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Grasso: A Próxima Geração 104 - Ciúme

Stefy estava sentada na mesa da cozinha, os ombros caídos e o olhar perdido no nada. Seu pai apareceu na porta da cozinha.
— Então… noite importante hoje, hein? — disse ele, tentando soar animado. — Minha filhinha indo para o baile… você cresceu rápido demais.
Ele abriu a geladeira e pegou uma garrafa de cerveja, observando-a de canto de olho, esperando alguma reação.
— Pai… — Stefy murmurou, sem levantar a cabeça.
— Ah, eu já estou até vendo. Uma fila de garotos esperando para dançar com você.
Stefy soltou uma risada curta, sem humor. Levantou-se de repente, pegando a bolsa da escola com força demais.
— É… talvez em algum universo paralelo.
O pai franziu a testa.
— O quê? Stefy, espera… do que você está falando?
Ela parou por um instante, respirou fundo e falou de uma vez, como se estivesse segurando aquilo há muito tempo:
— Pai, admita. Eu sou gorda. Os caras nem reparam em mim.
Ele deu um passo à frente, surpreso.
— Filha, você não é gorda.
— Sou sim — ela respondeu, a voz falhando. — Não adianta fingir que não vê.
O pai passou a mão pelo rosto, visivelmente preocupado, e falou com mais firmeza, mas com carinho:
— O que eu vejo é uma garota linda que se cobra demais. Você é muito linda, Stefy. E essa noite você ainda vai perceber isso.
— Eu não vou perceber nada, porque eu não sou. Ninguém vai querer dançar comigo.
— Ei — ele chamou, a voz mais baixa agora. — Não fale assim de você mesma.
Stefy parou por um segundo. Olhou para o pai, como se quisesse acreditar, mas não conseguiu. Então abriu a porta e saiu.

Personagens Principais
Gaby Merino
Mateus Merino
Luiza Souza
John Doho
Stefy Prioste
Sophia Rodrigues
André Kimmich
Edu Mariano
JP Djanikian
Giovanna Kuhlmann
Rick dos Anjos
Daniel Fernandes
 
Um garoto caminha em frente a escola. Ele passou próximo de Urso um valentão e de dois meninos que estavam com ele.
— Ei — Urso chamou, com um sorriso. — Tá sujo aqui.
Ele apontou para a camisa do garoto.
Instintivamente, o garoto abaixou a cabeça para olhar. No mesmo instante, Urso ergueu a mão e esfregou os dedos no rosto dele. O garoto recuou um passo, surpreso, sem reagir. Urso e os amigos caíram na risada.
— Otário — disse Urso, já se virando.
Urso sai andando e, perto da porta de entrada, avistou Stefy. O sorriso debochado desapareceu, substituído por um tom mais casual.
— Ei, Stefy!
— Oi, Urso.
Ele coçou a nuca, um pouco sem jeito.
— Então… é… tudo bem se eu pegar emprestadas aquelas anotações de geografia?
— Claro! Estão aqui comigo.
Stefy abriu a bolsa com cuidado, procurou as folhas e as entregou para ele.
— Obrigado — respondeu Urso, evitando o olhar dela enquanto guardava as anotações na mochila. — Houve uma pequena pausa. — Você vai ao baile hoje?
Stefy deu de ombros.
— Na verdade, acho que não. É meu pai… ele é meio rigoroso.
Antes que Urso respondesse, Sophia chama Stefy.
— Ei, Stefy!
Ela se virou na direção do chamado.
— Eu vou indo — disse Urso, já se afastando. — Obrigado de novo pelas anotações.
— De nada.
Sophia e Gaby se aproximam rapidamente.
— Eu estou muito nervosa. Esse baile tem que ser perfeito. Uma participação incrível, zero problemas… se não, o Daniel já avisou que não vai ter outro baile esse ano — disse Sophia.
As três entram na escola.
 
Dentro da escola, Urso caminhava distraído quando Giovanna surgiu à sua frente, bloqueando o caminho com um sorriso confiante.
— Olha só… o homem que eu estava procurando.
— Ei, Giovanna — Urso respondeu, diminuindo o passo.
Os dois passaram a caminhar lado a lado.
— Então — ela começou, inclinando-se levemente em direção a ele — você está pronto para a diversão?
Urso franziu a testa, confuso.
— O que?
Giovanna soltou uma risadinha impaciente.
— O baile. Você vai, né?
— Ah… sim, claro — respondeu ele, meio automático.
— Ótimo. Então guarda uma dança pra mim.
— Ah, sim… tanto faz. Olha, eu preciso ir pra aula. Não posso me atrasar.
Sem esperar resposta, ele se afastou rapidamente. Giovanna parou no meio do corredor, e acompanhou Urso com o olhar, o sorriso desaparecendo por um instante.
Logo atrás, Sophia, Gaby e Stefy vinham conversando.
— Então… o que foi aquilo com o Urso? — Sophia perguntou, surpresa.
— Não foi nada de mais. Eu só emprestei umas anotações de geografia.
Sophia soltou uma risada incrédula.
— O Urso pedindo anotações de aula? Desde quando? Querida, ele estava flertando com você.
Antes que Stefy pudesse responder, Giovanna se aproximou, entrando na conversa.
— Tem alguma coisa acontecendo entre você e o Urso?
Stefy balançou a cabeça rapidamente.
— Não. A Sophia só está com a imaginação muito fértil.
Sophia sorriu de lado, encarando Stefy.
— Você devia convidar ele pra ir com você hoje à noite.
Stefy desviou o olhar.
— Eu não vou ao baile.
Sophia arregalou os olhos.
— Como assim não vai? Você faz parte da comissão do baile!
— Eu sei, mas… meu pai pediu pra eu ajudar a arrumar a casa.
Sophia cruzou os braços, desconfiada.
— Numa sexta-feira à noite?
Antes que Stefy respondesse, Giovanna interveio, em tom firme:
— Se a Stefy não pode ir, você não pode obrigá-la.
Sophia olha para Gaby.
— Pelo menos você vem né Gaby?
Gaby abaixa a cabeça chateada, Sophia entende.
— Você também não.
Gaby levanta a cabeça e olha para Sophia.
— Desculpe Gaby tenho um jantar na casa do meus avós.
Nesse momento, Kamilly se aproximou apressada.
— Sophia, os anúncios vão começar, vem logo.
Sophia revirou os olhos.
— Me diga uma coisa que eu não sei, Kamilly — Sophia olha para Stefy e Gaby. — Eu ainda não terminei com vocês.
Ela saiu andando, sorrindo, enquanto Giovanna a observava em silêncio.
 
