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Escola Grasso 315 – Era Pra Ser a Gente, Mas Você Estragou Tudo
Este Capítulo não é indicado para menores de 14 anos.
Maju está em frente à sua casa com Rafa, eles cantam uma música, Rafa acompanha com seu violão.
Maju está em frente à sua casa com Rafa, eles cantam uma música, Rafa acompanha com seu violão.
“Entre Notas e Olhares”
(Verso 1 – Maju)
Quando o dia amanhece devagar
E a luz invade o meu quarto
Eu penso em tudo que ainda quero viver
Mas é você quem eu guardo
Teu riso tem som de canção
Que acalma qualquer medo meu
Se o mundo lá fora é confusão
No teu abraço eu sou eu
(Pré-refrão – Dueto)
E se a estrada for longa demais
A gente canta pra não se perder
Te encontro em cada acorde
Que me faz lembrar você
(Refrão – Dueto)
Entre notas e olhares
Nosso tempo parou
O silêncio diz tudo
Quando a gente se encontrou
Se for sonho, não quero acordar
Deixa o vento levar
Toda dúvida embora
Só você e eu agora
Eles terminam.
— Foi incrível — Rafa falou.
Maju se vira para Vitor, que estava próximo.
— O que acha, amor? Estamos prontos para São Paulo.
— Ainda não acredito que sua mãe concordou em levar vocês.
— Não é todo dia que um produtor famoso marca uma reunião comigo.
Eliane se aproxima.
— Certo, menos carinho, mais malas no carro.
Maju olha para a mãe.
— Mãe, a Helena nem chegou.
Rafa olha para Maju.
— Não recebeu a mensagem? Ela não vem.
Maju e Vitor olham assustados para Rafa.
— O quê? — eles dizem em uníssono.
Vitor se vira para Maju.
— Então vai ficar sozinha com o Rafa? Em um quarto de hotel?
Maju suspira, Rafa se aproxima.
— Relaxa, vamos dar um jeito — disse Rafa, pegando duas bolsas e levando até o carro.
Maju balança a cabeça, concordando, Vitor continua falando.
— Agora que tem espaço sobrando, eu posso ir?
— Quem dera. Minha mãe não vai deixar a gente dividir um quarto.
— E o Rafa pode? — Vitor perguntou.
Maju sorri.
— Somos só amigos.
Vitor olha sério.
— Não confio nele.
Maju coloca as mãos no rosto de Vitor.
— Não precisa se preocupar.
Eliane dá uma buzinada, Maju beija Vitor e entra no carro.
— Tchau — disse Vitor, acenando.
— Tchau! — Maju respondeu, animada.
Eliane liga o carro e sai.
Vitor olha preocupado.
Personagens Principais
Ellie Goes
Maju Braga
Vitor Ramos
Adryan Gomes
Carol Novak
Nicole Zangirolami
Peter Moretti
Zara Fernandes
Tom Prado
Lory Brown
Dani Pereira
Di Katsutani
Helena Moura
Rafa Costa
Gui Silva
Gustavo Assunção
Ana Castro
Paola Muniz
Nina Lacerda
Lila Fontán
Joana Hart
Sara Laursem
Agnes Montenegro
Camila Jung
Michael Laursem
Johnny Garcia
Michelle Boaventura
Lucas Montenegro
Lara Carvalho
Bella Carvalho
O celular de Michael toca ao lado de uma garrafa vazia de whisky. Ele está dormindo no chão. Acorda, pega o celular com dificuldade e atende.
— Alô?
— Que bom, você está vivo. Onde você está?
Michael olha para os lados, completamente desorientado.
— Sara?
— A mãe pediu para eu acordar você, mas você sumiu. Então vou perguntar de novo: onde você está?
— Em um lugar com grama e árvores.
— Se você não quer me dizer onde está, beleza. Mas o que eu digo para a mamãe?
Michael se levanta do chão com dificuldade e percebe que está em frente à escola.
