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Grasso: A Próxima Geração 105 - Reunião de Pais

Edu e JP chegam na escola.
Edu observa o relógio, a ansiedade evidente em seu rosto.
— Vinte e oito horas, 14 minutos e sete segundos... — ele murmurou, quase como um mantra.
— Pode parar de contar, por favor — JP pediu, já sem paciência.
Edu suspira, tentando se acalmar.
— Claro, mas você está tranquilo para a reunião dos pais?
— O que? Claro que estou! E não entendo por que você não está, suas notas são melhores que as minhas.
— Não é isso. É que seus pais não vão brigar na frente de todo mundo.
JP franze a testa, confuso.
— Eu pensei que o Jefferson e a Pamela se davam bem...
— Não estou falando da Pam.
— O que? Sua mãe vem amanhã? — JP perguntou, surpreso.
Edu confirma, balançando a cabeça.
— Cara, nós não precisamos ir. Podemos ir ao cinema quando eles vierem para a reunião — sugeriu JP, tentando aliviar a tensão.
— Isso não vai funcionar. Meu pai é muito esperto.
— Você não pode perguntar a ele?
— Claro, se eu quiser começar uma guerra. Ele já deixou claro que quer que eu venha.
— Talvez eles não gritem um com o outro dessa vez.
— É claro, até o professor Paulo mostrar meu D na última prova de matemática — disse Edu, afastando-se com um olhar de desânimo.
JP vai atrás dele.
— Quanto tempo falta?
Edu checa o relógio, a contagem regressiva contínua.
— Vinte e oito horas, 13 minutos e 13 segundos... Vinte e oito horas, 13 minutos e 12 segundos...
Enquanto eles entram na escola, a tensão entre eles e a expectativa da reunião pairam no ar.

Personagens Principais
Gaby Merino
Mateus Merino
Luiza Souza
John Doho
Stefy Prioste
Sophia Rodrigues
André Kimmich
Edu Mariano
JP Djanikian
Giovanna Kuhlmann
Rick dos Anjos
Daniel Fernandes
 
Os alunos continuam chegando na escola para mais um dia de aula. JP e Edu conversam no corredor.
— Do jeito que funciona agora, está perfeito: o fim de semana com minha mãe, o resto do tempo com meu pai. Enquanto eles não tiverem que se ver, tudo bem.
— Foi mal, cara. Eu não sabia que era tão sério.
Eles chegam ao bebedouro, e JP, com um brilho travesso nos olhos, tem uma ideia.
— Ei, e se a gente contaminasse o bebedouro? Assim, eles teriam que fechar a escola!
Edu ri, mas a tensão ainda está presente em sua voz.
Nesse momento, o professor Kimmich aparece, interrompendo a conversa.
— Na verdade, testamos nossa água diariamente, meninos. Não se preocupem.
Edu lança um olhar para JP, que parece mais preocupado agora. O sinal toca, e a ansiedade aumenta.
 