Enquanto isso, uma moto chega em frente à escola. Algumas pessoas olham por curiosidade.
Rick desce da garupa, ajustando a jaqueta jeans e apoiando o pé no chão com firmeza. Ele tira o capacete, passando a mão pelo cabelo para ajeitar.
— Valeu pela carona
Vinícius, irmão dele, só levanta a mão em resposta, já acelerando de novo e sumindo na rua.
Rick bate os olhos pelo pátio e logo reconhece Mateus andando sozinho. Ele segue na direção dele, com passo tranquilo, mas direto.
— E aí, cara, beleza?
Mateus para de andar e responde com um leve aceno de cabeça.
— E aí.
Os dois se cumprimentam com um toque de mão rápido, daqueles já automáticos.
— Você vai vir ao baile? — Rick perguntou.
— Não vai dar cara, tenho que jantar na casa dos meus avós hoje.
De repente, John chega, meio animado, entrando na conversa.
— Ei, hoje é a grande noite do baile.
Mateus abre a boca, como se fosse responder, mas Rick desvia o olhar por um segundo, claramente desconfortável. Ele dá um passo para trás, já se afastando.
— Depois a gente se fala, Mateus.
E sai andando sem esperar resposta.
John acompanha Rick se afastando, franzindo a testa, sem entender muito bem. Depois olha de volta para Mateus.
— O que foi isso?
 
Luiza, Manu, Edu e JP caminham pelo corredor. Luiza caminhava à frente, claramente irritada.
— Não acredito que vocês dois estão amarelando — disse ela, parando perto dos armários.
Edu suspira.
— A gente não tá amarelando, beleza.
— A gente só não vai ao baile — JP completou.
Luiza fechou a cara e virou-se lentamente para Manu.
— Então acho que vai ser só eu e você.
Manu sustentou o olhar dela por alguns segundos, mas não respondeu.
— Você falou com seu pai, né? — insistiu Luiza.
— Sim… e não.
Luiza cruzou os braços, séria, Manu continuou.
— Se o baile fosse em horário escolar, tudo bem. Mas é à noite.
Manu abaixou o olhar.
— Então… com quem eu vou? — Luiza perguntou, mais para si mesma do que para os outros.
Antes que alguém respondesse, Rick passou pelo corredor. Luiza fica olhando pra ele, Manu percebe.
— O Rick? Sério? Ele mal fala com você depois daquele beijo.
Luiza olha para Manu.
— Ele é tímido.
JP sorri.
— O Rick não é nem um pouco tímido Luiza.
Luiza olha para JP.
— Ele não é de falar muito.
Luiza olha em direção de onde Rick foi, mas ele já havia desaparecido.
 
Enquanto isso, a imagem da Grasso TV surgiu nas smart TVs espalhadas pelas salas de aula. Sophia apareceu em enquadramento perfeito dando os recados do dia.
— Então venham fazer história hoje à noite, quando eu apresentarei o Baile nas Estrelas, o primeiro baile noturno para turmas do sétimo e oitavo ano da Escola Comunitária Grasso. Obrigada novamente, diretor Daniel. E eu falo por todos quando digo que esta noite será o melhor baile de todos.
 
