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Escola Grasso 318 – Promessas Quebradas

Maju está sentada na sala de Michelle, visivelmente abalada.
— Aí teve o ataque lá em casa… — ela respira fundo, tentando se controlar — Foi muito assustador. Eu achei que iam me matar. Nunca senti tanto medo na minha vida.
Michelle desvia o olhar por um instante, incomodada com o peso daquilo. Depois encara os alunos.
— E vocês? O que têm a dizer?
Um dos amigos de Fabiano se mexe na cadeira, sem graça.
— Maju… foi mal. Sério.
Fabiano dá um sorrisinho de canto.
— Ah, foi só uma brincadeira.
O clima pesa na hora. Michelle o encara, séria.
— Ela acorda de madrugada gritando “não me machuca”. — Michelle se inclina um pouco na cadeira — Isso não é brincadeira.
Os alunos ficam em silêncio.
 — Os pais dela não prestaram queixa, mas a Grasso tem uma política rígida contra bullying. Isso pode, sim, dar expulsão. — ela faz uma pausa — Só que, como vocês assumiram e têm um bom histórico, o conselho provavelmente vai optar por uma punição mais leve.
Outro amigo de Fabiano fala, mais sincero:
— A gente não queria que chegasse a esse ponto, Maju. Foi idiota. De verdade. Não vai acontecer de novo.
— Eu espero que não — Michelle respondeu, firme.
Ela vira o olhar diretamente para Fabiano.
— E você? Tem alguma coisa a dizer?
Fabiano encara Maju, agora sem sorriso.
— Você mereceu.
O ar da sala congela.
Os amigos dele se entreolham, chocados.
Michelle fica rígida, surpresa, mas se controla. Então olha para Maju, com mais suavidade.
— Maju, você pode ir.
Maju se levanta devagar, segurando as lágrimas, e sai sem olhar para ninguém.
Do lado de fora, Vitor estava encostado na parede. Assim que a vê, se aproxima.
— E aí… como foi?
Maju não responde. Passa direto por ele, com o olhar vazio.
Vitor fica parado, sem saber o que fazer, observando ela se afastar pelo corredor.

Personagens Principais 
Ellie Goes
Maju Braga
Vitor Ramos
Adryan Gomes
Carol Novak
Nicole Zangirolami
Peter Moretti
Zara Fernandes
Tom Prado
Lory Brown
Dani Pereira
Di Katsutani
Helena Moura
Rafa Costa
Gui Silva
Gustavo Assunção
Ana Castro
Paola Muniz
Nina Lacerda
Lila Fontán
Joana Hart
Sara Laursem
Agnes Montenegro
Camila Jung
Michael Laursem
Johnny Garcia
Michelle Boaventura
Lucas Montenegro
Lara Carvalho
Bella Carvalho
 
Sara, Lila e Joana caminham pelo corredor da escola.
— O Vini me mandou mensagem perguntando a cor do meu vestido — disse Sara, olhando o celular.
Lila abre um sorriso na hora.
— Ai, pra combinar o buquê. Que fofo!
Sara ri de leve, meio sem graça.
— Eu nem sei o que vou usar ainda.
Lila para de andar e encara Sara.
— Sara… o baile é semana que vem.
— Eu sei — ela dá de ombros — mas acho que vou com qualquer coisa mesmo.
Lila segura o braço dela, mais firme do que precisava.
— Não. Você não vai.
Sara estranha, olhando para o braço.
— Li, pega leve.
Lila solta devagar, mas continua intensa.
— Se tudo der certo, você e o Vini vão voltar hoje.
Sara faz uma careta, desconfortável.
— Isso não é tão simples assim.
— Não mesmo, ainda mais se você for “de qualquer jeito”. — Lila cruza os braços — Faz ele lembrar por que vocês funcionam juntos.
Sara volta a andar, pensativa.
— E se a gente não funcionar?
Lila troca um olhar rápido com Joana.
— A gente acha que funcionava, sim.
Joana concorda, mais suave:
— Ele é inteligente, é legal… e, vai, é bonitinho.
Sara solta um sorrisinho, mas logo disfarça.
Lila e Joana acabam seguindo por outro corredor.
— A gente se vê depois! — disse Joana, tentando aliviar.
Sara continua sozinha até o armário.
Quando chega, tem um pequeno buquê de flores preso na porta. Simples, mas bonito.
Ela fica surpresa, quase sorri.
Rafa se aproxima, encostando no armário ao lado.
— Olha só… finalmente alguém te deu flores.
Sara solta um riso curto, entrando no jogo.
— Eu até ficaria aqui discutindo com você… — ela pega o celular — mas tenho que ir comprar um vestido pra sair com alguém que não é você.
Rafa perde o sorriso na hora.
— Tá. Beleza.
Ele se afasta sem olhar pra trás.
Sara observa ele ir embora.
Ela olha de novo para o buquê, toca nas flores com cuidado… e se encosta no armário, soltando um suspiro, claramente dividida.
 
