- Drama
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Grasso: A Próxima Geração 106 – Capricho de Amor
Sophia está na escola com Stefy. Ela tira uma caixinha da mochila.
— Setefy, olha isso.
Stefy se inclina, curiosa. Sophia abre a caixinha: uma corrente de prata delicada com as letras “S” e “J”.
Stefy sorri.
— Nossa, Sophia… que lindo!
Sophia olha para a caixinha um pouco insegura.
— Você acha mesmo? Eu fiquei com medo de ser meio… sei lá, simples demais.
— Simples? Você está brincando? Isso é muito a cara dele. E ainda tem significado.
— É que são oito meses… não sei se é “importante” o suficiente.
— Oito meses é importante sim. E, tipo, é fofo sem ser exagerado. Perfeito.
Sophia sorri, um pouco mais aliviada, mas ainda pensativa, ela para na porta da sala de português e olha para Stefy.
— Até mais tarde, tchau.
— Tchau — Stefy respondeu se afastando.
Sophia entra na sala e senta em seu lugar.
A professora Jéssica Lue se aproxima entregando roteiros.
— Pessoal, hoje vamos começar um projeto diferente. Quero ajudar vocês a entender melhor a linguagem de Shakespeare. Vocês vão encenar trechos de Romeu e Julieta. Em grupo. Vou dividir os papéis. E nada de reclamar… muito. — Ela começa a olhar a lista. — John… você será o Romeu.
Sophia olha para ele, animada por um segundo.
— Giovanna… Julieta.
Giovanna abre um sorriso confiante, quase convencido.
— Já esperava.
Sophia trava. O sorriso desaparece.
A professora olha para Sophia.
— E… Sophia, você será a Ama.
Silêncio de meio segundo.
Sophia força um sorriso.
Ah… legal.
Giovanna se vira levemente na cadeira, já entrando no personagem.
— “Romeu, Romeu, por que és tu, Romeu?”
Sophia revira os olhos discretamente e suspira.
Personagens Principais
Gaby Merino
Mateus Merino
Luiza Souza
John Doho
Stefy Prioste
Sophia Rodrigues
André Kimmich
Edu Mariano
JP Djanikian
Giovanna Kuhlmann
Rick dos Anjos
Daniel Fernandes
Gaby, Mateus e Luiza andam juntos pelo corredor, desviando de outros alunos.
Luiza olha pra Mateus, meio casual… mas nem tanto.
— Mateus, você quer almoçar comigo hoje?
Mateus olha pra ela, sem pensar muito.
— Claro, Lu. A gente pode falar de ideias pro Juliu’s Diário.
Luiza sorri de leve.
— Fechado.
Ela para na porta da sala.
— A gente se vê depois. Tchau.
— Tchau — Mateus respondeu, acenando.
Luiza entra na sala.
Silêncio por meio segundo.
Gaby já está sorrindo.
Ela cutuca o braço do irmão.
— Ih…
Mateus nem olha pra ela.
— Nem começa.
— Parece muito que ela está a fim de você.
Mateus finalmente vira pra irmã, já meio sem paciência.
— Não. A gente somos apenas amigos.
Gaby levanta as sobrancelhas.
— Amigo que almoça junto, escreve artigo junto, pensa igual…
Mateus começa a andar, tentando encerrar o assunto.
— A gente tem interesses em comum.
Gaby vai atrás, grudada nele.
— Tipo o quê? Vegetarianismo, meio ambiente, salvar o planeta… — Ela conta nos dedos, exagerando. — Defesa dos animais, justiça social…
Mateus tenta segurar o riso, mas falha.
— Tá bom, já entendi.
Gaby sorri, satisfeita.
— Só estou dizendo.
Mateus olha pra ela de lado.
— Gaby… eu e a Luiza somos só amigos. Beleza?
Ela segura o sorriso por um segundo… e depois dá de ombros.
— Beleza.
Na aula de imersão em mídia digital do sétimo ano os alunos estão espalhados em computadores, alguns realmente trabalhando… outros nem tanto.
O professor André bate palmas, chamando atenção.
— Pessoal, foco aqui na frente, por favor.
A conversa na sala diminui e André continua.
— Certo, pessoal, como discutimos no final da última aula, vocês vão criar um aplicativo sobre um animal. Pode ser qualquer um, mas eu quero informação, conscientização e criatividade.