Mais tarde, o sinal toca e os corredores se encheram de passos apressados e vozes sobrepostas. Antes que os alunos alcançassem a saída, a voz do diretor Daniel Fernandes ecoou pelos alto-falantes.
— Um lembrete para todos os membros da comissão do baile: por favor, compareçam ao ginásio para a reunião.
Urso deixa uma caixa no ginásio, ele vê Stefy sentada e mantem o olhar fixo nela.
Giovanna percebeu e seguiu a direção do olhar dele.
Stefy estava sentada mais atrás Ao notar que estava sendo observada, levantou os olhos. Por um instante, pareceu surpresa. Então sorriu, um sorriso pequeno, tímido, mas sincero.
Urso respondeu com um sorriso.
Giovanna soltou um suspiro contido, cruzando os braços com força. Desviou o olhar, claramente incomodada, enquanto o clima entre os dois permanecia no ar, silencioso e cheio de significado.
Algum tempo depois, Stefy ajudava a prender estrelas de papel quando Sophia se aproximou, observando-a por alguns segundos em silêncio.
— Certo, Stefy. Qual é a verdadeira história?
Stefy continuou ajustando a fita, evitando o olhar dela.
— Eu já te falei… meu pai é...
— O cachorro comeu sua lição de casa — Sophia interrompeu, com ironia.
Stefy soltou uma risada curta.
— Eu nem tenho cachorro.
Sophia não sorriu. Aproximou-se um pouco mais.
— Stefy, você está mentindo. Sempre percebo quando seu olho treme. Só me conta a verdade. Por que você não quer ir ao baile?
As mãos de Stefy pararam. Ela respirou fundo antes de responder, quase num sussurro:
— Porque… quem vai querer dançar comigo?
Sophia arregalou os olhos.
— O quê? Do que você está falando? Isso não faz o menor sentido. E eu não vou deixar você se sabotar assim.
Stefy deu um meio sorriso cansado, mais defensivo do que engraçado.
— Tá bom. Então me diz como perder cinco quilos em seis horas… aí eu apareço lá.
Sophia abriu a boca para responder, mas Gaby se aproxima com uma caixa nas mãos.
— Com licença meninas. — Ela olha para Sophia. — Onde eu deixo essas coisas.
Sophia olha para Sophia.
— Vem comigo, vou te mostrar.
As duas se afastam rapidamente entre os outros alunos.
Do outro lado do ginásio, Giovanna havia ouvido toda a conversa. Seus lábios se curvaram num sorriso discreto, uma ideia começava a se formar em sua mente.
 
John anda na frente da escola quicando uma bola de basquete, distraído. Ao passar por um grupo de colegas, um deles esticou a mão e tomou a bola com facilidade, rindo antes de sair correndo. John ficou parado por um instante, deu de ombros e seguiu em frente. Ele Avistou Rick sentado sozinho em uma das mesas, comendo um sanduíche. Caminhou até ele e se sentou ao seu lado.
— E aí, cara, beleza?
Rick mastigou mais uma vez, devagar. Levantou os olhos para John, avaliando-o em silêncio.
Sem dizer uma palavra, recolheu o sanduíche, levantou-se e saiu. Caminhou até outro banco, mais afastado, e se sentou novamente.
Do outro lado, Luiza observava a cena à distância. Seu olhar seguiu Rick até o novo banco.
 
Mateus avista Rick sentado mais afastado, comendo seu sanduíche.
Ele se aproxima e se joga no banco ao lado dele.
— Cara… o que está acontecendo entre você e o John?
Rick nem responde na hora. Ele trava o maxilar, como se estivesse pensando se vale a pena falar.
— Eu não vou com a cara dele — disse ele, seco. — Ele e aquele grupo dele… só arrumam problema. Ficam zoando os outros, fazendo bullying.
Mateus solta um suspiro leve, passando a mão na nuca.
— Eu também não curto isso… mas, sei lá, o John não fica batendo em ninguém.
Rick vira o rosto na hora, encarando Mateus com uma expressão mais séria.
— Bullying não é só bater, Mateus.
Mateus sustenta o olhar por um segundo.
— Eu sei… mas não acho que ele seja assim o tempo todo.
Rick solta uma risada, balançando a cabeça.
— Você conhece ele faz o quê? Duas semanas?
Mateus não responde.
Rick então continua, agora mais direto:
— Espera mais um pouco. Você vai ver quem ele é de verdade.
Fica um silêncio meio pesado entre os dois. Mateus cruza os braços, pensativo, enquanto Rick volta a comer seu sanduíche.
 
No ginásio, Sophia e Gaby caminhavam ao lado de Stefy, falando baixo para não chamar atenção. Um pouco mais afastada, Giovanna fingia mexer no celular, mas observava cada gesto delas.
— Você sabe o que está faltando? Confiança. Só isso, Stefy. Sério.
Ela fez um gesto leve com as mãos, tentando tranquilizá-la.
— Eu posso ir na sua casa hoje. A gente se arruma juntas, faço sua maquiagem...
— Vocês estão falando de uma repaginada da Stefy? — Giovanna surgiu de repente, interrompendo. — Que ideia é essa? Que tipo de programa estranho… deixa ela em paz.
Sophia virou-se, surpresa, mas manteve a calma.
— Não é repaginada nenhuma. É para ela se divertir. — Ela voltou o olhar para Stefy, mais suave. — A gente vai se divertir muito. Rir, dançar… eu prometo.
Stefy soltou um suspiro longo, os ombros caindo um pouco, como se estivesse cansada de lutar contra a própria insegurança.
Giovanna olhou, pensativa, e então forçou um sorriso.
— Bom… se isso realmente vai acontecer, é melhor eu estar lá também. A Stefy vai precisar de todo apoio possível.
 
Depois do intervalo, a turma do sétimo ano já estava acomodada na aula de português.
Edu e JP entraram na sala. Edu avistou Luiza.
— Luiza… — ele a chamou.
Ela fingiu não ouvir e foi para o seu lugar. Manu percebeu e foi atrás dela. Edu soltou um suspiro longo e se jogou na cadeira.
JP balançou a cabeça, irritado.
— Cara, aquela garota não tá feliz com nada — murmurou. — Desde que esses Doramas apareceram, elas acham que a gente tem que saber dançar, fazer convite dramático pro baile… isso aqui é a vida real, não uma série de romance idiota.
Edu deu de ombros, tentando parecer indiferente.
— Tanto faz. A gente tem coisa melhor pra fazer hoje à noite.
Antes que Edu falasse, a voz da professora Jéssica cortou a conversa.
— Certo, pessoal — disse Jéssica, batendo palmas uma vez. — Silêncio. Abram os livros, por favor. Vamos ler o capítulo quatro.
 