Adryan chega no vestiário, para se arrumar para uma competição. Ele respira fundo, como se estivesse tentando se distrair. Antes de entrar, dá de cara com Carol que estava parada na porta. Ela vem direto até ele, aflita.
— Adryan! O que aconteceu? Eu te mandei um monte de mensagem, te liguei… você simplesmente sumiu.
Ele para, encara ela por um segundo. O olhar é frio.
— Sério que você ainda pergunta isso?
Carol engole seco, nervosa.
— Eu juro, eu não tenho nada a ver com aquela chantagem. Aquilo foi a Nicole, eu nem falo mais com ela.
Adryan olha sério para ela.
— Não fala mais agora, né?
Ele se aproxima um pouco, a voz firme.
— Ela fez um desenho pro aniversário da filha da Michelle. Você lembra disso? Vocês destruíram o desenho. — a voz dele falha por um instante, mas ele continua — Ela teve uma crise de ansiedade e foi parar no hospital. Você fazia bullying com ela o que ajudou a piorar a situação dela.
— Adryan, eu não sabia que...
— Não sabia porque não quis saber. — ele rebate na hora — Era mais fácil fingir que era só “brincadeira”, né?
O clima pesa.
— Ela se machucou de verdade, Carol. Ela tá mal. Nem consegue vir para escola. — ele respira fundo, tentando se controlar — E você tem parte nisso.
Carol começa a ficar com os olhos cheios d’água.
— Eu… eu não queria que chegasse a esse ponto…
Adryan dá um passo para trás, se afastando.
— Mas chegou.
Ele se vira para ir embora.
— Adryan, espera!
Ele para por um segundo, sem olhar pra ela.
— Carol… — a voz dele sai mais baixa, mas firme — acabou. — ele vira o rosto, olhando direto pra ela. — Eu não quero mais nada com você. Nem olhar na sua cara. Então… me esquece, beleza?
Adryan entra no vestiário.
Carol fica ali parada, tentando segurar o choro… mas não consegue.
 
Maju e Rafa estão na sala de música. O clima ainda tem um leve peso, mas os dois tentam focar no que importa.
— Mas isso não vai atrapalhar o nosso show, né? — perguntou Rafa, meio desconfiado.
Maju cruza os braços, firme.
— Não. Eu não vou deixar problema pessoal bagunçar tudo.
Rafa levanta uma sobrancelha, analisando ela.
— Tem certeza?
Maju respira fundo, mais calma.
— Tenho. A gente tem coisa demais acontecendo agora pra eu surtar.
Rafa assente, mais tranquilo.
— Ótimo. Porque o próximo mês tá insano. Vários shows, ensaio, e ainda tem os vídeos pro Youtube.
Maju dá um sorriso.
— Eu sei. Vai dar tudo certo. Vamos focar nisso, beleza?
Rafa faz um gesto de “fechado” com a mão.
— Fechado.
Nesse momento, a porta abre rápido e Helena entra, meio ofegante.
— Desculpa o atraso! Minha irmã caiu de bicicleta.
Maju muda na hora, preocupada.
— Ela tá bem?
Helena larga a mochila no chão.
— Tá, sim. Só ralou o joelho, nada grave.
Maju relaxa os ombros.
— Ainda bem.
Rafa já pega a guitarra, voltando pro modo ensaio.
— Então perfeito. Todo mundo vivo… bora trabalhar.
Helena ri de leve.
— Sensível, você.
Rafa dá um sorrisinho.
— Prioridades.
Maju balança a cabeça, entrando no clima.
— Vai, antes que eu mude de ideia.
Os três se posicionam, e a energia da sala muda completamente agora é foco total na música.
 