Luiza, levanta a mão animada.
— Eu posso fazer sobre aruanã?
André olha confuso.
— Quem?
— Aruanã uma tartaruga-verde do Pacífico Sul? Que está ameaçada de extinção?
— Ótima escolha, Luiza. É exatamente esse tipo de proposta que eu quero ver. Só não se esqueça de se divertir usar a tecnologia e a imaginação, beleza?
Luiza sorri e olha para o computador.
Enquanto o professor continua explicando, Edu desvia o olhar… e para.
Ele olha para Luiza que está concentrada, mexendo no computador.
O som da explicação do professor fica distante, ele começa a sonhar acordado.
Edu e Luiza sentados juntos, rindo.
Depois, andando lado a lado pela escola.
Ela encosta nele, os dois sorrindo.
De repente.
— Ei, Edu.
Edu pisca, voltando à realidade meio perdido.
JP está ao lado dele.
— Tá tudo bem?
Edu tenta se recompor.
— Sim, tudo bem, perfeito.
Durante a palestra da Doutora Eliza, a turma do oitavo ano está inquieta. O clima é de expectativa… e vergonha antecipada.
Na frente da sala, a Dra. Eliza Maurer Fala com calma, totalmente à vontade. Rocky Dallas, o professor de educação física e saúde esta ao lado dela.
— Durante a adolescência, o corpo passa por mudanças importantes. Isso envolve emoções, curiosidade e também reações físicas. Também precisamos falar sobre prevenção.
Ela pega um preservativo
Alguns alunos já trocam olhares.
A Dra. Eliza pega uma banana sobre a mesa. Agora a sala perde o controle: risos abafados, gente escondendo o rosto, outros virando para trás.
A doutora continua.
— Prestem atenção. Isso aqui é uma demonstração de uso correto.
Ela começa a explicar.
Alguns alunos ainda riem, mas outros tentam realmente entender.
Ela continua falando.
— O uso correto ajuda a prevenir gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis.
A demonstração termina. A sala fica em um silêncio.
— Agora, se alguém tiver dúvidas, podem perguntar. Sem julgamentos.
Urso levanta a mão.
Doutora Eliza olha para ele.
— Sim?
— Eu tenho um amigo, ele tem mais ou menos a minha idade. Ele e a namorada dele estão juntos a uns oito meses.
John olha para Sophia e coloca a mão na testa, Urso continua falando.
— E como eles vão saber quando ou se estão prontos, para...sabe, fazer isso?
Doutora Eliza balança a cabeça entendendo a pergunta.
— Bem, anatomicamente e fisicamente, você pode estar pronto, mas emocionante e psicologicamente não temos certeza...
Enquanto Doutora Eliza fala, Urso começa a rir descontroladamente. John olha para ele e abre os braços.
A Dra. Eliza mantém a postura profissional.
— Não existe um tempo certo. Não é sobre quanto tempo o casal está junto. É sobre maturidade, respeito, responsabilidade e consentimento. — Ela olha ao redor da sala.— As duas pessoas precisam se sentir seguras e sem pressão. Se existe dúvida ou desconforto, então ainda não é o momento.
Depois da palestra, Sophia, Stefy, Gaby e Giovanna saem da sala de aula.
— Eu juro, nunca mais vou conseguir comer uma banana — Stefy falou.
Giovanna sorri.
— Ah, eu gostei. Pelo menos ela foi direta. É melhor do que fingir que ninguém faz nada. Como se todo mundo fosse esperar até casar.
Stefy concorda.
— Bom… nisso ela não está totalmente errada.
As quatro param nos armários. Sophia olha para as amigas.
— Eu vou estrangular o Urso. Não acredito que ele perguntou aquilo. Quem mais do oitavo ano namora a oito meses?
Giovanna olha para ela.
— E você acha que isso prova alguma coisa?
Sophia estreita o olhar.
— Claro que prova. — Sophia abre a mochila, decidida. Ela abre a bolsa e tira um coração rosa de argila, meio irregular, claramente feito à mão. — Foi o John que fez. Ele me deu de presente. — É o coração dele.
— Isso é fofo — Stefy falou
Giovanna observa… sem muita reação.
— Fofo?
Sophia respira fundo, tentando não perder a paciência.
Giovanna cruza os braços.