Mais à frente, Manu e Luiza estão em seus lugares fazendo a tarefa.
— Eu realmente queria poder ir hoje à noite — disse Manu, com um suspiro.
Luiza forçou um sorriso de canto.
— Pelo menos você tem uma desculpa de verdade, mas aqueles dois…
Ela não terminou a frase.
Kamilly, que estava encostada ao lado de Luiza, entrou na conversa:
— Luiza, você não pode deixar um par de garotos pré-adolescentes decidir se você vai se divertir ou não.
Luiza olhou por cima do ombro, para Edu e JP. Depois voltou o olhar para frente Ela abaixou a cabeça lentamente, os ombros cedendo um pouco.
 
Mais tarde, Gaby está em seu quarto. Ela passa perfume, exagerando um pouco, quando Mateus aparece na porta aberta, encostado com um sorriso de quem já vai zoar.
— E aí, preparada pra ter as bochechas esmagadas?
Gaby segura o riso e continua passando o perfume.
— A vovó Maria nunca apertou minhas bochechas.
Mateus entra e se joga na cama.
— Mas faz tanto tempo que não vemos ela e ela pode aproveitar agora.
Gaby sorri.
— Mateus, a gente viu ela e o vovô no Natal.
Antes que Mateus responda, Raquel aparece na porta.
— Vocês estão prontos? A gente precisa ir.
Mateus levanta num pulo e vai até ela, colocando a mão nos ombros dela com um sorriso exagerado.
— E aí, mamãe, animada pra ver seus pais?
Raquel dá um sorrisinho meio automático.
— Claro. Não vejo eles desde de o Natal.
Gaby observa Raquel e Mateus por um segundo… e começa a rir sozinha.
Mateus olha pra ela, desconfiado.
— O que foi?
— Nada… — ela tenta parar, mas piora — é que a mamãe é mais alta que você.
Mateus olha pra Raquel e faz uma careta.
Gaby ri mais ainda.
Raquel também ri.
— Aceita, filho, seu pai também é mais baixo do que eu.
Mateus suspira, derrotado.
— Vamos, gente. Já está tarde.
Os três saem do quarto. Gaby apaga a luz antes de sair e encosta a porta.
 
Enquanto isso, na casa de Stefy, Giovanna caminhava de um lado para o outro na sala.
— Stefy, você pretende ficar aí até amanhã? — Sophia perguntou, olhando para o corredor.
— Já vou sair! — respondeu Stefy, de dentro do quarto, a voz trêmula.
— Anda logo, eu saio em cinco minutos e quero ver o resultado final.
Ela mal terminou a frase quando Stefy apareceu na sala.
Por um instante, houve silêncio.
— Eu estou ridícula…
Sophia arregalou os olhos e abriu um sorriso imediato.
— Stefy, para com isso — disse, aproximando-se. — Você está… incrível. De verdade.
Giovanna, que observava com atenção, assentiu lentamente.
— É, está mesmo.
— Estou? — Stefy perguntou, ainda desconfiada, procurando confirmação nos rostos das duas.
— Com certeza — respondeu Sophia. — Ela então olhou a hora no celular e suspirou. — Eu sei que está cedo, mas eu preciso ir organizar as coisas no baile. Stefy… você vai agora?
Stefy respirou fundo, apertando as mãos.
— Eu só queria não estar tão nervosa.
Giovanna desviou o olhar de repente, como se tivesse lembrado de algo.
— Sophia, pode ir, vou no banheiro retocar a maquiagem.
Sophia revirou os olhos.
— Giovanna, você já está ótima.
— Por favor — retrucou ela. — Tá um calor infernal aqui. Eu suei, minha maquiagem praticamente derreteu.
Stefy sorriu de leve.
— Tudo bem… eu espero.
Sophia se aproximou de Stefy e segurou suas mãos por um instante.
— Sério, eu estou muito feliz que você decidiu ir — disse, empolgada. — O Urso vai surtar quando te ver!
O sorriso de Stefy se misturou com nervosismo.
Giovanna, já a caminho do corredor, parou por um segundo. O maxilar se tensionou ao ouvir o nome de Urso. Ela respirou fundo, recompôs a expressão e seguiu para o banheiro, mas o ciúme já estava ali, silencioso.
 
Na escola, os alunos começavam a chegar animados para o baile.
Um carro parou em frente à entrada. Amanda virou-se para Luiza, que ainda estava sentada, olhando para o nada.
Luiza abre a porta do carro.
— Tchau, mamãe.
— Tchau, querida, quando quiser ir embora, é só me ligar.
— Tá bom.
Luiza desce do carro.
Amanda abaixou o vidro e a chamou antes que se afastasse:
— Você tem certeza de que quer entrar lá sozinha?
Luiza respirou fundo, já impaciente.
— Tá tudo bem, mãe.
— Certo… — Amanda hesitou. — Mas não me liga muito tarde, tá?
Luiza se virou, corando levemente.
— Mãe, por favor…
Amanda soltou uma risada sem graça, levantando as mãos em rendição.
 