O professor Kimmich entra na sala de aula, os alunos estão conversando.
— Beleza, pessoal, silêncio! — ordena, com um tom firme, mas amigável.
Edu e JP chegam correndo, ofegantes. O professor os observa com um sorriso, permitindo que entrem e se acomodem.
— Não temos a Sophia hoje, mas temos o Noticiário do NSC, mais uma vez. — ele anuncia, tentando manter o ânimo.
Luiza revira os olhos, um suspiro pesado escapando de seus lábios.
— Outro vídeo idiota do NSC.. — resmunga, claramente entediada.
O professor Kimmich capta o desdém em sua voz.
— Lu, tem algo que você queira compartilhar?
— Não, professor. — Luiza respondeu, enquanto se senta, um ar de desdém em seu rosto.
O professor liga a smart TV e o vídeo começa.
Dois jovens apresentadores começam a falar.
— Olá no Notícias Sobre Crianças de hoje vamos falar sobre Crianças limpadores de para-brisa — disse o apresentador
— Adolescentes que tentam extorquir dinheiro das pessoas limpando seus para-brisas sem pedir. O NSC deixa claro que acredita que esse dinheiro é usado para comprar drogas. Isso é errado — disse a apresentadora.
Luiza olha sério para a TV.
Mais tarde, ao término da aula, o professor faz um último aviso antes de os alunos saírem.
— Lembrem-se, pessoal, estamos aqui para estudar mídia digital depois do almoço.
Os alunos saem apressados, e Luiza e Manu conversam.
— Era só um programa da NSC — disse Manu.
Kamilly se aproxima.
— Limpadores de para-brisa são muito irritantes.
Luiza se irrita, o rosto se avermelhando.
— Não, crianças limpadoras de para-brisa são pobres; eles lavam janelas para terem o que comer!
— Meu pai disse que, se mais um desses moleques tentar sujar a janela dele, ele vai chamar o prefeito. Ele conhece o prefeito! — Kamilly respondeu, afastando-se com um ar de superioridade.
Luiza solta o ar, irritada, e volta a andar com Manu.
Depois de alguns passos, ela se vira pra amiga, andando de costas pelo corredor.
— Semana passada, a NSC nos disse para entrar no exército. O que será amanhã? Um buraco na camada de ozônio é bom porque dá um bronzeado melhor? — Luiza ironiza, os olhos brilhando de sarcasmo.
Manu ri.
— Você tá muito brava.
— Eu tô com razão.
Nesse momento, Luiza esbarra em alguém.
Ela se vira.
— Oi.
Mateus está na frente dela, com um sorriso.
— Oi.
Por um segundo, ela esquece completamente o que estava falando.
Ele dá um passo mais perto.
— Eu ouvi o que você disse.
Luiza levanta uma sobrancelha, ainda sorrindo.
— Ouviu?
— Ouvi. — ele sorri. — E concordo. Esses vídeos da NSC são meio… forçados.
Ela solta uma risada leve.
Os dois ficam se olhando por um instante a mais do que o normal.
Mateus quebra primeiro.
— Bom… até depois.
— Até.
Ele sai, e Luiza acompanha com o olhar por um segundo antes de virar de volta.
Manu já está sorrindo.
— Ele falou com você!
— Sim, é porque eu esbarrei nele. — Luiza respondeu, tentando disfarçar a ligeira corada em suas bochechas.
 
No banheiro feminino, Sophia está de frente para o espelho, com a mente distante. Gaby, Giovanna e Stefy entram.
— Ah, lá vamos nós de novo — comenta Giovanna, com um olhar de brincadeira.
Sophia a encara, confusa.
— Lá vamos nós de quê?
— Sempre que a NSC aparece, você fica toda maníaco-depressiva — disse Giovanna.
Sophia revira os olhos.
— Isso não é verdade! Olha, isso é...
— Ela tem razão — Stefy interrompe, com um sorriso.
— Stefy!
— Sério, por que você se incomoda tanto? Todo mundo adora seus anúncios! Até a Letícia Rivas disse que você é melhor que aqueles apresentadores sem graça da NSC.
— Ah, isso é muito bom! Aqueles dois são uns completos malucos! — disse Giovanna, de dentro da cabine sanitária
Gaby que retocava o batom olha para as duas.
— O Mateus detesta os vídeos da NSC.
Sophia e Stefy sorriem.
— Ninguém gosta deles. — Stefy olha para Sophia, a encorajando. — Eles só tem um bom Agente. Até a Letícia tem um agente, você também pode conseguir um!
Giovanna sai da cabine, com um olhar de desdém.
— A Letícia tem um agente? Mesmo com aquele nariz dela?
Stefy aponta para o reflexo de Sophia no espelho.
— Olha, a Sophia tem um visual ótimo e experiência em vídeo. É perfeito!
— Onde a Sophia encontraria um agente? — perguntou Giovanna.
Sophia sorri
— Meninas, a mãe do Edu é agente de elenco! Stefy, você é demais!
Sophia e Stefy saem do banheiro, enquanto Giovanna se aproxima da pia para lavar as mãos, com aquele olhar de inveja habitual, já pensando em um plano.
 
JP e Edu saem da escola.
— JP, vamos lá! Preciso bolar um plano pra meus pais não se encontrarem.
— O que você tem em mente? — perguntou JP, curioso.
— Não sei, a gente precisa pensar em algo.
JP o olha, levantando uma sobrancelha.
— Precisamos?
Sophia, Gaby e Stefy se aproximam, interrompendo a conversa.
— Edu! Justo quem eu estava procurando!
Edu lança um olhar desconfiado para Sophia.
— Sua mãe é agente de elenco, né? — ela perguntou.
— Sim — ele respondeu, um pouco hesitante.
— E ela vem pra reunião dos pais? — Stefy perguntou, com um olhar curioso.
Edu olha para ela, um pouco nervoso.
— Obrigado por me lembrar.
Sophia toca o ombro dele.
— Ela vem mesmo?
— Sim, por quê?
— Nada demais.
Sophia, se afasta com Stefy e Gaby.
No refeitório, Luiza indignada conversa com Manu e Mateus.

