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Escola Grasso 317 – Por Que Isso Não Pode Ser Amor
Sara toca piano, concentrada. A melodia é suave, mas um pouco hesitante, como se ela ainda estivesse procurando as notas certas.
Rafa se aproxima em silêncio. Ele se senta ao lado dela no banco do piano e passa o braço pela cintura dela.
Sara olha de canto para ele, um pouco surpresa.
— Está bom assim? — ela perguntou, meio insegura.
Rafa sorri.
— Está ótimo. Você nasceu pra isso, Mozart.
Ele pega delicadamente a mão dela.
— Agora coloca essa mão aqui.
Ele guia os dedos dela para outra tecla.
Sara toca o acorde e olha para ele.
— Assim?
Rafa observa as mãos dela no piano.
— Isso. Perfeito.
Por um momento, os dois se encaram. Rafa se inclina e a beija.
Sara corresponde. Eles se levantam ainda se beijando.
Rafa a coloca no piano. Quando ela se senta ali, algumas teclas soam desafinadas e aleatórias com o movimento.
Os dois param e começam a rir, ainda muito próximos.
Sara passa a mão no cabelo, um pouco sem graça.
— Isso é meio loucura… concorda?
Rafa levanta uma sobrancelha.
— Loucura?
Ela dá de ombros.
— A última vez que a gente se beijou também parecia loucura?
Sara hesita por um segundo.
— Eu… nem sei nada sobre você.
Rafa sorri de lado e começa a beijar o pescoço dela.
Sara fecha os olhos, arrepiada.
— Rafa…
Ele para de repente e a encara.
— Tem coisas que é melhor não saber.
Sara franze a testa, confusa.
— O quê?
De repente, tudo muda.
Ele começa a sacudi-la.
— Acorda, sua boba!
Sara abre os olhos assustada.
Arthur está ao lado da cama, segurando seus ombros e chacoalhando ela.
— Finalmente! — ele falou. — Você tem um sono pesado, hein?
Ainda meio grogue, Sara empurra Arthur.
— Sai do meu quarto!
Arthur começa a sair, mas para na porta. Ele se vira devagar, com um sorriso curioso.
— Só uma pergunta.
Sara estreita os olhos.
— Quem é Rafa?
Sem pensar duas vezes, Sara joga um travesseiro nele.
— Sai daqui!
Arthur ri e fecha a porta, enquanto Sara se joga de volta na cama, com o rosto vermelho.
Personagens Principais
Ellie Goes
Maju Braga
Vitor Ramos
Adryan Gomes
Carol Novak
Nicole Zangirolami
Peter Moretti
Zara Fernandes
Tom Prado
Lory Brown
Dani Pereira
Di Katsutani
Helena Moura
Rafa Costa
Gui Silva
Gustavo Assunção
Ana Castro
Paola Muniz
Nina Lacerda
Lila Fontán
Joana Hart
Sara Laursem
Agnes Montenegro
Camila Jung
Michael Laursem
Johnny Garcia
Michelle Boaventura
Lucas Montenegro
Lara Carvalho
Bella Carvalho
Michael está sentado no sofá do consultório, olhando para as mãos. Ele gira um anel no dedo, inquieto.
Depois de alguns segundos em silêncio, ele suspira.
— É como se tivesse um vazio na minha cabeça… Nada preenche.
O psicólogo o observa com calma.
Michael levanta o olhar.
— Eu vou parar de sentir falta dela algum dia?
O psicólogo inclina levemente a cabeça.
— Das drogas?
Michael balança a cabeça devagar.
— Da sensação que elas davam. — Ele passa a mão no rosto. — Era como se… por um momento… eu conseguisse enfrentar tudo.
O psicólogo faz uma pequena anotação no bloco.
— Melhorar leva tempo, Michael. Não é algo que acontece de uma hora para outra.
Ele faz um gesto com a mão, como quem explica algo simples.
— É como escalar uma montanha. Você não chega ao topo em um dia.
Michael solta um sorriso cansado.
— Então o seu conselho é arrumar um hobby?
O psicólogo devolve um leve sorriso.
— Também. Manter a mente ocupada ajuda.
Ele observa Michael com mais atenção.
— Você tem amigos em quem confia?
Michael pensa por alguns segundos.
— Tem a Camila… eu acho.
O psicólogo levanta as sobrancelhas.
— A garota que fez você começar a usar drogas?
Michael fica em silêncio.
— Talvez seja melhor pensar em outra pessoa — continua o psicólogo, com cuidado. — Alguém que queira te ver bem.
Michael encara o psicólogo por alguns segundos, como se estivesse tentando encontrar uma resposta. Mas nenhuma vem.
Na sala de aula, Maju e Helena conversam.
Maju cruza os braços, tentando parecer tranquila.
— Quer saber? Vou esquecer o que aconteceu.
Helena faz uma careta imediata.
— Sério? Vai deixar aquele idiota sair impune?
Antes que Maju responda, alguém a abraça por trás.
Ela se assusta e dá um pequeno pulo.
— Ah!