— Então você deu uma corrente de, sei lá, duzentos reais, e ele te deu… um pedaço de argila. Mas o que eu sei.
Giovanna apenas vira e começa a andar. Sophia olha para o coração e sorri.
Na hora do almoço, Urso está sentado com um livro aberto: Romeu e Julieta.
Ele lê com uma cara meio séria… meio confusa.
John chega com uma bandeja, acompanhado de outro garoto. John vê Urso lendo o livro e sorri.
— Olha só… virou estudioso agora?
Urso levanta a cabeça.
— Estou me preparando. Diferente de vocês. — Urso fecha um pouco o livro, animado por ter algo “interessante” pra contar. — A Julieta era bem mais rebelde do que parece.
Giovanna se aproxima, olhando para John.
— Ei Romeu, eu já decorei todas as minhas falas.
Giovanna dá um último sorriso e sai, como se tivesse cumprido uma missão.
Os três acompanham ela com o olhar. O garoto da um cutucão no braço de John.
— Ouvi dizer que ela ficou com um monitor no acampamento, no verão passado.
John larga o garfo na bandeja, já irritado.
— Eu estou namorando a Sophia, vocês sabem disso.
Urso começa a rir.
— Cara a Sophia nunca vai deixar você passar dos beijos.
John aperta a mandíbula.
— Cala a boca, Urso.
Urso levanta as mãos, fingindo inocência.
— Calma, cara. Só estou falando.
John desvia o olhar, pegando o garfo de novo, mas sem vontade nenhuma de comer.
Ainda no refeitório, em uma mesa no canto, Luiza e Mateus já estão sentados. Manu, Jp e Edu chegam e se juntam ao grupo.
Edu revira os olhos ao ver Mateus e JP se senta animado.
— E aí, já decidiu o tema do app ou estão só fingindo que vão fazer?
Luiza olha para ele e revira os olhos.
— Eu vou fazer sobre uma tartaruga do Pacífico Sul, ameaçada de extinção.
Edu se senta, meio distraído.
— Eu também vou fazer sobre tartarugas.
Silêncio de meio segundo.
Manu e Luiza se entreolham.
JP levanta as sobrancelhas, percebendo na hora.
— Que coincidência.
Edu tenta parecer normal, mexendo na comida.
— Qual o problema? Tem várias espécies.
Mateus segura um sorrisinho.
— Nenhum problema cara.
Edu ignora.
Edu se vira para Luiza.
— A gente podia… sei lá… estudar isso melhor. Tem um documentário sobre espécies ameaçadas. A gente pode assistir.
Luiza anima na hora.
—Sério? Eu topo.
— Então… amanhã à noite? — Edu perguntou.
Manu entra na conversa.
— Meu pai não me deixa sair a noite, então vocês podem ir lá em casa. Minha mãe não liga.
Luiza sorri.
— Pode ser. — Ela se vira para Mateus. — Você vai também?
Mateus olha para ela, surpreso.
Antes de responder, Edu levanta o olhar, o clima muda sutilmente, Edu fica quieto… mas a expressão dele fecha na hora.
Mateus percebe a expressão de Edu.
— Ah… acho que não vai dar.
Luiza olha, surpresa.
— Não?
— Não, tenho algumas coisas para fazer.
Luiza tenta disfarçar a decepção, mexendo na bandeja.
— Ah… tudo bem.
Na aula de português do oitavo ano, a turma está em clima de ensaio. Algumas carteiras afastadas e alunos observando.
Na frente da sala, Giovanna e John estão posicionados,
A professora Jéssica observa com atenção e braços cruzados.
Giovanna fala com facilidade.
— “Meu único amor nascido do meu único ódio…”
John tenta acompanhar, um pouco travado.
— Com… com palavras de amor… eu...
A professora descruza o braço.
— Sem pressa, John. Respira e continua.
Giovanna se aproxima mais, conduzindo a cena.
— “Se o amor é cego, não pode acertar…”
Ela olha diretamente nos olhos dele, John continua.
— Então… deixa que eu me aproxime.
A tensão aumenta. A sala fica mais silenciosa.
Do outro lado, Sophia observa, sentada, rígida, claramente incomodada.
Giovanna segura o rosto de John, sem hesitar, e beija ele.
Sophia trava, por um segundo, e se levanta.
— Então. — ela interrompe, mais alto do que pretendia — Tá bom, já deu!