— Não é como se as pessoas realmente pensassem sobre isso. Elas querem que a gente vire robôs sem cérebro.
— Concordo com você Luiza. — Respondeu Mateus, com um olhar sério. — E esses anúncios sem sentido da NSC, tentando nos vender ideias ridículas de que todos temos as mesmas oportunidades na vida.
Luiza sorri, pegando sua mochila.
— Posso continuar reclamando, ou posso fazer algo a respeito.
Ela se levanta e sai da mesa, decidida.
 
Urso caminha com Giovanna pelo corredor da escola.
— Então, o cara fala: “O que você vai fazer quando a girafa pedir seu rosto de volta?” Urso começa a rir, mas Giovanna está com a cabeça baixa, perdida em pensamentos. Urso a observa.
— Você não pegou a piada? O cara tem um rosto que parece o traseiro de uma girafa.
Giovanna levanta os olhos para ele.
— Urso, você acha que a Sophia é mais bonita que eu?
Urso faz uma careta.
— Hã?
— É que ela tá pensando em arrumar uma agente de talentos.
— Ah, a Sophia vai conseguir um agente? Consigo imaginar ela bombando no TikTok.
Giovanna o olha com seriedade.
— E você não consegue me ver lá também?
— Não disse isso!
— Então você acha que eu também conseguiria um agente, né? — perguntou Giovanna.
— Com certeza! Agora, voltando à minha piada...
Giovanna sorri, ignorando completamente Urso.
 
Enquanto isso, Luiza entra na sala do diretor Fernando, visivelmente incomodada.
— Diretor Fernando… posso falar com o senhor sobre o programa da NSC que passou hoje de manhã?
— Claro, Luiza. Pode falar.
— É que… a NSC foi totalmente tendenciosa. Eles começaram dizendo que crianças que limpam para-brisa são perigosas, e logo depois ficaram dando dica de qual tênis de corrida comprar. Isso não faz sentido.
O diretor se levanta da cadeira e cruza os braços, respirando fundo.
— Você já viu os novos computadores do laboratório de informática e mídia São dezoito computadores novos. Todos doados pela NSC. Em troca, a escola exibe o programa matinal deles.
Luiza arregala os olhos.
— Então a gente é obrigada a passar tudo o que eles quiserem?
Fernando balança a cabeça, confirmando, mas com calma.
— Mais isso é suborno.
— Não. São dezoito computadores que não teríamos de outra forma. Os pais votaram a favor. Lembre-se: nem todo mundo na Grasso tem computador em casa. Mais se você discorda, escreva um artigo de opinião. Quero que ele saia na edição do dia da reunião de pais. Mais certifique-se de entregar até às 16 horas. — Ele dá um leve sorriso. — Você consegue.
Luiza não responde. Apenas vira as costas e sai da sala, claramente irritada, mas pensativa.
 
Mais tarde, os alunos saem da aula e Sophia conversa com Stefy e Gaby.
— Então, nos inscrevi pro comitê de boas-vindas! Vou ser a primeira a dar as boas-vindas para a mãe do Edu.
Elas chegam aos armários e encontram Giovanna, que está sorrindo.
— A menos que ela me veja primeiro, né?
Sophia ergue uma sobrancelha, confusa.
— O quê?
— Ah, eu vou ajudar amanhã.
— Desde quando?
— Sophia, você me pediu pra ser voluntária há umas três semanas, lembra? Até mais tarde!
Giovanna dá um sorriso e sai, balançando a cabeça.
 
Luiza e Manu entram no laboratório de informática, conversando baixo enquanto observam o espaço quase vazio.
— Então… o diretor deixou mesmo você fazer um artigo? — perguntou Manu.
— Deixou, foi legal.
Elas caminham até Mateus.
Ele olha para Luiza.
— Por que você me pediu pra te encontrar aqui?
Luiza se senta devagar.
— Eu conversei com o Daniel, ele me deixou fazer um artigo para o Juliu’s. — Ela olha para Mateus. — Preciso da sua ajuda.
— E o que você quer exatamente? — Mateus perguntou.
— Tá… vamos imaginar que você é uma criança que limpa para-brisas no sinal.
— Certo… — disse Mateus.
— Como é ser comparada com uma barata?
Mateus franze a testa, pensa um pouco e cruza os braços.
— Eu diria: “Ei, crianças mimadas, me deixem em paz”.
Luiza e Manu sorriem, Luiza e Mateus continuam escrevendo o artigo.
 