— É… diz para ela que eu cheguei cedo na escola.
— Ela não vai acreditar.
— Então fala que eu estou tomando banho. Vou pegar um Uber. Já chego em casa.
Ele começa a olhar para o chão.
— Droga!
— O que foi? — Sara perguntou.
— Não acho minha carteira.
— Não está no bolso da calça?
Michael olha para baixo e percebe que está sem calça.
— Eu não estou com ela aqui.
— Eu vou levar uma roupa limpa para você.
Zara e Tom andam pelo corredor.
— Certo, então você e a Helena são amigas ou namoradas?
Zara cutuca o braço de Tom com o cotovelo.
— Shhh, alguém pode ouvir.
— Se eu beijasse a pessoa de quem gosto, eu ia gritar para todo mundo ouvir.
— Eu não sei o que isso significa e nem vou saber até ela voltar de São Paulo.
Zara e Tom entram na sala de aula e veem Helena. Zara sorri. Helena também sorri ao vê-la e vai até ela.
— Ei.
— Oi! — Zara exclamou.
Tom observa as duas.
— Oi também.
Zara olha para ele.
— Não tem nenhum gatinho para você dar em cima?
— É… tenho, sim.
Tom se afasta. Zara olha para Helena.
— Então… você não foi para São Paulo.
— Minha mãe não deixou, porque minha irmãzinha ficou doente e ela precisava trabalhar.
— Desculpa — disse Zara, sem graça.
Helena faz uma careta leve.
— Não foi culpa sua ela ter ficado doente.
— Não é isso. É por ter te beijado.
Helena fica sorrindo em silêncio. Zara sorri, sem entender.
— O quê?
— Não se desculpa — disse Helena.
As duas trocam olhares quando Vitor se aproxima.
— Eu sou mais bonito que o Rafa? Sejam sinceras.
Vitor olha para elas esperando a resposta, mas elas o ignoram e continuam se olhando.
— Tá… deixa para lá.
Ele sai, e Zara finalmente resolve tomar a iniciativa.
— Ei, quer ver um filme hoje à noite?
— Minha mãe trabalha até tarde. Quer ver alguma coisa na Netflix?
Zara sorri.
— Claro! Eu amo Netflix.
As duas se sentam. Zara olha para Tom e dá um sorriso tímido.
Em São Paulo, Maju abre a cortina da janela do quarto do hotel e dá um gritinho animado.
— Não acredito que estamos aqui. Eu amo essa cidade!
— Não força a voz, você vai precisar dela hoje à tarde.
— Então vamos ao MASP? — Eliane perguntou.
Maju olha para a mãe.
— Não posso. Tenho que ensaiar.
Eliane começa a se levantar da cama, apoiando-se em suas muletas. Rafa se levanta rapidamente da outra cama.
— Deixa eu ajudar você.
Ele vai até ela. Os dois saem do quarto. Maju olha o celular.
— Eu chamo o produtor de Walter ou de senhor Walter?
Rafa retorna.
— Impressiona ele com a sua música. Ele não vai ligar para o resto.
Rafa se senta na cama e pega o violão.
— Eu não vou impressionar ninguém se vomitar.
Rafa faz cara de nojo.
— Ok. Vômito de estresse. Vamos ensaiar a reunião para você se acalmar.
Maju se senta na cama. Rafa limpa a garganta.
— Muitas garotas querem cantar e compor. O que você tem que elas não têm?
Maju pensa um pouco, procurando as palavras certas.
— Bem… acho que trabalho duro e…
O celular de Maju vibra. Ela o pega e vê uma mensagem de Vitor. Rafa olha, irritado, passando a mão nos cabelos.
Vitor: “Vamos conversar?”
Maju: “Talvez depois?”
Maju coloca o celular em cima da cama.
— Como eu estava dizendo…
O celular vibra novamente. Maju suspira e pega o aparelho.
— Quer fazer uma pausa? — Rafa perguntou.