Todos olham para ela.
Giovanna se afasta de John, calma, como se nada tivesse acontecido.
A professora Jéssica intervém, firme.
— Sophia, sente-se, por favor.
Sophia hesita… mas senta, ainda claramente irritada.
A professora olha para Giovanna e John.
— A cena exige intensidade. E, sinceramente, a química entre vocês está muito boa.
Sophia fecha a cara na hora.
A professora continua falando.
Vamos fazer o seguinte: comecem novamente, desde o início.
Giovanna assente, satisfeita.
— Claro.
Giovanna e John voltam ao lugar.
No fundo da sala, Sophia cruza os braços, encarando a cena, claramente incomodada.
Depois da aula, Sophia, Stefy e Gaby se encontram no corredor.
Sophia caminha rápido, visivelmente irritada. Stefy e Gaby vão atrás dela.
— Ei, calma. Foi só um ensaio — Stefy falou.
Sophia para de repente.
— Vocês não estavam lá, ela beijou ele.
Gaby se aproxima mais, tentando acalmar.
— Tá, mas era a cena.
Sophia suspira.
— Eu sei que era a cena! Mas não precisava ser daquele jeito.
Stefy tenta manter o tom leve.
— A professora pediu intensidade. Eles só fizeram o que ela queria.
Sophia cruza os braços.
— Eu conheço a Giovanna muito bem. Ela quis fazer aquilo.
De repente Giovanna aparece com seu sorriso sínico.
— Nossa… que clima pesado.
As três se viram, Giovanna se aproxima, tranquila.
— Vocês deviam relaxar mais.
Sophia dá um passo à frente, sem paciência nenhuma.
— Você estava flertando com o John.
Um pequeno silêncio se forma ao redor. Alguns alunos diminuem o ritmo para ouvir.
Giovanna sorri de leve.
— Querida Sorria. Você fica mais bonita quando não está com essa cara de brava.
Sophia suspira.
— Eu sei que você está fazendo isso de propósito.
Giovanna inclina a cabeça, como se estivesse analisando.
— Eu só fiz a cena direito. — Giovanna olha nos olhos de Sophia. — Talvez o problema não seja a cena.
Sophia estreita o olhar.
— E qual seria, então?
Giovanna dá um passo mais perto, voz baixa, mas firme.
— Talvez ele esteja… entediado.
O impacto é imediato, Gaby arregala os olhos, Giovanna continua, sem tirar os olhos de Sophia.
— Se eu fosse você… faria de tudo para isso não acontecer.
Sophia fica imóvel por um segundo.
Giovanna se vira e vai embora, como se tivesse vencido a discussão.
Sophia sai andando rápido.
Sophia vai até John que está em seu armário, organizando os livros. Ela para por um segundo, respirando fundo. Ela começa a andar até ele.
— Oi.
John se vira, surpreso… e abre um sorriso.
— Oi.
Sophia não pensa muito, ela se aproxima e o beija, John demora meio segundo para reagir, pego de surpresa.
O beijo termina os dois se afastam.
Sophia já está insegura. Ela olha para os lados, certificando-se de que ninguém está ouvindo, depois se aproxima um pouco mais.
— Eu… tenho uma surpresa para você.
John levanta as sobrancelhas, curioso.
— Agora fiquei interessado.
Sophia hesita por um segundo.
— Amanhã à noite… meus pais e o Edu vão sair. Eu pensei que… a gente podia ficar lá. Só nós dois.
John continua olhando para ela, agora mais sério.
Sophia engole seco.
— Eu… estou pronta.
John respira fundo, claramente surpreso… e tentando processar.
Sophia dá um meio sorriso, inseguro.
— Hoje está cheio de surpresas, né?
John solta um pequeno riso.
O clima suaviza um pouco.
Depois da aula, o sol está mais baixo. John, Urso e Mateus caminham com mochilas nas costas.
— A Sophia falou comigo hoje. Para o nosso aniversário, A Sophi quer me dar o presente definitivo .
Urso olha para ele.
— Uma Ferrari?
— Você é um idiota. Não. O que Julieta deu para Romeu.
Urso para de andar na hora.
Você está falando sério?
John balança a cabeça.
— Foi meio do nada.
Urso abre um sorriso enorme.
— Meu amigo…
Urso bate no ombro dele
Mateus continua andando, mais pensativo.