Enquanto esperava por Giovanna, Stefy permanecia diante do espelho do quarto, ajeitando a roupa pela terceira vez. Passou a mão pelo cabelo, respirou fundo e repetiu tudo de novo.
Giovanna, entra no quarto e coloca suas maquiagens na bolsa.
— Certo… não sei você, mas eu sempre fico um pouco nervosa antes dessas coisas.
Stefy continuou encarando o próprio reflexo, como se não tivesse ouvido.
Giovanna estreitou os olhos.
— Stefy? Você está bem?
Stefy piscou, ainda olhando para o espelho.
— Você não acha que essa roupa está um pouco… ousada demais?
Giovanna se aproximou, avaliando de cima a baixo.
— Querida, não é tão ousada assim.
Stefy franziu a testa, insegura.
— Ou talvez… não seja ousada o suficiente?
Giovanna arqueou uma sobrancelha, pensativa.
— Bem… talvez a gente possa fazer uns pequenos ajustes.
Ela puxou levemente a saia, levantando um pouco mais o tecido.
Stefy deu um passo para trás imediatamente.
— Giovanna… eu não sei se consigo sair vestida assim.
Giovanna suspirou, mas manteve a voz calma.
— Stefy, você só está nervosa. Isso é normal. Precisa respirar e se acalmar um pouco.
Ela saiu do quarto, como se desse a conversa por encerrada. Stefy hesitou por um segundo e foi atrás.
— Aquelas bebidas lá na sala, acho que podemos tomar um pouquinho — disse Giovanna.
Stefy parou no meio do caminho.
— Sério? — perguntou, ainda insegura, mas curiosa.
 
No baile, a fila de entrada avançava lentamente. Rick observava o relógio no celular, claramente impaciente. Depois de alguns segundos, respirou fundo, saiu da fila e foi direto até a mesa.
Colocou o dinheiro ali sem dizer nada e passou pela entrada antes que alguém reagisse.
Sophia pegou as notas, confusa.
— Ué… — murmurou.
Ela olhou para Kamilly e entregou o dinheiro.
— Guarda isso na caixa — disse, ainda acompanhando Rick com o olhar enquanto ele se afastava.
Kamilly guarda o dinheiro na caixa. Logo depois, Luiza se aproximou da mesa.
— Trinta reais, por favor — disse Sophia, já retomando o tom profissional.
Luiza pagou e entrou no ginásio.
Luzes coloridas se moviam pelo espaço, a música estava alta e os alunos dançavam animados em grupos. Luiza ficou parada por um instante, observando tudo. Depois começou a andar de um lado para o outro, sem saber exatamente onde ficar.
Do outro lado do ginásio, Urso a avistou primeiro. Cutucou John com o cotovelo.
— Ei… olha lá. A tagarela veio sozinha pro baile.
John acompanhou o olhar, abriu um sorriso curto.
Luiza percebeu os dois olhando. Seu rosto ficou tenso por um segundo. Ela desviou o olhar, fingiu não ouvir e se afastou rapidamente.
 
Gaby, Mateus, Arthur e Raquel chegam à casa de Rubens e Maria. Antes mesmo de baterem direito no portão, ele se abre.
— Eu não acredito que vocês chegaram! — disse Maria, já puxando Gaby e Mateus pra um abraço apertado. Ela enche os dois de beijos, sem dar chance de fuga. — Meus netinhos lindos! Vocês cresceram muito!
Gaby ri, meio sem jeito, Mateus olha animado para a vó.
— E eu nem cresci tanto assim — Mateus completou, mas já sendo puxado pra mais um beijo.
Gaby sorri e olha para Mateus.
— Isso é verdade.
Ele olha sério pra ele, Maria se aproxima mais.
— Cresceram sim! — Maria insistiu, apertando o rosto dele. — Estão enormes!
Mateus faz uma careta discreta e olha pra Gaby, como quem pede ajuda. Ela só ri da situação.
Maria então vai até Raquel e Arthur, abraçando os dois com carinho.
— Minha filha… que saudade.
Rubens se aproxima, mais tranquilo, mas sorrindo ao ver os netos.
— E aí, como vocês estão? — ele pergunta, olhando de um para o outro. — Já estão em que série?
— Oitavo ano — Gaby e Mateus respondem ao mesmo tempo.
Os dois se olham na mesma hora… e riem.
Rubens levanta as sobrancelhas, impressionado.
— Oitavo ano? Já?
Mateus sorri.
— Pois é… a gente também não estava preparado pra isso.
Gaby balança a cabeça, concordando.
— Nem me fala.
 
Enquanto isso, na casa de Stefy, a luz do abajur deixava o ambiente mais silencioso do que confortável. Stefy estava sentada no sofá.
— O problema com os meninos, é que eles adoram quando as meninas tomam a iniciativa — disse Giovanna enchendo o copo de Stefy de vinho.
Stefy piscou algumas vezes, tentando acompanhar.
— Eles… gostam?
— Gostam. Eles são tímidos. Se você esperar que façam todo o trabalho, vai acabar esperando demais.
Stefy bebe um gole.
— Então… não fica nervosa. Seja você mesma. Só… um pouco mais ousada.
Stefy respirou fundo, olhando para o copo de vinho.
— Hum... Isso tá ajudando. Um pouco.
Giovanna pega seu copo de vinho.
Aqui, tome o meu querida, quanto mais você beber, melhor você se sente, confie em mim.
Stefy bebeu um gole e fechou os olhos por um segundo.
 