Maju lê a mensagem de Vitor.
“Depois? Está ocupada com o idiota?”
Maju olha para Rafa.
— É o Vitor. Ele já está com saudade.
— Eu entendo, sabe… Você é inteligente e talentosa.
Maju sorri. Rafa continua:
— E até que não é tão feia assim.
Maju pega um travesseiro e joga em Rafa. Eles sorriem por um tempo.
— Mas, Maju, ele está te distraindo do que é importante.
— E eu devo ignorar o que ele sente?
— Não para sempre. Mas talvez até depois dessa reunião?
Maju olha para Rafa, pega o celular e digita:
“Vou desligar o celular para me concentrar.”
— Eu sou a pior pessoa do mundo?
Rafa sorri.
— Com certeza.
Ele joga o travesseiro de leve nela.
— Estou brincando.
Maju também sorri.
— Qual foi a pergunta mesmo? Se eu tenho o que é preciso?
— Você acabou de responder.
Ele pega o violão e sai.
Enquanto isso, na aula de inglês do Sr. Armstrong:
— “Ser ou não ser.” O que Hamlet está propondo em seu famoso discurso?
Ele caminha até o fundo da sala.
— Michael?
Michael está dormindo sobre os próprios braços.
— Michael Laursem? — ele falou, com mais firmeza.
Michael acorda assustado. Alguns alunos começam a rir. Johnny levanta a mão e fala:
— Hamlet está deprimido. E está tentando descobrir ferir-se é a solução.
Johnny olha para Michael.
— Mas não é.
O sinal toca, anunciando o fim da aula. Os alunos começam a se levantar. Camila vai até ele.
— Eu anotei a matéria para você, mas vai te custar caro.
Michael se levanta. Camila sente o cheiro ruim dele e faz uma expressão de nojo.
— Você dormiu em uma lixeira?
Ele olha para ela, confuso.
— O que aconteceu ontem à noite?
— Você não se lembra?
Ele balança a cabeça.
— Foi insano. Primeiro, a gente entrou em uma boate incrível. Como não estavam servindo bebida para a gente, você roubou uma garrafa do bar — ela mostra fotos dele segurando a garrafa. — Um segurança tentou te impedir.
— E depois? — ele perguntou.
— Quando eu saí, você tinha sumido.
Michael passa a mão no rosto.
— Eu poderia ter morrido.
— Mas não morreu. Você preferia ter passado a noite em casa com a mamãe… E o papai?
— Claro que não.
Camila abre a bolsa e tira um saquinho com comprimidos.
— Isso vai te fazer relaxar.
Ele pega o saquinho e o observa.
— O que tem aqui?
— Isso importa?
Michael fica olhando para o saquinho.
Em São Paulo, Maju e Rafa chegam ao estúdio para falar com o produtor musical. Eles se dirigem ao balcão, onde está uma mulher.
— Oi, eu tenho uma reunião com o Sr. Walter — disse Maju.
— Ele está em uma gravação agora. Você tem hora marcada?
— Ele me mandou uma mensagem dizendo: “Adorei sua música. Se estiver por aqui, vamos nos ver.” E eu respondi: “Estarei aí na quinta que vem.”
A mulher olha séria para ela.
— Não é assim que se marca uma reunião.
Maju abaixa a cabeça, nervosa.
— Nome? — perguntou a secretária.
— Maju Braga.
A secretária começa a digitar no computador. Maju completa:
— A garota que escreveu “Não é Convite”.
A secretária olha para Maju e para Rafa.
— Sentem-se.
Os dois se afastam e se sentam em duas poltronas próximas. Rafa olha para Maju.
— Respira fundo. Vai dar tudo certo.
A secretária começa a falar ao telefone.
— Tem uma tal de Maju Braga aqui para vê-lo.
Em seguida, a porta se abre. Walter sai de uma sala.
— Maju?
Ela e Rafa se levantam rapidamente.
— Sr. Walter… Oi — ela falou, tentando soar confiante.