Vitor solta ela rapidamente, ficando sério.
— Desculpa, Maju! Eu não queria te assustar.
Maju respira fundo e tenta sorrir.
— Não, tudo bem. É que eu ando meio assustada desde que atacaram minha casa.
Vitor franze a testa.
— A polícia descobriu alguma coisa?
Helena responde antes de Maju.
— As câmeras pegaram duas pessoas. Mas eles estavam de máscara e fugiram numa moto sem placa.
Vitor balança a cabeça, irritado.
— Covardes.
Maju olha para ele com carinho.
— Eu só consegui superar tudo isso por sua causa.
Vitor sorri, um pouco sem graça.
— É o que qualquer namorado faria.
Helena revira os olhos discretamente.
— Enfim… — Vitor continua, tentando mudar de assunto. — Isso me lembra de uma coisa.
Ele tira um papel dobrado do bolso e mostra.
Maju inclina a cabeça, curiosa.
— O que é isso?
Ela pega o papel da mão dele antes mesmo de ele responder.
Os olhos dela se iluminam.
— São?!
Vitor sorri.
— Você merece se divertir um pouco.
Maju o abraça rápido.
— Obrigada, amor! Eu queria muito ir
De repente, o celular de Maju vibra.
Ela suspira, pega o telefone e entrega para Vitor sem nem olhar a tela.
— Eles ainda não pararam?
Maju balança a cabeça negativamente.
— O que diz a mensagem?
Vitor lê em voz alta.
— “Maju Braga, quero te ver debaixo da terra, sua vadia.”
Ele franze o rosto, incomodado, mas continua.
— “Maju Braga, vou te espancar com um saco de moedas e te...”
Ele para imediatamente de ler.
— O que há de errado com essa gente?
Maju olha para o chão, inquieta.
— Tenho medo de que um dia eles façam isso de verdade.
Vitor segura a mão dela.
— Ei. Eu não vou deixar isso acontecer.
Maju sorri de leve, mas ainda parece preocupada.
— Isso é fofo… mas você não pode estar comigo a cada minuto do dia.
Vitor dá de ombros.
— Mas estou com você agora.
Helena se aproxima um pouco mais dos dois e olha diretamente para Vitor.
— Hoje eu vou sentar com ela.
Vitor a encara, confuso.
— Mas eu sou o parceiro da Maju.
Helena cruza os braços.
— É. O parceiro fiel dela.
O clima fica estranho por um segundo.
Maju toca o braço de Vitor, tentando aliviar.
— Relaxa. Eu consigo sobreviver a uma aula sem você.
Vitor acaba se sentando.
Antes de se virar, ele lança um olhar para Helena.
Helena sustenta o olhar de volta, séria.
Vitor desvia primeiro… mas agora existe uma dúvida clara no rosto dele.
Como se começasse a suspeitar que Helena sabe de alguma coisa.
Sara está digitando no notebook enquanto Lila e Joana estudam mandarim.
Joana aponta para o caderno.
— Certo. Acertei. Agora é a sua vez, Sara.
Sara não responde. Continua olhando para a tela do notebook, concentrada.
Lila se inclina para frente, tentando ver o que ela está pesquisando.
— O que você está olhando?
Rapidamente, Sara fecha o notebook.
— Nada. Foram algumas coisas que sonhei. Não significa nada, né?
Ela tenta parecer despreocupada.
— Sonhos significa tudo — Lila falou.
Joana olha curiosa.
— O que você estava fazendo no sonho?
Sara cora um pouco e acaba sorrindo.
— Eu… estava beijando alguém.
Lila abre um sorriso.
— Olha, já é bem melhor do que sonhar com cabras.
Sara olha para ela, surpresa.
— Ei! Eu já sonhei com cabras uma vez.
Joana faz uma careta.
— E depois disso você parou de gostar delas?
Sara ri.
— Claro que não. Eu adoro cabras. Elas são uma gracinha.
Lila volta ao assunto principal, curiosa.
— Tá, mas quem você beijou no sonho?
Sara fica em silêncio.
Joana inclina a cabeça.
— Era o Vini?
Sara tenta responder, mas acaba apenas sorrindo sem jeito.
Lila sorri, animada.
— Eu sabia!
Ela aponta para Sara.
— Vocês dois são tão fofos juntos.
Sara faz uma careta.
— Somos?
Lila começa a contar nos dedos.
— Vocês são meu casal preferido… depois de mim e do Joey… e da Beyoncé com o Jay-Z.
Joana concorda com a cabeça.
— É verdade. Vocês ficam bem juntos. O Vini é fofo e super atencioso.
Sara encolhe os ombros.
— É… acho que sim.
Lila cruza os braços, com ar de quem resolveu o mistério.
— Seu cérebro está tentando te avisar que você gosta dele.
Sara respira fundo, já um pouco irritada.
— Meninas… a gente pode se concentrar na prova?
Joana levanta uma sobrancelha.
— A gente estava concentrada. Quem começou a pesquisar crush no Google foi você.
Sara pega suas coisas e se levanta.
