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Grasso: A Próxima Geração 107 - Vamos Jogar Basquete  

A quadra ecoa o som da bola quicando. O time está terminando o treino. Alguns alunos estão cansados, sentados no chão. O técnico Rocky Dallas caminha de um lado para o outro, sério.
— Prestem atenção! O jogo contra o Colégio São Bernardo não é só mais um jogo amistoso. Ele vai definir quem será os 12 jogadores do time.
Os alunos trocam olhares, alguns tensos, outros animados.
Rocky continua.
— Então, se alguém ainda acha que pode jogar “mais ou menos”… já pode esquecer. Ou vocês dão tudo… ou ficam de fora. Quero todo mundo focado. Treino encerrado. 
Os garotos saem John e Urso ficam na quadra. O som da bola quicando continua. John está suando, arremessando repetidamente.
Urso se aproxima.
— Cara… vamos logo. A gente vai se atrasar para a aula.
John não responde. Dribla, gira, arremessa e erra, ele pega o rebote rapidamente.
— Só mais um pouco.
John arremessa de novo, dessa vez, acerta. 
Urso da um leve sorriso.
— Está vendo? Já está jogando bem.
John pega a bola, encara a cesta, sério.
— "Bem” não é suficiente.
Ele respira fundo, se posiciona e arremessa novamente.
A bola descreve um arco perfeito… e cai limpa na cesta.
Urso sorri animado 
— Isso! É disso que eu estou falando!
Os dois dão um toque de mão.
John começa a caminhar animado.
— Panteras Grasso, John Doho está na área.
Os dois saem da quadra juntos.

Personagens Principais 
Gaby Merino
Mateus Merino
Luiza Souza
John Doho
Stefy Prioste
Sophia Rodrigues
André Kimmich
Edu Mariano 
JP Djanikian
Giovanna Kuhlmann
Rick dos Anjos 
Daniel Fernandes 
 
Gaby, Sophia e Stefy andam pelo corredor, conversando.
— Eu estou falando, os garotos preferem loiras — disse Sophia.
Gaby lança um olhar de lado para ela.
— Sophia, seu cabelo é lindo. Mas se você for mudar, que seja por você, não para agradar garotos.
Stefy ergue as sobrancelhas e entra na conversa, com um tom mais ponderado:
— Eu acho que isso é questão de gosto. Tem garotos que gostam de loiras, outros de morenas… e outros de ruivas.
Sophia avista Rick mexendo no armário e abre um sorriso animado.
— Olha o Rick. Vamos perguntar pra ele!
Gaby arregala os olhos, surpresa, e segura de leve o braço da amiga.
— O quê? Não, espera...
Mas já é tarde. Sophia se solta e caminha decidida até Rick.
— Oi, Rick. Posso te fazer uma pergunta?
Rick vira o rosto para ela, tranquilo.
— Claro.
Sophia cruza os braços, curiosa.
— Você prefere loiras, morenas ou ruivas?
Ele abaixa a cabeça por um instante, como se realmente estivesse pensando.
— Bem… eu não tenho um tipo específico. Depende da pessoa. — Ele levanta o olhar e, ao ver Gaby se aproximando devagar, fixa os olhos nela por um segundo. — Mas, agora… acho que prefiro uma garota de cabelos e olhos castanhos.
Ele fecha o armário com um leve sorriso de canto e sai, deixando um pequeno clima no ar.
Sophia vira lentamente para Gaby, com um sorriso incrédulo se formando.
— Eu não acredito… Ele gosta de você. O Rick dos Anjos está afim de você!
Gaby fica vermelha na hora, abaixa o olhar e não consegue segurar um sorriso tímido.
 
Na aula de português a turma já está sentada. Alguns alunos conversam baixo, outros mexem no celular escondido. A professora Jéssica organiza alguns papéis na mesa.
A porta se abre devagar. John entra, meio sem graça, tentando não chamar atenção.
— Chegando cedo, como sempre, né, John? — disse um aluno no fundo, em tom de brincadeira.
Alguns riem baixo.
A professora Jéssica levanta o olhar, séria, mas sem perder a calma.
— John, que bom que resolveu aparecer.
John dá um sorriso sem graça e coça a nuca.
— Foi mal, professora… o treino acabou tarde.
Ela cruza os braços, observando-o.
— E o dever de casa?
John hesita por um segundo, desviando o olhar.
— Então… não deu tempo de terminar.
A professora respira fundo, se aproximando um pouco dele.
— John, essa já é a terceira vez.
— Eu sei… — ele respondeu mais baixo, meio incomodado.
Ela suaviza um pouco o tom, mas continua firme.
— Você está ficando para trás. E não é só nessa matéria.
John abaixa o olhar.
— Eu tô tentando, professora…
Ela inclina a cabeça, analisando ele com mais atenção.
— Tentando como? Porque, do jeito que está, parece que você está priorizando outras coisas.
John revira os olhos de leve.
— Eu tenho treino quase todo dia… chega uma hora que não dá tempo pra tudo.
A professora suspira, agora mais preocupada do que brava.
— Eu entendo que suas atividades extracurriculares são importantes. Mas seus estudos também são, John. Se você não equilibrar isso, vai acabar se prejudicando.
Ele fica em silêncio por um momento, claramente dividido.
— Eu sei… — disse, mais sincero dessa vez.
Ela aponta para uma carteira vazia.
— Sente-se. Depois da aula, nós vamos conversar com calma e pensar em uma solução.
John assente com a cabeça.
— Tá bom.
Ele vai até o lugar e se senta.
A aula segue, mas John fica pensativo, olhando para o caderno.
 