— Oi. Pode me chamar de Walter. Estou meio ocupado no estúdio, mas, se você estiver aqui amanhã, posso encaixá-la.
Maju finalmente sorri.
— Obrigada. Estou empolgada para tocar “Não é Convite”.
— Essa eu já ouvi. Tem algo novo?
— Você está procurando um som específico ou…
— Faça o que você sabe fazer.
Walter dá um sorriso educado e se afasta.
Maju olha para Rafa e suspira.
Enquanto isso, Zara está na casa de Helena. As duas estão sentadas na cama.
— Tem um documentário incrível sobre um culto na Califórnia — disse Helena.
Zara olha com desinteresse.
— Nossa, super romântico.
— É isso que você quer? — Helena olha para Zara. — Um romance?
Zara sustenta o olhar dela por alguns segundos.
— Você não quer?
As duas trocam olhares. De repente, Vitor entra pela janela.
— Garotas são um saco.
Ele se senta na cama, entre as duas.
— Você veio para o lugar errado — Helena falou.
— Eu mandei umas 20 mensagens para a Maju. Ela não respondeu. Nem sequer leu. Eu estou começando a ficar preocupado.
Helena arqueia a sobrancelha.
— Preocupado com a segurança dela ou com a possibilidade de ela estar ficando com o Rafa?
— Eles estão dividindo o quarto. Será que estão dividindo a cama?
— Eles são amigos, Vitor — Helena respondeu.
— É, mas ele é um cara e ela é uma garota.
Zara entra na conversa.
— Então, se fossem duas meninas, seria diferente?
— Seria. — Vitor olha para Zara. — Você e a Helena não vão começar a se pegar.
Elas se olham. Helena sorri de canto. Zara continua:
— Tem razão. A Maju e o Rafa devem estar se beijando agora.
— Com a mãe dela no quarto — completa Helena.
Zara e Helena começam a rir. Vitor continua sério.
— Vocês deveriam estar tentando me fazer sentir melhor.
— Então procura alguém mais compreensivo para conversar — disse Zara.
— Mas o Gui está em um encontro. Só me restam vocês.
Vitor pega o controle da TV da mão de Helena.
— Então, o que vamos assistir?
Michael e Camila estão na feira da Vila Estrela Brilhante. Eles andam juntos pela rua. Michael está com o braço em volta da cintura dela.
— Está com fome? Eu estou. Por favor, diz que você está com fome — ele falou.
— A comida está contaminada — disse Camila, fazendo uma voz engraçada, como se estivesse imitando alguém.
Os dois começam a rir.
— Ótimo, mais toxina para mim — Michael falou.
Os dois se sentam a uma mesa no restaurante da família de Lila, um restaurante com comidas típicas da Argentina. Lila fica olhando para eles, séria e de braços cruzados. Um garçom vem atendê-los.
— Vou querer uma enchilada e… nachos. Isso — disse Michael, sorrindo.
O garçom se afasta, e Joey se aproxima com uma expressão séria.
— Vocês não são bem-vindos aqui.
Michael começa a rir mais alto. Camila olha para Joey, sorrindo.
— Nossa, que bravinho. Eu gosto disso.
Joey olha para ela.
— Vai embora também.
— Qual é o seu problema? — perguntou Michael.
— Minha namorada recebeu fotos suas nuas.
Michael olha, confuso.
— Eu não mandei nada. Nem sei quem é sua namorada.
— É a Lila — disse Camila.
Ela pega o celular de Michael e vê as fotos. Ela mostra para ele, e os dois começam a dar gargalhadas, chamando a atenção dos clientes. Michael olha uma das fotos.
— Eu fiquei ótimo nessa.
Ele se levanta, sorrindo, para mostrar a foto para Joey, que o empurra.
— Tira isso da minha cara.
— Não quer ver o que deixou sua garota excitada?
Joey empurra Michael mais uma vez, que continua sorrindo.