— Vou estudar longe das minhas amigas obcecadas por meninos.
Ela sai.
Lila observa ela indo embora, depois olha para Joana.
— Eu não acredito que ela te chamou de obcecada por meninos.
Tom está sentado em uma sala de aula, concentrado enquanto escreve em seu caderno.
Michael aparece na porta e entra devagar.
— E aí, cara.
Tom levanta a cabeça, surpreso.
— Michael?
Michael encosta em uma carteira próxima.
— Posso ajudar com o Baile de Inverno?
Tom fica em silêncio por alguns segundos, analisando ele.
— O Baile de Inverno é tipo… a cereja do bolo da minha presidência. Então só tem lugar para gente confiável.
Tom abaixa a cabeça e volta a escrever, como se a conversa tivesse terminado.
Michael sorri de lado.
— Bem… se eu puxei a minha mãe, então sou bem confiável.
Tom levanta o olhar de novo.
— Você não vai fugir com alguma garota?
Michael levanta as mãos, em rendição.
— Relaxa. Cortei a Camila da minha dieta.
Tom observa ele por um momento, tentando ver se está falando sério.
— Topa fazer trabalho sujo?
Michael abre um sorriso.
— Depende da sujeira.
Tom revira os olhos.
— Desculpe, foi mal — disse Michael.
— Tem umas caixas com decoração espalhadas na sala do conselho estudantil. Só precisa organizar e empilhar.
Michael assente.
— Tranquilo. — Ele sorri, sincero dessa vez. — Sério, Tom. Obrigado.
Michael se senta em uma carteira próxima. Alguns segundos depois, o sinal toca. Os alunos começam a entrar na sala.
Camila entra também. Michael olha automaticamente para ela… e seu sorriso desaparece. Os pulsos dela estão enfaixados.
Por um segundo, os dois se encaram. Camila percebe que ele está olhando. Rapidamente, ela puxa a manga da camisa para cobrir os curativos. Então desvia o olhar e vai se sentar. Michael fica olhando por mais um instante, agora sério.
Vitor está sentado no chão do corredor, encostado no armário, olhando concentrado para o notebook.
Gui aparece no corredor e se senta ao lado dele.
— Você sabe como rastrear o endereço IP de um troll usando uma interface de programação de aplicativo?
Gui olha confuso.
— Eu sei pesquisar no Google. Conta?
Vitor suspira.
— Eu estava tentando rastrear as mensagens de ódio contra a Maju.
Gui olha para a tela.
— E aí… teve sorte?
Vitor fecha o notebook devagar.
Gui observa a cara dele.
— Certo… isso foi um não. Por que você não pede ajuda para a Helena?
Vitor fecha os olhos por um instante.
— Porque ela me odeia.
Gui franze a testa.
— Desde quando?
Vitor fica em silêncio.
Gui estreita os olhos, desconfiado.
— Cara… o que você fez?
Vitor passa a mão no rosto.
— Tá. Vai parecer horrível. E é horrível.
Ele suspira.
— Eu beijei a Zara.
Gui fica encarando ele por um segundo.
— Cara… você ficou maluco?
Vitor dá um sorriso sem humor.
— Pois é. Nem eu sei o que deu em mim.
— E a Helena sabe?
— Sabe. Com certeza.
— E ela contou para a Maju?
Vitor balança a cabeça.
— Não.
— Você vai contar?
Vitor solta uma risada nervosa.
— Não posso.
Gui faz uma careta.
— É… eu nem vou discutir isso. — Ele olha sério para Vitor. — Porque se a Maju descobrir, ela termina com você na hora.
Vitor encara o chão.
— Eu só queria ajudar a Maju a se sentir melhor.
O sinal começa a tocar.
Os alunos começam a passar pelo corredor.
Vitor continua falando, mais baixo.
— Ela não merece passar por isso.
Nesse momento, dois alunos passam conversando pelo corredor.
Um deles ri.
— “Vou te bater com um saco de moedas”? De onde você tirou isso?
Vitor levanta a cabeça imediatamente.
Ele fica em choque.
Gui percebe a expressão dele.
— O quê?
Vitor olha na direção dos garotos.
— Ele disse “saco de moedas”.
Gui não entende.
— E daí?
— Um troll mandou exatamente isso para a Maju hoje de manhã.
Vitor se levanta rápido.
— Ei!
Ele sai andando apressado pelo corredor tentando alcançar os dois, mas eles já sumiram no meio de vários alunos.
Vitor para, frustrado.
Gui chega logo atrás.
— Você acha que aquele magrelo está mandando as mensagens? — Vitor Perguntou, enquanto encara o corredor vazio.
Gui dá de ombros.
— Sei lá… todos os nerds falam coisas estranhas assim.
Vitor respira fundo.
— Talvez. — Ele fecha os punhos. — Mas se for ele… ele não perde por esperar.
No fim da aula de língua portuguesa, os alunos começam a guardar as coisas.
Tom se aproxima da carteira de Michael.
— Não é muita coisa, mas é trabalho para dois — ele falou.
