
— Eu não sei… só sei que hoje não dá.
Gaby observa ela com atenção.
— Você já decidiu que quer terminar?
Sophia hesita por um segundo.
— Eu… acho que sim.
Antes que continuem, John aparece, um pouco mais sério do que o normal.
— Sophia.
As três olham para ele.
Sophia se ajeita, tentando parecer normal.
— Oi.
John coloca as mãos no bolso, meio tenso.
— Você não precisa ir lá em casa hoje à noite.
Sophia se surpreende.
— Como assim? É seu aniversário.
— Não faz diferença — ele respondeu.
Gaby e Stefy trocam um olhar discreto.
Sophia dá um passo mais perto dele.
— Claro que faz. Eu vou, sim.
John encara ela, tentando entender.
— Você tem certeza?
Sophia sustenta o olhar.
— Tenho.
Um pequeno silêncio. John apenas assente, sem muita reação.
— Tá bom.
Ele se afasta, ainda estranho.
Sophia observa ele ir embora por um segundo, meio mexida… Ela vê Edu e vai falar com ele.
— Edu, eu não vou jantar em casa hoje.
— Vai pra onde?
— Pra casa do John. É aniversário dele.
Edu observa ela com um olhar mais sério.
— Você tem certeza que isso faz sentido?
Sophia já se irrita.
— Como assim?
Edu suspira, mas fala direto.
— Não adianta ir, se você já decidiu terminar com ele.
Sophia trava por um segundo, surpresa… e irritada.
Ela se afasta.
Edu fica parado, observando ela ir embora, preocupado.
 
Enquanto isso, Luiza e Manu estão no banheiro.
Luiza vai direto para o espelho, tentando ver a situação.
— Manu, a gente tem apresentação hoje… eu não posso ir assim!
Manu apoia as mãos na pia.
— A gente dá um jeito, relaxa. — Ela faz uma pausa, meio sem graça. — Tá… agora faz sentido.
Luiza olha para ela, confusa.
— O quê?
— O motivo de seu mau humor enquanto estudava para a prova de ciências foi a TPM.
Luiza arregala os olhos, ainda mais nervosa.
— Eu não posso fazer a apresentação com essa mancha!
Manu pensa rápido.
— Você tem um short de ginástica? Ou uma jaqueta pra amarrar?
Luiza balança a cabeça, desesperada.
— Não! Tá muito calor, eu nem trouxe jaqueta… e o short eu deixei em casa pra lavar.
Manu desvia o olhar, pensando.
— Tá… fica aqui. Eu vou tentar resolver.
Ela sai rápido do banheiro.
Luiza vai até a pia e pega papel, tentando limpar a saia, cada vez mais tensa.
A porta se abre. Giovanna entra, mexendo no celular… até notar Luiza.
Ela para e olha melhor.
— Ih… — disse Giovanna com um leve tom provocativo — Sua “amiga” resolveu aparecer, foi?
Luiza fecha os olhos por um segundo, constrangida.
— É a primeira vez… isso nunca aconteceu antes.
O tom de Giovanna muda, ficando mais suave.
— Relaxa. Acontece. — ela caminha até uma das cabines. — Vem aqui.
Luiza hesita, mas vai para outra cabine ao lado.
— Eu tenho um absorvente, se você precisar. Você poderia pegar um no escritório, mas seria meio chato.
Luiza faz uma careta.
— Credo! Imagina só, “Daniel, posso pegar um absorvente?’”
Giovanna sorri.
— Ei, agora você pode colocar silicone.
Luiza suspira irritada 
— Como se eu quisesse silicone.
Giovanna passa o absorvente por baixo da divisória.
Luiza pega com cuidado.
— Eu não tô pronta pra isso… eu gostava de ser criança.
Giovanna dá uma risadinha leve.
— Você ainda pode ser, no coração. Só vai mudando aos poucos.
Luiza fica em silêncio, absorvendo.
Giovanna continua.
— Não precisa virar adulta de um dia pro outro.
Luiza solta um pequeno suspiro, mais calma.
Giovanna sai da cabine, lava as mãos e dá um último olhar tranquilo para Luiza.
Ela sai do banheiro.
Luiza continua se ajeitando, ainda um pouco nervosa, mas mais controlada.
A porta se abre de novo, dessa vez com pressa.
Manu entra, carregando várias coisas: papel, uma muda de roupa e lenços umedecidos.
— Voltei!
Luiza olha, surpresa.
— De onde você tirou tudo isso?
— Longa história. Depois eu conto.
Manu ajuda Luiza a se limpar e trocar de roupa, com cuidado.
 