Sara está se arrumando para sair com Vini para o show da Maju. Ela passa pela sala e encontra Michael.
— Você viu a mãe? — ela perguntou, já meio apressada — Eu preciso de um vestido pro baile.
Michael nem tira os olhos do que está fazendo.
— Você tem um armário inteiro cheio de roupa, Sara.
Ela revira os olhos, andando em direção à cozinha.
— É o baile da escola, eu preciso de um vestido novo.
De repente, alguém diz.
— Vai ficar linda de qualquer jeito.
Sara para e se vira, ela da um sorrisinho sem graça ao ver Vini ali.
— Vini? Você já chegou?
Ela olha o celular e arregala os olhos.
— Meu Deus... Eu perdi total a noção do tempo.
Vini sorri de leve.
— Relaxa. Vale a pena esperar por você.
Sara fica meio sem graça, desviando o olhar por um segundo.
— E… eu sei que o baile é só semana que vem — ele continua — mas talvez isso te ajude a decidir o vestido.
Ele se aproxima e mostra uma pulseira preta, simples, mas bonita.
— Preto combina com tudo.
Sara olha, surpresa, e sorri de verdade dessa vez.
— Você não precisava… ainda mais depois das flores.
Vini franze a testa, confuso.
— Que flores?
O sorriso dela vacila. Ela percebe na hora.
— Nada. Esquece. Não importa.
Um silêncio curto se instala.
Vini estende a pulseira.
— Você gostou?
Sara pega, observa por um instante.
— É linda… — ela respira fundo — mas eu não posso ir ao baile com você.
Agora ele fica sério.
— Quem é ele?
Sara levanta o olhar, surpresa.
— O quê?
— Se você tá me dando um fora uma semana antes do baile… é por causa de outro cara, né?
Ela balança a cabeça, meio perdida.
— Não é isso. Eu nem sei se… se temos alguma coisa.
Vini solta um riso curto, sem humor.
— Tá. Quem quer que seja… boa sorte pra ele. Com você, ele vai precisar.
Sara sente o impacto, mas não responde.
Vini se vira e sai, sem olhar pra trás.
Sara fica parada, pensativa.
 
Ellie está sentada na cama, concentrada em um desenho. O quarto está silencioso, só o som do lápis no papel.
A porta abre devagar.
— Kequel, você tem visita — Marta falou, com cuidado.
Ellie levanta o olhar.
— Visita? Quem?
— É uma garota da sua escola… a Carol. Ela disse que precisa falar com você.
Ellie fica em silêncio por um segundo, processando.
— Tá… pode deixar, eu vou lá.
Ela coloca o caderno de lado, respira fundo e sai do quarto.
Na sala, Carol está em pé, visivelmente nervosa, mexendo nas mãos.
Ellie para na entrada.
— Oi… minha mãe disse que você queria falar comigo?
Carol levanta o olhar, sem jeito.
— Queria, sim. — ela engole seco — Ellie… eu vim te pedir desculpa. Por tudo. Eu sei que passou de qualquer limite… e eu devia ter parado antes.
Ellie respira fundo, tentando se manter firme.
— Devia mesmo.
O silêncio pesa por um instante.
— Eu nunca quis que você se machucasse daquele jeito, mas eu sei que isso não muda nada.
Ellie olha pra ela, mais calma, mas ainda séria.
— Não muda mesmo… mas eu não quero ficar presa nisso.
Carol levanta o olhar, surpresa.
— Eu te perdoo, Carol. — Ellie fala com sinceridade — Não porque foi pouco, mas porque eu não quero carregar isso comigo.
Os olhos de Carol enchem de lágrimas.
— Obrigada… de verdade. — Ela hesita, depois completa: — E… eu não tive nada a ver com a chantagem. Aquilo foi a Nicole. A gente já estava meio afastada… eu nunca concordei com o jeito que ela tratava as pessoas.
Ellie inclina a cabeça, firme.
— Carol… bullying é bullying. Não existe “menos pior”. Machuca do mesmo jeito.
Carol abaixa o olhar, assentindo.
— Eu sei. E eu juro… nunca mais vou fazer isso com ninguém.
Ellie observa ela por um segundo, avaliando.
— Espero que não.
Um pequeno silêncio, agora menos tenso.
— Sobre a chantagem… fica tranquila — continua Ellie — a Nicole já assumiu tudo. Meus pais não vão prestar queixa. A gente só quer esquecer isso e seguir em frente.
Carol solta o ar, aliviada.
— Você é muito melhor do que tudo isso, Ellie. Não merecia nada do que aconteceu.
Ellie dá um meio sorriso, triste.
— Ninguém merece.
Carol assente, pensativa, e muda de assunto:
— Ah… a Nicole foi expulsa da equipe de líderes de torcida. Ela já fazia isso com outras meninas da equipe… ninguém aguentava mais.
Ellie cruza os braços, lembrando de algo.
— Espera… vocês não tinham que ir para a competição de atletismo hoje?
— Sim. Tá rolando agora, na verdade. Mas eu não vou.
— Por quê?
Carol hesita, mais vulnerável.
— O Adryan terminou comigo… e eu acho que ele precisa de espaço.
Ellie suaviza o olhar.
— Ele tá bem magoado mesmo.
Carol suspira.
— Eu sei…
Ellie pensa por um momento.
— Mas, olha… se você gosta dele de verdade, vai lá. Fala com ele. Do jeito que você falou comigo agora.
Carol encara Ellie, insegura.
— Você acha que ele pode me perdoar?
Ellie dá um pequeno sorriso sincero.
— Eu acho que você precisa ser honesta. O resto… é com ele.
Carol respira fundo, absorvendo aquilo.
— Tá… faz sentido.
Ela olha para Ellie, curiosa.
— E você? Vai pra competição?
Ellie hesita, depois dá de ombros.
— Eu não ia… mas acho que sair um pouco vai me fazer bem. Vou ver se meu pai pode me levar.
Carol sorri, mais leve.
— Vai, sim. Vai ser bom pra você.
Ellie sorri de volta, pela primeira vez de forma mais tranquila.
— É… acho que vai.
 
