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João Saracura na Baluartes da Educação

Quadra da Baluartes da Educação. Na sala Heróis da Resistência, o povo olha o notebook esperando o Carnaval virtual rodar. Luiz Gama, Sophie Scholl e Joana d’Arc olham a tela. Eu, Roberto, vejo a chegada de João Saracura enquanto Lamartine Babo, o Lalá, toma nota em sua prancheta das notas dadas pelos “olheiros” como numa apuração real. Na porta, Noel Rosa acende um cigarro e fala:
- João: qual a pegada hoje, mermão? Multa, taxa…
Ao pisar, ouço lamentações! Luiz Gama diz:
- Tela azul. Não dá. De novo?
Jogo um pendrive na mão do Luiz e falo:
- Instala o Linux Mint. Esquece isto aí.
João Saracura bota um monte de papéis na mesa e Luiz Gama levanta da cadeira. Colo na papelada junto com Noel e Lalá ocupa a mesa para formatar a máquina.
Sophie e Joana conversam sobre as Finanças e o casal de Mestre Sala e Porta-bandeira. Sophie diz:
- Não dá para ficar tirando pena de pavão por aí, então, reciclagem nas roupas do casal.
- A conta não fecha, Sophie. Tô desesperada.
- O Luiz resolverá. Estas multas e taxas deste João estão minando nosso Carnaval. Ele não tem consciência?
Luiz fala:
Noel: vá na escola pública ao lado e peça para a Diretora 50 ritmistas. 25 meninos e 25 meninas.
- Ok.
- Tá pronto aí, Lalá?
- Tô tentando arrumar o sistema.
- Eu pedi para formatar. Bota o Mint logo.
O imponente João Saracura diz:
- Você conseguiu licença para dar aulas de jogos de azar aqui na escola?
- Xadrez não é jogo de azar!
- Azar o seu. Terei que aplicar uma multa. E aquele carrinho de pipoca? Tem licença para funcionar quase dentro da quadra?
- Olha, é muita burocracia. Já solicitei liminar contra suas ações aqui. Não dá! Toda semana você implica com alguma coisa.
- Sem falar que a escola “engoliu” a rua com suas mesas e cadeiras.
Luiz Gama passa a mão no rosto desesperado. Desviando o foco, ele pergunta:
- Terminou aí, Lalá?
- Opa! As impressoras conectaram automaticamente. Tudo certo.
- Sophie, ligue ao Brecheret lá no barracão e manda cortar a parte do alegórico que irá o destaque.
- Por quê?
- Esta multa aqui. Pago a multa ou faço o resto do alegórico.
João Saracura engole seco e fala:
- Podemos negociar.
- Não. Eu vou para a Justiça. Farei uma representação direta ao senhor também, João Saracura.
- Temos outros caminhos.
Joana d’Arc comenta em tom baixo para Sophie:
- Só se for o caminho da esperteza.
- Se toda energia que ele gasta fosse revertida para ajudar…
Luiz gama pergunta:
- Qual caminho?
- É só suspender as aulas do jogo de azar que…
Joana d’Arc fica nervosa e parte para cima de João Saracura! Segurando o fiscal da Prefeitura pelo colarinho, ela diz:
- As minhas aulas de Xadrez, não!
Eu, Luiz Gama e Sophie Scholl tentamos controlar a fúria da jovem! Separo a contenda enquanto Lalá tira os óculos calmamente e diz:
- O senhor está na letra, seu João!
Após o “deixa disso”, João Saracura ajeita seu paletó e fala:
- Tudo bem. Eu estou na letra, é?
- Claro! O senhor é o destaque do desfile! Não é mesmo, Luiz?
- Claro, claro! Sophie: manda o Brecheret continuar a alegoria, faz o favor!
- Sim, doutor.
Noel chega com os 50 ritmistas na quadra e Joana pega os tabuleiros para ensinar Xadrez no canto. Sophie liga e fala:
- Pode continuar a parte do destaque, Brecheret. O Mão Santa tá bem aí?
- Ele foi tirar o CIN. Tá querendo voos maiores.
- Voos maiores?
- Ele disse que pretende botar um astronauta na Comissão de Frente. Estuda aí.
- Isso já aconteceu na Sapucaí. Não vira.
- Segundo ele, o tripé da Comissão pousará na avenida com Pandora.
- Hã?
- Dumont é assim mesmo. Se cuida.
- Obrigada. Vocês também.
Noel Rosa que ouvia tudo ao lado, comenta:
- Era isto que eu queria!