Do outro lado da sala, Edu e JP conversam.
— Você tem razão, ficar reclamando não vai ajudar. Preciso fazer algo sobre essa reunião dos pais.
— E o que você tá pensando em fazer?
— Convencer meus pais a não virem.
JP olha com uma expressão confusa.
— Sério? Como você vai fazer isso?
— Fácil! Vou baixar o logo do site da Grasso e escanear a assinatura do Professor Kimmich daquela carta que levei para casa. É uma obra-prima!
— Uma obra-prima? — JP perguntou — Isso vai dar ruim.
Edu começa a digitar, enquanto JP lê em voz alta o que ele escreve.
— Os pais não precisam vir por causa do meu desenho incrível de todas as atividades escolares.
Edu sorri.
— Traduzindo: sou um aluno nota mil! É tudo uma questão de detalhes, meu amigo. Isso vai dar certo!
 
Luiza e Mateus correm pelos corredores da escola até a sala do Juliu’s Diário e bate na porta. Kamilly atende, com uma expressão de impaciência.
— Kamilly, terminamos o editorial NSC! — disse Luiza ofegante.
Kamilly solta um suspiro.
— Vocês estão 17 minutos atrasados.
Luiza ajeita a postura.
— Desculpa!
— O prazo do Notícias Grasso é às 16h. Estou tentando tocar um jornal e ainda manter um nível profissional.
Mateus dá um passo à frente, com aquele sorriso confiante.
— Kamilly… até jornal grande atrasa. São só dezessete minutinhos.
Kamilly segura o olhar por um segundo… e acaba sorrindo de leve.
Luiza percebe na hora e revira os olhos,
— Incrível.
— Tá — disse Kamilly, cedendo. — Eu posso abrir uma exceção. Mas não se acostuma, tá? Como co-editora, sou bem exigente.
Luiza estende um pen drive para Kamilly, que suspira.
— Um pen drive? Sério mesmo?
Kamilly pega o pen drive entra na sala e fecha a porta.
 
Mais tarde, Edu está em casa. O pai lê a carta falsa com atenção demais.
— Eu fiquei tão surpreso quanto você, pai… Eu estava indo bem, de verdade — Edu tenta soar tranquilo, mas a voz falha um pouco.
O pai estreita os olhos, relendo um trecho.
— “A transferência para o Grasso elevou a classificação de Edu a um padrão premium.” — Ele ergue o papel. — “Padrão premium”? Que escolha estranha de palavras para o professor Kimmich.
— Ah, pai… você sabe como ele é. Ele é mais da área de informática. Escrever não é muito o forte dele.
— Nem revisar, pelo visto. “Classificação” com um “s” só? — Ele abaixa a carta devagar.
O pai se aproxima, ficando sério de vez.
— O que está acontecendo, Edu?
— Nada. — Edu dá de ombros, evitando olhar nos olhos dele.
— Você não quer que eu vá à reunião de pais?
— Eu não falei isso.
— Não precisou.
— Você está indo mal assim na escola? — Edu se afasta Jeferson respira fundo, tentando manter a calma. — Fala comigo, filho.
Edu retorna segurando um prato.
— Minha mãe ligou, tá? Ela disse que vai amanhã.
Jeferson bate as mãos nas pernas, irritado.
— E ela nem me avisou. Típico. Sempre faz isso.
— Tá vendo? — Edu explode. — Vocês dois não conseguem nem ficar no mesmo lugar sem começar alguma coisa!
O pai se cala. Abaixa a cabeça e se senta.
— Edu… não é mais como antes. Sua mãe e eu estamos melhores agora. — Ele olha para o filho com cuidado. — Você não quer que eu vá?
Edu suspira e se senta também, mais cansado do que bravo.
— Eu quero que você vá. Eu só… não quero vocês dois juntos. Só isso.
O silêncio pesa por alguns segundos.
— Vai ficar tudo bem, amigão. — Jeferson levanta a mão como se estivesse fazendo um juramento. — Sem briga. Eu prometo.
Edu não responde na hora. Só balança a cabeça, ainda desconfiado.
 