Maju, Rafa e Helena estão, ajustando o repertório para a apresentação da noite.
— A gente pode fechar com “Não é Convite” — sugeriu Maju.
Rafa olha pra ela, apoiando a guitarra no corpo.
— Você que manda… mas, normalmente, a última música é mais calma, né?
Maju dá de ombros.
— Então a gente faz um cover.
Rafa liga a guitarra, testando o som.
— Tá… então que tal “Sim”? — ele solta, casual — Aquela sobre o seu “amor perdido” pelo Vitor.
— Não! — Helena dispara na hora, da bateria.
O som ecoa na sala. Silêncio.
Rafa olha pra trás, estranhando a reação.
Maju vira o rosto bem devagar pra Helena, o olhar ficando mais frio a cada segundo.
— Você sabia.
Helena trava, percebendo o que fez.
— Eu… mandei ele te contar.
Maju dá um passo na direção dela.
— Você devia ter me contado.
Helena se levanta também, tentando se explicar.
— Maju, com tudo o que estava acontecendo… a história da trolagem, você já estava mal… nunca parecia a hora certa.
O clima fica pesado.
— Eu estou cansada disso — Maju continua, mais direta — de desculpa, de “não era o momento”, de gente escondendo coisa de mim. Pode ir embora. Hoje você não toca com a gente.
Helena pega as coisas devagar.
Ela encara Maju por um segundo, como se quisesse dizer algo… mas desiste e sai.
Rafa se aproxima de Maju com cuidado.
Maju cruza os braços, ainda tensa.
— Vai. Pode falar.
Rafa solta um riso, sem graça.
— Eu não faço a menor ideia do que acabou de acontecer.
Maju desvia o olhar, respirando fundo, tentando se controlar.
 
Adryan está no vestiário, terminando de se preparar para a competição. Ele abre o armário e dá de cara com uma foto dele com Carol, colada na porta.
Ele trava por um segundo.
Suspira, incomodado… e tenta arrancar a foto. Mais para no meio do movimento. A mão dele fica ali, presa, como se não conseguisse terminar.
Ele fecha o armário com mais força do que precisava.
— Adryan — a voz do treinador chama.
Ele se vira. Miguel se aproxima, atento.
— Como está a coxa?
Adryan força um ar confiante.
— Melhor. Dá pra competir.
Miguel assente.
— Ótimo. Então anda logo, você é o último da equipe.
Ele sai sem esperar resposta.
Adryan dá mais uma olhada rápida pro armário, pega a garrafa de água e sai do vestiário.
Assim que sai, ele vê Carol… e Ellie ao lado dela.
Ele estala a língua no céu da boca, claramente irritado.
Ellie dá um passo à frente, tentando manter o clima controlado.
— Adryan… a Carol quer falar com você. Só… escuta o que ela tem pra dizer, tá?
Ele nem olha pra Carol. Fixa o olhar em Ellie.
— Você está com ela? Depois de tudo?
Ellie sustenta o olhar, calma, mas firme.
— A gente conversou. — ela dá de ombros — E eu escolhi perdoar. Se eu consegui… talvez você consiga também — completou Ellie, sem pressionar, só sincera.
O silêncio pesa por um instante.
Ellie olha para os dois, percebendo que precisa sair.
— Eu vou deixar vocês conversarem.
Ellie se afasta.
Adryan e Carol ficam sozinhos. Ele finalmente olha pra ela.
 