— Calma aí.
Os dois olham para ele.
— Vocês já conversaram direito sobre isso?
— Mais ou menos.
— Então não é “mais ou menos”. Isso não é coisa para acontecer sem pensar.
Urso revira os olhos.
— Lá vem.
— Não é sermão. É o básico. — Mateus olha direto para John — Você está pronto?
John trava. A pergunta realmente atinge.
Urso volta a andar, como se nada fosse complicado.
— Você vai estar. A gente passa na farmácia e compra preservativos.
Mateus balança a cabeça.
— Não foi isso o que eu quis dizer.
Urso olha para Mateus.
— Eu sei o que você quis dizer. — ele olha para John. — A Sophi quer transar. E para marcar essa ocasião heroica, acho que você precisa de algo.
John olha para ele.
— O quê?
— Camisinhas, seu idiota.
Mateus revira os olhos.
— Você não está falando sério.
— Estou sendo responsável, pela primeira vez na vida. Melhor estar preparado do que passar vergonha.
John dá um sorriso pequeno, ainda perdido.
Os três continuam andando.
Na casa de Sophia, ela, Stefy e Gaby estão no quarto, pesquisando coisas no computador.
O som de cliques e digitação.
Gaby quebra o silêncio.
— Então… você e o John estão mesmo decididos?
Sophia nem tira os olhos da tela.
— Estamos. Quer dizer… eu estou.
Stefy levanta o olhar, observando.
— Isso não tem nada a ver com a Giovanna, né?
Um silêncio rápido.
Sophia trava por um segundo… mas disfarça.
— Claro que não.
— Por que parece — Completou Stefy.
Sophia se vira irritada
— Não parece. Você que está inventando coisa.
Stefy mantém o olhar firme.
— Eu só acho que você está meio… pressionada.
Sophia cruza os braços, já irritada.
— Ninguém está me pressionando. Eu sei o que estou fazendo.
Stefy respira fundo, tentando não piorar.
— Eu sei. Mas isso é importante. Você não precisa provar nada para ninguém.
Sophia perde a paciência e solta, sem pensar:
— Você não entenderia, Stefy. você nunca namorou.
Silêncio pesado.
Gaby arregala os olhos, surpresa.
Stefy fica imóvel por um segundo claramente magoada. Ela começa a pegar suas coisas dela rapidamente.
— Eu vou embora.
Gaby se aproxima um pouco mais.
— Stefy.
Stefy não responde e vai embora.
Gaby olha para Sophia, séria.
— Você exagerou.
Sophia encara a porta, arrependida… mas orgulhosa demais para admitir.
— Ela também exagerou.
— Não. Ela estava tentando te ajudar.
Sophia não responde.
Ela olha para o celular… depois para a porta.
Claramente pensativa, mas não se move, não vai atrás.
No dia seguinte no Laboratório de informática, Luiza está sentada, encarando a tela com uma expressão de frustração.
Ela digita mais uma vez… aperta enter.
Nada útil.
— Sério… nada?
Ela suspira, passando a mão no rosto.
Edu se aproxima
— Está dando ruim aí?
Luiza olha para ele, meio sem paciência.
— Eu só queria achar alguma coisa decente sobre a tartaruga do Pacífico, mas esse buscador só mostra coisa aleatória.
Edu dá um leve sorriso, confiante.
— Deixa eu tentar.
Ela se afasta um pouco para dar espaço, Edu aproxima a cadeira.
Ele começa a digitar rápido e aperta enter.
A tela se enche de resultados: artigos, imagens, sites especializados.
Luiza arregala os olhos.
— Como você fez isso?
Edu dá de ombros, tentando parecer casual.
— Segredo profissional.
Luiza ri de leve.
— Obrigada, salvou minha vida agora.
Edu sorri… e fica olhando para ela por um segundo a mais do que deveria.
O som ao redor começa a ficar distante.
Edu começa a sonhar acordado.
“Os dois estão sentados mais próximos, rindo juntos.
Luiza encosta a cabeça no ombro dele.
Eles dividem o mesmo fone de ouvido, assistindo ao documentário.
Tudo parece leve, fácil… perfeito.
Luiza olha para ele e sorri.
— Você sempre sabe me ajudar.
Edu sorri, completamente à vontade.
De repente Edu volta a realidade.
Luiza acenando a mão na frente dele
— Edu?