Michael coloca a mochila nas costas.
— Eu preciso resolver uma coisa antes.
Ele olha para a porta e vê Camila saindo da sala.
Michael se levanta rapidamente.
— Camila!
Ela continua andando pelo corredor.
— Camila, espere!
Ela acelera o passo e começa a chorar.
— Me deixa sozinha — ela falou, sem olhar para ele.
Michael alcança Camila e segura levemente o braço dela.
Ela tenta se soltar, mas ele para ao ver os pulsos dela enfaixados.
— Camila… o que você fez?
Ela desvia o olhar.
— Você queria que eu saísse da sua vida.
Michael engole em seco.
— Você se machucou por minha causa?
Camila limpa o rosto, tentando parar de chorar.
— Eu fico meio maluca quando fico sozinha com meus pensamentos.
Michael a observa, claramente abalado.
— Eu não devia ter te abandonado assim.
Camila começa a chorar de novo.
— Você queria melhorar. — Ela se aproxima e abraça Michael. — Eu sinto sua falta. Tudo era mais fácil quando a gente estava junto.
Michael hesita por um momento… depois a afasta com cuidado.
Ele respira fundo.
— Vamos almoçar?
Camila levanta o olhar para ele. Então percebe Tom parado perto da porta da sala, esperando.
— Você tem compromisso — ela falou, apontando com o olhar.
Michael se vira e vê Tom. Depois olha de volta para Camila.
Ele toma uma decisão.
— Não tenho mais. — Michael pega a mão de Camila. — Vamos.
Os dois começam a caminhar pelo corredor.
Tom fica parado na porta da sala, observando os dois se afastarem.
Com uma expressão que mistura frustração e desconfiança.
Sara está sentada no chão do corredor, com os livros abertos e o celular ao lado, tentando estudar para a prova de mandarim.
Ela murmura algumas palavras em mandarim.
De repente, passos apressados ecoam pelo corredor.
Lila e Joana aparecem correndo e se ajoelham ao lado de Sara.
— Você sonhou com o Rafa?! — pergunta Lila, sem nem parar direito.
Sara olha confusa.
— O quê? Não!
Joana aponta para o celular de Sara.
— Então por que você colocou o nome dele na sua bio do Instagram?
Sara arregala os olhos.
— O quê?!
Ela pega o celular às pressas e começa a mexer nele.
— Não! Não, não, não…
Ela leva a mão à testa.
— Vocês acham que ele viu?
Joana dá de ombros.
— Acho difícil. Ele não tem redes sociais.
Sara solta um suspiro de alívio.
— Ótimo.
Lila cruza os braços.
— Péssimo. Sabe quem não tem redes sociais?
Joana responde imediatamente:
— Gente com segredos.
Sara revira os olhos.
— Vocês estão exagerando. Ele só não gosta de viver on-line.
Lila estreita os olhos.
— E se ele fuma?
Sara responde sem pensar:
— O Rafa não fuma.
Joana levanta uma sobrancelha.
— Como você sabe?
Sara responde automaticamente:
— Porque ele não tem gosto de cigarro.
Lila abre a boca, chocada.
Sara percebe o que acabou de dizer e arregala os olhos.
Joana faz uma careta.
— Por favor, me diz que isso foi só um sonho.
Lila se inclina ainda mais.
— Você beijou ele de verdade?!
Joana balança a cabeça, incrédula.
— E nem contou pra gente!
Lila estreita os olhos para Sara.
— Você está com vergonha dele?
Sara revira os olhos com o bombardeio de perguntas.
— Não é isso.
Joana cruza os braços.
— Então vocês estão namorando?
Sara hesita.
— Acho que não…
Lila faz uma expressão dramática.
— Ah, não. Ele te usou e te largou.
Joana concorda.
— Você não pode virar mais uma das garotas do Rafa.
Sara olha para ela imediatamente.
— Espera… ele tem garotas?
Lila e Joana se entreolham.
Sara franze a testa.
— Ele tem?
Lila levanta as mãos, meio sem graça.
— Eu… não sei. Não tenho certeza.
Sara fica pensativa, agora claramente preocupada.
Os dois garotos que Vitor ouviu conversando estão no banheiro masculino.
Um deles está encostado na pia, mexendo no celular. O outro observa.
— Qual vai ser a próxima mensagem? — perguntou primeiro, curioso.
O garoto com o celular sorri de lado.
— Ainda não sei. Estou pensando em algo bem assustador.
De repente, a porta do banheiro é empurrada com força.
Vitor entra furioso.
Os dois garotos se viram, surpresos.
Antes que possam reagir, Vitor corre até o garoto que está com o celular, agarra a gola da camisa dele e o empurra contra a parede.
— Ei! — o garoto reclama.
Vitor arranca o celular da mão dele e olha rapidamente para a tela.
Ele lê em voz alta, indignado:
— “@MajuBraga, você merece todas as ameaças de morte.”
O garoto tenta pegar o celular de volta.
— Devolve o meu celular!
Vitor encara ele, com raiva.
— Eu sabia.