No banheiro feminino, Sophia tenta passar um delineador nos olhos.
— Ai, estou tremendo!
Stefy se aproxima, pega o lápis da mão de Sophia e começa a passar no olho da amiga.
— Ai! Cuidado! Você tá querendo me deixar cega?
— Desculpa, Sophia! Não sou muito boa nisso. — ele olha para Gaby. — Gaby você é melhor com maquiagem.
Gaby se aproxima e pega o delineador.
Giovanna entra no banheiro, usando uma blusa toda brilhante.
— E aí, meninas!
Sophia Gaby e Stefy olham para ela.
— Por que você está vestida assim? — Sophia perguntou.
— É a reunião dos pais! Tenho que estar linda, né?
Sophia olha confusa para Giovanna.
— Linda para quem? Para os pais? Ou para mãe do Edu?
Giovanna sorri.
— Te vejo lá fora!
Sophia dá uma olhada pra Stefy e Gaby e revira os olhos.

Edu caminha ao lado do pai pelo corredor da escola, chutando de leve a ponta do próprio tênis contra o chão.
— Ela esqueceu — disse, tentando parecer indiferente, mas sem conseguir esconder a frustração.
O pai suspira de leve, mantendo o tom calmo.
— Você sabe como sua mãe é. Dá dois minutos para ela. Vai ficar tudo bem.
 
Sophia, Giovanna, Gaby e Stefy estão na recepção quando uma mulher se aproxima de Stefy.
— Oi, posso ajudar? — perguntou Stefy, prestativa.
Sophia se aproxima rapidamente.
— Stefy, essa é a mãe do Edu, a agente de elenco! Bem-vinda à Grasso, Sra. Ana!
Giovanna chega, empurrando Sophia levemente.
— Oi! Preciso dizer que essa roupa é incrível, bem vanguardista!
Ana sorri.
— Obrigada!
Edu se aproxima.
— Oi, mãe!
— Ei, tigrão! Desculpa o atraso.
Ela se aproxima de Edu, e Jeferson observa.
— Oi, Ana! O pneu furou?
— Eu avisei ao Edu que poderia me atrasar. A reunião dos pais ainda não acabou.
— Não, ainda não — disse Jeferson, olhando para Edu. — Vamos lá, amigão.
Os três saem andando, mas Giovanna aborda Ana.
— Oi, sou a Giovanna. Prazer em te conhecer! Ouvi muito sobre você.
Ana apenas balança a cabeça, se vira e sai.
Sophia se aproxima de Giovanna.
— Você acha que ela vai te colocar no próximo voo pra Hollywood?
Giovanna sorri, com ironia.
— Melhor você tirar esse delineador, está parecendo uma gótica.
Giovanna se afasta.
 
Edu e seus pais entram na sala de informática e mídia. O professor Kimmich conversa com eles.
— Não há dúvidas de que o Edu é um garoto inteligente. Ele entende rápido os conteúdos. Mas tem deixado escapar pontos importantes… principalmente na ortografia. E isso acaba puxando as notas para baixo. Em Informática e Mídia, por exemplo, ele poderia ser o melhor da turma se fosse mais atento aos detalhes.
Edu cruza os braços e se vira para os pais.
— “Mais atento” é meio vago, né?
Kimmich olha para ele, paciente.
— Edu, seu último trabalho foi entregue com três dias de atraso. — Ele encara os pais. — Isso não combina com alguém com o seu potencial.
Ana vira o rosto lentamente para Jeferson.
— Três dias?
Jeferson franze a testa.
— Essa é a primeira vez que estou ouvindo isso. Edu?
Ana respira fundo.
— Jeferson, estou falando com você. Essa é uma reunião de pais. Você é o pai aqui.
— Nós dois somos. — Ele mantém a voz baixa. — A gente resolve isso depois.
— Depois? — ela rebate, controlando o tom. — Ele está atrasando trabalhos. Por que você não está acompanhando os prazos? Por que as notas estão caindo?
Edu abaixa o olhar para a mesa. O silêncio pesa.
O professor Kimmich percebe e suaviza a postura.
— Acho que o mais importante agora é entender o que está acontecendo. O Edu tem capacidade. Talvez precise de mais organização… e um pouco mais de apoio.
Jeferson passa a mão no ombro do filho.
— A gente vai ajustar isso. Não é, Edu? — Obrigado por nos avisar, professor — completou Jeferson.
Kimmich apenas assente, mas seu olhar permanece atento em Edu.
 