Ele pisca, voltando.
— Hã? Oi.
Luiza segura o riso.
Edu fica sem graça.
Na hora da saída, Luiza, Edu, Manu e JP caminham juntos em direção à saída.
Manu olha para Luiza.
— Eu ainda acho que a você devia ter escolhido um animal mais fácil.
— Tipo um cachorro — disse JP
Luiza revira os olhos.
— Cachorro não está ameaçado de extinção.
— Depende do cachorro — JP insistiu.
Edu ri de leve, olhando mais para Luiza do que para a conversa.
— Relaxa, vai ser tranquilo. O documentário deve explicar tudo.
Eles continuam andando. Camilly se aproxima.
— Luiza!
Luiza para e se vira. Camilly levanta um caderno.
— Você esqueceu? A revisão do Juliu’s Diário. Você disse que ia me ajudar hoje.
Luiza arregala levemente os olhos.
— Ah… é mesmo. — Ela olha para o grupo, meio sem graça. — Gente, eu prometi ajudar ela.
Manu olha para Luiza.
— Agora?
— É rápido. Eu encontro vocês depois.
— Quanto tempo é “rapidinho”? — JP perguntou.
Camilly Olha para ele.
— Uma hora, no máximo.
JP suspira.
— Eu preciso ir bem nesse trabalho.
Camilly se aproxima um pouco.
— Eu poderia te ajudar com a sua tarefa. Eu tiro só notas A.
JP olha para ela.
— Eu tiro só notas D. Então, por que criar problemas?
Luiza sorri, tentando tranquilizar.
— Uma hora. Prometo.
JP concorda com a cabeça.
Edu força um sorriso.
— Beleza.
Luiza sai com Camilly pelo corredor.
Os três ficam olhando.
Sophia chega em casa, ela entra, tirando os sapatos… mas para no meio do movimento.
A TV está ligada.
Ela franze a testa.
— Mãe?
— Estou na cozinha!
Sophia arregala os olhos.
— Você não ia sair?
Ela olha rapidamente para o celular.
Uma notificação:
“Seu pedido está a caminho.”
O desespero bate.
A campainha toca.
Ela congela.
A mãe começa a aparecer no corredor.
Sophia se vira.
— Eu atendo!
Ela praticamente corre até a porta, chegando antes da mãe.
Ela abre o portão, o entregador segura um pequeno pacote.
— Entrega para Sophia?
Sophia tenta agir normalmente.
— Sou eu.
Ele olha o celular e entrega o pacote.
— Tenha uma boa tarde.
— Obrigada.
— Ela fecha o portão rápido demais e entra em casa.
— Quem era? — Gritou sua mãe.
— Era um cara vendendo toalhas.
Sophia corre para o quarto, ela fecha a porta, encosta nela e respira fundo.
Enquanto isso, John e Urso estão em uma farmácia parados diante de uma prateleira, Urso encara os produtos como se estivesse diante de um enigma impossível.
— Por que existem tantas opções?
John passa a mão no rosto, nervoso.
— Eu não sei. Só pega um normal.
Urso pega uma caixa qualquer.
Eles caminham até o caixa.
O atendente observa os dois se aproximarem.
John coloca a caixa no balcão, evitando contato visual.
O atendente olha para John.
— Tem certeza de que este é o tamanho certo para você? Temos pequeno, médio, grande e extra grande.
— Esse... esse está ótimo.
O atendente balança a cabeça.
— Você também pode escolher entre o regular e o super sensível.
John olha para o atendente.
— Só... só anda logo.
O atendente continua.
— Mas tem as cores também! Eu, particularmente, acho que um pouco de cor apimenta as coisas.
— Só... só anda logo., por favor .
O atendente começa a registrar a compra.
O bip do leitor parece alto demais.
John encara o balcão. Ele pega a sacola assim que o caixa entrega.
E sai apresado da farmácia, Urso vai atrás dele.
Mais tarde, John chega na casa de Sophia e respira fundo antes de tocar a campainha.
Sophia aparece no portão. Respira fundo antes de abrir.
Eles trocam um olhar rápido. Sophia sorri.
— Oi.
John sorri de volta.
— Oi.
Sophia pega na mão de John.
— Entra.
Ele entra. Ele o beija.
Eles vão até o quarto de Sophia e se sentam na cama.