- Ah! Tem dedo seu nisto?
- Psiu! O doutor Luiz nem sonha.
Sophie solta uma risada pelo nariz enquanto Luiz negocia com João Saracura. O nosso Presidente, Luiz Gama, fala:
- Bom. Se quiser ser destaque, pare de multar a Baluartes.
- Fique tranquilo! Pode ter jogo de azar, pipoca, mesas na rua!
- Que bom. Agora, vá lá e peça desculpa para a Joana.
- Sim, senhor.
Todo feliz, João Saracura sai, desculpa com Joana e ele senta para jogar Xadrez junto com os jovens antes do ensaio da bateria.
Luiz chama:
- Noel, vem cá!
- Sim, doutor.
- Onde você tirou esta ideia de nave pousando na Comissão de Frente?
- Simples: se somos extraterrestres em nossa própria casa, poluindo tudo, nada mais justo que Pandora chegar, né, mermão?
- Tá no regulamento? Botou na sinopse?
- O Lalá mandou para a Liga.
- Confere lá, marciano! Confere!
Sophie cai na risada e abre a transmissão da TV Rosa Branca na quadra, filmando. Joana ao microfone diz:
- Vejam: jovens aprendendo a jogar Xadrez. A burocracia não pode vencer. Qual o nome do senhor?
- João Saracura.
- O senhor já é bem conhecido aqui. Pretende desfilar este ano?
- Claro, claro! Eu convido a comunidade para participar dos ensaios, aprender Xadrez, integrar na escola. Tem pipoca, roda de samba aos Sábados. Venha!
- Obrigada, senhor João Saracura. É com você aí no estúdio, Madrinha Eunice!
- Obrigada, Joana! A burocracia é vencida com resistência. Agora, vamos apresentar a história de Aqualtune…
Na quadra da Baluartes, um telão e a nossa escola madrinha, Acadêmicos de Santa Cruz, agradece:
- É muito bonito vermos esta integração formando novos heróis e novas heroínas da resistência!
Emocionado, Luiz Gama agradece:
- Nós que agradecemos. O ano de 1990 jamais será esquecido!
A Baluartes começa a lotar mesmo durante de semana. O casal é chamado e baila ao centro da quadra enquanto a bateria dá o ritmo!
Sophie fala para mim:
- Cinco da tarde de quarta-feira! O povo quer samba.
- O povo quer resistência, irmã.
Luiz Gama acerta o microfone ao lado de Jamelão que chegara rápido. Um olha ao outro e Jamelão puxa:
- Eu sou do samba, sou raiz, sou tradição! Sou Baluartes defendendo a Educação! Simbora!
Luiz emenda:
- Tira o pé do chão! Tira o pé do chão!
Ao fundo, no canto da quadra, João Saracura, avisa:
- Xeque-mate! Próximo!
Ele ajeita o relógio e com a mão na testa, espera a próxima “vítima”.
Joana comenta com Sophie:
- Enganamos a burocracia!
As duas caem na risada! Sophie diz:
- A História não dorme. Ela cobra!
Olho e solto uma risada pelo nariz e elas também. Vejo Noel Rosa afinando violão e Lamartine Babo, o Lalá, ajeitando o cavaquinho.
Sophie orienta o casal. Joana confere com os diretores de Harmonia as vendas de fantasias. Na porta, olho tudo. Uma senhora atravessa a rua. Cumprimento com abraço e dou beijo em seu rosto!
- Entre, Madrinha Eunice. A casa é sua!
- Obrigada.
A bateria dá um “salve” para a matriarca do samba paulistano! Simples, ela só senta após cumprimentar quase a escola inteira! Ela fala:
- Qual é a alma da escola?
- O pavilhão e a bateria.
- Não. É a comunidade.
Luiz Gama vira e fala:
- Toma! Olho no Saracura!
Rimos alto. Uma da manhã, o ensaio acaba. João Saracura, vê Luiz Gama colocar o cadeado no portão da escola e diz:
- Amanhã estou aí.
Eu, Sophie, Joana, Luiz Gama e Lalá, Noel e Madrinha Eunice caímos na risada. João Saracura fala após dar a mão ao ar:
- Dá licença, viu! Ninguém bota fé. Amanhã tô aí. Boa noite.
Saímos chorando de rir pelo Jardim Tremembé cantando Heróis da Resistência de 1990 da Santa Cruz. O samba não pode parar.
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Atualizado em: Seg 15 Jun 2026

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