De volta à casa dos avós de Gaby e Mateus, a família está sentada à mesa de jantar. O clima é tranquilo, com o som de talheres e conversa leve.
Rubens olha para Arthur, apoiando os braços na mesa.
— Arthur, como estão as coisas lá na universidade?
Arthur engole o que estava comendo e limpa a boca com o guardanapo antes de responder.
— Estão indo bem, sim. Bastante responsabilidade… mas eu gosto. É um bom trabalho.
Rubens abre um sorriso, satisfeito.
— Que bom. O importante é isso, estar feliz com o que faz.
Mateus, que estava quieto, levanta o olhar do prato.
— Ou pelo menos fingir bem — comenta, com um sorrisinho.
Gaby cutuca o braço dele na mesma hora.
— Para de ser dramático.
— Não é drama, é experiência de vida — ele respondeu, se achando.
Arthur solta uma risada baixa, balançando a cabeça.
— Olha a idade dele…
Raquel sorri de leve, olhando para o filho.
— Imagina quando tiver que pagar boleto.
Mateus faz uma careta.
— Aí eu desisto.
Gaby ri.
— Você já desistiu e nem começou.
Rubens observa a cena com um sorriso, enquanto Maria balança a cabeça, orgulhosa.
 
Stefy e Giovanna chegam à frente da escola. Stefy caminha meio desajeitada, apertando uma garrafa de vinho nas mãos, e quase tropeça. Giovanna reage rápido, segurando seu braço.
— Ei, cuidado — disse Giovanna, firme, puxando-a de volta para o equilíbrio.
Stefy solta uma risada nervosa.
— Ei você me salvou — disse Stefy.
— Sim, você me deve uma.
— Eu devo. Você é uma ótima amiga e me ajudou muito essa noite e eu te devo uma por cuidar de mim.
Stefy se senta em um dos bancos em frente à escola, respirando fundo, tentando se recompor.
Giovanna olha em volta, certificando-se de que ninguém esteja por perto.
— Gio… você acha mesmo que eu tenho alguma chance com o Urso? Eu gosto muito dele. — Stefy perguntou, bebendo o vinho na garrafa em seguida.
— Claro que sim, vamos garantir que isso aconteça, vamos lá.
 Giovanna pega a mão de Stefy para ajudá-la a levantar de vez. No movimento, a garrafa escapa dos dedos de Stefy e cai no chão, rolando alguns centímetros.
Elas dão risadas e de mãos dadas, elas seguem em direção à entrada da escola.
 
Sophia avista Giovanna e Stefy se aproximando e caminha rapidamente até elas, aliviada e ao mesmo tempo desconfiada.
— Finalmente! — disse ela, cruzando os braços. — Eu já estava começando a achar que você não vinha mais.
Stefy sorri, meio fora de sintonia, e responde com a voz arrastada demais para passar despercebida:
— Relaxa, Sophia… a gente chegou.
Sophia franze a testa, inclinando levemente a cabeça.
— Stefy…?
Stefy se endireita, como se estivesse reunindo coragem, e fala alto demais:
— Traga o Urso. Eu estou pronta pro meu homem.
Sophia arregala os olhos, claramente alarmada.
— Você bebeu?
Giovanna suspira, antes de responder:
— Bebeu… eu tentei impedir, juro.
Sophia fecha os olhos por um segundo, respirando fundo para não perder a paciência.
— Tá. Sem drama agora. Giovanna, leva ela pra dentro. Devagar.
Giovanna concorda com a cabeça e passa o braço em torno de Stefy, guiando-a em direção ao ginásio.
Quando elas se afastam, o diretor Daniel se aproxima de Sophia, observando o movimento dos alunos.
— Tudo em ordem por aqui? — perguntou ele, educado.
Sophia força um sorriso rápido.
— Tudo perfeito, Daniel.
— Ótimo — respondeu ele, antes de seguir adiante.
Sophia observa Giovanna e Stefy entrando no ginásio, a preocupação ainda estampada no rosto, como se sentisse que aquela noite estava longe de ser simples.
 