Luiza e Amanda caminham lado a lado pelo corredor. Mesmo com apenas 13 anos, Luiza já é visivelmente mais alta que a mãe. Amanda sorri, radiante, e passa o braço pelos ombros da filha.
— Eu estou tão orgulhosa de você. Sério. Uma crítica atrás de outra.
Luiza sorri, meio sem jeito.
— Eu não fiz sozinha, o Mateus me ajudou.
Amanda sorri.
— E quem é esse Mateus?
Luiza cora.
— É só um amigo mãe.
De repente, ela para. No mural de avisos, há uma cópia impressa do Notícias Grasso.
— Mãe… é a edição impressa do Notícias Grasso.
Antes que Amanda responda, Rick e seu irmão, Vinícius, saem de uma sala logo atrás delas. Vinícius segura uma cópia do jornal, dobrada ao meio.
— Vocês realmente têm que assistir esses vídeos toda manhã? — Vinícius falou, balançando o jornal. — E esse artigo aqui… falando mal dos computadores gratuitos? Que ideia ridícula.
Luiza se vira na mesma hora.
— Com licença?
Os dois param.
— Eu escrevi esse artigo.
Rick para, surpreso, e olha rapidamente para Amanda.
— Ah… eu não sabia. Eu estava só...
Luiza dá um passo à frente.
— Não olha para ela. Fala comigo. Eu escrevi.
Rick fica sem graça.
— Eu não quis ofender…
— Então escuta antes de chamar de ridículo. Os alunos não deveriam ser obrigados a ver propaganda na escola. Isso não é certo.
Vinícius ri de lado.
— Ah, claro. Porque o problema da escola agora é propaganda.
Luiza cruza os braços.
— Se você tivesse lido até o final, entenderia o ponto.
Ela começa a se afastar, irritada. Amanda vai atrás, mas Rick chama:
— Ei, não precisa levar tão a sério!
Luiza para e se vira de novo.
— Como assim “não levar a sério”? É a minha opinião. Isso não é importante?
— É isso que meu irmão está tentando dizer.
— Eu percebi e ele está errado.
Vinícius sorri com ironia.
— Eu estou errado? Me diga, se é justo o Rick estar ficando para trás na escola por que não podemos comprar um computador?
Luiza não desiste.
— Ele pode fazer a lição de casa aqui.
— Graças aos computadores grátis né?
— Se você lesse o artigo inteiro saberia que é...
— É um lixo — Vinícius interrompeu.
— Não é um lixo — Luiza rebateu.
— Parece lixo para mim.
Ele se aproxima um pouco, mas sem gritar.
— Só estou dizendo que toda história tem dois lados. Tenta lembrar disso da próxima vez que escrever como se tivesse a resposta para tudo.
O silêncio fica pesado por um segundo.
Vinícius joga o jornal dobrado na lixeira ao lado e sai andando. Rick hesita, olha para Luiza como se quisesse dizer algo, mas acaba seguindo o irmão.
Luiza fica parada, respirando mais rápido do que gostaria de demonstrar.
Amanda se aproxima devagar.
Luiza mantém o olhar fixo no corredor vazio.
 
Enquanto isso, o professor Kimmich continua sentado diante dos pais de Edu. Ele mantém a postura calma, mas a tensão na sala já é visível.
— Ele faltou uma vez sem justificativa — explica Kimmich. — Mas, mesmo assim, conseguiu manter o rendimento.
Ana vira o rosto lentamente para Jeferson.
— Ele matou aula?
Edu suspira.
— Foi uma vez, mãe. Eu estava chateado… com a mudança. Com ter que morar com a Sophia.
O clima pesa.
Ana cruza os braços e olha para Jeferson.
— Achei que morar com você e com a Pamela fosse ajudar nas notas dele. Não era essa a ideia?
Jeferson a encara.
— O que você está insinuando?
— Estou dizendo que talvez a gente precise repensar essa situação. Talvez a casa do Edu
Jeferson solta um riso curto, sem humor.
— Não começa.
— Esse seu joguinho de sempre — Ana rebate.
— Joguinho? — ele se inclina para frente. — Quebrar compromissos é o seu estilo, Ana. Foi por isso que ele veio morar comigo.
Kimmich ergue a mão, tentando intervir.
— Com licença… esses problemas são comuns para muitos alunos...
— Então agora a culpa é minha? Jeferson, nem vamos entrar nos motivos pelos quais eu fui embora.
Jeferson perde a paciência.
— Só existe um motivo: sua carreira. Sempre foi sua prioridade. É por isso que ele mora comigo. E vai continuar morando comigo.
Edu abaixa a cabeça. As mãos apertam a barra da camisa. Ele respira fundo… e explode:
— Chega!
Os três adultos se calam.
— A culpa não é de vocês morarem separados. Nem da Sophia. Nem da carreira de ninguém. Eu que me distraio. Eu que fico jogando videogame em vez de fazer o dever. Eu que me atraso.
Ana tenta intervir:
— Edu, isso não é brincadeira—
— Eu sei que não é! — ele rebate, a voz falhando um pouco. — Eu não posso culpar vocês. O pai não pode fazer a tarefa por mim. Você também não. Eu que tenho que ir pra aula. É a minha vida.
O silêncio pesa ainda mais.
— Então parem de usar isso para discutir. Não é justo. Eu vou me esforçar. Eu prometo.
Ana engole em seco. Jeferson evita olhar para ela.
O professor Kimmich limpa a garganta, retomando o tom profissional, mas mais cuidadoso:
— Certo… Vamos olhar juntos os resultados mais recentes das provas e pensar em um plano para ajudar o Edu a se organizar melhor.
Edu respira fundo, tentando se recompor.
A discussão acabou. Mas o que foi dito ainda está ali, suspenso no ar.
 