Mais tarde na aula de português, a turma está mais envolvida. Alguns alunos folheiam o livro, outros levantam a mão para comentar. No quadro está escrito: Capítulo 8 – O Senhor das Moscas.
A professora Jéssica caminha pela sala, atenta.
— Então, gente… o que vocês acharam desse capítulo?
Uma aluna levanta a mão, empolgada.
— Eu achei meio tenso. Parece que tudo está saindo do controle.
— Exatamente — responde Jéssica, animada. — E por quê?
— Porque eles começam a agir mais pelo medo do que pela razão.
A professora sorri, satisfeita.
— Muito bem.
Ela anda mais um pouco pela sala, até parar perto de John, que está olhando para o livro aberto… mas sem realmente focar.
— John.
Ele levanta o olhar, meio rápido demais.
— O que você achou do capítulo 8?
John hesita por um segundo.
— Ah… eu achei… ótimo.
A professora mantém a expressão neutra, mas observa melhor. Ela dá mais um passo na direção dele.
— E me diz… você se identificou com algum personagem?
John trava.
Ele pisca, olha rapidamente para o livro, depois para frente, como se procurasse uma resposta em algum lugar.
— Eu… é que…
A professora cruza os braços, agora com um olhar mais firme.
— John?
Ele solta o ar pelo nariz, derrotado.
— Eu não li ainda.
A professora suspira, sem surpresa, mas claramente desapontada.
— Eu imaginei.
John abaixa o olhar, mexendo no canto da página.
— Desculpa.
Ela mantém o tom calmo, mas sério.
— John, isso já está virando um padrão.
Ele não responde.
— Você não fez a tarefa, não leu o capítulo… Como você pretende acompanhar a aula assim?
Ele passa a mão no cabelo, visivelmente incomodado.
— Eu vou correr atrás, professora. Sério.
Ela o observa por um instante, avaliando se ele está sendo sincero.
— Eu espero que sim. Porque, do jeito que está, você só está acumulando conteúdo.
Ela se afasta um pouco e volta a falar com a turma.
— Certo, vamos continuar.
Antes de seguir, ela olha mais uma vez para John.
— E, por favor, leia o capítulo para a próxima aula. Você vai precisar.
John assente com a cabeça, quieto.
— Pode deixar.
A aula continua, mas ele permanece em silêncio, encarando o livro como se agora fosse um problema bem maior do que parecia antes.
 
Depois da aula, no corredor, os alunos saem da sala, conversando alto. John e Urso conversam.
— Cara… você ficou com uma cara de enterro lá dentro — disse Urso, tentando aliviar.
John solta um suspiro, passando a mão no rosto.
— Porque foi praticamente isso.
Urso dá um leve sorriso.
— Relaxa. A Jéssica pega no seu pé, mas ela não pode te impedir de jogar.
John para e encara o amigo, sério.
— Não é assim que funciona.
Urso franze a testa.
— Como não?
John se aproxima um pouco, falando mais baixo, mas tenso.
— Se eu continuar indo mal, ela pode falar com o técnico.
Urso descruza os braços, agora prestando mais atenção.
— E daí?
John olha em volta, certificando-se de que ninguém está ouvindo, e abaixa ainda mais a voz.
— O técnico Rocky já avisou que vai cortar três jogadores. Quinze estão treinando… mas só doze vão ficar no time.
Urso passa a mão na nuca, agora menos confiante.
— Mas você joga bem, cara. Tipo… muito bem.
John dá um leve sorriso.
— Não adianta nada jogar bem se eu não puder entrar em quadra.
Urso fica em silêncio por um segundo, assimilando.
— Você acha mesmo que ela falaria com ele?
John não hesita.
— Tenho certeza.
Ele encosta no armário, frustrado.
— Ela já deu a entender hoje. Falou de “equilibrar prioridades”… isso é código pra problema vindo aí.
Urso respira fundo, tentando recuperar o otimismo.
Eles seguem pelo corredor juntos, enquanto o barulho da escola continua ao redor.
 