A turma está sentada. Alguns alunos conversam baixo. A professora Jéssica está à frente, organizando os papéis.
A porta se abre rapidamente.
Luiza e Manu entram, um pouco ofegantes.
Luiza está usando um short de ginástica largo.
Alguns alunos já começam a notar.
A professora olha séria.
— Luiza, Manu… vocês estão atrasadas.
Luiza tenta se recompor.
— Desculpa, professora… a gente teve uma pequena emergência.
Manu assente rapidamente.
— Foi rápido, mas não deu pra evitar.
A professora observa por um segundo… depois aponta para a frente da sala.
— Tudo bem. Então comecem a apresentação agora.
As duas vão até a frente.
Enquanto isso, Edu e JP trocam olhares e seguram o riso ao perceberem a roupa de Luiza.
E aí, pessoal! A Luiza está na área vestindo um saco de batatas! Edu tenta não rir.
Alguns alunos riem.
Luiza respira fundo e começa.
— Bom… a gente vai apresentar o livro… Ele fala sobre…
Os alunos ficam rindo.
A professora olha sério.
— Silêncio, por favor.
A sala se acalma… por alguns segundos.
JP não se segura.
— Sério, isso é parte do trabalho?
Alguns risos de novo.
Manu olha feio para ele.
— Dá pra parar?
Luiza tenta ignorar e continuar.
— Como eu estava dizendo…
JP solta mais uma.
— Nossa, a Luiza fez xixi nas calças?
Mais risadas.
Luiza para e respira fundo.
Olha direto para JP… e depois para a sala inteira.
Ela endireita a postura.
Não, eu só menstruei pela primeira vez. — Os olhos de JP e Edu se arregalam em surpresa. — Sabe, menstruação? Algo que acontece com cerca de 50% da população. Perfeitamente normal, nada para se envergonhar, certo, professora Jéssica?
A professora sorri orgulhosa.
— Exatamente, Luiza.
A sala inteira fica quieta.
Manu observa, orgulhosa.
A professora Jéssica também, com um leve sorriso de aprovação.
Luiza respira fundo… e retoma:
— Enfim… o livro fala sobre…
Ela continua a apresentação, agora mais firme.
JP abaixa o olhar, claramente sem graça.
Edu permanece quieto, impressionado.
O clima mudou completamente.
A atenção da turma agora está nela.
 
Mais tarde depois da aula Mateus está sozinho na quadra, driblando devagar. Ele para, mira… arremessa.
A bola bate no aro e sai.
Ele suspira, pega o rebote e tenta de novo.
Dessa vez, a bola entra.
Ele não comemora. Só pega a bola e continua.
Depois de mais alguns arremessos, ele para no meio da quadra, apoiando as mãos nos joelhos.
Respira fundo.
Ele vai até a lateral da quadra bebe um pouco de água e olha a hora no celular, então arruma suas coisas e vai.
 