Mais tarde, no corredor, Sophia vê Ana passando com Edu e Jeferson. Ela se aproxima rápido demais, como se já estivesse esperando por eles.
— Então? Como foi?
Jeferson respondeu antes de qualquer um.
— Foi tranquilo. O Edu só precisa se organizar melhor.
Edu faz uma careta discreta.
— Traduzindo: eu tenho que parar de me enrolar.
— Nós vamos garantir que ele entregue as lições de casa no prazo. Mas foi uma conversa produtiva — disse Ana.
Antes que alguém diga mais alguma coisa, Giovanna se aproxima animada.
— Edu! Querido Sobreviveu?
Edu solta um meio sorriso.
— Por pouco.
Ana observa a cena e depois chama o filho com um gesto.
— Edu, vem aqui um minutinho.
Ela o leva alguns passos para o lado, longe dos outros.
— Eu consegui uma folga essa semana — ela falou, mais suave.
Edu levanta o olhar.
— Mas você vai voltar a trabalhar depois, né?
— Vou. — Ela respira fundo. — Mas eu fiquei pensando no que você disse. Sobre… a gente. Me desculpa por você ter que ouvir certas coisas hoje. Entre mim e seu pai. Não é justo.
Ela segura o rosto dele com carinho.
— É complicado.
Edu dá de ombros, mas os olhos mostram cansaço.
— Eu sei.
Ela o abraça.
— Eu te amo. Muito.
Ana solta o filho e volta para o grupo.
— Aliás, Sophia… você tem minha permissão para manter esse rapazinho na linha.
Sophia se aproxima, sorrindo de um jeito quase competitivo.
— Pode deixar comigo. E Ana foi um prazer te ver de novo. Sempre é. Inclusive, eu estava pensando se...
— Espera! — Giovanna interrompe, entrando no meio das duas.
Ela tira algo da mochila.
— Eu tenho uma coisa para você. Para lembrar de mim.
Giovanna entrega uma foto sua para Ana claramente posada, como se fosse de teste para modelo.
Ana pega a foto
Sophia lança um olhar nada discreto para ela.
Ana guarda a foto na bolsa.
Ela se despede com um aceno e segue pelo corredor em direção à saída.
Giovanna sorri para Sophia, satisfeita. Sophia devolve o olhar, séria.
Na porta da escola, Ana vê Stefy tirando um cartaz da porta. Ela para por um instante, observando.
— Você já pensou em atuar? — perguntou Ana.
Stefy a encara, confusa.
Ana tira um cartão da bolsa e entrega a ela.
— Se tiver interesse, me liga. Você tem um olhar interessante.
Stefy segura o cartão, sem saber se sorri ou agradece.
— Obrigada…
Ana faz um último aceno e vai embora.
Stefy olha na direção do corredor. Sophia e Giovanna observam a cena ambas claramente incomodadas.
Giovanna cruza os braços.
Sophia apenas estreita os olhos.
 