Na hora do almoço, Gaby, Stefy e Sophia estão sentadas juntas, mexendo na comida e conversando.
Gaby ainda parece um pouco distraída, mexendo no celular.
De repente, Rick aparece e se senta bem na frente dela, com naturalidade.
Gaby levanta o olhar na hora, surpresa.
Sophia percebe imediatamente e olha para Stefy, segurando um sorriso.
Stefy retribui o olhar, já entendendo tudo.
Sophia se levanta, fingindo naturalidade.
— Gente… com licença. A Stefy e eu lembramos que temos uma coisa muito importante pra fazer.
Stefy já levanta junto, pegando a bandeja.
— Muito importante mesmo.
As duas trocam um olhar cúmplice e saem da mesa, claramente deixando os dois sozinhos.
Gaby acompanha as duas com o olhar, desconfiada… e então volta para Rick, meio sem graça, ajeitando o cabelo.
— Rick… oi.
Ele apoia os braços na mesa, olhando direto pra ela, tranquilo e confiante.
— Oi. — Ele dá um leve sorriso. — O que você vai fazer nessa sexta?
Gaby pisca, surpresa com a pergunta tão direta.
— Nessa sexta? — ela pensa por um segundo. — Nada… por quê?
Rick inclina um pouco a cabeça, como se já esperasse a resposta.
— Quer ir ao cinema comigo?
Gaby arregala levemente os olhos, pegando a pergunta de surpresa… mas um sorriso começa a aparecer.
— Ao cinema? — ela repete, quase rindo de nervoso. — Claro… eu quero, sim.
Rick sorri, satisfeito.
— Ótimo.
Ele se levanta com naturalidade.
— Depois a gente combina os detalhes. Te mando mensagem.
Gaby assente, ainda meio sem acreditar.
— Tá bom.
— Até mais, Gaby.
— Até.
Rick sai, passando entre as mesas.
Gaby fica parada por um segundo… e então solta um sorriso enorme, olhando pra mesa como se ainda estivesse processando.
Ela apoia o rosto nas mãos, completamente boba e feliz.
De longe, Sophia e Stefy observam.
Sophia cruza os braços, vitoriosa.
— Eu sabia.
Stefy ri baixo.
— Ela nem disfarça.
As duas continuam olhando, divertidas, enquanto Gaby ainda sorri sozinha.
 
Os garotos estão no treino de basquete, som da bola quicando ecoa pelo ginásio. Tênis rangem no chão. Os jogadores fazem uma fila para treinar bandejas, indo e voltando em ritmo acelerado.
— Vamos, vamos! Sem parar! — grita o técnico Rocky Dallas, batendo palmas. — Ritmo de jogo!
No banco, um pouco afastado, John está sentado, inclinado sobre um livro, concentrado. Ele passa a página, alheio ao treino.
O técnico percebe de longe. Franze a testa.
— John!
Nenhuma resposta.
— John!
Agora mais alto.
John levanta o olhar, meio perdido.
— Hã?
— Sua vez! Vamos!
John fecha o livro rápido, meio atrapalhado, e se levanta.
— Já vou!
Ele corre até a quadra, pega a bola e, sem prestar muita atenção no exercício, para, mira e faz um arremesso de média distância.
A bola entra.
O técnico fecha a cara na hora.
— John!
O apito corta o barulho do ginásio. O treino para.
John olha em volta, sem entender.
— O que foi?
O técnico caminha até ele, sério.
— O que exatamente você acha que está fazendo?
John hesita.
— Eu… arremessei?
O técnico aponta para a fila.
— Estamos treinando bandeja.
John olha para a quadra, percebendo o erro.
John passa a mão no cabelo, sem graça.
— Foi mal, eu achei que...
— Achou errado.
O clima pesa. Ninguém fala nada agora.
O técnico se aproxima mais, olhando direto para ele.
— Se você não consegue prestar atenção no treino, acompanhar o ritmo do time… — ele faz uma pausa — e prefere ficar sentado lendo, você está facilitando muito o meu trabalho na hora de cortar alguém.
John fica imóvel por um segundo, sentindo o peso daquilo.
— Eu não quero te cortar, John — continua o técnico, agora mais controlado. — Mas você precisa decidir o que é prioridade.
John respira fundo, mais sério agora.
— Eu entendi.
O técnico mantém o olhar firme por mais um instante… depois aponta para a fila.
— Então entra de novo. E presta atenção.
Ele volta para a fila, mais focado. 
 