Ele levanta o celular.
— Para de mandar essas mensagens para a Maju!
O garoto dá uma risada debochada.
— Aquela feminista burra que canta músicas horríveis? Nem pensar. Ela merece tudo isso.
A expressão de Vitor endurece.
Sem pensar, ele dá um soco no rosto do garoto.
O garoto cai contra a pia.
Vitor parte para cima dele e começa a socá-lo.
O outro garoto se afasta assustado.
Nesse momento, a porta do banheiro se abre com força. O professor Rogério entra correndo.
— Ei! Pare com isso!
Ele segura Vitor pelos braços e o puxa para trás.
— Já chega!
Vitor ainda tenta avançar, furioso.
— Ele está ameaçando a Maju!
— Agora! — disse o professor, firme. — Para fora.
Ele empurra Vitor em direção à porta.
— Vamos. Agora.
Vitor respira pesado, ainda com raiva, mas acaba saindo do banheiro.
O garoto encostado na pia segura o rosto machucado, olhando para o celular nas mãos do professor.
Michael chega no hall da escola com Camila.
— Guarda nosso lugar. Vou pegar alguma coisa para a gente comer.
Michael sai e se encontra com Tom.
— Parabéns por ficar longe da Camila.
Michael suspira.
— Não é o que parece.
Tom solta uma risada curta.
— Você me pediu para ajudar com o baile… e prometeu que não ia largar tudo para correr atrás da Camila. E surpresa. Aqui está você. Com ela.
Michael passa a mão no rosto, cansado.
— Ela tentou se matar. Por minha causa.
Tom o encara por um momento, claramente duvidando.
— Michael…
Michael levanta a mão, pedindo que ele espere.
— Me escuta. — Ele respira fundo. — Eu sempre estrago tudo à minha volta. Sempre. Se alguma coisa tivesse acontecido com ela… Eu não posso deixar ela sozinha. — Michael olha na direção do banco, onde Camila está. — A Camila ficou ao meu lado no meu pior momento.
Tom levanta uma sobrancelha.
— Até onde eu sei, ela te deixou pior.
Michael balança a cabeça.
— Ela precisa da minha ajuda.
Tom suspira, cansado da discussão.
— Você tem razão. Ela precisa de ajuda. A questão é: ajuda sua… Ou de um médico?
Michael não responde.
Tom vai embora.
Michael fica olhando para Camila, agora claramente pensativo.
Vitor e o troll de Maju estão sentados no banco em frente à sala da diretora Michelle, aguardando serem chamados.
O corredor está silencioso.
— Você vai ser suspenso — ele falou, sem nem olhar para Vitor.
Vitor levanta a cabeça, irritado.
— E você nunca mais vai atacar a Maju.
O troll solta uma risadinha.
— Valeu a pena. — Ele finalmente olha para Vitor, com um sorriso provocador. — E não, eu não vou parar.
Vitor encara ele, sem entender.
— Por que você está sorrindo?
— Você está com o meu celular. A senha é 4444.
Vitor hesita por um segundo… mas acaba tirando o celular do bolso.
— Último vídeo — disse o troll, tranquilo. — Assiste.
Vitor desbloqueia o aparelho e abre a galeria.
Ele clica no vídeo.
A expressão dele muda na hora.
O rosto perde a cor.
Ele trava.
Vitor engole seco, ainda olhando para a tela.
O garoto sorri, satisfeito.
— É você e a Zara. Ela não deveria armazenar essas coisas na nuvem
Vitor levanta o olhar, desesperado.
— Você não pode mostrar isso para a Maju. Ela não merece isso.
O troll dá de ombros.
— Você devia ter pensado nisso antes de trair ela.
Vitor respira fundo, nervoso.
— Por favor. Eu imploro.
O troll se inclina um pouco para frente.
— Então vamos fazer assim… Você não conta para a diretora Michelle. Nem para ninguém. E a Maju… nunca vai ver esse vídeo? — O troll dá um sorriso. — Todo mundo sai ganhando.
Vitor responde na hora:
— Menos ela.
O garoto levanta as sobrancelhas.
— Então? — Ele estende a mão. — Temos um acordo?
Vitor olha para a mão dele… depois para o celular… depois para o corredor vazio.
Claramente dividido. O garoto sorri ainda mais.
— Aliás… Meu nome é Fabiano Araújo.
Rafa está na sala de música, tocando piano com calma. Sara entra na sala.
— Oi.
Rafa para de tocar e se vira no banco.
Ele sorri de leve.
— Estava pensando em quando te veria de novo.
Sara olha para o piano… e trava por um segundo, lembrando do sonho.
Ela engole seco.
— Você pode… se afastar do piano?
Rafa levanta uma sobrancelha, curioso, mas se levanta.
Ele caminha devagar até ela.
— Assim? — Ele para bem perto. — Assim está bom?
Sara fica sem reação por um instante… então dá um passo para trás, rápido.
— Com quantas garotas você já esteve?
Rafa solta um sorriso de canto.
— Na mesma sala?
— Com quantas já ficou?