Enquanto isso, Sara chega ao local do show, olhando em volta procurando alguém. Ela avista Lila e Joana perto da entrada.
Lila acena na hora, animada.
— Finalmente! Vem, vamos tirar uma foto!
Sara nem para direito, já meio distraída.
— Depois. Eu preciso achar alguém.
Lila troca um olhar com Joana e abre um sorriso malicioso.
— Uhuu… você e o Vini marcaram um encontro secreto, foi?
Sara para e olha pra ela, direta.
— Ele não vem. Eu disse que não estava mais afim dele.
Joana franze a testa, confusa.
— Deu um fora nele?
— Eu achei que você queria ser feliz — Lila completou, meio incrédula.
— O Vini não me faz feliz. — Sara hesita um segundo, como se estivesse pensando alto. — Talvez o Rafa faça.
Lila se aproxima um passo, encarando ela com mais seriedade.
— Ok… você claramente tá surtando.
Sara revira os olhos.
— Não estou surtando.
— Tá, sim. — Lila insiste — E o Rafa não é solução pra nada.
Joana entra, mais cautelosa, mas sincera.
— Ele vai te magoar, Sara. E aí a gente vai ter que juntar os pedaços de novo.
Sara solta um riso irônico.
— Ah, claro. E vocês duas viraram especialistas agora? — Ela olha direto pra Lila. — Você, inclusive, pegou o cara que a sua amiga gosta.
— Sara! — Joana reclamou, na hora.
Lila fecha a cara, incomodada.
— Você disse que já tinha superado o Gui.
Joana cruza os braços, magoada.
— Superado como? Eu sempre gostei dele. E ele gostava de mim… até você rebolar para ele.
O clima pesa de vez.
Lila solta uma risadinha debochada.
— Pelo menos tenho bunda para rebolar.
Sara observa as duas começando a discutir, balançando a cabeça, já cansada. Enquanto Lila e Joana continuam discutindo, uma por cima da outra. Sara aproveita o caos, dá um passo pra trás…
Outro…
E simplesmente sai de fininho, desaparecendo na multidão do show.
 
Na escola, perto da área da competição, Adryan e Carol conversam.
— Eu sei que você tem uma competição importante agora… — ela fala rápido — mas eu preciso dizer isso. E prometo que depois eu não te incomodo mais.
Adryan cruza os braços, ainda frio.
— Então fala logo.
Carol respira fundo, tentando organizar as palavras.
— Eu sei que eu errei. Não foi só com a Ellie… foi com um monte de gente. — ela abaixa o olhar por um segundo — Eu fazia aquilo pra agradar alguém que nem ligava pra mim.
Adryan observa, em silêncio, Carol continua.
— E eu não quero mais ser essa pessoa — ela continua, levantando o olhar — Eu estou tentando mudar. De verdade.
Ela dá um passo mais perto, vulnerável.
— E não é só por mim… é por você também.
Adryan franze levemente a testa.
— Como assim?
Carol engole seco, mas segue firme.
— Porque eu gosto de você. E eu sei que… se eu continuar sendo aquela pessoa, você nunca vai querer ficar comigo. — O clima pesa, mas agora é mais sincero do que tenso. — Eu não quero mais machucar ninguém, Adryan. 
Antes que ele responda, a voz do treinador ecoa pelo corredor:
— Adryan! Pelo amor de Deus, você é o próximo!
Os dois se viram automaticamente.
Adryan volta o olhar pra Carol, claramente mexido, mas ainda contido.
— A gente… conversa depois.
Carol assente, mesmo sem saber o que esperar.
— Tá.
Adryan hesita por um segundo… como se quisesse dizer mais alguma coisa. Mas não diz.
Ele se vira e sai em direção à competição.
Carol fica ali, parada, soltando o ar devagar… como se tivesse acabado de tirar um peso enorme das costas.
Na competição de salto em distância, Adryan se posiciona na pista o barulho da arquibancada é alto, torcida, vozes, apitos.
Ele flexiona levemente a perna, testa o apoio… ainda sente um leve incômodo na coxa.
Respira fundo.
Olha para a caixa de areia.
Fecha os olhos por um segundo.
— Vamos lá… — murmura pra si mesmo — você consegue.
A voz da torcida começa a crescer ao fundo.
Ele abre os olhos. Foco total.
Dá o primeiro passo… depois acelera.
Cada passada mais rápida que a outra.
O barulho ao redor parece desaparecer — só o som dos próprios passos.
Ele impulsiona.
Salta.
Por um instante, tudo fica em silêncio.
O corpo no ar, totalmente estendido.
E então. Ele cai na areia, deslizando.
Um segundo de pausa.
A torcida explode.
Adryan levanta rápido, olhando para a marca, ofegante.
Um sorriso aparece, quase sem querer.
Foi longe. Muito longe.
Ele passa a mão no cabelo, aliviado… e orgulhoso.
Do outro lado, alguns colegas comemoram.
Adryan respira fundo, ainda tentando processar.
Dessa vez… deu certo.
 