Os dois estão sentados na cama, em um silêncio desconfortável.
Sophia ajeita a própria blusa.
Os dois riem de leve, sem graça.
John toma coragem e se aproxima um pouco.
Sophia não recua.
Eles se olham e se beijam.
Eles se deitam na cama, ainda se beijando.
Mas, aos poucos, Sophia começa a travar.
O beijo perde o ritmo.
Ela abre os olhos e se afasta de repente.
John olha confuso.
— O que foi?
Sophia se levanta rápido.
— Eu… só um segundo.
Ela sai do quarto quase correndo e vai para o banheiro. Ela encosta na parede, respirando fundo e passa a mão no rosto.
Ela encara o próprio reflexo no espelho.
— O que você está fazendo? Você precisa amadurecer.
Sophia sai do banheiro e volta para o quarto.
John se levanta na cama, preocupado.
— Você está bem?
Sophia fica em pé, olhando para ele.
Respira fundo.
— Eu não consigo. Eu achei que estava pronta, mas… Eu não estou.
John solta um pequeno sorriso de alívio.
— Eu também não.
Sophia encara ele, surpresa.
John ri, nervoso.
— Eu estava tentando parecer tranquilo, mas eu estava surtando por dentro.
Sophia solta uma risada sincera.
A tensão desaparece.
Ela se senta na cama de novo, mais perto dele.
Eles sorriem, agora, muito mais à vontade.
John segura a mão dela.
Eles se aproximam e se abraçam.
Na sala do Juliu’s Diário, Camilly e Luiza estão lado a lado, revisando um texto na tela.
Camilly sorri satisfeita.
— Pronto. Agora sim dá para publicar sem passar vergonha.
Ela desliga o computador, e olha para Luiza.
—Quer passar no Luca’s pra tomar um refri?
Luiza olha para o lado e vê Mateus em uma mesa.
— Na verdade eu esqueci...
Camilly levanta uma sobrancelha.
— Esqueceu o que? É algo para o jornal?
— Não, o Mateus me pediu para ajuda-lo depois da aula, eu tenho que ir.
— Beleza, te vejo amanhã então. Obrigada pela ajuda.
Luiza pega as coisas se levanta e se aproxima de Mateus que olhava algumas fotos no computador.
— De quem é essa Galinha?
Mateus hesita por um segundo.
— Era minha, ganhei quando era mais novo. Mas ela morreu no ano passado.
— Você gostava dela?
Mateus dá um pequeno sorriso… meio triste.
— Gostava. Quando eu chegava em casa ela vinha correndo me receber.
Isso toca Luiza, ela suaviza a expressão.
— Sinto muito.
Luiza olha para a tela de novo.
Rick olha pra Luiza, um pouco surpreso… mas tocado.
Ela também o olha.
Depois de alguns segundos, os dois voltam a olhar para o computador.
Na casa de Manu, ela, Edu e JP estão sentados no sofá.
Edu olha o celular.
Ele suspira, cabisbaixo.
— Ela falou uma hora.
Manu olha para Edu.
— Talvez ela só tenha se enrolado.
Edu não responde, ele fica olhando para o chão.
— Ela podia ter avisado.
— Pode ser que não conseguiu sair ainda. A Camilly prende qualquer um naquela sala.
JP dá uma risada curta.
— A Luiza teve sorte. Esse documentário era muito chato.
Edu solta um suspiro.
— Eu nem queria ver esse documentário.
Manu olha para ele.
— Então por que você insistiu tanto?
Edu hesita e passa a mão na nuca.
— Porque... Eu achei que ela estaria aqui.
Manu suaviza o olhar.
— Edu…
Ele se levanta, meio abrupto e pega a mochila.
— Eu vou embora.
Manu também se levanta.
— Ela pode chegar ainda.
Edu balança a cabeça.
— Não vai.
Edu vai embora.
Um tempo depois, Edu entra em casa, jogando a mochila no ombro com desânimo, ele sobe as escadas devagar, ainda pensativo e chega no corredor.
A porta do quarto da Sophia está entreaberta.
Ele abre...
Sophia e John estão no chão, rindo. Vários preservativos inflados como se fossem bexigas espalhados pelo quarto.
Um deles escapa e voa pelo ar.
Eles vêem Edu, os dois congelam.
Sofia olha assustada.
— Edu!
John tenta disfarçar… sem sucesso.