— Já sei, você prefere ver ao vivo, não é? — Michael começa a tirar a roupa. — Você vai se surpreender.
Michael dá alguns passos para trás, tropeça em um vaso, cai e bate a cabeça no chão. Todos olham assustados e preocupados, mas Camila fica sorrindo.
— Será que ele vai se lembrar disso?
Mais tarde na casa de Helena, ela, Vitor e Zara estão vendo um filme. Luana, a mãe de Helena, entra no quarto.
— Mamãe chegou em casa. Isso significa que a festa acabou — disse Luana.
Vitor suspira.
— Certo, até mais. — Ele entrega o pote de pipoca para Zara. — Vou para casa ficar encarando o celular.
Zara olha para Helena.
— Nos vemos na escola.
— A não ser que você queira dormir aqui? — perguntou Luana.
Zara e Helena sorriem.
Alguns minutos depois, Helena já está pronta para dormir.
— Você já quer dormir? — Zara perguntou.
— Sim. Minha mãe deixou isso para você — Helena respondeu, apontando para um pijama em cima da cama.
Zara olha para o pijama.
— Obrigada. Eu vou me trocar aqui?
— Posso virar de costas.
Helena se vira.
— Não, não precisa… a não ser que você queira.
Helena se vira de volta. Zara se senta na cama.
— Por que isso está tão estranho? — Zara perguntou.
Helena se aproxima e se senta ao lado de Zara.
— Porque somos amigas. E eu quero que continuemos assim, não importa o que aconteça.
— Então você quer que algo aconteça? — Zara perguntou.
As duas se olham, Helena começa a falar.
— Eu nunca me senti tão próxima de ninguém… e se a gente estragar tudo?
— Eu não vou deixar isso acontecer.
Zara beija Helena por alguns segundos. Em seguida, olha nos olhos dela.
— Vamos parar de pensar tanto.
Zara beija Helena novamente, dessa vez com mais intensidade. As duas se deitam na cama.
Na manhã seguinte, Michael está no hospital, levando pontos na cabeça. O enfermeiro sai, e o médico se aproxima.
— Foi uma concussão leve, mas fique atento a qualquer complicação.
Michael se levanta devagar.
— Obrigado, doutor. O atendimento foi ótimo.
— Espere um momento. Você é menor de idade. Precisa que alguém venha buscá-lo.
— Meus pais estão viajando. Eu não consigo falar com eles.
De repente, Cristina aparece, visivelmente preocupada.
— Michael, você está bem?
O médico olha para ela.
— Sou a mãe dele. Ele está bem?
— A cabeça dele está bem, mas fiquei preocupado com o exame de sangue.
Cristina franze a testa.
— Preocupado com o quê?
— Podemos conversar em particular?
Cristina e o médico saem da sala. Michael se senta novamente, já imaginando sobre o que o médico quer falar com ela.
Na escola, Helena está na sala de aula olhando seu notebook. Zara chega sorrindo e se senta ao lado dela, que está séria. Zara se aproxima mais e coloca o braço sobre os ombros de Helena.
— Sua mãe vai me deixar dormir na sua casa de novo hoje?
Helena se ajeita na cadeira, tirando o braço de Zara de seus ombros. Zara continua sorrindo.
— Você tem razão, vamos manter as coisas em segredo. É mais divertido.
Helena permanece em silêncio. Zara para de rir.
— O que foi? Sua mãe ouviu a gente?
Helena finalmente olha para Zara.
— Você é a única pessoa em quem eu confio.
— Para de enrolar — disse Zara.
Helena respira fundo.
— Mas… isso… não vai dar certo.
Zara fica séria.
— Você está com medo. Eu sabia que você ia ficar assim.
— O problema não é esse.
— Então qual é?
Helena olha para os lados e depois volta a encarar Zara.
— Eu não sou lésbica. Desculpa. Eu tentei por você. Você é minha melhor amiga.
Zara sorri, nervosa.