Maju e Rafa se apresentam no show, eles. Terminam de cantar “Não é Convite”.
“Não é flerte, é invasão
Não é charme, é pressão
Não me toque, não me siga
Não me olhe como presa na escuridão
Eu não devo explicação
Não te devo atenção
Meu “não” é frase inteira
Não é jogo, não é provocação”
A última nota ecoa… e logo a plateia explode em aplausos e gritos.
Maju sorri, ainda ofegante, segurando o microfone.
— Obrigada, gente! — ela ri, animada — A gente volta em 20 minutos!
Rafa faz um gesto com a mão, agradecendo, e os dois descem do palco.
Assim que colocam os pés fora da luz, o clima muda.
Vitor aparece, vindo direto na direção de Maju.
— Maju, a gente precisa conversar.
O sorriso dela some na hora, ela cruza os braços 
— Você me traiu… e ainda escondeu isso de mim por semanas.
Vitor abaixa o olhar, sem ter muito o que dizer.
— Eu sei… — ele passa a mão no cabelo, nervoso — me desculpa.
Antes que Maju responda, Sara surge, olhando em volta, meio aflita.
— Ei, vocês viram o Rafa?
Maju e Vitor trocam um olhar rápido, mas ficam em silêncio.
Sara percebe o clima estranho na hora.
— Tá… deixa pra lá — ela força um sorrisinho — eu continuo procurando.
Ela sai, meio sem graça.
O silêncio volta, pesado.
Vitor respira fundo, tentando se explicar.
— Eu achei que a gente já tinha terminado… — ele fala mais baixo — mas eu não quero que isso acabe de verdade.
Maju encara ele, ainda magoada.
— E por que eu deveria te perdoar?
Ele hesita, sincero.
— Porque eu faria diferente, se pudesse. Eu juro. Eu nunca teria deixado a Zara me beijar.
Maju estreita os olhos.
— Foi só um beijo?
Vitor dá um sorriso nervoso.
— Foi… basicamente isso.
Maju sustenta o olhar por alguns segundos, avaliando. Depois suspira, cansada.
— Tá. A gente conversa depois do show.
Ele solta o ar, aliviado, quase sorrindo.
Maju se vira e sai.
Vitor fica ali, parado… e um sorriso vai aparecendo no rosto dele.
Gui se aproxima por trás, percebendo.
— Ih… e esse sorrisão aí?
Vitor sorri, ainda olhando na direção que Maju foi.
— Acho que… vai ficar tudo bem.
 
Sara continua procurando por Rafa, ela o vê conversando com uma garota e depois os dois saem abraçados, Sara fica chateada.
 
Maju está no banheiro, de frente para o espelho, retocando a maquiagem. A porta abre e Zara entra. O olhar das duas se cruza pelo reflexo e o clima pesa na hora.
Zara quebra o silêncio:
— Eu… queria pedir desculpa.
Maju solta uma risadinha curta, ainda olhando para o espelho.
— Sério? — ela vira devagar — Você é uma péssima pessoa. Sabe disso, né? Não acredito que a Helena era sua amiga.
Zara desvia o olhar por um segundo.
— Isso já foi resolvido.
Maju franze a testa, incomodada.
— Por que o Vitor?
Zara dá de ombros, como se não fosse grande coisa.
— Ele estava ali. Foi fácil.
Maju ri, incrédula.
— Fácil? Como assim, “fácil”?
— Ele não me recusou.
O impacto é imediato.
Maju trava por um segundo.
— Então ele te beijou de volta… — ela fala mais baixo, tentando controlar a raiva — e depois?
Zara hesita.
— Não importa.
Maju se aproxima mais, firme.
— Importa, sim. E você não decide isso.
O silêncio pesa.
Zara desvia o olhar, desconfortável pela primeira vez.
— Eu não quero ver sua cara quando eu contar.
As duas se encaram.
 
Sara está parada, tentando conter o choro… mas não consegue. As lágrimas começam a cair.
Mais ao fundo, Lila e Joana percebem e se aproximam rápido.
— Sara? O que aconteceu? — Joana perguntou, preocupada.
Sara limpa o rosto, sem muito sucesso.
— Eu vi… — a voz falha — o Rafa… com outra garota.
O silêncio cai entre as três.
— Eu devia ter ouvido vocês — ela continua, chorando — desculpa… de verdade.
Joana se aproxima e coloca a mão no ombro dela.
— Me desculpa por você se sentir assim.
Lila se aproxima um pouco mais.
— E me desculpe por... — ela para, travando — na verdade, eu ia falar que não tenho nada pra pedir desculpa.
Joana vira o rosto na hora, encarando ela.
Lila solta o ar, revirando os olhos.
— Tá, tá… — ela cede — desculpa por ter ficado com o Gui, mesmo sabendo que você gostava dele.
Joana cruza os braços, ainda chateada, mas escutando.
Depois olha pra Sara.
— E… desculpa por termos ficado te pressionando a voltar com o Vini.
Lila concorda, mais sincera agora:
— A gente achou que ele ia te fazer feliz.
Sara dá um riso fraco, triste.
— Quem dera… — Ela respira fundo, enxugando o rosto. — Eu cansei de ficar triste.
Lila observa as duas, pensativa… e então fala, mais direta:
— Já que é pra ser sincera… a gente também cansou.
Joana vira pra ela, surpresa.
— Lila…
— Não, é sério — ela continua — parece que a gente tá sempre tentando te animar, e nada funciona. Nem a gente.
Sara arregala levemente os olhos, atingida.
— Eu nunca disse isso… — Ela para, pensando. — Eu disse? Eu não quis dizer… — ela balança a cabeça — eu não estava falando sério. Desculpa… de novo.
O silêncio volta, mais pesado… mas honesto.
Lila olha pra ela por alguns segundos, avaliando e suspira.
— Tá… chega. — Ela dá um passo à frente, meio sem graça. — A gente pode… se abraçar agora?
Joana solta um sorrisinho de canto.
Sara respira fundo… e concorda.
As três se aproximam devagar e se abraçam forte.
 