Enquanto isso, John e Sophia chegam à casa dele e não encontram ninguém. 
Sophia olha para ele.
— Seus pais não estão?
John já pega o celular, destravando rápido.
— Devem estar… sei lá.
Ele abre as mensagens. A expressão muda na hora.
Sophia percebe.
— O que foi?
John mostra o celular, sem muito ânimo.
— Eles vão trabalhar até tarde… não vão chegar a tempo.
Sophia faz uma careta de decepção.
Ele joga o celular no sofá.
— Vou pedir uma pizza.
Sophia se aproxima um pouco.
— A gente pode ir lá pra casa e jantar lá, se você quiser.
John fica em silêncio por um segundo. Depois solta, mais seco:
— Acho melhor a gente terminar logo.
Sophia trava, sem entender.
— O quê?
John evita olhar direto pra ela.
— Isso aqui… a gente.
Sophia dá um passo mais perto, confusa.
— Por que você tá falando isso?
John respira fundo, segurando a irritação.
— Porque o Edu já falou tudo.
Sophia franze a testa.
— O Edu?
— É. Ele disse que você tá se sentindo sufocada. Que eu fico em cima de você o tempo todo.
Sophia fecha os olhos por um segundo, irritada.
— Eu não acredito que ele fez isso…
John olha pra ela agora, magoado.
— Então é verdade?
Sophia hesita, tentando explicar.
— Não é assim…
— Você só não quer falar.
— Eu não ia terminar com você hoje.
John solta um riso sem humor.
— Hoje. Então você só ia esperar passar meu aniversário, né?
Sophia se desespera um pouco.
— Não, John, não é isso...
— É sim.
Ele se afasta alguns passos.
— Você já decidiu. Só tá adiando.
Sophia sente os olhos encherem de lágrimas.
— A gente podia só… conversar.
John balança a cabeça, firme.
— Não. Melhor acabar logo..— Ele aponta para a porta, sem encarar ela. — Pode ir.
Sophia fica parada por um segundo, sem acreditar.
— Sério?
John não responde.
Sophia sai chorando 
A porta se fecha.
Silêncio total na casa.
John fica parado no meio da sala. A expressão de raiva vai cedendo… virando tristeza.
Ele passa a mão no rosto, frustrado.
Depois pega o celular de novo.
Abre o aplicativo.
— Uma pizza grande… 
Ele se joga no sofá.
 
Mateus se aproxima de casa, com a mochila nas costas. Ele anda devagar, pensativo.
Quando levanta o olhar, vê Guto encostado no portão, mexendo nas chaves.
Mateus desacelera.
— Você ainda tá aqui fora?
Guto olha pra ele, meio cansado… mas com um leve sorriso.
— Tava te esperando.
Mateus se aproxima mais.
— E aí?
Guto solta o ar, passando a mão no rosto.
— Contei.
Mateus já entende.
— Pros nossos pais?
Guto assente.
— Pra eles… e pra Gaby também.
Mateus levanta as sobrancelhas, surpreso.
— Pra Gaby? Ela tava aqui?
— Tava. Chegou bem na hora.
Mateus observa o irmão por um segundo.
— E… como foi?
Guto dá de ombros, meio sem saber como resumir.
— Intenso.
Mateus cruza os braços.
— Tipo… muito ruim?
Guto pensa um pouco antes de responder.
— Não exatamente.
Ele encara a casa por um instante.
— Eles ficaram surpresos, né… mas não brigaram.
Mateus relaxa um pouco.
— Ainda bem.
Guto abaixa o olhar, mais sério agora.
— Mas dá medo, cara.
Mateus fica mais atento.
— Eu imagino.
Guto olha pra ele, sincero.
— Tipo… é muita responsabilidade.
Mateus dá um passo mais perto.
— Mas você não tá sozinho.
Guto sustenta o olhar, um pouco mais tranquilo.
— A gente tá aqui.
Guto sorri de leve.
— Valeu.
Um silêncio confortável por um instante.
Mateus aponta para o portão.
— Vamos entrar?
Guto respira fundo, como se ainda estivesse se preparando.
— Vamos.
Os dois entram juntos.
 