— Eu fiz alguma coisa errada? Tem algo de que você não gostou?
Helena abaixa a cabeça.
— De tudo.
Os olhos de Zara se enchem de lágrimas.
— Não. Eu estava lá. Eu sei como me senti… e você sentiu também. — Zara suspira. — Diz o nome de um cara de quem você já gostou.
Nesse momento, Vitor entra na sala olhando o celular e se senta mais à frente. Helena o vê.
— Vitor.
Zara olha para Vitor, com os olhos ainda marejados, sem acreditar no que acabou de ouvir.
Michael está no hospital, sentado em uma maca. Ele balança as pernas de ansiedade. Cristina está ao seu lado, de braços cruzados e séria. O médico está na frente de Michael.
— Isso é ridículo. Eu vou para casa — disse Michael.
— Por favor, colabore com o médico — Cristina falou.
Michael fecha os punhos, irritado, mas finalmente cede.
— Está bem. Quer saber se eu estou tentando me matar? A resposta é sim.
Cristina arregala os olhos, em pânico.
— Meu Deus.
Michael começa a ficar ofegante.
— Eu estou tão deprimido que mal consigo sair da cama. Mas tem uma coisa que pode me ajudar, e eu acho que é clonazepam.
O médico olha sério para Michael.
— Você sabe o que estava no seu corpo quando chegou? — O médico começa a ler a ficha. — Ansiolíticos, remédios para dormir, álcool, MDMA, tranquilizante de cavalo.
— Tranquilizante de cavalo? — Cristina questiona, assustada.
Michael interrompe:
— Não, a ficha está errada.
— Você comprou comprimidos na boate? — perguntou o médico. — Isso é muito comum.
Cristina coloca a mão no ombro de Michael.
— Isso é pior do que eu pensava. Nós precisamos tratar você.
— As drogas me fazem sentir melhor.
Cristina se inclina na direção dele.
— Michael, elas vão te matar.
Ele ri.
— Aí você vai ter a família feliz que sempre sonhou, não é?
Cristina se afasta um pouco.
— Isso não é verdade.
— É, sim. Você não se importa.
— Eu me importo.
— Não. Você aceitou o meu pai de volta. Eu não consigo nem respirar perto dele. Eu digo isso, mas você não me ouve. E essas drogas são o único jeito de eu me sentir melhor. É o único jeito que eu tenho de me controlar.
O médico interrompe:
— Mas elas controlam você. Olhe para a sua perna. Esse tremor é um sintoma de abstinência. É o seu corpo pedindo mais. Quanto mais você toma, mais precisa, até que, um dia, vai tomar demais. Então eu vou perguntar de novo: você quer morrer?
Nesse momento, Cristina já está chorando muito.
Michael passa a mão pelo rosto.
— Eu não consigo parar. Eu não quero… Eu só… não sei o que fazer.
Cristina se aproxima mais do filho.
— Aceite ajuda. — Ela o abraça. — Por favor.
Michael ainda tremia quando a mãe o abraçou. No começo, ele ficou rígido. Como se não soubesse mais como era ser abraçado sem estar sob efeito de alguma coisa. Como se o corpo tivesse desaprendido o que era segurança. Cristina o envolveu com força, como se pudesse impedir que ele escapasse de si mesmo.
— Eu estou aqui — ela repetia, com a voz quebrada. — Eu estou aqui, meu filho.
Michael tentou manter a postura dura. Tentou não ceder. Mas o tremor nas pernas subiu pelo corpo inteiro, virou um nó na garganta e, quando ele percebeu, estava chorando.
Não era um choro silencioso. Era feio, desorganizado, sufocado.
Cristina segurou o rosto dele entre as mãos.
Michael fechou os olhos. Pela primeira vez, não parecia desafiador, nem sarcástico, nem indiferente. Parecia um garoto assustado.
Trama 13
Em São Paulo, Maju e Rafa estão no estúdio. Eles terminam de tocar a música “Entre Notas e Olhares”. O produtor Walter não parece nada impressionado.