Rafa se aproxima um pouco mais.
— Com quantos garotas você já ficou?
Sara revira os olhos.
— Nenhuma. — Ela encara ele. — Por que você está desviando da pergunta?
Rafa abaixa o olhar por um segundo.
— Sara... — ele se aproxima um pouco mais. — Olha… você é a única garota na minha vida agora. Não tem mais ninguém.
Os dois se encaram em silêncio.
— É isso que queria ouvir?
Rafa se senta novamente no banco do piano.
Sara se vira de frente para ele.
— Eu só quero saber se você é uma pessoa boa.
Rafa dá um sorriso.
— Se eu não fosse, você acha que eu ia admitir?
Sara cruza os braços, impaciente.
— Eu não posso me envolver com alguém cheio de segredos.
Rafa faz uma careta leve.
— “Se envolver”? Desde quando a gente está se envolvendo?
Sara dá um passo à frente, irritada.
— Então você sai beijando qualquer garota por aí?
Rafa responde na hora:
— Quem me beijou foi você.
Sara estreita os olhos.
— E você não recusou.
Rafa provoca.
— Queria que eu tivesse feito o quê? Te dado flores?
Sara interrompe, mais séria agora.
— Podia ter me mandado uma mensagem. Podia ter me ligado. Podia ter falado comigo no corredor como uma pessoa normal.
Rafa fica em silêncio.
Sara espera. Ela solta um riso curto.
— Não vai responder? — Ela balança a cabeça. — Que surpresa.
Sara se vira e começa a ir em direção à porta.
Ela para antes de sair e olha para ele mais uma vez.
— Eu perdi muito tempo com você. Tenho prova pra estudar.
Ela sai da sala.
Rafa fica sentado no banco do piano, em silêncio.
Do lado de fora da escola, Michael e Camila estão sentados em um banco.
Camila lê um livro, aparentemente tranquila.
Michael observa o pulso dela, ainda enfaixado… depois sobe o olhar para o rosto dela.
Ela percebe e sorri, como se estivesse tudo normal.
— Como você está se sentindo? — Michael perguntou.
Camila dá de ombros, sem tirar os olhos do livro.
— Estressada com a prova. Qual é a do Hamlet mesmo?
Michael não responde de imediato.
— Sabe… — ele começa — meu terapeuta é até que legal.
Camila fecha o livro devagar.
— Que bom pra você.
Michael insiste.
— Você podia marcar uma consulta. Talvez ele possa te ajudar.
Camila dá um sorriso, meio irônico.
— Eu já tenho psiquiatra.
Michael franze a testa.
— Ele te deixou vir pra aula?
Camila responde rápido:
— Eu não corria risco de me machucar mais.
Michael continua olhando para ela, desconfiado.
— Quem tenta cometer suicídio não fica em observação por 72 horas?
Camila suspira, impaciente.
— Essa história das 72 horas é exagero. Coisa de filme.
Michael não parece convencido.
Ele estende a mão.
— Deixa eu ver.
Camila puxa o braço.
— Não, Michael.
Mas ele segura o pulso dela.
— Só um segundo.
Ela começa a se debater.
— Me solta! Michael, me solta!
Ele acaba puxando a faixa. Ela se solta de vez.
Michael olha para o pulso dela. Não há nada. Ele levanta o olhar, incrédulo.
— Você mentiu?
Camila já está chorando.
Ela se levanta e começa a andar rápido.
Michael vai atrás.
— Você fingiu tudo isso?
Ela se vira, nervosa.
— Eu tive que fazer isso!
— Pra quê?
— Porque você estava me ignorando!
Michael passa a mão no rosto, frustrado.
— Eu não acredito que deixei de ajudar o Tom por sua causa.
Camila rebate na hora:
— Então ele é mais importante pra você?
Michael encara ela, irritado. E respira fundo, tentando se controlar.
— Fica longe de mim, Camila.
Ele se vira para sair.
Camila segura o braço dele.
— Por favor…
A voz dela quebra.
— Eu não tenho mais ninguém.
Michael para, mas não se vira totalmente.
Camila continua, desesperada:
— Você é a única pessoa com quem eu me sinto normal. — Ela aperta o braço dele. — Com você… eu não preciso fingir.
Michael fecha os olhos por um segundo.
— Não faz isso. — Ele se solta. — Eu estou tentando mudar.
Ele começa a se afastar.
Camila levanta a voz:
— Você não precisa mudar por mim!
Michael para e se vira devagar.
Camila dá um passo mais perto.
— Não parece que todo mundo quer que a gente seja alguém que a gente não é?
Michael hesita.
— Às vezes…
Camila se aproxima mais.
— E se não tiver nada de errado nisso?
Michael franze a testa.
— O que você está dizendo?
Camila respira fundo, como se tomasse uma decisão.
— Vamos fugir.
Michael apenas olha para ela, sem saber o que dizer.
Em uma sala de aula. Vitor está de cabeça baixa, sentado, claramente tenso. Maju e Helena estão à frente dele.