Depois da competição, Adryan caminha ao lado de Carol.
— Que pena que você não ficou no pódio — disse Carol, sincera.
Adryan sorri, tranquilo.
— Ah… os caras são muito bons.
— Você também é — ela rebate na hora — só não estava 100% por causa da coxa.
Ele balança a cabeça, pensativo.
— Não foi só isso. Mesmo se eu estivesse bem, acho que o resultado ia ser o mesmo.
Carol franze a testa.
— Para com isso.
— É sério — ele continua — se eu quiser competir em alto nível, preciso treinar mais. E melhor.
Carol sorri de leve, admirando.
— Você vai conseguir. Você é o cara mais esforçado que eu conheço.
Adryan sorri, meio sem graça.
— Obrigado por acreditar em mim…
Ele para de andar.
Carol também para, olhando pra ele.
Adryan respira fundo e se vira de frente pra ela.
— Eu pensei no que você falou antes… e…
— E? — ela se aproxima um pouco, curiosa.
Adryan ri nervoso, passando a mão no cabelo.
— Eu também gosto de você. E… eu acho que… — Ele trava. — Meu Deus… — ele ri de si mesmo — é a primeira vez que eu não sei o que falar pra uma garota.
Carol dá um passo mais perto, sorrindo.
— Então não fala nada. — Ela segura levemente a camisa dele. — Só me beija.
Adryan não pensa duas vezes.
Ele puxa ela e beija.
O momento é leve, sincero… sem pressão.
Depois de alguns segundos...
— Ei, calma aí, crianças!
Eles se afastam na hora, rindo.
Ellie está parada ali sorrindo.
— Ellie! — Adryan fala, ainda rindo — achei que você ia falar com suas amigas do atletismo.
— Já falei, e falei com a Lara também. A gente vai se encontrar no show da Maju depois. Vocês vêm?
Adryan olha pra ela com um pouco de cuidado.
— Você tem certeza? Tipo… de verdade?
Ellie respira fundo, mas sorri.
— Tenho. Eu preciso voltar ao normal… acho que isso vai me fazer bem.
Adryan assente, respeitando.
— Beleza. — Ele aponta pro vestiário. — Vou tomar um banho, trocar de roupa e a gente vai. Mas, ó… — ele olha sério pra Ellie — se você quiser ir embora em qualquer momento, a gente vai junto. Sem discussão.
Ellie sorri.
— Beleza.
Adryan começa a se afastar.
Ellie observa ele ir, depois olha pra Carol com um sorrisinho de canto.
— Ele parece meu pai.
Carol ri.
— Eu ouvi isso, hein! — Adryan gritou de longe, sem nem se virar.
As duas caem na risada.
 
Nos bastidores, o som da plateia ainda ecoa. Maju se ajeita, respirando fundo, tentando se recompor antes de voltar ao palco.
Vitor aparece correndo até ela.
— Maju, você está bem? Eu estava te procurando.
— Agora não, Vitor — ela corta, sem nem olhar direito — eu preciso subir ao palco.
Ela tenta passar por ele, mas Vitor acompanha.
— Deixa eu te ajudar.
Maju para de repente, ela se vira devagar.
O olhar dela está diferente agora, mais frio, mais direto.
— Você gostou?
Vitor trava.
— O quê?
— Quando você e a Zara se pegaram — ela fala, sem desviar o olhar — você gostou?
O ar pesa entre os dois.
Vitor fica em silêncio por alguns segundos, claramente sem saber o que dizer.
— Maju… eu… — ele passa a mão no rosto — eu sinto muito.
Ela dá um riso curto.
— E daí?
A pergunta fica no ar.
Vitor percebe, naquele momento, que não tem resposta que resolva aquilo.
Ele engole seco e recua, se vira… e vai embora.
Maju fica parada por um segundo, segurando tudo. Respira fundo se vira e dá de cara com Helena.
As duas se encaram, Maju se aproxima.
— Nunca mais mente pra mim.
Maju segura o olhar dela por um instante… E então puxa Helena para um abraço.
Helena corresponde, aliviada.
Por um momento, tudo fica mais leve.
 