— Seu artigo ficou muito bom, Luiza — disse Mateus, sincero.
Ela olha pra ele, com um sorriso.
— Nosso artigo, Mateus. — Ela desvia o olhar e vê Rick ao longe. — Pena que nem todo mundo achou isso.
Ele olha para ela.
— Isso é normal. Quando a gente escreve opinião, sempre irrita alguém. No meu último artigo, eu consegui brigar com metade do time de futebol.
Luiza ri de leve.
— Que talento.
Antes que ela diga mais alguma coisa, Rick se aproxima.
— Luiza… Mateus… posso falar com vocês?
Luiza revira os olhos.
Mateus olha pra ele, tranquilo.
— Claro, mano. Fala aí.
Rick respira fundo, meio sem jeito.
— Eu só quero pedir desculpa pra você Luiza, por ontem. Às vezes eu fico teimando demais quando quero defender meu ponto.
Luiza dá um sorrisinho, mas ainda parece um pouco sem jeito.
— Eu sou sincera demais… é meio de família.
Rick arqueia a sobrancelha, brincando:
— Ah, então é contagioso. Acho que eu meu irmão pode ter pegado isso ontem.
Ela solta um riso curto.
— Você ouviu quando seu irmão falou que o artigo era lixo?
Luiza abaixa o olhar por um instante.
Rick inclina a cabeça e fala mais firme, mas ainda tranquilo:
— Não era lixo. De verdade.
Luiza olha pra ele de novo, surpresa com a sinceridade. O sorriso volta, mais leve.
— Obrigada, Rick.
Um pequeno silêncio confortável se instala antes de Rick quebrar o silêncio.
— Eu vou nessa. A gente se fala depois.
— Falou — disse Mateus.
Rick sai.
Mateus acompanha ele com o olhar… depois volta pra Luiza, claramente curioso.
— Tá… o que aconteceu ontem?
Luiza olha pra ele, já andando.
— Vem. Eu te explico.
Mateus vai atrás na mesma hora.
 
No corredor, o professor Kimmich alcança Edu.
— Edu, posso falar com você um minuto? Sobre ontem…
Edu já levanta as mãos, meio sem jeito.
— Professor, eu sei. Eu só queria pedir desculpa de novo pelo que aconteceu. Meus pais… às vezes eles passam do ponto.
— Edu, aquilo não foi culpa sua. Eles são sempre assim?
Edu dá um sorriso, meio constrangido.
— Só quando estão no mesmo lugar por muito tempo. Parece competição de quem fala mais alto.
Kimmich ri de leve.
— Entendi. Mas você lidou muito bem com a situação.
Edu encolhe os ombros.
— Ah… ontem até que foi bom. Pelo menos muita coisa ficou clara.
— Fico feliz em ouvir isso.
Eles começam a andar pelo corredor. Kimmich coloca a mão no ombro de Edu.
— Ah, antes que eu me esqueça… — ele tira um papel do bolso — Da próxima vez que for falsificar a minha assinatura, talvez seja uma boa ideia escrever meu sobrenome certo. E apagar o arquivo do servidor também ajuda.
Edu arregala os olhos, depois solta um sorriso nervoso.
— Professor, eu juro que posso explicar. Não foi bem assim…
— Ótimo. Então você pode começar explicando em uma redação de dez páginas sobre por que é errado falsificar documentos. Para amanhã de manhã.
Edu fecha os olhos por um segundo.
— Dez páginas? Professor… isso é praticamente um livro.
Edu começa a se afastar, resmungando baixinho.
— Edu — Kimmich chama.
Ele se vira.
— Apesar de tudo… bom trabalho ontem. Você foi mais maduro do que muita gente ali. Seus pais deveriam ter orgulho de você. Eu tenho.
Por um segundo, Edu fica sem saber o que dizer. Ele só assente, com um sorriso pequeno, mas sincero.
— Valeu, professor.
Ele sai andando pelo corredor com um sorriso que tenta disfarçar, mas não consegue.

Sinopse do Próximo Capítulo - Capricho de Amor
Os alunos do sétimo ano recebem uma tarefa de informática e mídia sobre animais ameaçados de extinção e, em uma tentativa de se aproximar de Luiza, Edu prepara um documentário para que eles assistam e usem em seus projetos. No entanto, ele fica chateado quando ela o abandona para passar um tempo conversando com sua nova paixão, Mateus. O aniversário de oito meses de John e Sophia está se aproximando, mas, com Giovanna interpretando Julieta para o Romeu de John na tarefa da aula de português, Sophia fica com ciúmes.


 
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Atualizado em: Ter 7 Jul 2026

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