— O Fábio e eu… a gente discutiu — disse Vitor, evitando olhar para elas. — E eu perdi a cabeça.
Maju cruza os braços.
— Discutiram por quê?
Vitor hesita.
— Call of Duty.
Helena estreita os olhos na mesma hora.
— Você foi suspenso por três dias por causa de videogame?
Maju olha para Vitor, decepcionada.
— É uma pena, Vitor… porque os trolls...
— Não pararam? — Vitor interrompeu, tenso.
Helena responde direto:
— Estão duas vezes piores.
Vitor abaixa a cabeça, se sentindo culpado.
Maju se aproxima e segura as mãos dele.
— Você era a única pessoa com quem eu me sentia segura aqui. — A voz dela falha um pouco. — E agora?
Vitor levanta o olhar, abalado.
— Maju, eu sinto muito.
Maju solta as mãos dele.
— E eu sinto muito por você não conseguir controlar a sua raiva.
Ela se levanta, com os olhos cheios de lágrimas, e sai.
Helena observa Vitor por um segundo… e também começa a se levantar.
— Helena, espera. Eu preciso da sua ajuda.
Helena olha para ele, fria.
— Eu prefiro arrancar meus próprios olhos.
Vitor respira fundo, sem saída.
— O Fábio é o troll.
Helena franze a testa.
— Então foi por isso. — Ela dá um passo à frente. — Por que você não contou para a diretora?
Vitor engole seco.
— Porque ele me chantageou.
Helena o encara, já entendendo.
— O vídeo… você e a Zara.
Vitor desvia o olhar.
Helena balança a cabeça, irritada.
— E você vai deixar aquele idiota torturar a Maju só porque você fez não consegue se controlar?
Vitor levanta a voz, desesperado.
— Só até você hackear o celular dele e pegar o vídeo de volta!
Helena ri, incrédula.
— O Fábio é esperto, deve ter cópias off-line? Você precisa entrega-lo.
Vitor balança a cabeça.
— Se eu fizer isso, ele vai divulgar o vídeo.
— E a Maju vai sofrer — completou Helena.
— Ela já está sofrendo — retrucou Vitor.
Helena aponta para a porta por onde Maju saiu.
— Você não viu? Ela está à beira de surtar!
Vitor passa a mão no rosto, angustiado.
— E se ela descobrir sobre a Zara… vai ser pior.
Helena o encara em silêncio por alguns segundos. Então ela fala, mais calma… mas mais dura.
— Você está preocupado com a Maju… Ou com você mesmo?
Vitor não responde.
Helena balança a cabeça, decepcionada. Ela se vira e sai da sala.
Durante a prova de mandarim, Sara termina de falar uma frase com cuidado.
A professora sorri e começa a aplaudir.
— Excelente, Sara. Dá para ver que você estudou.
Alguns alunos olham, impressionados.
A professora continua:
— Certo… mais uma pergunta.
Sara franze a testa, confusa.
— Mas eu já respondi as dez.
A professora sorri de leve.
— Essa é um bônus.
Ela caminha até a porta da sala.
Sara acompanha com o olhar, sem entender. A professora abre a porta.
Uma cabra está parada ali, bem na entrada. Sara arregala os olhos… e depois abre um sorriso enorme.
— Meu Deus!
Ela se levanta na mesma hora e vai até a porta.
Se agacha, animada, e começa a fazer carinho na cabra.
— Oi, coisa linda!
A cabra balança a cabeça de leve.
Sara percebe um papel preso na coleira.
Ela pega e lê.
“Baile de Inverno”?
Ela olha, surpresa.
De repente, Vini se agacha na frente dela. Ele sorri, meio nervoso.
— Eu fiquei sabendo que cabras são o seu animal favorito.
Sara olha para trás, na direção de Lila e Joana.
As duas estão sorrindo.
— Vocês sabiam disso, né?
Lila balança a cabeça, toda satisfeita.
Sara volta a olhar para Vini, ainda sorrindo, meio sem acreditar.
Ele respira fundo.
— Então… você quer ir comigo ao Baile de Inverno?
Sara olha para ele… depois para a cabra… depois para as amigas.
Ela ri.
— Como é que eu vou dizer não pra uma coisa fofa dessas?
Vini sorri, aliviado.
Sara faz carinho na cabra mais uma vez. Os dois ficam ali, sorrindo.
A cabra dá um leve “méé”.
Maju e Vitor entram no quarto dela.
— Quer chá? Minha mãe comprou pra eu… desestressar.
Vitor balança a cabeça.
— Não, valeu.
Os dois ficam em silêncio.
Vitor olha ao redor, inquieto. Maju mexe nas próprias mãos.
Alguns segundos passam.
— Me desculpa — disse Maju, de repente.
Vitor levanta a cabeça, confuso.
— Te desculpar? Pelo quê?
Maju respira fundo.
— Por ter te feito se sentir culpado pela suspensão. — Ela dá um sorriso triste. — Não é sua obrigação me proteger o tempo todo. — Você tem sido o namorado perfeito… — Ela desvia o olhar. — E eu estou toda confusa. Nem sei se estou sendo uma boa namorada.