Depois do treino os garotos estão no vestiário, Rick está saindo da sala John se aproxima.
— Ei Rick bom trabalho. Você não terá problema pra entrar no time.
Rick dá de ombros, sem muita convicção.
— Eu não sei, vamos ver isso amanhã.
Rick sai, Urso chega por trás, jogando a toalha no ombro.
— Vocês dois estão dramáticos demais pra quem ganhou o treino hoje.
John balança a cabeça.
— Eu não sei, o técnico adora ele.
Urso se aproxima.
— Ele é um bom jogador.
John passa a mão no cabelo, ainda inquieto.
— É eu também sou 
— Ninguém está dizendo que você não é.
— O técnico Rocky, ele tem que colocar defeito em tudo o que eu faço.
— Ele só estava te dando dicas. E também se você não entrar no time você pode me ajudar.
John olha pra ele.
— A carregar as bolas e lavar uniforme sujo, não valeu.
Urso faz uma careta leve, pensando.
— Então vamos fazer o seguinte: a gente assiste a um filme hoje, desliga um pouco e pronto.
John balança a cabeça na hora.
— Não dá. Eu tenho que ir pra casa fazer o trabalho de português.
Urso arregala os olhos, surpreso.
— Ih… a Jéssica pegou pesado, hein?
John solta um riso curto.
— Você não faz ideia.
O alarme do celular de Urso dispara. Ele puxa um pequeno frasco da mochila, abre e toma um comprimido com água.
— Eu queria uma pílula dessa pra me dar energia.
— Ritalina te animaria muito, seria como 50 xícaras de café.
John olha confuso.
— Pensei que eram pra te acalmar.
— É, para mim. Tem algo a ver com a configuração do meu cérebro, ou algo assim.
— Você tem cérebro? — John perguntou, brincando.
— Hahaha — disse Urso. — Mas em quem não tem TDAH, pode dar um efeito ao contrário. Por isso que não é brincadeira. — Urso coloca a mão no ombro de John. — Sabe, filho, drogas não são a resposta. Simplesmente diga não.
John sorri.
 
Mateus entra no quarto, joga a mochila em um canto e se joga na cadeira, cansado.
A porta se abre logo em seguida, e Gaby aparece encostada no batente.
— E aí, como foi o treino?
Mateus levanta o olhar, ainda meio sem energia.
— Foi legal… Só não sei se vou conseguir entrar no time.
Gaby entra no quarto e se senta na cama dele.
— Por quê?
Mateus solta um suspiro longo.
— Os caras jogam muito. Tipo… muito mesmo. Principalmente o Rick e o John.
Por um instante, Gaby faz uma expressão discreta ao ouvir o nome de Rick, mas tenta agir normalmente.
— Mesmo assim, eu acho que você consegue, Mateus.
Ele ergue uma sobrancelha e dá um sorriso, desconfiado.
— Você não veio aqui só pra perguntar do treino, veio?
Gaby sorri na mesma hora, meio sem graça.
— Não… — ela admite, mexendo nos dedos. — Na verdade… o Rick me chamou pra sair.
Mateus pisca algumas vezes, processando a informação.
— O Rick? — ele franze a testa. — Meu amigo Rick?
Gaby finalmente deixa o sorriso escapar, claramente animada.
— Sim.
Mateus se inclina um pouco na cadeira, e a expressão dele muda na hora. Gaby percebe imediatamente.
— O que foi?
Ele desvia o olhar por um instante antes de responder.
— Não é que… Ele é gente boa, mas… você sempre acaba gostando de caras complicados. E você sabe a fama que o Rick tem.
Gaby revira os olhos na mesma hora.
— Primeiro: o Felipe não era complicado, só incompreendido. E o Fabrício...
— Ele te traiu Gaby — Mateus completou.
Gaby abaixa a cabeça e suspira.
— Valeu por me lembrar. — ela levanta a cabeça. — Mais eu não acredito no que falam do Rick. Ele tem cara de durão, mas comigo ele foi super fofo.
Mateus encara a irmã por alguns segundos, ainda preocupado.
— Você que sabe. Eu só não quero te ver sofrendo de novo.
A expressão de Gaby suaviza um pouco, aliviada com a preocupação sincera dele.
— Relaxa. Ele só me chamou pra sair. Não estou apaixonada nem nada.
Mateus solta uma risadinha.
— Ainda bem. Porque ele tá aí fora agora. Veio ver o motor do carro do papai.
Gaby congela.
— O quê?
Ela se levanta tão rápido que quase tropeça no próprio pé.
— Como assim ele tá aqui?!
Mateus dá de ombros, tranquilo demais para a situação.
— Tá lá na garagem com o papai, mexendo no carro.
Gaby arregala os olhos e já começa a andar de um lado para o outro.
— Meu Deus. Meu Deus, eu preciso me arrumar!
Ela sai correndo do quarto antes mesmo de terminar a frase.
Mateus observa a cena e solta uma risada baixa, balançando a cabeça.
— Ela não tá apaixonada, imagina… — murmurou sozinho, ainda rindo.
Então ele se recosta na cadeira, divertindo-se com o desespero da irmã.
 