Todos estão esperando o show recomeçar, Sara e Joana conversam em um canto.
— Ei… — disse Joana, com um sorriso leve — relaxa. Vai ficar tudo bem.
Sara suspira, ainda meio mexida.
— Eu espero.
Antes que Joana diga mais alguma coisa, Rafa se aproxima.
— Oi.
Sara olha pra ele, surpresa.
— Oi.
Ele dá uma olhada em volta, meio sem jeito.
— Cadê seu par?
Sara revira os olhos, cruzando os braços.
— Cadê o seu?
Rafa olha mais sério.
— Sara… eu fiz alguma coisa errada?
Ela encara ele, direta.
— Você me dá flores… e depois aparece com outra garota.
Rafa franze a testa.
— Você disse que vinha com outra pessoa.
Sara dá um passo mais perto.
— E por que você não me chamou pra vir com você? Achei que me entendesse.
Rafa passa a mão no cabelo, frustrado.
— Então… eu não entendo mesmo. Mas eu queria entender. Então… você pode parar com esses joguinhos?
Sara chega mais perto ainda, agora mais firme.
— Espera. Eu não estou fazendo joguinhos.
Rafa responde na hora:
— Nem eu.
Um silêncio curto.
Os dois se encaram, então Rafa respira fundo.
— Eu gosto de você, Sara Laursem.
Sara sente o impacto, mas não desvia.
— Eu também gosto de você, Rafael Costa.
O clima muda completamente.
Rafa sorri, mais leve.
— Então… quer ir ao baile comigo?
Sara sorri de volta, sem hesitar.
— Quero.
Os dois ficam ali por um segundo, só se olhando…
Sorrindo, meio sem acreditar. E dessa vez… tudo parece se encaixar. 
 
Adryan, Carol e Ellie entram no local do show, olhando em volta.
— Cara… a banda da Maju é muito boa — comentou Adryan.
— Eu falei, ela ainda vai ser muito famosa — Ellie falou.
De repente, Lara aparece, animada.
— Pomponzinho!
— Ursinha! — Ellie respondeu na hora, abrindo um sorriso.
Lara puxa Ellie e dá um beijo rápido nela.
— A segunda parte do show já vai começar.
Adryan se aproxima e dá um leve cutucão no braço de Lara.
— E aí? Nem vai cumprimentar os amigos?
Lara olha pra ele e sorri de canto.
— Oi, baixinho. Foi mal.
Adryan finge indignação.
— Baixinho? Eu sou mais alto que você!
— Na sua cabeça — ela rebate, rindo.
Então Lara percebe Carol.
— Ah, oi, Carol. A Ellie me contou que vocês se acertaram… — ela cruza os braços, com um sorrisinho — ainda bem, assim eu não preciso te dar uma surra.
O clima trava por meio segundo.
— Ursinha… — Ellie a chama.
Lara solta uma risada.
— Calma, gente. Estou brincando.
Todos relaxam e dão uma risadinha.
Ellie pega a mão de Lara.
— Vem, vamos pegar água. Eu estou morrendo de sede.
As duas saem, deixando Adryan e Carol sozinhos.
Adryan observa elas indo e comenta:
— Essa Lara é… intensa.
Carol ri de leve.
— Bastante.
No palco, Maju volta com o microfone.
— A gente voltou! — a plateia vibra — E agora… uma balada romântica. Então, casais… podem chegar mais perto.
A música começa, mais lenta.
Adryan olha pra Carol.
— Quer dançar?
Carol sorri na hora, os olhos brilhando.
— Quero.
Eles se aproximam e começam a dançar devagar, no ritmo da música.
— Eu achei que tinha estragado tudo entre a gente — disse Carol, mais baixo.
Adryan balança a cabeça, tranquilo.
— Esquece isso. O que importa é agora.
Carol sorri, aliviada, eles trocam um olhar mais demorado.
— Carol…
— Oi.
Adryan respira fundo.
— Você quer ir ao baile comigo?
O sorriso dela cresce.
— Quero. Muito.
Ele ri, aliviado.
— Ainda bem.
Eles se aproximam mais… e se beijam.
Um beijo leve, sincero.
E continuam dançando, como se o resto do mundo tivesse desaparecido.

Sinopse do Próximo Capítulo – Esperando Por Você, parte 1 e 2
A situação de Ellie piora, e ela se recusa a aceitar ajuda. Adryan e Carol estão prontos para ir ao baile juntos, mas os pais dele já têm outros planos.
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Atualizado em: Dom 5 Jul 2026

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