Vitor engole seco.
— Você não é a vilã da história — ele falou, interrompendo.
Maju olha para ele, surpresa.
Silêncio.
Vitor passa a mão no rosto, nervoso.
— Eu… — ele começa, mas trava. — Eu sei quem está mandando as mensagens.
Maju franze a testa.
— Como assim?
Vitor evita o olhar dela.
— É o Fabiano. E os amigos dele. Eu vi. Foi por isso que a gente brigou.
Maju dá um passo à frente.
— Você viu?
Vitor assente, sem encarar ela.
— Vi.
Maju fica em silêncio por um segundo… processando.
— Por que você não me contou isso antes?
Vitor não responde.
Maju balança a cabeça, já decidida.
— Não importa. Eu vou avisar a minha mãe.
Ela vai em direção à porta. Então sai do quarto.
Vitor fica sozinho. Claramente com muito mais coisas que ele não teve coragem de contar.
Enquanto isso. Michael está na sala de casa, parado por alguns segundos, olhando para a mãe, Cristina, que digita no notebook.
Ele respira fundo, criando coragem.
— Mãe… a gente pode conversar?
Cristina continua digitando por um instante.
— Tem que ser agora?
Michael hesita. O silêncio pesa.
— Eu quase usei drogas hoje.
Cristina para imediatamente.
Ela levanta o olhar.
— Como assim “quase”?
Michael desvia o olhar.
— Eu tive muita vontade.
Cristina fecha o notebook devagar e coloca de lado.
— Michael… você teve uma recaída?
Ele balança a cabeça.
— Não.
Cristina se levanta e vai até ele.
— Então me explica.
Michael passa a mão no rosto, nervoso.
— Era pra ser um dia normal. Fácil. E mesmo assim eu quase estraguei tudo.
Cristina se aproxima mais e coloca a mão no ombro dele.
— Mas não estragou.
Michael olha para ela.
— Foi por pouco, mãe.
Cristina o puxa para um abraço.
— Mas você conseguiu.
Ela fala com firmeza, mas com carinho.
— Isso importa. — Michael se afasta um pouco, ainda inseguro. — E se da próxima vez eu não conseguir? Eu quero mudar… mas parece que eu não consigo.
Cristina segura as mãos dele.
— Você não precisa resolver tudo de uma vez. — Ela olha nos olhos dele. — Você precisa dar um passo de cada vez.
Michael respira fundo, tentando absorver.
— E se eu falhar?
Cristina aperta levemente as mãos dele.
— Aí você levanta e tenta de novo. — Ela sorri de leve. — Mas hoje você não falhou.
Michael fica em silêncio.
Cristina toca o rosto dele com carinho.
— E eu estou muito orgulhosa de você.
Michael abaixa a cabeça, emocionado. Mas dessa vez… um pouco mais aliviado.
Maju entra no quarto com um sorriso no rosto. Vitor está sentado na cama, olhando para o chão.
— Minha mãe já está falando com a polícia. — Ela se aproxima e se senta ao lado dele, animada. — Muito obrigada, Vitor. Você é meu herói.
Vitor não reage.
— Eu não sou tão bom assim.
Maju ri de leve, achando que é só modéstia.
— Para com isso. Você é incrível. Graças a você, tudo vai voltar ao normal. A gente pode ir ao show e… fazer outras coisas juntos.
Vitor continua olhando para o chão.
Maju se inclina um pouco, tentando puxar ele para o momento.
— Eu sei que parece loucura, mas acabou. — Ela sorri. — E foi por sua causa.
— Para de dizer isso.
O tom dele é seco.
Maju para de sorrir.
— O que foi?
Vitor respira fundo, ainda sem olhar para ela.
— Eu preciso te contar uma coisa.
Maju força um sorriso, agora nervosa.
— Você está me assustando.
Vitor segura as mãos dela, mas não consegue encarar seus olhos.
— Eu… — ele trava, depois continua — eu e a Zara nos beijamos. Quando você estava em São Paulo… com o Rafa. — Foi um erro idiota. Não significou nada. — Ele finalmente olha para ela. — E eu me odeio por isso.
Maju fica completamente em silêncio. Ela solta as mãos dele devagar.
— Fala alguma coisa — Vitor pediu, quase em desespero.
Maju respira fundo.
— Acho que é melhor você ir.
Vitor se aproxima um pouco.
— A gente precisa conversar sobre isso.
Ela balança a cabeça.
— Agora não. Por favor… vai embora.
Vitor hesita. Mas percebe que não há espaço ali. Ele se levanta e sai. Maju fica sentada na cama, olhando para o nada. Processando, como se o mundo dela tivesse acabado de mudar.
Sinopse do Próximo Capítulo – Promessas Quebradas
Adryan precisa lidar com as questões do coração e do atletismo. Será que Maju conseguirá perdoar Vitor? Ao perceber que seu coração pertence a outro, Sara toma uma decisão difícil.
Atualizado em: Seg 15 Jun 2026