No dia seguinte na escola, Luiza está encostada perto dos armários, segurando uma prancheta com folhas. Manu está ao lado, ajudando.
Um título escrito em cima chama atenção:
“Absorventes No Banheiro Feminino Já!”
Luiza aborda uma colega que passa.
— Oi, você pode assinar? É pra colocar dispensadores de absorventes no banheiro feminino.
A colega lê rápido e assente.
— Nossa, sim.
Ela assina e segue.
Manu sorri, empolgada.
— Tá funcionando.
Luiza olha pra ela.
— Tem que funcionar.
Ela respira fundo e chama outra aluna.
— Ei, rapidinho! É importante.
Alguns alunos assinam, outros passam direto.
De longe, Mateus vem caminhando pelo corredor, com a mochila nas costas.
Mateus lê o título, curioso, ele entende na hora.
Ele pega a caneta e assina sem hesitar.
Luiza observa… e abre um sorriso grande, visivelmente feliz.
— Sério, obrigada.
Mateus sorri de leve.
— Vocês tão levando isso a sério mesmo, né?
Luiza responde na hora.
— Muito.
Ela olha para a lista, orgulhosa.
— Isso devia ser normal.
Mateus concorda com a cabeça.
— Eu fiquei sabendo o que aconteceu ontem. Eu fiquei impressionado com o anúncio que você fez para a turma. — Ele se afasta, acenando. — Boa sorte aí.
Luiza sorri.
— Valeu!
Mateus segue pelo corredor.
Luiza olha para a assinatura dele como se fosse uma pequena vitória.
Manu olha pra ela.
— Você ficou feliz demais com isso.
Luiza nem tenta disfarçar.
— Fiquei mesmo.
Ela levanta a prancheta de novo, renovada.
Manu sorri.
As duas voltam a abordar outros alunos enquanto o movimento continua.
 
Enquanto isso, John está em frente ao armário, abrindo e fechando sem muita atenção. Ele claramente não está bem.
Sophia se aproxima devagar, hesitante.
— John…
Ele para por um segundo, mas não olha para ela. Ela continua.
— Você tá bem?
John respira fundo, ainda de costas.
— A gente não precisa conversar.
Sophia se aproxima mais, tentando manter a calma.
— Eu preciso.
John fecha o armário com cuidado dessa vez, mas continua evitando olhar direto.
Sophia engole seco.
— Desculpa… eu exagerei.
Ele finalmente olha para ela.
— Exagerou?
— Eu falei coisas sem pensar… e deixei tudo pior.
John fica em silêncio por um momento.
— Eu também.
Ele passa a mão no cabelo, meio sem jeito.
— Eu tava sendo… grudento demais.
Sophia balança a cabeça de leve.
— Eu devia ter falado com você direito.
Um silêncio curto, mas menos pesado.
Eles se encaram.
John dá um pequeno passo à frente.
Sophia também.
Sem dizer nada, eles se abraçam.
Um abraço apertado, como se os dois estivessem precisando daquilo.
Eles se afastam devagar.
Ainda existe um clima delicado… mas melhor do que antes.
John tenta sorrir.
— A gente vai dar um jeito.
Sophia assente, meio insegura, mas sincera.
— Vai.
— Eu te amo, Sophi.
Ela o abraça novamente.

Este episódio recebeu o nome da música de 1997, “Quero te Encontrar”, de Claudinho & Buchecha.

Sinopse do Próximo Capítulo – Rumores 
Um professor de história insensato torna a vida de seus alunos um inferno ao usar uma curva de notas extremamente rigorosa, e quando Mateus descobre que John tira notas altas roubando provas antes do exame, ele questiona se deve fazer o mesmo. Luiza vê o braço do Professor Rocky em volta dos ombros de Kamilly e suspeita que há algo “acontecendo” entre eles. Logo a notícia se espalha pela escola.
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Atualizado em: Seg 6 Jul 2026

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