No ginásio, Luiza pega alguns salgadinhos na mesa e segue andando sem rumo, observando os grupos espalhados pelo salão. Ao sair de perto da mesa de comes e bebes, cruza com Giovanna e Stefy, que param ali para beliscar algo.
Nesse momento, Urso se aproxima.
— Ei… Achei que você não fosse vir. — ele falou, olhando direto para Stefy.
Stefy inclina a cabeça, sorrindo de um jeito solto demais.
— Ah… mudei de ideia.
— Legal — Urso respondeu, ainda tentando entender o clima.
Giovanna lança um olhar rápido para ele.
— Oi, Urso.
— Oi — ele respondeu sem muita atenção e volta os olhos para Stefy, examinando-a por um instante. — Stefy, você está… nossa.
Stefy sorri, satisfeita com a reação.
Sophia se aproxima logo depois e se posiciona ao lado de Stefy. Antes que ela diga qualquer coisa, Stefy a envolve num abraço apertado.
— Sophia, minha amiga… eu te amo.
Sophia retribui o abraço, mas com o corpo tenso.
— Eu também te amo. Mas talvez você devesse ir com calma. Você não percebe que está bêbada?
Stefy se afasta um pouco, fazendo um bico indignado.
— Eu não estou bêbada. Eu só estou… feliz.
Sophia fecha os olhos por um segundo e então encara Giovanna.
— Giovanna, de onde ela tirou bebida? E não mente.
Giovanna dá de ombros, desviando o olhar.
— Eu não sei… talvez ela pegou na casa dela.
Sophia volta a atenção para Stefy, agora visivelmente irritada e preocupada ao mesmo tempo.
— O que você estava pensando? — ela murmura, puxando discretamente a saia de Stefy para baixo. — E isso aqui, arruma essa saia.
Urso observa a cena sem entender nada, claramente desconfortável. Depois de alguns segundos de silêncio, ele decide falar:
— Stefy… você quer dançar?
Stefy olha para ele como se aquela fosse a melhor ideia do mundo.
— Pensei que nunca fosse pedir.
Ela passa o braço pelo dele, e os dois seguem em direção à pista de dança.
Giovanna faz um pequeno aceno rápido para Sophia, quase um “tchau” disfarçado, e se afasta logo em seguida.
Sophia solta um suspiro longo, acompanhando Stefy com o olhar, quando percebe o diretor Daniel caminhando pelo ginásio. Seu semblante muda imediatamente, tentando parecer tranquila, mas a preocupação continua ali, bem visível.

O baile continua, Luiza está parada perto da lateral da pista, segurando um copo descartável sem beber. Ela observa em volta, deslocada, até que seu olhar se fixa em Rick, encostado em uma das paredes, braços cruzados, expressão fechada, claramente à parte de tudo.
John se aproxima dele com um sorriso confiante demais.
— Ei, cara. After-party lá em casa. É só pro oitavo ano.
Num movimento rápido, Rick agarra John pela gola da camiseta e o prensa contra a parede. O barulho seco chama a atenção de alguns alunos próximos.
— Para com isso — Rick rosna em voz baixa. — Já chega, beleza?
John arregala os olhos, mais surpreso do que assustado.
— Ei, o que você tá fazendo?!
— Eu já falei pra você não falar comigo e você continua.
Luiza vê a cena de longe. Seu olhar corre pelo ginásio e percebe o diretor Daniel caminhando naquela direção. Ela respira fundo, cria coragem e se aproxima rapidamente de Rick.
— Você… quer dançar?
Rick se vira, ainda tenso. Por um segundo, parece que vai recusar. Então olha para Luiza de verdade o jeito sério dela, o convite sem julgamento, sem ironia.
— Sim.
Rick solta John e dá um último olhar duro para ele, que ajeita a camiseta sem graça, e então acompanha Luiza até a pista de dança.
Luiza e Rick começam a dançar, ainda um pouco travados no início, mas, pela primeira vez naquela noite, Rick e Luiza não estão sozinhos.
 
Ao lado deles, Sophia observa Stefy e Urso dançando. Seus braços estão cruzados, o olhar atento demais para alguém que tenta parecer tranquila. Giovanna, logo ao lado, finge indiferença, mas olha com ciúmes.
— Primeiro — Stefy disse, rindo sozinha enquanto gira um pouco fora do ritmo — Este vai ser meu lugar favorito na Grasso. Agora e para sempre.
Urso sorri automaticamente, mas franze a testa logo em seguida, sem saber exatamente como responder.
— É… legal — ele falou, meio incerto.
Stefy se aproxima mais do que o necessário, olhando para ele como se tivesse acabado de ter uma grande revelação.
— Você é tão fofo. — Ela congela por meio segundo, arregala os olhos e leva a mão à boca. — De novo… eu disse isso de novo, né?
Urso solta uma risada curta.
— Obrigado — ele respondeu.
Stefy inclina a cabeça, analisando o rosto dele com atenção exagerada.
— Você acredita nisso?
Urso gagueja, claramente perdido.
 
De volta ao jantar da família Merino, Mateus termina de mastigar o último pedaço de brócolis..
— Estava uma delícia vovó. — disse Mateus, animado. — Como sempre.
Gaby concorda, sorrindo.
— Verdade vovó, essa lasanha de berinjela estava uma delícia.
Maria abre um sorriso, claramente feliz.
— Obrigada, meus queridos. Fiz pensando em vocês quatro, já que vocês não comem carne. — Ela aponta com o queixo para a mesa. — Sabia que até o Rubens parou de comer carne?
Arthur olha surpreso na mesma hora.
— Sério, seu Rubens?
Rubens levanta o olhar.
— Sim… mas foi mais porque eu enjoei mesmo. Estou só dando um tempo. Não virei vegetariano igual vocês, não.
Todos riem.
Rubens levanta o garfo.
— Eu ainda posso voltar pro churrasco.
— A gente te aceita mesmo assim — Gaby respondeu, rindo.
Maria se levanta, animada.
— Tem sobremesa, gente.
Mateus levanta na mesma hora, rápido demais pra quem acabou de jantar.
— Agora sim. Vó, eu te ajudo.
Gaby olha pra ele, desconfiada.
— Ajudar ou garantir o primeiro pedaço?
Mateus dá um sorriso inocente, nada convincente.
Maria ri, enquanto os dois seguem para a cozinha.
 