— É...
Sophia rapidamente pega um dos preservativos e tenta esconder atrás das costas.
— A gente estava só… É para uma decoração para o baile.
John confirma.
— É.
Edu olha para os dois.
Ele se abaixa, pega um preservativo e joga de volta na cama.
— Guardem isso antes que nossos pais cheguem.
Edu sai e vai para seu quarto, Sophia e John começam a rir.
John olha para ela.
— “Decoração de baile”?
Sophia balança a cabeça, sorrindo e pega uma caixinha.
— Eu comprei isso para você.
Ele abre. Dentro, a corrente com as letras.
Ele fica em silêncio por um segundo.
Ela observa, meio nervosa.
— Você gostou?
— Eu adorei. — ele olha para ela e sorri. — É perfeito.
Sophia relaxa, aliviada.
John segura a corrente com cuidado.
No dia seguinte, na escola, Manu e Edu encontram Luiza no corredor.
Ela sorri, meio sem jeito.
— Oi, pessoal. Desculpe por ontem à noite.
Edu olha para ela.
— A Camilly ficou te segurando no jornal?
Não, eu encontrei o Mateus, a gente começou a conversar. E...
— Então você esqueceu completamente da gente — Edu interrompeu.
Luiza se surpreende com o tom.
— Não foi isso.
Edu revira os olhos.
— Foi sim. Você nem avisou a gente e a gente ficou esperando. Você simplesmente sumiu, como se não importasse.
Luiza franze a testa.
— Claro que me importo.
— Então por que você não mandou uma mensagem?
Luiza cruza os braços agora, na defensiva.
— E qual é o problema?
Edu olha para ela claramente magoado.
— Você disse que viria, que tipo de amiga você é afinal?
Edu sai, Luiza olha para Manu, tentando entender.
— Qual o problema dele?
Manu se aproxima de Luiza.
— Ele está muito afim de você.
Luiza coloca a mão no ombro de Manu.
— O quê? O Edu?
John está encostado no armário, Urso e Mateus se aproximam.
Urso já chega animado.
— E aí? Conta tudo.
John solta um suspiro.
— Não aconteceu.
Urso para na hora.
— Como assim “não aconteceu”?
John dá de ombros, meio sem jeito.
Mateus observa, mais atento.
— O que rolou?
John coça a nuca.
— O Edu apareceu lá e atrapalhou tudo.
Urso faz uma careta.
— Nossa… Que azar.
Mateus olha para John.
— E vocês estão bem?
John pensa um segundo… e responde sincero.
— Estamos. Melhor do que eu achei que ficaríamos.
Mateus assente, entendendo.
Do outro lado do corredor, Stefy está mexendo no celular, encostada na parede.
Sopy se aproxima, hesitante.
— Stefy…
Stefy levanta o olhar.
Um pequeno silêncio.
— Eu posso falar com você?
Stefy guarda o celular, ainda um pouco fechada.
— Pode.
Sophia respira fundo.
— Eu fui ridícula ontem. Falei coisas que não devia.
Stefy observa, esperando.
— Você só estava tentando me ajudar… e eu descontei em você. Desculpa.
Stefy amolece um pouco
— Você pegou pesado.
Sophia abaixa o olhar.
— Eu sei. Eu estava… insegura. Ontem à noite… eu achei que estava pronta. Mas na hora, eu não consegui.
Stefy arregala levemente os olhos.
— E o John?
Sophia sorri, aliviada só de lembrar.
— Ele também não estava.
Stefy solta o ar, aliviada.
— E ele ficou de boa com isso?
Sophia assente.
— Total. Quando eu falei que não conseguia, ele disse que também não estava pronto.
Stefy sorri.
— Então está tudo bem.
Sophia balança a cabeça.
— Está. Está tudo ótimo.
Este capítulo compartilha o mesmo título do filme “Capricho de Amor” de 1954.
Sinopse do Próximo Capítulo – Vamos Jogar Basquete
Rick chama Gaby para um encontro, Mateus gosta da ideia, mas Arthur acha que nenhum garoto é bom o suficiente para a filha. John quer muito entrar para o time de basquete. No entanto, ele sofre pressão por causa de seu baixo desempenho acadêmico. Se não conseguir conciliar os estudos e o basquete, não poderá jogar.
Atualizado em: Seg 15 Jun 2026