— Obrigado por terem vindo.
Maju se levanta apressadamente.
— A gente tem outras músicas. Você quer algo mais rápido? Mais lento?
— Você é a artista. Me diga você.
Maju olha confusa para Rafa.
— Eu não estou entendendo.
— Muitas pessoas poderiam ter escrito essa música. E muita gente cantaria melhor do que você.
— Então eu não sou boa?
— Você compôs uma música de destaque. Mas isso não é o suficiente.
Maju abaixa a cabeça.
— Prazer em conhecê-los — Walter falou, saindo da sala em seguida.
Rafa se levanta.
— Que idiota.
Ele e Maju se sentam em um sofá.
— A gente ainda tem algumas horas em São Paulo. O que você quer fazer? — Rafa perguntou.
— Me deixa sozinha com a minha humilhação, beleza?
— Não. De jeito nenhum.
Rafa coloca o braço sobre os ombros de Maju.
— Não vem dizer que eu estou exagerando.
— Você tem uma ótima música.
— E se for o meu único sucesso?
— Calma. Primeiro: a música nem é um sucesso ainda.
Maju sorri e dá um tapinha leve no braço de Rafa. Ele tira o braço dos ombros dela.
— Então… vamos dar uma volta pela cidade?
Maju sorri.
— Na verdade, tem uma coisa que eu quero fazer.
Rafa pega o celular.
— Tá, mas antes vem cá.
Os dois tiram uma selfie.
Enquanto isso, na escola, Tom apresenta um trabalho para a sala.
— Então, este é o antes e o depois…
Vitor ainda está no celular, mandando mensagens para Maju.
“Sempre vou te apoiar. Saudades.”
Tom continua apresentando o trabalho.
— A gente escolheu uma foto que destaca ao máximo o meu corpo esguio, para enfatizar as mudanças que fizemos. No final, sobra uma foto cheia de edição, como se eu fosse um fisiculturista…
Vitor recebe uma notificação do Instagram. É uma postagem de Rafa. Ele abre e vê a selfie que Rafa tirou com Maju.
O sinal toca, a aula termina. Vitor pega a mochila e sai da sala, irritado.
Mais ao fundo da sala, Zara também se levanta e sai apressada. Helena segura seu braço, mas Zara se solta e vai embora. Na saída da sala, ela tromba com Vitor e derruba o celular dele no chão.
— Olha por onde anda!
Zara dá de ombros e se afasta. Vitor pega o celular do chão e vai atrás dela, irritado.
— Ei! Não me ignora! Eu também tenho sentimentos!
Zara se vira, quase chorando. Vitor percebe sua expressão.
— Quer que eu chame a Helena?
— Não… eu só preciso sair daqui.
No Bosque Estrela Brilhante, Zara está jogando pedras em várias garrafas de vidro.
— Você vê a cara de quem na garrafa? — Vitor perguntou.
— De mais uma pessoa que nunca vai me amar do jeito que eu a amo.
— Então vamos fundar um clube.
Vitor joga uma pedra e acerta uma garrafa. Zara olha para ele.
— De jeito nenhum. A Maju é louca por você.
Vitor ri, irônico.
— E por que ela não responde minhas mensagens? Já faz um dia. Ela tirou fotos e curtiu outras coisas, então sei que não morreu. — Vitor joga outra pedra, acertando uma garrafa. — Fico imaginando ela e o Rafa juntos. É questão de tempo. A Maju está evoluindo, e eu não. — Vitor se afasta um pouco, senta-se em um banco e continua falando. — Nada dói mais do que imaginar a garota que você ama com outro.
Nesse momento, Zara tem uma ideia. Uma ideia idiota e imatura. Ela se vira, pega o celular e liga a câmera. Zara coloca o celular sobre uma mesa, apoiado na bolsa, e se aproxima de Vitor.
— Eu sei de uma garota que sempre foi a fim de você.