De volta ao baile, Stefy dança no meio da pista, rindo alto demais e completamente fora do ritmo. Seus movimentos são desajeitados, exagerados. Aos poucos, alguns alunos começam a trocar olhares, depois risadinhas abafadas.
Giovanna observa por um instante… e acaba rindo também, levando a mão à boca como se fosse algo inevitável. Sophia, ao contrário, fica séria. Seus olhos percorrem a pista, atentos demais.
Urso percebe o clima mudar e se inclina em direção a Stefy.
— Ei… você está bem?
— Estou ótima — Stefy respondeu, girando de novo. — Melhor impossível.
Ela dá um passo em falso, tenta se equilibrar… e acaba caindo no chão. O riso ao redor cresce por um segundo antes de virar um silêncio desconfortável.
— Stefy! — Urso se abaixa na hora, preocupado.
Stefy leva a mão ao rosto, os olhos marejados,
— Eu estou só um pouco… — ela para, engole em seco.
Sem terminar a frase, se levanta rápido demais, quase tropeça de novo e sai correndo do ginásio, empurrando a porta com força.
— Stefy! — Sophia chama, já indo atrás dela.
Giovanna observa as duas saírem. Um sorriso lento surge em seu rosto.
Ela se aproxima de Urso, ajeitando o cabelo.
— É… se a pessoa não sabe beber, talvez não devesse beber tanto — comenta, num tom casual demais.
Ela faz uma pausa curta.
— Então… quer dançar comigo?
Urso olha na direção da porta por onde Stefy saiu. Hesita. Suspira.
— Hum… sim. Acho que sim.
Eles começam a dançar.
Stefy corre pelo corredor com a mão na boca e entra no banheiro feminino, Sophia corre atrás dela.
— Stefy.
Sophia entra no banheiro, e entra, a porta se fecha atrás dela.
 
Na segunda-feira de manhã, Luiza e Manu caminham pelo corredor.
— Você realmente convidou ele pra dançar? — Manu perguntou, com um sorriso curioso.
— Convidei. Eu sei, ele parece meio assustador… até perigoso. Mas, na real, é bem legal. — Luiza respondeu, dando de ombros.
Manu sorri, impressionada.
As duas dobram o corredor e param perto dos armários, onde JP e Edu conversam.
Luiza e Manu se aproximam
— O que vocês fizeram na sexta à noite? — Luiza perguntou.
Edu responde rápido demais.
— Nada de mais. Só ficamos jogando videogame na casa do Arthur.
— Vocês ficaram em casa jogando? — Luiza perguntou, incrédula.
Edu para e se vira.
— E o que que tem?
— Nerds — Manu solta, rindo.
As duas se viram, ainda rindo, e seguem pelo corredor.
— Que otários — dizem em uníssono.
Eles observa as duas indo embora.
 
Stefy chega à frente da escola devagar. Sophia e Gaby a espera sentada no banco de concreto, mexendo no celular. Ao ver Stefy, elas se levantam na hora.
— Oi — disse Stefy, a voz baixa.
— Oi… — Gaby e Sophia responderam juntas.
As três começam a caminhar em direção à entrada da escola, lado a lado.
— Você não me respondeu o fim de semana inteiro — Sophia falou.
Stefy respira fundo antes de responder.
— Eu só… queria sumir um pouco. Ficar longe de tudo.
Sophia para por um instante, olha para ela.
— Eu imaginei. Se isso te ajuda em alguma coisa, o Daniel falou que podemos ter outro baile no próximo semestre.
Stefy esboça um sorriso fraco.
— Então eu não estraguei tudo, afinal.
— Claro que não. As coisas dão errado às vezes, mas elas se ajeitam. Confia em mim.
Antes que Stefy responda, Urso se levanta da escadaria onde estava sentado com Giovanna. Ele vem até elas com uma pasta nas mãos.
— Ei, Stefy… Você tá se sentindo melhor?
Stefy apenas balança a cabeça, sem conseguir sustentar o olhar.
— Eu… — Urso estende a pasta. — Suas anotações. Obrigado de novo.
— De nada — Stefy respondeu, quase num sussurro.
Giovanna se aproxima logo atrás, com um sorriso ensaiado demais.
— É, Stefy, obrigada, mas agora o Urso vai usar as minhas anotações.
Sem esperar resposta, Giovanna segura a mão de Urso e o puxa com ela.
— Vamos, a gente vai se atrasar.
Urso olha rapidamente para trás, mas acaba seguindo.
Stefy fica parada por um momento. Seus ombros caem. Ela aperta a pasta contra o peito e abaixa a cabeça, piscando rápido para segurar o choro.
Sophia e Gaby observam tudo em silêncio… e então se aproxima um pouco mais de Stefy, ficando ao lado dela.

Este Capítulo recebeu o nome da música de 1985, “Ciume”, da banda Ultraje a Rigor.

Sinopse do Próximo Capítulo – Reunião de Pais
Luiza e Mateus se juntam para escrever um artigo para o jornal da escola. A reunião de pais está chegando, e Edu está apreensivo. Ele sabe que seus pais não conseguem ficar no mesmo lugar sem explodirem de raiva, por isso está desesperado para que pelo menos um deles não vá à escola. Enquanto isso, Sophia e Giovanna disputam a atenção de uma agente de elenco que, por acaso, é a mãe de Edu.
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Atualizado em: Dom 24 Maio 2026

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