- Crônicas
- Postado em
CORAÇÃO CHEIO DE LEMBRANÇAS
22 de maio de 2026. 9 horas e cinco minutos. Acordei mais tarde hoje. Perdi o sono pela madrugada e, de manhã, acabei dormindo um pouco mais, levantando-me às 8 horas e quarenta minutos.
A primeira coisa que vi nas redes sociais foi a comunicação do falecimento de Maria Fajardo, minha prima, residente no interior. Irmã do João. Fiquei triste. É a carruagem que, carregando as pessoas e rodando diariamente, balança, balança e, de vez em quando, deixa um de seus ocupantes para trás. É isso mesmo que acontece. Foi ela encontrar-se com o Altíssimo. Que Deus a receba com carinho e a encaminhe a um local cheio de luz!
Faz um tempinho que parei de escrever e sinto que não posso fazer isso, pois redigir meus textos significa uma forma de desabafo para minhas depressões, trazendo-me um pouco de conforto espiritual.
Nessa última noite sonhei muito. Meus pais, já falecidos, são os personagens principais de meus sonhos. Por tê-los repetidas vezes presentes, até fico preocupado, pensando — talvez seja bobagem — que eles estejam querendo que eu vá também para o lado de lá, onde eles se encontram, em breve.
Ainda na cama, alguns minutos antes de colocar os pés no chão, vieram muitas lembranças. Saudosas lembranças. De meus pais, pessoas tão queridas que me deram a vida e tantos exemplos de amor e bondade. Cumpriram a missão deles com galhardia, com coragem. Perseverantes até o fim.
Minha mãe faleceu em uma noite chuvosa do mês de janeiro, precisamente no dia 29, no Hospital Biocor, em Nova Lima. Foi uma tristeza enorme. Queríamos muito que ela se recuperasse, mas não houve como isso acontecer. Deus a chamou e ela foi embora. Papai, já com seus 91 anos de idade, fragilizado, sofreu um baque terrível. Acho que foi a maior tristeza que teve de suportar. Não queria comparecer ao velório, no Parque da Colina, bairro Nova Cintra, em BH. Eu o convenci a ver o corpo de sua esposa, sua “companheirona” de tantas lutas, pela última vez. Então, meu filho o transportou até o local. Em uma cadeira de rodas, foi conduzido até onde estava o caixão de mamãe. Ele chorou profundamente. Segurou a mão dela, disse-lhe palavras de carinho e pediu para ir embora. Não quis esperar o sepultamento.
Nós, familiares, sentimos muito a partida de mamãe. A casa da Rua Almenara, 15, no bairro Dom Bosco, em Belo Horizonte, ficou vazia, triste demais sem a presença de sua matriarca. Mas uma coisa não podíamos deixar de realizar: cuidar com muito carinho de nosso pai.
Meus irmãos e eu estávamos sempre presentes na casa. A grande tristeza era não encontrar mamãe ali, na casinha humilde onde eles moravam. Um vazio grande feria nosso coração.
Os meses foram passando e meu pai, parkinsoniano, sofria muito. Tinha muitas dores. Ficava deitado o tempo todo. De vez em quando se levantava para se alimentar e um de nós, com cuidado, o arrastava até a sala para que se sentasse em uma cadeira. Ver televisão, nem pensar. Sua companheira não estava ali para segurar sua mão com carinho.
O tempo continuava em seu ritmo rotineiro. O relógio da sala, hoje em minha casa, produzia seu tique-taque e não perdoava o implacável correr do tempo.
Em 25 de agosto de 2007, dia de meu aniversário, meu pai passou muito mal e tivemos que interná-lo. Foi um momento muito difícil, mas ele se recuperou um pouco e, depois de uns cinco dias, retornou para casa, local onde ele sempre dizia que queria permanecer até a morte.
Nos primeiros dias de fevereiro de 2008, de novo meu pai entrou em crise e o levamos de volta ao Hospital Vera Cruz, onde permaneceu vivo até o dia 19 de abril do mesmo ano. Sofreu demais, ficando intubado por mais de sessenta dias no Centro de Tratamento Intensivo.
Com o coração triste, mas resignado — pois tínhamos que compreender que meu pai estava sofrendo muito com a doença —, em uma tarde morna de 19 de abril de 2008, Deus o chamou. Fizemos seu sepultamento em 20 de abril, no mesmo jazigo onde mamãe já descansava desde 2007, no Jardim das Rosas.
Finalizo minha narração imaginando que meu leitor poderá se emocionar com o conteúdo. Peço desculpas. Foi uma forma de aliviar um pouco meu coração. Lembro-me de tudo com imensa saudade; não dos momentos difíceis, mas ao recordar a ternura e o amor que eles sempre transmitiram para mim, meus irmãos, parentes e amigos que conviveram com eles.
LUIZ GONZAGA PEREIRA DE SOUZA
Atualizado em: Sáb 30 Maio 2026