Mais tarde, Rick fecha o capô do carro e limpa as mãos num pano, ainda com marcas de graxa.
— Pronto. Pode ligar.
Arthur entra no carro e gira a chave. O motor pega na hora, suave.
Ele desliga e sai do carro, impressionado.
— Incrível, garoto. Você só tem 15 anos e já entende muito de mecânica.
Rick dá um leve sorriso, meio tímido.
— Meu irmão é mecânico… ele me ensina bastante coisa.
Arthur cruza os braços, interessado.
— E você gosta disso?
Rick assente, com mais segurança.
— Gosto. Bastante, na verdade.
Arthur sorri, aprovando.
— Legal.
Rick olha para as próprias mãos, sujas de graxa, e sorri.
— Eu posso lavar as mãos no banheiro?
— Claro que pode. Fica à vontade.
Rick faz um gesto de agradecimento com a cabeça e entra na casa.
Assim que ele sai, Mateus se aproxima, com um sorriso de “eu avisei”.
— Eu te falei que ele era bom.
Arthur observa a porta por um segundo, ainda impressionado.
— Falou mesmo… e eu estou surpreso de verdade.
Ele volta o olhar para o filho, agora mais sério.
— Mas, filho… só toma cuidado, tá?
Mateus franze a testa, sem entender.
— Cuidado com o quê?
Arthur hesita um instante, escolhendo as palavras.
— Eu sei por que o Rick se mudou pra cá.
Mateus cruza os braços, já meio na defensiva.
— E daí?
Arthur suspira.
— Ele tem um histórico de briga. Parece que ele agrediu um garoto em Florianópolis… e não foi coisa leve.
Mateus reage na hora.
— Papai, o Rick é uma boa pessoa.
Arthur mantém a calma.
— Eu não estou dizendo que ele não seja. Só estou te contando o que eu sei.
Mateus balança a cabeça, convicto.
— Eu não sei o que aconteceu lá, mas… sei lá, talvez o garoto tenha provocado. O Rick não é esse tipo de cara.
Arthur observa o filho por um momento, percebendo a confiança dele.
— Tudo bem. Eu espero que você esteja certo.
Ele coloca a mão no ombro de Mateus.
— Só fica atento, tá?
Mateus suspira, mas assente.
— Tá bom.
 
No dia seguinte na aula da Professora Jéssica, 
John entra na sala e entrega a folha na mesa dela.
— Aqui, professora.
— Obrigada, John — respondeu Jéssica, folheando rapidamente.
John vai para o lugar e se joga na cadeira ao lado de Urso, passando a mão no rosto, cansado.
— Cara… eu tô morto.
Urso olha de lado, abrindo o caderno.
— Já começou o drama?
John balança a cabeça.
— Tô falando sério. Não dormi direito, ainda tive que terminar esse trabalho… — ele suspira — desse jeito eu não aguento o jogo hoje.
Urso faz uma careta leve, meio compreensivo.
— É, hoje não dá pra vacilar.
John olha ao redor, certificando-se de que ninguém está ouvindo direito, e se inclina um pouco.
— Ei… você ainda tem aquele remédio?
Urso trava por um segundo, já entendendo.
— Tenho… mas é o último.
John abaixa ainda mais a voz.
— Me dá um, então. Só pra eu não apagar no meio do jogo.
Urso hesita, desconfortável.
— Não sei se é uma boa ideia…
— Cara… me dá só um.
Urso franze a testa.
— Não.
John insiste, mais baixo, mas intenso:
— Só um. Eu preciso de energia. Ontem já foi ruim… se eu for mal hoje, o técnico pode me cortar.
Urso olha pra ele, dividido.
— John…
— Por favor — interrompeu John. — É só hoje. Só pra eu mostrar serviço pro Rocky.
Urso respira fundo, claramente desconfortável com a situação.
— Não é assim que funciona…
John mantém o olhar fixo nele.
— Eu sei. Você já falou. Mas é só uma vez.
O silêncio pesa por alguns segundos.
Urso olha para o estojo, depois para John… e por fim suspira, cedendo.
— Tá… mas é a última, entendeu?
Ele abre o estojo discretamente e entrega o comprimido.
John pega rápido, como se alguém pudesse ver.
— Valeu. Sério.
Ele se levanta.
— Professora posso ir ao banheiro?
A professora Jéssica olha pra ele.
— Rápido.
— Já volto.
John sai da sala, tentando parecer normal, mas claramente ansioso.
Urso observa ele sair.
 