Vitor levanta a cabeça, olhando para Zara.
— Quem?
Zara se ajoelha de frente para Vitor, com as mãos nas pernas dele, e o beija. Vitor interrompe o beijo.
— O que você está fazendo?
— A Maju deve estar ficando com o Rafa. Eu estou aqui… e quero você.
Ela o beija novamente. Vitor interrompe outra vez.
— Espera. Tem certeza?
Zara olha nos olhos de Vitor.
— Tenho.
Os dois continuam se beijando, entregando-se totalmente um ao outro.
Na manhã seguinte, Michael está em sua casa. Sua mãe se aproxima.
— Tome seu café da manhã. Vamos sair para a consulta em breve.
Michael se senta à mesa.
— E você tem visita — disse Cristina.
Michael olha, confuso. Camila entra na cozinha.
— Adoro esses pães.
Ela se senta à mesa. Michael olha sério para ela.
— O que você está fazendo aqui?
— Fiquei preocupada com você. Vim ver como você está.
— Eu estou bem. Pode ir agora.
— E perder esse banquete? Sua mãe caprichou.
Michael continua sério.
— Por favor, Camila.
Camila sorri.
— Qual é o seu problema?
Michael abaixa a cabeça.
— Eu sou viciado.
— Foi algum charlatão que te disse isso?
— Vou me encontrar com um psicólogo que trata dependentes, e ele vai me ajudar a parar. E eu não posso mais sair com você.
— Porque eu contribuo para o seu vício? Eu conheço essa conversa fiada de psicólogo.
— Eu quero melhorar.
— Não seja careta.
Michael suspira. Camila continua.
— Não importa. Você tem uma péssima família e nenhum amigo. Vai voltar a me procurar. E, quando fizer isso… quem sabe onde eu estarei?
Camila pega sua bolsa e vai embora.
Na escola, Zara está sentada em uma mesa. Helena se aproxima e se senta à mesa.
— Eu entendo se você não quiser mais ser minha parceira. Espero que um dia a gente possa ser amiga.
— Eu mandei um e-mail para você com a minha parte.
Helena faz uma careta e liga o notebook. Ela abre sua conta de e-mail.
— Isso é um vídeo, não uma imagem.
Zara fica em silêncio. Helena dá play no vídeo. É o vídeo de Zara e Vitor no bosque. Helena olha incrédula e enojada. Ao ver Maju na porta da sala, ela fecha o notebook rapidamente.
Maju vai sorrindo até Vitor.
— Oi.
— Você voltou?
— Sim. Eu mandei milhões de mensagens na estrada.
— Minha tela quebrou. Levei meu celular para consertar.
Maju sorri, aliviada.
— Achei que você estivesse bravo porque eu desliguei o celular. Eu estava muito estressada e precisava me concentrar, mas estou aqui agora. E trouxe uma coisa de São Paulo para você.
Maju pega o celular e da o play, uma música que ela canta para Vitor:
“Eu sei que estou longe no momento
Sim, eu sei, sim, eu sei
Mas hora certa vou me aproximar de você e direi a você como eu me sinto
Sim, eu vou, sim, eu vou”.
Vitor olha para Maju
— É sobre nós.
Maju começa a se afastar.
— Você odiou?
Vitor se levanta rapidamente da mesa, segurando os braços de Maju com delicadeza.
— Não. Eu amei. E eu amo você. Não quero que nada separe a gente, ok?
Maju sorri.
— Ok.
Ela o beija e o abraça em seguida. Zara olha de longe. Vitor a vê; o olhar dele é de culpa e arrependimento por ter traído a única garota que o ama de verdade.
Sinopse do Próximo Capítulo – Silêncio que Grita
Maju é alvo de ataques online e decide se isolar em casa. O bullying sofrido por Ellie trás alguns problemas psicológicos sérios para ela. Sara lida com questões do coração.
Atualizado em: Sex 22 Maio 2026