Antes do jogo Rick e Mateus estão na quadra lado a lado, ajustando o uniforme.
Gaby se aproxima, com um sorriso leve, tentando parecer natural.
— Rick.
Ele levanta o olhar na hora e sorri, mais aberto do que o normal.
— Oi.
Ela para na frente dele, um pouco nervosa, mas tentando disfarçar.
— Eu só vim te desejar boa sorte no jogo.
Rick inclina a cabeça, sincero.
— Valeu.
Por um segundo, os dois ficam se olhando, em silêncio. Um clima leve… meio tímido.
Mateus observa a cena de lado, percebendo tudo.
Ele dá um passo à frente, quebrando o momento.
— Eu também vou jogar, Gaby.
Gaby pisca, como se tivesse sido puxada de volta à realidade, e ri de leve.
— Eu sei, né… — ela sorri para ele — boa sorte pra você também, maninho.
Mateus assente, satisfeito.
— Valeu.
Gaby dá mais um sorriso rápido para Rick e se afasta, olhando para trás por um segundo antes de ir.
Um pequeno silêncio fica no ar.
Mateus cruza os braços e olha para Rick, com expressão séria.
— Então…
Rick já percebe o tom e segura um meio sorriso, sem saber se se defende ou brinca.
Mateus arqueia a sobrancelha.
— Quando você ia me contar que chamou minha irmã pra sair?
Rick coça a nuca, meio sem graça.
— Ih, cara… foi mal. Achei que já tinha te falado.
Mateus continua olhando, sem mudar a expressão.
Rick acaba soltando um sorriso de leve.
 
No vestiário do ginásio, John está cheio de energia e pronto para jogar. Ele anda de um lado para o outro, acelerado, batendo as mãos uma na outra, como se não conseguisse ficar parado.
— Hoje é nosso! — ele falou, animado demais. — Vamos amassar esses caras!
Do outro lado, Urso anda de um lado a outro, ele senta. Claramente inquieto.
O técnico Rocky Dallas entra no vestiário, batendo palmas.
— Chega de conversa! Foco no jogo!
Os jogadores se juntam.
— Joguem como um time. Defesa forte, ataque inteligente. Sem estrelismo.
John balança a cabeça rápido demais.
— Pode deixar, professor.
Rocky observa ele por um segundo a mais… mas segue.
— Vamos pra quadra!
A arquibancada faz barulho. O jogo começa intenso.
A bola está em jogo. Rick levanta a mão, pedindo passe.
— Toca!
Mas John intercepta no meio, roubando a bola… do próprio time.
— Eu tô livre! — ele grita, acelerando.
— John! — Rick chama, surpreso. — Calma!
John ignora, avança sozinho, driblando rápido demais, quase perdendo o controle… mas consegue se ajustar.
Ele arremessa.
A bola entra.
Placar: 3 x 0 – Grasso na frente.
A torcida vibra.
John levanta os braços, eufórico.
— É isso!
Urso está no banco de reservas, mais agitado que o normal. Ele fala o tempo todo:
Ele muda de posição o tempo todo, sem parar quieto.
O jogo continua.
Na quadra, John continua acelerado, chamando jogadas, roubando bolas, falando alto demais.
— Deixa comigo! Eu resolvo!
Rick tenta organizar.
— Joga em equipe, John!
Mas John já parte pra outra jogada.
Depois de um tempo, o técnico Rocky percebe o comportamento estranho e hiperativo de John. 
No intervalo, a Grasso assume a liderança por 22 a 24.
Os jogadores voltam ofegantes. Alguns se sentam, outros bebem água.
John ainda está andando de um lado para o outro, sem conseguir parar.
 
Durante o intervalo Gaby, Sophia e Stefy conversam na arquibancada.
Stefy se inclina um pouco na direção de Gaby, com um sorriso curioso.
— Então… você vai sair mesmo com o Rick?
Gaby sorri na hora, tentando parecer tranquila, mas claramente animada.
— Vou. Sexta-feira.
Sophia levanta as sobrancelhas, interessada.
— Olha só… Corajosa.
Gaby olha pra ela, estranhando.
— Como assim?
Sophia hesita um segundo, mas acaba falando:
— Eu ouvi umas coisas sobre ele…
Gaby já fica mais atenta.
— Que tipo de coisa?
— Dizem que ele tem problema com raiva.
Stefy completa, abaixando um pouco a voz:
— E que ele veio de Florianópolis depois de se envolver numa briga feia… 
Gaby fica em silêncio por um instante, absorvendo. O sorriso desaparece aos poucos.
Gaby balança a cabeça, tentando afastar a ideia.
— Eu não acredito nisso. Ele não parece esse tipo de pessoa. Ele é tranquilo comigo, com o Mateus… nunca vi ele agir assim.
 
Enquanto isso, Urso está descontrolado entretendo a torcida e dançando.
— Agora sim! — ele grita, aumentando o volume.
Os alunos riem, achando engraçado.
Urso começa a dançar no meio do espaço, exagerado, sem se importar com ninguém olhando.
A torcida reage: alguns riem, outros filmam, outros só encaram sem acreditar.
Urso gira, bate palma, entra no ritmo como se estivesse num show.
— Quero ver todo mundo animado!
De repente, no auge da empolgação, ele vira de costas e faz um movimento exagerado… e abaixa o shorts por um segundo.
O diretor Daniel surge, sério, atravessando a arquibancada com passos firmes.
Daniel segura o braço dele com firmeza.
— Você vem comigo. Agora.
Urso nem resiste. Só levanta as mãos, meio sem graça.
Eles saem enquanto a torcida ainda comenta, chocada e rindo ao mesmo tempo.
Momentos depois na sala do diretor. Urso está sentado na cadeira, inquieto, mexendo as mãos. Daniel está em pé, sério, atrás da mesa.
— Você tem noção do que acabou de fazer?
Urso evita o olhar, mais calmo agora.
— Tenho…
Daniel cruza os braços.
— Eu poderia te suspender por isso. Sem pensar duas vezes.
Urso levanta o olhar, tentando se explicar.
— Eu sei. Mas… não foi de propósito.
Daniel franze a testa.
— Como assim não foi de propósito?
Urso respira fundo.
— Eu esqueci de tomar meu remédio hoje. 
Daniel observa ele por alguns segundos, avaliando. Ele suspira, menos rígido.
— Tudo bem. Eu não vou te suspender dessa vez. Mas isso não pode se repetir.
Urso assente rápido.
— Não vai.
Daniel se senta, agora mais prático.
— A partir de agora, você vai tomar seus comprimidos na frente da Jennifer, na secretaria. Três vezes ao dia.
Urso encosta na cadeira.
 
Enquanto isso, o jogo está tenso. A torcida faz barulho constante.
Placar: 37 x 37.
Os jogadores estão cansados, suados, mas ninguém desacelera.
John está diferente, inquieto, respirando rápido, os olhos atentos demais.
A bola chega em John.
Rick levanta a mão, livre.
— Toca, John! Eu tô sozinho!
Mas John não escuta. Ele já gira e arremessa, rápido demais.
A bola bate no aro… e não cai.
Rick corre, pega o rebote com firmeza.
Ele começa a avançar, organizando o ataque.
— Abre! Abre!
Mas John já vem correndo atrás, acelerado, quase descontrolado.
— Me dá a bola!
Rick mal tem tempo de reagir.
John chega e o empurra com força, arrancando a bola das mãos dele.
Rick perde o equilíbrio e cai no chão, segurando o tornozelo.
— Ah! — ele solta, com dor.
Mas John… não para.
Ele já está correndo na direção da cesta, ignorando tudo.
Ele salta e arremessa.
A bola sobe… toca a tabela…
E cai.
Cesta.
Placar final: 39 x 37 – Grasso vence.
A torcida explode.
Rick ainda está no chão, segurando o tornozelo, com dor.
O técnico Rocky entra na quadra, sério.
— Você tá bem? 
Rick respira fundo, tentando disfarçar.
— Já tive dias melhores…
A torcida ainda comemora… John corre e pula no meio deles.
 
De volta ao vestiário, os garotos estão muito animados com a vitória. Alguns jogadores batem nos armários, outros se abraçam.
Rick está sentado mais afastado, com o tornozelo sendo examinado por um colega. Ele não está comemorando.
O técnico Rocky Dallas entra no vestiário.
— Chega.
A voz dele corta o clima na hora.
O silêncio vem aos poucos.
— Boa vitória — ele diz, firme. — Mas a gente precisa conversar.
Ele olha direto para John.
— Você. Vem comigo.
O clima muda completamente.
John hesita por um segundo, mas vai.
Eles vão para fora do vestiário.
O barulho da comemoração fica abafado atrás da porta.
Rocky para e se vira para John, sério.
— O que foi aquilo hoje?
John ainda tenta manter a confiança.
— A gente ganhou, não ganhou?
Rocky não reage.
— Você monopolizou a bola o jogo inteiro.
John abre a boca, mas o técnico continua:
— Fez jogadas boas, sim. Mas também errou passes, ignorou o time… e empurrou o Rick.
John desvia o olhar por um segundo.
— Foi sem querer.
Rocky dá um passo à frente.
— Você quase quebrou o tornozelo do seu próprio companheiro.
John responde rápido, defensivo:
— Foi um acidente. Eu só tava tentando recuperar a bola.
— Empurrando ele no meio da jogada? — Rocky rebate.
Silêncio.
John passa a mão no cabelo, frustrado.
— Eu sei que errei, tá? Mas isso não vai acontecer de novo.
Rocky observa ele com atenção.
— Eu queria acreditar nisso.
John levanta o olhar, mais sério agora.
— Pode acreditar.
O técnico respira fundo, firme na decisão.
— Eu não posso correr esse risco.
John trava.
— O quê?
Rocky mantém o tom, direto.
— Basquete é jogo em equipe. E hoje você jogou sozinho.
O silêncio pesa.
— E pior… você perdeu o controle.
John engole seco.
— Não… eu...
Rocky interrompe.
— Eu não posso colocar em quadra alguém que pode machucar os próprios companheiros.
— Você está fora do time.
O impacto é imediato.
John fica em silêncio, como se não tivesse processado.
 
Na casa de Gaby e Mateus, Rick está sentado no sofá. Gaby está ajoelhada à frente dele, segurando com cuidado o tornozelo dele e passando uma pomada.
— Está doendo muito? — ela perguntou, com a testa levemente franzida.
Rick faz uma careta de leve, mas tenta minimizar.
— Um pouco… mas vai melhorar logo.
Mateus encosta na parede, observando.
— Ainda bem que não quebrou.
Gaby faz uma expressão de dó.
— Coitadinho…
Rick dá um sorrisinho de lado.
— Também não precisa exagerar.
Os dois trocam um olhar por um segundo a mais do que o normal.
Arthur, que observa de longe, percebe o clima.
Ele pigarreia e se aproxima, sério.
— Certo… já está ficando tarde. E o Rick precisa ir pra casa descansar.
Gaby olha o relógio e depois para o pai, estranhando.
— Papai, ainda são 19h20.
Arthur mantém o tom firme.
— Mesmo assim. Ele precisa descansar.
Rick percebe o clima e se levanta com cuidado.
— Não, tudo bem… seu pai tem razão. É melhor eu ir.
Gaby se levanta também, meio sem graça.
— Tá…
Rick dá um passo em direção à porta.
Mateus se aproxima rápido.
— Eu vou com você até o ponto.
Arthur interrompe na hora.
— Rick, espera.
Os dois olham para ele.
— Eu te levo em casa. É melhor você não forçar esse tornozelo. — Ele olha para Mateus — filho fica lá na frente com o Rick que já vou.
— Tá…
Rick assente, educado.
— Obrigado.
Ele olha para Gaby.
— Tchau, Gaby.
Ela sorri de leve, meio sem jeito.
— Tchau.
Da cozinha, Raquel grita:
— Tchau, Rick!
— Tchau, Raquel! — ele respondeu.
Rick e Mateus saem.
Arthur olha para Gaby.
— Tem alguma coisa acontecendo entre você e o Rick?
Gaby revira os olhos, sem paciência.
— Papai…
— Só responde.
Ela cruza os braços.
— A gente vai sair sexta.
Arthur responde na hora:
— Não, vocês não vão.
Gaby fica sem acreditar.
— Como assim, não?
— Não vão. E pronto.
— Por quê?
Arthur endurece o tom.
— Porque eu estou dizendo que não. Eu não quero você com ele.
Gaby dá um passo à frente, indignada.
— Mas por quê?
— Gaby, não me questiona.
Ela segura o olhar dele por um segundo… e então vira as costas, irritada.
— Inacreditável.
Ela sobe as escadas rápido e bate a porta do quarto.
Raquel sai da cozinha, secando as mãos.
— O que foi isso agora?
Arthur passa a mão no rosto, tenso.
— Eu tenho meus motivos.
Raquel cruza os braços.
— Que motivos?
Arthur hesita, mas responde:
— Você sabe o que falam sobre o Rick.
Raquel solta um suspiro.
— São só boatos.
— Boatos ou não, eu prefiro não arriscar.
Ela encara ele, séria.
— Arriscar o quê?
Arthur baixa um pouco o tom.
— Eu não quero que aconteça com ela o que aconteceu com você.
O clima pesa.
Raquel responde firme:
— E quem disse que vai acontecer a mesma coisa com ela?
Arthur desvia o olhar.
— Eu só estou tentando proteger ela.
— Eu sei. — ela suaviza um pouco — Mas proteger não é controlar tudo.
Arthur fica em silêncio.
— Você vai prender a Gaby em casa por causa de medo?
— Eu não confio nesse garoto.
Raquel dá um meio sorriso, irônico.
— Pelo visto, você não confia em garoto nenhum.
Arthur pega a chave do carro.
— Nenhum é bom o suficiente pra minha garotinha.
Rick e Mateus estão do lado de fora… e claramente ouviram a conversa.
O clima é desconfortável.
Arthur sai de casa.
— Vamos, garotos.
Rick olha para ele, sério, mas educado.
— Não precisa, prefiro ir a pé.
Rick sai.
Silêncio.
Mateus olha para o pai, desapontado, e balança a cabeça de leve.

Sinopse do Próximo Capítulo – Mentiras
Gaby tenta fazer seu pai confiar em Rick. Sophia está animada com o retorno do pai da Europa, mas, quando ele volta, ela sente que algo está acontecendo. Enquanto isso, Kamilly está apaixonada por JP, mas ele não corresponde aos seus sentimentos.
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Atualizado em: Ter 7 Jul 2026

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